{"id":411410,"date":"2026-02-08T09:31:21","date_gmt":"2026-02-08T09:31:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=411410"},"modified":"2026-02-06T13:24:11","modified_gmt":"2026-02-06T13:24:11","slug":"leiria-temos-de-ir-ter-com-as-pessoas-a-periferia-ainda-esta-muito-isolada-ana-isabel-mota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/leiria-temos-de-ir-ter-com-as-pessoas-a-periferia-ainda-esta-muito-isolada-ana-isabel-mota\/","title":{"rendered":"Leiria: \u00abTemos de ir ter com as pessoas, a periferia ainda est\u00e1 muito isolada\u00bb &#8211; Ana Isabel Mota"},"content":{"rendered":"<p><em>Ainda com d\u00favidas sobre a real dimens\u00e3o da trag\u00e9dia e numa altura em que se continuam a sentir os efeitos do mau tempo, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, Ana Isabel Mota, presidente da Caritas Diocesana de Leiria, a regi\u00e3o do pa\u00eds mais afetada pela depress\u00e3o Kristin<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_411333\" aria-describedby=\"caption-attachment-411333\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-411333 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/presidente_caritas_leiria.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/presidente_caritas_leiria.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/presidente_caritas_leiria-400x224.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/presidente_caritas_leiria-768x431.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-411333\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Leiria-F\u00e1tima\/Paulo Adriano<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Caritas de Leiria, que tem uma rede de proximidade, j\u00e1 consegue ter uma fotografia real da dimens\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o ou ainda se est\u00e3o a descobrir novos dramas?<\/em><\/p>\n<p>Todos os dias temos equipas na rua, portanto todos os dias estamos a descobrir novas realidades e muito dif\u00edceis. N\u00f3s temos cinco equipas di\u00e1rias, com v\u00e1rios t\u00e9cnicos, desde psic\u00f3logos, assistentes sociais, inclusivamente enfermeiras, que v\u00e3o ao local e todos os dias trazem situa\u00e7\u00f5es muito, muito dif\u00edceis. J\u00e1 arrancou uma equipa para cobrir as necessidades que s\u00e3o assinaladas com a equipa de proximidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fala de dificuldades acrescidas, pode dar alguns exemplos?<\/em><\/p>\n<p>Principalmente comunica\u00e7\u00e3o, as pessoas est\u00e3o isoladas, deslocam-se 10, 15 quil\u00f3metros para comunicar com familiares, muitas vezes at\u00e9 connosco, mandam-nos emails com urg\u00eancia, \u201cvenham a ajudar porque eu n\u00e3o tenho comida, n\u00e3o tenho agasalhos\u201d, porque as casas est\u00e3o muito desprotegidas. Temos tido muitos pedidos espont\u00e2neos das dificuldades que as pessoas est\u00e3o a sentir, porque desde as casas n\u00e3o t\u00eam telhados &#8211; n\u00e3o tem cobertura, pode ter telhado e ter cobertura. Fazemos tamb\u00e9m visitas, deparamo-nos com situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam absolutamente prote\u00e7\u00e3o nenhuma, n\u00e3o t\u00eam eletricidade, n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua, n\u00e3o t\u00eam comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos de ir junto dessas pessoas, andamos com as nossas equipas, com as carrinhas cheias de lonas de alimentos, n\u00e3o s\u00f3 da nossa equipa t\u00e9cnica, porque temos de ir ter com as pessoas, a periferia ainda est\u00e1 muito isolada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A equipa est\u00e1 no terreno desde a primeira hora\u2026<\/em><\/p>\n<p>Desde a primeira hora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E continuando a chegar a estes pedidos, quais s\u00e3o os mais urgentes?