{"id":41117,"date":"2009-10-06T11:20:17","date_gmt":"2009-10-06T11:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/06\/por-uma-igreja-mais-missionaria-2\/"},"modified":"2009-10-06T11:20:17","modified_gmt":"2009-10-06T11:20:17","slug":"por-uma-igreja-mais-missionaria-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/por-uma-igreja-mais-missionaria-2\/","title":{"rendered":"Por uma Igreja mais mission\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal das Miss\u00f5es, D. Ant\u00f3nio Couto, fala dos desafios que se colocam \u00e0 difus\u00e3o do Evangelho nos nossos dias <!--more--> <\/p>\n<p>2008 foi um ano grande para a Miss&atilde;o em Portugal. Em pleno Ano Paulino foi celebrado o I Congresso Mission&aacute;rio Nacional, com mais de mil participantes. Em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o presidente da Comiss&atilde;o Episcopal das Miss&otilde;es, D. Ant&oacute;nio Couto, fala do percurso percorrido desde ent&atilde;o e dos desafios que a semente do Evangelho deposita no cora&ccedil;&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Depois do Congresso Mission&aacute;rio de 2008, qual foi a din&acirc;mica que se criou na Igreja portuguesa a partir desse encontro?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Couto (AC) &ndash;<\/em> Duas din&acirc;micas sa&iacute;ram do Congresso: uma pr&aacute;tica e imediata, e outra de fundo, a requerer estudo, e, portanto, a m&eacute;dio prazo.<\/p>\n<p>A primeira nasce no seio do pr&oacute;prio Congresso, entre os participantes, e naquilo que cada um levou consigo. Quem participou no Congresso levou consigo naturalmente algumas motiva&ccedil;&otilde;es e provoca&ccedil;&otilde;es. Estiveram presentes bispos, sacerdotes e leigos, estes em maior n&uacute;mero. E talvez seja no sector dos leigos que se esteja a operar, j&aacute; de h&aacute; uns tempos a esta parte, e no bom sentido, a maior viragem.<\/p>\n<p>A segunda, que ficou assinalada nas conclus&otilde;es do Congresso, foi a solicita&ccedil;&atilde;o &agrave; Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa (CEP) da elabora&ccedil;&atilde;o de um documento-base para a miss&atilde;o em Portugal.<\/p>\n<p>Esse pedido foi considerado no plen&aacute;rio da CEP, em Novembro de 2008, logo ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o do Congresso. A CEP aceitou o pedido por unanimidade e incumbiu a Comiss&atilde;o Episcopal das Miss&otilde;es da elabora&ccedil;&atilde;o do referido documento.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Episcopal das Miss&otilde;es e o Conselho Nacional das Miss&otilde;es acordaram as linhas fundamentais desse documento, que j&aacute; recebeu duas redac&ccedil;&otilde;es, e est&aacute; actualmente em aprecia&ccedil;&atilde;o por todos os envolvidos. Na pr&oacute;xima Assembleia Plen&aacute;ria da CEP, marcada para Novembro, o documento poder&aacute; ser apresentado para discuss&atilde;o.<\/p>\n<p>Este documento, acredito, poder&aacute; criar novas din&acirc;micas na Igreja em Portugal, em especial no &acirc;mbito das dioceses e par&oacute;quias, mas tamb&eacute;m nos Institutos Mission&aacute;rios e de todos quantos vivem o problema mission&aacute;rio. Esta din&acirc;mica tem de chegar &agrave;s par&oacute;quias. Como disse muito bem Jo&atilde;o Paulo II, as par&oacute;quias s&atilde;o a Igreja no meio dos seus filhos e das suas filhas, e &eacute; l&aacute;, nesse human&iacute;ssimo ch&atilde;o, que se podem estabeler rela&ccedil;&otilde;es novas, pr&oacute;ximas e acolhedoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A Igreja est&aacute; &agrave; espera deste documento para criar um novo dinamismo? O envolvimento pessoal n&atilde;o correspondeu &agrave;s expectativas criadas?