{"id":41154,"date":"2009-10-07T10:41:33","date_gmt":"2009-10-07T10:41:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/07\/solidariedade-social-depois-das-eleicoes\/"},"modified":"2009-10-07T10:41:33","modified_gmt":"2009-10-07T10:41:33","slug":"solidariedade-social-depois-das-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidariedade-social-depois-das-eleicoes\/","title":{"rendered":"Solidariedade social depois das elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Lino Maia, Presidente da CNIS <!--more--> <\/p>\n<p>1. Nunca como nas &uacute;ltimas Elei&ccedil;&otilde;es Legislativas foi dado tanto destaque e enquadramento &agrave;s chamadas &ldquo;pol&iacute;ticas sociais&rdquo;, &agrave; solidariedade social e ao envolvimento de todos no que &eacute; causa comum.<\/p>\n<p>Concretamente, as Institui&ccedil;&otilde;es Particulares de Solidariedade Social (IPSS) foram colocadas nos programas da generalidade das for&ccedil;as partid&aacute;rias, que tentaram seduzir os seus dirigentes e as suas din&acirc;micas. Foi revelado um melhor conhecimento e reconhecimento de um diligente Sector que, com mestria, est&aacute; a atenuar os &ldquo;efeitos colaterais&rdquo; da chamada crise global.<\/p>\n<p>Melhor que a campanha eleitoral &ndash; mais sujeita a uma l&oacute;gica de casos e de &ldquo;folclore eleitoralista&rdquo; &ndash; a pr&eacute;-campanha e os debates sublinharam a import&acirc;ncia das Institui&ccedil;&otilde;es Solid&aacute;rias e uma maior convic&ccedil;&atilde;o de que um futuro mais promissor para os portugueses passa pelo refor&ccedil;o, pela autonomia e pela contratualiza&ccedil;&atilde;o com aquele que pode ficar a ser conhecido como Sector Solid&aacute;rio.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m de promessas nesta &aacute;rea (ainda as houve e algumas com tom de cativante demagogia), avan&ccedil;aram-se ideias que, independentemente de quem as defendeu, merecem ser aprofundadas. Tamb&eacute;m ningu&eacute;m questionou verdadeiramente a op&ccedil;&atilde;o pelo chamado Estado Social, enquanto todas as for&ccedil;as partid&aacute;rias foram un&acirc;nimes no reconhecimento de que n&atilde;o h&aacute; futuro sem maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas e de que o exerc&iacute;cio da cidadania tamb&eacute;m passa pelo envolvimento de toda a comunidade e das suas institui&ccedil;&otilde;es na constru&ccedil;&atilde;o de um devir com mais esperan&ccedil;a para todos.<\/p>\n<p>Sobra uma pergunta: que futuro para a solidariedade social e para a caridade depois das elei&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Independentemente da durabilidade da Legislatura que agora se inicia, h&aacute; sinais e h&aacute; um Parlamento mais homog&eacute;neo e, talvez, mais refor&ccedil;ado.<\/p>\n<p>Quest&otilde;es como a universalidade de direitos e presta&ccedil;&otilde;es sociais, proximidade e transfer&ecirc;ncia de compet&ecirc;ncias &#8211; temas de actualidade, importantes e merecedores de cuidada pondera&ccedil;&atilde;o &ndash; poder&atilde;o ser retomados e fazer passar por alguma turbul&ecirc;ncia um Sector que agora gerou t&atilde;o grande consenso.<\/p>\n<p>Ultrapassadas (?) as sucessivas &eacute;pocas das infra-estruturas, porque pr&oacute;ximas e porque poder, poder&atilde;o as autarquias reivindicar simultaneamente a assun&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de car&aacute;cter social e a submiss&atilde;o das Institui&ccedil;&otilde;es de Solidariedade &agrave; sua esfera. &Eacute; uma &aacute;rea com evidente impacto e com retorno imediato.<\/p>\n<p>Contornam a quest&atilde;o de que s&atilde;o Estado com o argumento da proximidade, enquanto no pr&oacute;prio Estado tamb&eacute;m n&atilde;o faltar&aacute; quem tal defenda. Por&eacute;m, estar&atilde;o a contrariar a especificidade portuguesa de um t&atilde;o significativo envolvimento das comunidades na inventaria&ccedil;&atilde;o dos anseios das popula&ccedil;&otilde;es e na resolu&ccedil;&atilde;o dos seus constrangimentos, enquanto tamb&eacute;m estar&atilde;o a encaminhar a Igreja para um espa&ccedil;o em que, for&ccedil;osamente, ela se sentir&aacute; asfixiada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Outrora depreciativamente acusada de assistencialismo, a Igreja Cat&oacute;lica tem um grande envolvimento das suas comunidades na ac&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>&Eacute; muita e de grande qualidade a ac&ccedil;&atilde;o caritativa e social, espont&acirc;nea ou institucionalizada, silenciosa e disponibilizada, emergente e envolvente, dos fi&eacute;is, das comunidades e das Institui&ccedil;&otilde;es. Nas mais diversas &aacute;reas, mas particularmente em servi&ccedil;os de apoio &agrave; inf&acirc;ncia, &agrave;s pessoas mais velhas e &agrave;queles que s&atilde;o afectados por enfermidades. A marca crist&atilde; e, portanto, humana, ali est&aacute; e dali d&aacute; sinais a muita da ac&ccedil;&atilde;o social que por c&aacute; se faz.<\/p>\n<p>&Eacute; certo que escasseiam os padres e que ainda restam d&uacute;vidas sobre se, quando a Igreja aquilo faz, n&atilde;o estar&aacute; a substituir o Estado.<\/p>\n<p>Mais do que de muita inova&ccedil;&atilde;o (muitas vezes ao servi&ccedil;o de &ldquo;novas oportunidades&rdquo;, s&oacute; para alguns), a hora &eacute; de afirma&ccedil;&atilde;o da matriz, na qualidade de excel&ecirc;ncia e, sobretudo, de servi&ccedil;o. Como claramente o indicava um estudo recentemente publicado em Paris e feito com base junto de Confer&ecirc;ncias Episcopais, quest&otilde;es como as relacionadas com solidariedade, direitos humanos e desenvolvimento &#8220;s&atilde;o apreciadas e valorizadas&rdquo; em Portugal, sendo mesmo pedido &agrave; Igreja Cat&oacute;lica um maior empenho nestas &aacute;reas.<\/p>\n<p>Perita em humanismo, a sua interven&ccedil;&atilde;o especialmente junto das crian&ccedil;as (particularmente na primeira e segunda inf&acirc;ncia, com uma clara aposta na educa&ccedil;&atilde;o integral e para os valores), junto dos mais velhos (com a sua valoriza&ccedil;&atilde;o e reconhecimento) e dos enfermos (com a sua assist&ecirc;ncia humanizada e suavizante). H&aacute; outras &aacute;reas onde tem grandes compet&ecirc;ncias e grande tradi&ccedil;&atilde;o, mas se alheada destas, &agrave; Igreja n&atilde;o restar&aacute; muito campo para lan&ccedil;ar a semente enquanto para o culto restar&atilde;o alguns l&aacute;bios mas n&atilde;o sobrar&atilde;o grandes cora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Claro que a quest&atilde;o do excessivo envolvimento de um clero que rareia &eacute; pertinente, mas n&atilde;o estar&aacute; na hora de investir na forma&ccedil;&atilde;o de agentes, leigos, e na institui&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio da caridade ou da diaconia?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Lino Maia, presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional das Institui&ccedil;&otilde;es de Solidariedade<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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