<\/em><\/p>\n<p>Lonas, as pessoas pedem-nos cada vez mais lonas, lonas, lanternas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 porque a chuva n\u00e3o tem parado, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Pedem-nos muito r\u00e1dios port\u00e1teis. Para que se perceba, dizem-nos \u201colha, s\u00f3 ontem \u00e9 que vi televis\u00e3o\u201d. Onde eu vivo tamb\u00e9m ainda n\u00e3o temos luz, portanto, as pessoas est\u00e3o mesmo isoladas, n\u00e3o h\u00e1 forma de chegar a elas, \u00e9 muito, muito dif\u00edcil. Temos mesmo de ir l\u00e1 ao local, perceber, fazer levantamentos e depois vamos no outro dia levar o que as pessoas precisam, quando n\u00e3o \u00e9 no mesmo dia, temos equipas \u00e0 noite. N\u00f3s temos seis colaboradores, aqui a C\u00e1ritas de Leiria, que eu aproveito para dar o maior elogio, estou muito orgulhosa da nossa equipa da C\u00e1ritas de Leiria, que tem sido incans\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 horas, n\u00e3o h\u00e1 dias, andamos aqui nove dias consecutivos, e s\u00e3o incans\u00e1veis.<\/p>\n<p>Se \u00e9 preciso ir \u00e0 noite v\u00e3o, \u00e0s sete da manh\u00e3 j\u00e1 aqui est\u00e1 a equipa, reunimos todos a ver as dificuldades, a nossa equipa est\u00e1 muito, muito empenhada porque as pessoas realmente precisam. Na C\u00e1ritas, a nossa ess\u00eancia \u00e9 a proximidade, trabalhar com as pessoas mais vulner\u00e1veis, e s\u00e3o elas que est\u00e3o agora a precisar de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>T\u00eam surgido cr\u00edticas \u00e0 forma como as autoridades responderam \u00e0 trag\u00e9dia, ouvimos autarcas a dizer que se sentem abandonados, populares que se queixam de ainda n\u00e3o terem sido contactados, ali\u00e1s ainda agora nos dizia que de facto h\u00e1 as popula\u00e7\u00f5es isoladas. Quem est\u00e1 no terreno e contacta com as mais diversas situa\u00e7\u00f5es, encontra raz\u00f5es para estas cr\u00edticas? <\/em><\/p>\n<p>Encontra, sim, sim.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um sentimento de abandono nas popula\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o queria ser t\u00e3o dr\u00e1stica, n\u00f3s tamb\u00e9m estamos em articula\u00e7\u00e3o com os grupos sociocaritativos, com as par\u00f3quias e tamb\u00e9m com as Juntas de Freguesia. N\u00f3s procuramos muitos as Juntas de Freguesia pela proximidade, as pessoas s\u00e3o visitadas, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente, o apoio que se est\u00e1 a dar n\u00e3o \u00e9 suficiente. Eu n\u00e3o vou ser muito dr\u00e1stica e dizer, \u201colhem, est\u00e3o abandonadas\u201d, que est\u00e3o deslocadas e desprotegidas e tristes est\u00e3o, isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 ouvimos relatos dram\u00e1ticos de pessoas idosas dizer que ainda ningu\u00e9m as contactou, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>E depois temos outra dificuldade\u2026 n\u00f3s temos a nossa equipa de rua, inclusivamente estamos aqui a receber refor\u00e7os Set\u00fabal, Lisboa, Viseu, que acompanha tamb\u00e9m as nossas equipas e depois a grande dificuldade \u00e9 que, principalmente os idosos, t\u00eam medo de nos abrir a porta. Temos as carrinhas cheias de alimentos, lonas, mas o clima de desconfian\u00e7a \u00e9 muito grande e tamb\u00e9m temos com alguma dificuldade a entrar por essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 um dos problemas, como \u00e9 que se chega a quem n\u00e3o pede socorro?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 que \u00e9 a nossa preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos aqui filas e filas \u00e0 nossa porta, inclusive j\u00e1 tivemos de solicitar as For\u00e7as de Seguran\u00e7a para tamb\u00e9m ordenar um bocado aqui a nossa procura, mas essas \u00e9 que nos preocupam, por isso \u00e9 que n\u00f3s estamos na rua a procurar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Infelizmente, Leiria tem a mem\u00f3ria tr\u00e1gica dos inc\u00eandios de 2017. A experi\u00eancia que a Caritas ganhou nessa altura \u00e9 agora um recurso para enfrentar esta nova trag\u00e9dia?