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Houve o envolvimento poss&iacute;vel. Do Congresso Mission&aacute;rio n&atilde;o saiu nenhuma organiza&ccedil;&atilde;o concreta. Sa&iacute;ram desafios que podem estimular as organiza&ccedil;&otilde;es que j&aacute; existiam, e que podem eventualmente gerar novas din&acirc;micas. As organiza&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes passam pelo voluntariado, que cada vez contagia mais jovens, sobretudo nos meios universit&aacute;rios, e tamb&eacute;m pelos grupos que andam associados aos diferentes Institutos mission&aacute;rios. Estes dinamismos j&aacute; existiam, portanto. O que desejamos &eacute; que a din&acirc;mica mission&aacute;ria chegue a mais gente, atingindo tamb&eacute;m o cora&ccedil;&atilde;o das Dioceses e Par&oacute;quias.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao documento, &eacute; preciso ter a no&ccedil;&atilde;o realista de que leva o seu tempo de discuss&atilde;o, an&aacute;lise e elabora&ccedil;&atilde;o. Acredito que poder&aacute; ajudar a dinamizar a Igreja, aos seus diversos n&iacute;veis, n&atilde;o deixando ningu&eacute;m indiferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Intui&ccedil;&otilde;es de S. Paulo para a miss&atilde;o hoje<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Na interven&ccedil;&atilde;o nas Jornadas Mission&aacute;rias, D. Ant&oacute;nio Couto focou as grandes intui&ccedil;&otilde;es da miss&atilde;o em S&atilde;o Paulo. Que intui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o essas, e, sobretudo, de que forma se podem reflectir na Igreja contempor&acirc;nea?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> A primeira intui&ccedil;&atilde;o paulina &eacute; a pessoa de Cristo. S. Paulo indica que Cristo &eacute; o fundamento e mostra que devemos estar a tempo inteiro tomados por Cristo, com ele ocupados, por ele conduzidos. S&oacute; assim, vivendo de Cristo, com Cristo e para Cristo, o podemos levar &agrave;s pessoas. Esta &eacute; a intui&ccedil;&atilde;o de fundo, que resulta da pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de S. Paulo. N&atilde;o podemos fazer miss&atilde;o crist&atilde;, esquecendo Cristo.<\/p>\n<p>A segunda intui&ccedil;&atilde;o refere-se &agrave; metodologia da miss&atilde;o. Se eu vivo de Cristo e se Cristo &eacute; a minha vida, imp&otilde;e-se ent&atilde;o que eu leve Cristo aos meus irm&atilde;os. Que metodologia usar? No tempo de Paulo havia, na bacia do Mediterr&acirc;neo, uma forte missiona&ccedil;&atilde;o por parte do juda&iacute;smo, mas tamb&eacute;m por parte dos pregadores dos diferentes deuses pag&atilde;os. Usavam uma metodologia assente numa ret&oacute;rica altissonante, al&eacute;m de os mover o lucro e o sucesso. Ao contr&aacute;rio, S. Paulo apresenta-se com uma metodologia muito simples, maternal, paternal, personalizada e a tempo inteiro. N&atilde;o foi, portanto, com ret&oacute;rica que S&atilde;o Paulo levou Cristo &agrave;s pessoas, mas debru&ccedil;ando-se sobre elas com carinho, com uma aten&ccedil;&atilde;o personalizada e a tempo inteiro.<\/p>\n<p>Da segunda intui&ccedil;&atilde;o desdobra-se naturalmente a terceira. Com a metodologia personalizada e dedicada atr&aacute;s apresentada, S. Paulo n&atilde;o conseguia chegar ao cora&ccedil;&atilde;o de muita gente. S. Paulo percebeu assim que precisava de muitos e bons cooperadores. S. Paulo n&atilde;o mudou de metodologia, mas rodeou-se de uma vasta rede de cooperadores. &Eacute; a terceira grande intui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estas duas linhas metodol&oacute;gicas de S. Paulo s&atilde;o geniais, e constituem ainda hoje desafios actual&iacute;ssimos para a nossa Igreja. Se a Igreja de hoje as adoptar, encontrar&aacute; uma verdadeira mina de ouro.