{"id":41159,"date":"2009-10-07T11:35:57","date_gmt":"2009-10-07T11:35:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/07\/experiencia-do-sudao-no-sinodo-dos-bispos\/"},"modified":"2009-10-07T11:35:57","modified_gmt":"2009-10-07T11:35:57","slug":"experiencia-do-sudao-no-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/experiencia-do-sudao-no-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia do Sud\u00e3o no S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p>Acreditar, mesmo em tempos de guerra <!--more--> <\/p>\n<p>Os tr&ecirc;s representantes da Confer&ecirc;ncia Episcopal do Sud&atilde;o querem partilhar no II S&iacute;nodo Africano a experi&ecirc;ncia das suas igrejas em mat&eacute;ria de reconcilia&ccedil;&atilde;o e paz ao longo dos anos.<\/p>\n<p>O Sud&atilde;o &eacute; o maior pa&iacute;s africano e tamb&eacute;m o mais marcado pelo conflito. Independente em 1956 do cons&oacute;rcio anglo-eg&iacute;pcio, entrou em guerra civil um ano antes, em 1955, durante o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o quando Cartum renegou o sistema federativo que tinha negociado com o Sul. O acordo de Adis-Abeba, em 1972, assinalou o fim do conflito.<\/p>\n<p>Contudo, foi sol de pouca dura. Em 1983, come&ccedil;ou a segunda guerra civil contra a islamiza&ccedil;&atilde;o do Sul. O conflito fez mais de dois milh&otilde;es de mortos e quatro milh&otilde;es de deslocados e terminou em 2005, com a assinatura do Acordo Global de Paz, em Nairobi, Qu&eacute;nia, consagrando o princ&iacute;pio de um pa&iacute;s e dois sistemas: rep&uacute;blica isl&acirc;mica no norte e estado laico no Sul.<\/p>\n<p>A paz &eacute; ainda uma miragem. Segundo a ONU, este ano mais de duas mil pessoas foram mortas em lutas inter-tribais ou entre cl&atilde;s no Sul do Sud&atilde;o e not&iacute;cias de novos recontros aparecem cada semana.<\/p>\n<p>Entretanto, o conflito estalou no Darfur em 2003 e at&eacute; agora mais de 300 mil pessoas morreram e dois milh&otilde;es vivem em campos de refugiados.<\/p>\n<p>A Igreja n&atilde;o tem estado &agrave; margem desta mar&eacute; de viol&ecirc;ncia que tem varrido o Sud&atilde;o mesmo antes da independ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O bispo de Tambura-Yambio, dom Eduardo Hiiboro, &eacute; um dos representantes do Sud&atilde;o no Segundo S&iacute;nodo Africano de Bispos, juntamente com os bispos de Wau, Dom Rodolfo Deng, presidente da confer&ecirc;ncia episcopal, e dom Daniel Adwok, auxiliar de Cartum.<\/p>\n<p>O bispo de Yambio diz que a delega&ccedil;&atilde;o sudanesa leva na bagagem para o S&iacute;nodo a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de promotora de paz e a reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&laquo;A Igreja desde o come&ccedil;o das guerras civis tem estado ao servi&ccedil;o das comunidades para promover a paz, a reconcilia&ccedil;&atilde;o, o perd&atilde;o e a estabilidade. A Igreja n&atilde;o tem estado calada, n&atilde;o tem sido uma ilha isolada, mas tem estado presente na experi&ecirc;ncia di&aacute;ria do Sud&atilde;o&raquo;, disse dom Hiiboro.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, a sua diocese de Tombura-Yambio tem sido duramente fustigada pelas atrocidades dos guerrilheiros ugandeses do Ex&eacute;rcito de Resist&ecirc;ncia do Senhor (LRA na sigla inglesa), que foram acantonados na &aacute;rea durante as conversa&ccedil;&otilde;es de paz com o governo do Uganda, mediadas pelo governo regional do Sul do Sud&atilde;o.<\/p>\n<p>O l&iacute;der do LRA, Joseph Kony, recusou-se a assinar o tratado de paz que a sua delega&ccedil;&atilde;o negociou com o governo ugand&ecirc;s, e os rebeldes dedicam-se a aterrorizar as popula&ccedil;&otilde;es na Equat&oacute;ria Ocidental, no Sul do Sud&atilde;o, RD do Congo e Rep&uacute;blica da &Aacute;frica Central numa orgia de viol&ecirc;ncia que matou centenas, deslocou dezenas de milhares e semeou a destrui&ccedil;&atilde;o e o caos na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>No m&ecirc;s passado, Dom Hiiboro organizou uma ac&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica de tr&ecirc;s dias de ora&ccedil;&atilde;o e jejum a pedir a paz para a regi&atilde;o ao mesmo tempo que apelou &agrave; comunidade internacional para ajudar as popula&ccedil;&otilde;es &agrave; beira da fome.<\/p>\n<p>O evento culminou com uma marcha de mais de 20 quil&oacute;metros em que o bispo participou, descal&ccedil;o como os demais e vestindo roupas velhas, em sinal de penit&ecirc;ncia pela paz. Mais de 20 mil pessoas estiveram na celebra&ccedil;&atilde;o de encerramento em Yambio.<\/p>\n<p>Antes de partir para Roma, Dom Hiiboro disse-me que levava na mala a experi&ecirc;ncia sudanesa e as esperan&ccedil;as e as aspira&ccedil;&otilde;es do Sud&atilde;o: a seguran&ccedil;a, a bondade, a paz e a tranquilidade da pessoa humana. E adiantou que espera que o Segundo S&iacute;nodo Africano encontre respostas para os problemas, os sonhos e as aspira&ccedil;&otilde;es africanos de paz e estabilidade.<\/p>\n<p>Disse que ia feliz mas tamb&eacute;m ansioso. E sublinhou que o s&iacute;nodo tem que pegar na quest&atilde;o fundamental: &Aacute;frica qual &eacute; o teu problema? Porque &eacute; que no teu continente h&aacute; problemas cont&iacute;nuos de pobreza, matan&ccedil;a e guerras?<\/p>\n<p>O tema do S&iacute;nodo &eacute; a Igreja em &Aacute;frica ao Servi&ccedil;o da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, da Justi&ccedil;a e da paz. Perguntei-lhe que colabora&ccedil;&atilde;o a Igreja Sudanesa pode oferecer ao s&iacute;nodo.<\/p>\n<p>A sua resposta foi reveladora: &laquo;N&oacute;s oferecemos a nossa paci&ecirc;ncia, a nossa toler&acirc;ncia e o nosso movimento gradual para a paz&raquo;, disse.<\/p>\n<p>Dom Hiiboro rematou que o Sud&atilde;o como pa&iacute;s n&atilde;o tem propriamente uma hist&oacute;ria de paz e que o conflito e a guerra s&atilde;o uma constante. Contudo, sublinhou, h&aacute; muitos sudaneses empenhados a trabalharem pela paz. O prelado acrescentou que a Igreja Sudanesa n&atilde;o tem estado calada, que tem lutado contra o que humilha e oprime o ser humano.<\/p>\n<p>&laquo;Esta &eacute; a experi&ecirc;ncia que vamos oferecer para n&atilde;o perderem a esperan&ccedil;a!&raquo;, concluiu.&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Vieira, Mission&aacute;rio Comboniano em Juba &#8211; Sul do Sud&atilde;o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acreditar, mesmo em tempos de guerra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[291,311],"class_list":["post-41159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-refugiados","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41159"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41159\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}