<\/em><\/p>\n<p>Uma parte da equipa estava c\u00e1, outra n\u00e3o, inclusive esta dire\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de quando houve essa trag\u00e9dia. N\u00f3s somos muito resilientes, a equipa \u00e9 excelente e adapta-se bem \u00e0s situa\u00e7\u00f5es. Era preciso, desde o primeiro dia foi preciso ir para o terreno e fomos para o terreno, vamos \u00e0 procura das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o vosso papel pode estender-se \u00e0 fase de reconstru\u00e7\u00e3o das habita\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Ali\u00e1s, n\u00f3s inclusivamente temos um fundo, um fundo de emerg\u00eancia da tempestade, pronto para fazer face a isso, porque o momento de crise \u00e9 agora, mas \u00e9 necess\u00e1rio fazer a recupera\u00e7\u00e3o e as dificuldades v\u00e3o permanecer. Agora estamos em crise, todas as pessoas ajudam, mas depois, e o qu\u00ea? Quando \u00e9 que vamos chegar realmente \u00e0s pessoas terem uma habita\u00e7\u00e3o digna? Olhe, elas j\u00e1 s\u00f3 querem um telhado, para se poderem proteger. Acab\u00e1mos por ter tamb\u00e9m de pensar um bocadinho no futuro, porque as dificuldades v\u00e3o permanecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os holofotes medi\u00e1ticos est\u00e3o todos muito concentrados agora, em Leiria, mas n\u00f3s todos sabemos, pela nossa experi\u00eancia, que se v\u00e3o desligar. E pode n\u00e3o demorar muito\u2026 h\u00e1 o risco destas pessoas ficarem esquecidas em breve outra vez?<\/em><\/p>\n<p>O que a C\u00e1ritas puder fazer, a C\u00e1ritas faz. Uma das mensagens que n\u00f3s deixamos sempre \u00e9 a esperan\u00e7a, n\u00f3s estamos a cuidar das pessoas e estamos a trabalhar. J\u00e1 estamos a reunir a comiss\u00e3o que vai trabalhar com este fundo, para come\u00e7armos a fazer a aplica\u00e7\u00e3o do montante, ali\u00e1s n\u00f3s somos auditados, porque queremos a m\u00e1xima transpar\u00eancia: n\u00e3o vai sair daqui um euro que n\u00e3o seja devidamente fundamentado, a C\u00e1ritas quer estar ao n\u00edvel de uma C\u00e1ritas de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esse fundo tem vindo a crescer nos \u00faltimos dias, n\u00e3o \u00e9? Porque a solidariedade tem sido grande.<\/em><\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 estamos a aproximadamente um milh\u00e3o de euros, e queremos a m\u00e1xima transpar\u00eancia, por isso fizemos quest\u00e3o de ser auditados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos de dificuldades, mas tamb\u00e9m h\u00e1 sinais de esperan\u00e7a: a campanha da C\u00e1ritas teve este acolhimento positivo, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 ultrapassou um milh\u00e3o de euros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que olha para esta onda de solidariedade? Os portugueses, e quem vive c\u00e1, continuam a saber dar as m\u00e3os nesta hora da afli\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, sem d\u00favida. Os portugueses s\u00e3o muito solid\u00e1rios. N\u00f3s estamos a receber n\u00e3o s\u00f3 das pessoas, dos particulares, das empresas, grandes empresas, ali\u00e1s, est\u00e1 uma equipa agora, tamb\u00e9m com uma institui\u00e7\u00e3o que nos quer apoiar, todas as empresas\u2026 uma coisa eu louvo, sem a menor d\u00favida, n\u00e3o houve um pedido que a C\u00e1ritas de Leiria fizesse que tenha sido negado, seja em que forma. Toda a ajuda, todo o apoio que n\u00f3s pedimos, isto \u00e9 de referenciar. E isso tamb\u00e9m nos deixa com muita esperan\u00e7a para continuar, d\u00e1-nos muita for\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que est\u00e1 a ser a articula\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas com as outras institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no terreno, em particular com os organismos p\u00fablicos?<\/em><\/p>\n<p>Desde a primeira hora: n\u00f3s fazemos parte da Prote\u00e7\u00e3o Civil, e na primeira reuni\u00e3o apercebemo-nos da dimens\u00e3o e fomos logo, logo ao terreno. N\u00f3s, desde a primeira hora, estamos em articula\u00e7\u00e3o com o Munic\u00edpio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Queria fazer-lhe uma pergunta sobre essa express\u00e3o que temos usado tantas vezes nesta entrevista, que \u00e9 a \u201cprimeira hora\u201d. Pode recordar qual foi o primeiro impacto que teve daquela manh\u00e3, depois de tudo o que aconteceu? Qual foi o primeiro impacto naquele dia?<\/em><\/p>\n<p>Eu recebi um telefonema \u00e0s sete da manh\u00e3 a dizer que n\u00e3o se podia entrar na C\u00e1ritas, porque n\u00f3s tamb\u00e9m sofremos danos, n\u00e3o s\u00f3 aqui como numa casa que temos, uma casa social, tamb\u00e9m temos danos.