{"id":41108,"date":"2009-10-03T16:59:48","date_gmt":"2009-10-03T16:59:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/03\/portugal-anseia-pela-ordem-de-cister\/"},"modified":"2009-10-03T16:59:48","modified_gmt":"2009-10-03T16:59:48","slug":"portugal-anseia-pela-ordem-de-cister","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-anseia-pela-ordem-de-cister\/","title":{"rendered":"Portugal anseia pela Ordem de Cister"},"content":{"rendered":"<p>A Ordem de Cister deu a Portugal alguns mosteiros com a &ldquo;maior tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, art&iacute;stica e espiritual da na&ccedil;&atilde;o&rdquo; &ndash; disse &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA Jos&eacute; Ribeiro Dias, elemento da organiza&ccedil;&atilde;o do IV Congresso Internacional Sobre Cister em Portugal e na Galiza.<\/p>\n<p>De 1 a 3 deste m&ecirc;s decorreu em Braga e tamb&eacute;m em Oseira (Espanha) este congresso para aprofundar o papel de Cister na cultura portuguesa e da Galiza. &ldquo;Os mosteiros eram foco de civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; porque &ldquo;foram eles que contribu&iacute;ram para arrotear as terras do pa&iacute;s&rdquo; &ndash; sublinhou. E acrescenta: &ldquo;ainda hoje se fala da agricultura de Alcoba&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>Sobre a possibilidade do regresso da Ordem de Cister a Portugal, Jos&eacute; Ribeiro Dias afirma que Portugal &ldquo;sente a falta de uma realidade que foi uma for&ccedil;a grande neste pa&iacute;s&rdquo;. A diocese da Guarda foi um dos locais apontados para este regresso. Segundo este elemento da organiza&ccedil;&atilde;o &ldquo;existe o desejo para que voltem&rdquo;, mas &ldquo;n&atilde;o existe um s&iacute;tio definido&rdquo;.<br \/>Num mundo secularizado, as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas t&ecirc;m dificuldades no recrutamento de voca&ccedil;&otilde;es. Apesar deste deficit vocacional, &ldquo;j&aacute; existem alguns novi&ccedil;os nos mosteiros espanh&oacute;is&rdquo;. Estes tamb&eacute;m manifestam interesse &ldquo;em lan&ccedil;ar uma semente em Portugal&rdquo; &ndash; disse.<\/p>\n<p><strong>Mosteiro de Alcoba&ccedil;a: uma j&oacute;ia da arquitectura cisterciense<br \/><\/strong>Uma obra admir&aacute;vel, tanto pelo tamanho que impressiona qualquer um como pela beleza da sua arquitectura interior e exterior. Referimo-nos ao Mosteiro de Alcoba&ccedil;a. Verdadeira j&oacute;ia da arquitectura cisterciense na Europa, este templo foi fundado em 1153 por D. Afonso Henriques, em cumprimento da promessa pela conquista de Santar&eacute;m aos &aacute;rabes, sendo ent&atilde;o doado a S. Bernardo, abade de Claraval. Nesse long&iacute;nquo s&eacute;culo, o monarca entregou aos &laquo;Monges Brancos&raquo;, conhecidos como tal por oposi&ccedil;&atilde;o aos monges Beneditinos, uma vasta &aacute;rea, denominada couto de Alcoba&ccedil;a. Entrega para promover o cultivo das terras.<\/p>\n<p>Nas comemora&ccedil;&otilde;es dos 750 anos da Sagra&ccedil;&atilde;o da Igreja e dos 850 anos da Funda&ccedil;&atilde;o da Abadia e da morte de S. Bernardo de Claraval, D. Manuel Clemente, bispo do Porto, acentuou que &ldquo;os mosteiros foram e continuam a ser, no cora&ccedil;&atilde;o da Igreja e do mundo, um sinal eloquente de comunh&atilde;o, um lugar acolhedor para aqueles que buscam Deus e as coisas do Esp&iacute;rito, escolas de f&eacute; e verdadeiros centros de estudo, di&aacute;logo e cultura para a edifica&ccedil;&atilde;o da vida eclesial e tamb&eacute;m da cidade terrena, &agrave; espera da celeste&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Patrim&oacute;nio Mundial rodeado de terrenos f&eacute;rteis<\/strong><br \/>Com a classifica&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da pela UNESCO (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura), em 1989, o Mosteiro de Alcoba&ccedil;a domina esta cidade, situada numa f&eacute;rtil regi&atilde;o agr&iacute;cola marcada por suaves colinas e pelos rios Alcoa e Ba&ccedil;a. Alguns historiadores adiantam mesmo que &eacute; um dos poucos monumentos europeus que conserva intacto o conjunto das depend&ecirc;ncias medievais e a sua Igreja &eacute; a maior em estilo g&oacute;tico primitivo constru&iacute;da em Portugal, na Idade M&eacute;dia.<\/p>\n<p>Um patamar &#8211; para onde convergem cinco escadarias e rodeado por pin&aacute;culos &#8211; conduz &agrave; entrada da Igreja do Mosteiro, de cuja fachada primitiva resta um formoso portal g&oacute;tico ladeado pelas imagens de S. Bento e S. Bernardo. Estas est&atilde;o encimadas por quatro virtudes e, ao centro, uma ros&aacute;cea de aprimorado rendilhado. Caminhamos para a maior Igreja de Portugal e estamos perante uma das abaciais de maiores dimens&otilde;es levantadas pelos cistercienses.