<\/p>\n<p>A quarta intui&ccedil;&atilde;o paulina s&atilde;o as cidades. No tempo de Paulo o mundo greco-romano tinha grandes cidades e grandes estradas. O sonho de Paulo era chegar a Roma o quanto antes, para chegar ao cora&ccedil;&atilde;o do mundo. S. Paulo queria chegar ao local onde nasce o mundo cultural, social, humano, tal como acontece hoje. Quando um dia entrou na famosa <em>via Egnatia<\/em>, &agrave; sa&iacute;da do porto de Ne&aacute;polis, antes de chegar a Filipos, Paulo come&ccedil;ou a ver Roma no horizonte. Seguiria, com seguiu para Tessal&oacute;nica. Da&iacute; seguiria para Dirr&aacute;quio, na costa Adri&aacute;tica. Atravessava o mar Adri&aacute;tico de barco e desembarcava em Brund&iacute;sium. Seguia ent&atilde;o a <em>via &Aacute;pia<\/em> at&eacute; Roma. Mas, estando em Tessal&oacute;nica, quis o Esp&iacute;rito que descesse &agrave; Acaia, permanecendo algum tempo em Corinto. Paulo sabia que, evangelizando o cora&ccedil;&atilde;o do mundo, que bate nas cidades, evangelizava o mundo.<\/p>\n<p>&Eacute; olhando maravilhado para este &ldquo;Paulo de Cristo&rdquo;, que o Papa Paulo VI, em 1975, na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, aponta Paulo como &ldquo;modelo de cada evangelizador&rdquo;. E para redigir a <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, a primeira grande Enc&iacute;clica mission&aacute;ria depois do Conc&iacute;lio, a dez anos do Conc&iacute;lio, Paulo VI teve de citar mais de 100 vezes as Cartas de S. Paulo. A 25 anos do Conc&iacute;lio, em 1990, Jo&atilde;o Paulo II publica outra grande Enc&iacute;clica mission&aacute;ria, a <em>Redemptoris Missio<\/em>. E tamb&eacute;m n&atilde;o o consegue fazer sem citar mais de 30 vezes as Cartas de S. Paulo, al&eacute;m de se referir muitas outras vezes &agrave; <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, que j&aacute; citava muit&iacute;ssimas vezes S. Paulo. Por &uacute;ltimo, tamb&eacute;m Bento XVI, na Mensagem para o Dia Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pelas Voca&ccedil;&otilde;es de 2008, consagrou Paulo como &ldquo;o maior mission&aacute;rio de todos os tempos&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Fazendo um retrato da Igreja em Portugal, como &eacute; que ela se situa nessas prioridades?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &ndash;<\/em> A Igreja em Portugal ainda n&atilde;o se sente afectada, no seu todo, por estas linhas de rumo. Por&eacute;m, alguma coisa se vai fazendo aqui e ali, iniciativas espor&aacute;dicas. Mas acredito que vai chegar o tempo da gra&ccedil;a para todos, em que todos viveremos a alegria de sermos evangelizadores. E haver&aacute; lugar para todos. &Eacute; mesmo necess&aacute;ria uma rede de verdadeiros evangelizadores. Acredito que a miss&atilde;o h&aacute;-de vir a fazer parte, como primeira prioridade, dos programas pastorais das nossas Dioceses e Par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Parece-me que temos ficado muitas vezes de bra&ccedil;os cruzados, vendo o nosso mundo a deslizar tranquilamente para o paganismo. Se a nossa paix&atilde;o &eacute; Cristo, como sucedia com Paulo, n&atilde;o podemos permanecer mais nessa atitude. Temos de anunciar Cristo com g&eacute;nio, paix&atilde;o e