<\/p>\n<p>\u00c9 onde temos crian\u00e7as, jovens, idosos, tamb\u00e9m temos grupos. Essa n\u00e3o \u00e9 a nossa preocupa\u00e7\u00e3o, a casa agora n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, depois com o tempo pensaremos nela. Agora \u00e9 as pessoas, pessoas, pessoas, a nossa prioridade s\u00e3o as pessoas, pronto.<\/p>\n<p>Naquele primeiro dia n\u00e3o pudemos entrar na C\u00e1ritas, a primeira coisa foi desbloquear, foi chegar aqui e vamos erguer, pronto, vamos ver o que \u00e9 que \u00e9 preciso.<\/p>\n<p>Depois dessa reuni\u00e3o da Prote\u00e7\u00e3o Civil a realidade apresentou-se muito dif\u00edcil e fomos para o terreno, reuniu-se a equipa e desde sempre houve muita for\u00e7a. H\u00e1 horas em que o cansa\u00e7o\u2026 mas isso n\u00e3o nos preocupa, o cansa\u00e7o fica ali a aparecer, mas sempre com muita coragem.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o posso enaltecer mais a nossa equipa, somos seis pessoas, temos feito muito, muito, muito, desde o diretor de servi\u00e7os \u00e0 administrativa, \u00e0 assistente social, \u00e0 psic\u00f3loga, educadora social, todas elas est\u00e3o muito, muito orgulhosas da equipa que temos. Somos poucos, mas fazemos muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E desde essa primeira hora at\u00e9 ao momento j\u00e1 foi muita solidariedade prestada pela C\u00e1ritas, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falemos de n\u00fameros.<\/em><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 n\u00e3o sei falar em quilos normalmente, fal\u00e1vamos em quilos, j\u00e1 tivemos de refor\u00e7ar as nossas balan\u00e7as, assim como tamb\u00e9m os nossos transportes que tivemos de arranjar. Aqui na nossa sede, com volunt\u00e1rios, neste momento por exemplo temos a\u00ed 20 escuteiros, mas h\u00e1 volunt\u00e1rios de todo o pa\u00eds, distribu\u00edmos 35 toneladas, eu estou a falar na nossa sede, porque essas conseguimos contabilizar, 264 fam\u00edlias de cabazes na nossa institui\u00e7\u00e3o. Agora, temos alimentos no semin\u00e1rio, nas nossas instala\u00e7\u00f5es, entretanto est\u00e3o aqui, estavam a fazer, precisamos ir ali para o regimento, para o quartel levar tamb\u00e9m, porque a partir de hoje j\u00e1 temos de levar para l\u00e1 alguns alimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas carrinhas que vieram, 14, 15, de todo o pa\u00eds, muitas eram j\u00e1 diretamente para as Juntas de Freguesia, para os grupos sociocaritativos, h\u00e1 muitas que foram diretamente. Ou seja, j\u00e1 n\u00e3o descarregavam aqui, a emerg\u00eancia a\u00ed era, seja em Our\u00e9m, seja na Vieira, seja na Marinha Grande, pronto, n\u00f3s estamos a abrir, porque n\u00f3s somos uma C\u00e1ritas Diocesana, estamos a abranger a diocese toda. Foi sempre a nossa primeira op\u00e7\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 Leiria, que at\u00e9 tem bastante apoio, \u00e9 as periferias e \u00e9 toda a diocese, estamos a cobrir toda a diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou ainda h\u00e1 pouco do cansa\u00e7o, natural, que se vai acumulando nesta grande luta. O facto de o Papa Le\u00e3o XIV ter querido recordar, mais do que uma vez, as pessoas que foram afetadas pela tempestade, foi importante? Tamb\u00e9m ajuda a levar esperan\u00e7a, por exemplo, a quem perdeu o telhado da sua casa?<\/em><\/p>\n<p>Ajuda, sim. O nosso Papa \u00e9 a nossa refer\u00eancia e este reconhecimento tamb\u00e9m, que felizmente temos tido, tamb\u00e9m pelo nosso bispo, que desde a primeira hora esteve sempre ao nosso lado, sempre a apoiar-nos tamb\u00e9m, eu acho que esta parte institucional \u00e9 muito importante, para n\u00f3s tem sido bom, n\u00e3o s\u00f3 pelo apoio, mas tamb\u00e9m pelo reconhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda com d\u00favidas sobre a real dimens\u00e3o da trag\u00e9dia e numa altura em que se continuam a sentir os efeitos do mau tempo, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, Ana Isabel Mota, presidente da Caritas Diocesana de Leiria, a regi\u00e3o do pa\u00eds mais afetada pela depress\u00e3o 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