<\/p>\n<p>Esta Igreja, um magn&iacute;fico templo de tr&ecirc;s naves, &eacute; um exemplo t&iacute;pico da arquitectura religiosa g&oacute;tica. A nave central tem uma profundidade e uma altura das ab&oacute;badas de ogiva absolutamente impressionantes. No transepto, os t&uacute;mulos de In&ecirc;s de Castro e de D. Pedro (as melhores realiza&ccedil;&otilde;es escult&oacute;ricas da tumul&aacute;ria medieval portuguesa) est&atilde;o colocados frente a frente por vontade real, de modo que os olhares se cruzem. Um juramento de &laquo;amor eterno&raquo; &#8211; segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o de alguns. Para outros, simboliza o imagin&aacute;rio cultural portugu&ecirc;s. No fundo a hist&oacute;ria resume-se a uma paix&atilde;o de D. Pedro com In&ecirc;s de Castro, uma jovem e bela dama de honor de sua mulher, Constan&ccedil;a de Castela.<\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria da sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1153, est&aacute; contada em pain&eacute;is de Azulejos do s&eacute;culo XVIII que forram as paredes da Sala dos Reis. Ao &laquo;lermos&raquo; estes pain&eacute;is, ficamos a saber que D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, prometeu dar a S. Bernardo as suas terras de Alcoba&ccedil;a se conquistasse a pra&ccedil;a de Santar&eacute;m aos mouros, o que aconteceu em 1147. No plano superior a estes pain&eacute;is de azulejos, o visitante encontra as est&aacute;tuas dos nossos monarcas at&eacute; D. Jos&eacute; I. Estatu&aacute;ria moldada pelos monges barristas de Alcoba&ccedil;a. O claustro de D. Dinis ou do sil&ecirc;ncio, a Sala do Cap&iacute;tulo, o Parlat&oacute;rio, o Dormit&oacute;rio e a celebre cozinha deste mosteiro mostram tamb&eacute;m a grandiosidade desta j&oacute;ia do g&oacute;tico. No final da visita, tem-se a sensa&ccedil;&atilde;o de ter sa&iacute;do de uma longa aula de hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><strong>Primeira Escola P&uacute;blica do Reino<br \/><\/strong>Em 1178 inicia-se a constru&ccedil;&atilde;o do mosteiro, &agrave; semelhan&ccedil;a da Abadia de Claraval, a Casa M&atilde;e, em Fran&ccedil;a, da nova Ordem de Cister. A cidade de Alcoba&ccedil;a ficou ligada &agrave; obra civilizadora que os monges de h&aacute;bito branco a&iacute; iniciaram: uma escola p&uacute;blica e o aproveitamento das terras para o cultivo. Uma Escola de Agricultura que, nos tempos actuais, ainda d&aacute; frutos proveitosos &agrave; localidade.<\/p>\n<p>O poder do abade estendia-se a muitos quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia: S. Martinho do Porto, Aljubarrota, Alvorninha e S. Pedro de Muel. Os antigos portos de Alfeizer&atilde;o e da Pederneira, que actualmente n&atilde;o recebem as &aacute;guas do Atl&acirc;ntico devido ao assoreamento do golfo existente na &eacute;poca medieval, ainda faziam parte do Couto de Alcoba&ccedil;a. Locais estrat&eacute;gicos para o com&eacute;rcio na altura.<\/p>\n<p>De referir que foi em Alcoba&ccedil;a que surgiu a primeira farm&aacute;cia de Portugal e a primeira Escola P&uacute;blica do reino, em 1269, tendo como professores os monges. Leccionava-se Gram&aacute;tica, L&oacute;gica e Teologia. As pedras do mosteiro s&atilde;o &laquo;testemunhas&raquo; que foi ali que se escreveu grande parte dos c&oacute;dices medievais portugueses e se produziu o maior estudo hist&oacute;rico sobre Portugal (Monarquia Lusitana, s&eacute;culo XVII) dirigido por Frei Ant&oacute;nio Brand&atilde;o. Por iniciativa do abade de Alcoba&ccedil;a foi criada em Portugal a primeira Universidade de Coimbra. <\/p>\n<p>No s&eacute;culo XVII (1648) foi criado o col&eacute;gio Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o, Escola de Ensino Superior, que ter&aacute; sido extinta em meados do s&eacute;culo XVIII, e que conferia diplomas de valor igual aos concedidos pela Universidade de Coimbra. Naquele mosteiro chegou a existir a maior biblioteca do pa&iacute;s e, no per&iacute;odo &aacute;ureo, uma das maiores do mundo. Um esp&oacute;lio riqu&iacute;ssimo que desapareceu com as invas&otilde;es francesas e do saque que se seguiu &agrave; extin&ccedil;&atilde;o das ordens religiosas, em 1834.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ordem de Cister deu a Portugal alguns mosteiros com a &ldquo;maior tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, art&iacute;stica e espiritual da na&ccedil;&atilde;o&rdquo; &ndash; disse &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA Jos&eacute; Ribeiro Dias, elemento da organiza&ccedil;&atilde;o do IV Congresso Internacional Sobre Cister em Portugal e na Galiza. 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