cora&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o podemos sequer contentar-nos em fazer o que podemos. Temos de nos gastar e ser gastos, dando a vida por esta causa. Experimentaremos ent&atilde;o, como refere Jo&atilde;o Paulo II, que a f&eacute; se fortalece, dando-a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sobre a inteira ocupa&ccedil;&atilde;o de Cristo, a primeira intui&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> Esse &eacute; o problema de fundo. Quem vive de Cristo e foi encontrado por Cristo, n&atilde;o pode guard&aacute;-lo para si. Tem de o anunciar. E &eacute; com alegria que tenho de dizer que muitas pessoas que sentem esta necessidade e este amor. Mas temos de aumentar esta fogueira.<\/p>\n<p>Pois &eacute; igualmente verdade que muitos dos que se dizem crist&atilde;os de h&aacute; muito vivem &agrave; margem de Cristo, deixando de se relacionar pessoalmente com Cristo. As solicita&ccedil;&otilde;es deste tempo levam as crian&ccedil;as, os jovens e os pais para outras paragens. N&atilde;o podemos continuar a lan&ccedil;ar sobre eles a culpa, como se eles fossem os maus e n&oacute;s os bons. Se acreditamos em quem acreditamos, ent&atilde;o talvez compreendamos que a culpa impende sobre n&oacute;s, que n&atilde;o soubemos, &agrave; imagem do Bom Pastor, ir &agrave; procura deles com amor e total dedica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Esse contacto vital centra-se em qu&ecirc;?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &ndash;<\/em> N&atilde;o em qu&ecirc;, mas em quem. Em Cristo, obviamente. Numa rela&ccedil;&atilde;o pessoal com Cristo vivo, hoje. N&atilde;o numa mera vis&atilde;o hist&oacute;rica do que se passou h&aacute; dois mil anos. &Eacute; o Senhor Ressuscitado, vivo e presente para sempre no meio de n&oacute;s, que temos de levar &agrave;s pessoas. Saiba-o ou n&atilde;o, &eacute; de Cristo que as pessoas necessitam verdadeiramente. &Eacute; preciso abrir espa&ccedil;os na nossa vida, para que Cristo possa entrar em nossa casa.<\/p>\n<p>Este encontro pessoal &eacute; fundamental. S&oacute; depois come&ccedil;am as perguntas e as respostas, os relatos da nossa vida iluminada por Cristo. &Eacute; o tempo de uma mais aprofundada rela&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estudar a Miss&atilde;o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Qual a import&acirc;ncia das Jornadas Mission&aacute;rias?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &#8211;<\/em> As Jornadas, organizadas anualmente, s&atilde;o um ponto de encontro e um ponto de partida. Uma verdadeira plataforma de m&uacute;ltiplos encontros que atinge pessoas envolvidas no trabalho mission&aacute;rio, dentro e fora de Portugal, mas que acolhe tamb&eacute;m muitos que chegam pela primeira vez. Uns trazidos por amigos, outros para ver o que &eacute; e como &eacute;, outros porque, sabendo-o ou n&atilde;o, Deus os enviou para c&aacute;. &Eacute; um belo tempo de encontros e partilhas. S&oacute; por isto, j&aacute; seria importante a sua realiza&ccedil;&atilde;o. Mas h&aacute; tamb&eacute;m desafios e provoca&ccedil;&otilde;es, sementes que s&atilde;o lan&ccedil;adas, n&atilde;o para o ar, mas para o cora&ccedil;&atilde;o das pessoas. &Eacute; a ora&ccedil;&atilde;o, a m&uacute;sica, a reflex&atilde;o feita, que h&atilde;o-de deixar novos dinamismos em quem vem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; poss&iacute;vel ser mission&aacute;rio sem se sair de casa?<\/em><\/p>\n<p><em>AC &ndash;<\/em> Sim, &eacute; poss&iacute;vel. Basta ter um cora&ccedil;&atilde;o aberto ao mundo e amar. Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada padroeira das miss&otilde;es, e nunca saiu do convento. Mas tinha um cora&ccedil;&atilde;o &agrave; dimens&atilde;o de Deus e de todos os irm&atilde;os do mundo. Escreveu: &ldquo;No cora&ccedil;&atilde;o da Igreja, minha m&atilde;e, eu serei o amor&rdquo;. Escreveu em papel e na vida.<\/p>\n<p>Um mission&aacute;rio n&atilde;o se mede pelas in&uacute;meras viagens que possa fazer. Um crist&atilde;o que n&atilde;o esteja em comunh&atilde;o com as pessoas do mundo e apenas se preocupe com a sua par&oacute;quia, obviamente vive na cadeia. &Eacute; preciso viajar tamb&eacute;m por dentro. Fazer viagens intransitivas, rasgar avenidas no pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Depois, n&atilde;o h&aacute; dicotomia entre ser crist&atilde;o e ser mission&aacute;rio. &Agrave;s vezes somos levados pensar que somos muitos crist&atilde;os, mas que h&aacute; poucos mission&aacute;rios, porque pensamos que s&atilde;o duas coisas diferentes. Ora, temos de tomar consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o duas voca&ccedil;&otilde;es: primeira e fundamental, a voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, a que se pode vir, porventura, um dia a acrescentar a mission&aacute;ria. Trata-se de uma vis&atilde;o incorrecta, embora muito difundida. Na verdade, h&aacute; apenas uma &uacute;nica voca&ccedil;&atilde;o, pois ser crist&atilde;o e ser mission&aacute;rio &eacute; a mesma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A miss&atilde;o era entendida como ir para outros Continentes, mas cada vez se fala mais de uma miss&atilde;o na Europa&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>AC &ndash;<\/em> Durante muito tempo, passou-se a ideia os mission&aacute;rios eram os que deixavam a sua terra e partiam para outras paragens. A miss&atilde;o era levada a cabo por especialistas, uma esp&eacute;cie de super-homens, que integravam Institutos Mission&aacute;rios. Nesse tempo, a Igreja local, a diocese e a par&oacute;quia, mal conhecia, mal via os mission&aacute;rios, e pensava que a miss&atilde;o era s&oacute; para essa esp&eacute;cie de super-homens. N&atilde;o era tarefa da Igreja local e do crist&atilde;o comum. A Igreja local e o crist&atilde;o comum, quando muito, contribu&iacute;am com a sua esmola, no Dia Mission&aacute;rio Mundial, para apoiar os mission&aacute;rios l&aacute; longe.<\/p>\n<p>O II Conc&iacute;lio do Vaticano alterou em muito esta concep&ccedil;&atilde;o, fazendo ver que o sujeito primeiro da miss&atilde;o &eacute; a Igreja local ou particular. Entenda-se: somos mission&aacute;rios e todos somos respons&aacute;veis pela miss&atilde;o. A mudan&ccedil;a veio dizer que a miss&atilde;o n&atilde;o &eacute; obra de especialistas, mas que a diocese e a par&oacute;quia s&atilde;o mission&aacute;rias. E que todos os crist&atilde;os, por motivo do seu baptismo, s&atilde;o igualmente mission&aacute;rios. &Eacute; &oacute;bvio que, se espa&ccedil;o da Diocese e da Par&oacute;quia, h&aacute; mission&aacute;rios por toda a vida, de doa&ccedil;&atilde;o radical e total, ent&atilde;o &eacute; toda a Diocese e Par&oacute;quia que ser&atilde;o tamb&eacute;m enriquecidas com esse dom. Mas esse dom est&aacute; integrado na Igreja local, e n&atilde;o &agrave; margem dela.<\/p>\n<p>&Eacute; assim que cada Igreja local ou particular se torna sujeito primeiro da missiona&ccedil;&atilde;o. Miss&atilde;o inadi&aacute;vel e n&atilde;o deleg&aacute;vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal das Miss\u00f5es, D. 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