{"id":41166,"date":"2009-10-07T12:56:07","date_gmt":"2009-10-07T12:56:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/07\/caras-e-coracoes\/"},"modified":"2009-10-07T12:56:07","modified_gmt":"2009-10-07T12:56:07","slug":"caras-e-coracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caras-e-coracoes\/","title":{"rendered":"Caras e cora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio escolher os melhores em vez dos mais amigos e simp\u00e1ticos? Haver\u00e1 democracia na miscel\u00e2nea de interesses imediatos e de conluios com caciques com fachada de benfeitores? <!--more--> <\/p>\n<p>Ser&aacute; que existe a raz&atilde;o pura? Sem mancha de interesses ocultos, envolv&ecirc;ncias afectivas, ziguezagues de simuladores ardilosos? Segundo Kant essa raz&atilde;o cristalina, l&iacute;mpida, transcendental, criaria a grande base da ci&ecirc;ncia. Se &eacute; poss&iacute;vel ter acesso &agrave; ci&ecirc;ncia, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel ter acesso ao bem.<\/p>\n<p>Que ter&aacute; tudo isto a ver com as elei&ccedil;&otilde;es, concretamente as aut&aacute;rquicas?<\/p>\n<p>A verdade do governo da cidade n&atilde;o vem muitas vezes duma ideologia, dum projecto, duma raz&atilde;o pura e objectiva. Nem sequer dos confrontos teatrais ou c&oacute;micos largamente expandidos nas televis&otilde;es. Desta vez n&atilde;o h&aacute; figuras mitificadas pelos media.<\/p>\n<p>Estamos perante um voto de proximidade, vizinhan&ccedil;a, com nome familiar, presen&ccedil;a nos acontecimentos da comunidade, que ajuda a desenhar a cidade velha e a construir a nova cidade. Mas tamb&eacute;m a rua, o bairro, o muro, a casa, a janela, o canteiro das flores e o candeeiro em frente. Esse rosto tem poder, o seu governo, os seus ministros, que se re&uacute;nem, discutem e decidem. Aprovam e recusam, erguem e derrubam. Tudo ao p&eacute; da porta, com gente que a terra viu nascer, fazer-se doutor ou engenheiro, ou nunca aprendeu nada na vida a n&atilde;o ser passear-se por gabinetes e riscar senten&ccedil;as. Certas ou erradas, desabam sobre o quotidiano da comunidade, no caminho que percorre, no asfalto &agrave;s ondas ou nas est&aacute;tuas por vezes in&uacute;teis que nada assinalam a n&atilde;o ser quem as mandou construir. Mas tamb&eacute;m quem se d&aacute; pela comunidade, a acompanha na sua festa e na sua dor. Quem v&ecirc; e acompanha por dentro os grandes tempos e as rotinas da aldeia deserta e esquecida.Com testemunhos hist&oacute;ricos: o pelourinho, a igreja, a escola, festa anual e esse orgulho com que cada um diz que esta &eacute; a sua terra.<\/p>\n<p>Grande parte dos votos tem este cen&aacute;rio e recai sobre pessoas mais que conhecidas. Por isso se pergunta: ser&aacute; que o cora&ccedil;&atilde;o deixa funcionar a raz&atilde;o na elei&ccedil;&atilde;o dos governantes locais? Ser&aacute; a comunidade l&uacute;cida na escolha dos homens e mulheres que v&atilde;o gerir os seus destinos? N&atilde;o ser&aacute; necess&aacute;rio escolher os melhores em vez dos mais amigos e simp&aacute;ticos? Haver&aacute; democracia na miscel&acirc;nea de interesses imediatos e de conluios com caciques com fachada de benfeitores?<\/p>\n<p>Evocar Kant para lembrar que a raz&atilde;o deve funcionar nos grandes tempos pessoais e comunit&aacute;rios, &eacute; apenas aceitar que importa ver cora&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m das caras. E que, como disse Jesus: &ldquo;a verdade vos libertar&aacute;&rdquo;. (Jo&atilde;o 8, 32)<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio escolher os melhores em vez dos mais amigos e simp\u00e1ticos? Haver\u00e1 democracia na miscel\u00e2nea de interesses imediatos e de conluios com caciques com fachada de benfeitores?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-41166","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41166"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41166\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}