{"id":40998,"date":"2009-09-28T11:08:10","date_gmt":"2009-09-28T11:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/09\/28\/resultado-eleitoral-e-perspectivas-de-futuro\/"},"modified":"2009-09-28T11:08:10","modified_gmt":"2009-09-28T11:08:10","slug":"resultado-eleitoral-e-perspectivas-de-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/resultado-eleitoral-e-perspectivas-de-futuro\/","title":{"rendered":"Resultado eleitoral e perspectivas de futuro"},"content":{"rendered":"<p>Um coment&aacute;rio objectivo n&atilde;o pode restringir-se apenas ao resultado sa&iacute;do das urnas. A conclus&atilde;o, l&oacute;gica ou menos l&oacute;gica, tem sempre premissas anteriores, que influenciam tanto as op&ccedil;&otilde;es de voto, como a crescente e significativa absten&ccedil;&atilde;o: o grau de viv&ecirc;ncia democr&aacute;tica j&aacute; atingida, o estilo e os objectivos do &uacute;ltimo governo, as depend&ecirc;ncias procuradas e criadas ao longo de quatro anos, a capacidade cr&iacute;tica de quem vota para apreciar programas e campanhas, o discernimento em rela&ccedil;&atilde;o ao que na vida de um pa&iacute;s &eacute; essencial, os ouvidos atentos ou surdos ao clamor do pobres, os valores objectivos defendidos e cultivados, o respeito manifestado por todos, sem discrimina&ccedil;&otilde;es&hellip;A minha opini&atilde;o, agora e aqui expendida, &eacute; pessoal, livre, sobre o acontecimento, e que s&oacute; a mim compromete.<\/p>\n<p>O povo votou e h&aacute; que aceitar o resultado do seu voto. Mas este depende muito de quem, do que e do modo de o ter influenciado. H&aacute; dias ouvimos uma velha raposa da pol&iacute;tica, dizer que o PS, partido no governo, tem de vencer. Muitas interpreta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o poss&iacute;veis, em rela&ccedil;&atilde;o a esta proclama&ccedil;&atilde;o. &nbsp;<\/p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es inserem-se num processo e n&atilde;o significam o encerrar do mesmo. Marcam o in&iacute;cio de uma nova etapa, que permite antever o rumo que se vai seguir e o sentido pretendido para o futuro do pa&iacute;s. Algumas certezas, muitas d&uacute;vidas e interroga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Pondo de parte previs&otilde;es de como o PS vai governar daqui em diante, a situa&ccedil;&atilde;o anterior, de todos conhecida, permite algumas preocupa&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias.<\/p>\n<p>Portugal n&atilde;o est&aacute; no melhor caminho, e n&atilde;o se afigura que se possa esperar, com a mesma gente e o mesmo pensar, que se encontre, como que, por um golpe m&aacute;gico, um rumo pr&oacute;spero para os mais sacrificados e uma clarifica&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es mais&nbsp; preocupantes. A crise internacional n&atilde;o explica tudo, nem pode ser o bode expiat&oacute;rio do que se faz, do que n&atilde;o se faz, em Portugal.<\/p>\n<p>O PS, como partido, n&atilde;o tem uma ideologia pr&oacute;pria, porque o &ldquo;socialismo puro&rdquo; n&atilde;o existe, nem nunca existiu. Todos os pa&iacute;ses comunistas se reivindicaram de socialistas. A ideologia do PS &eacute; parcelada e fruto de tend&ecirc;ncias internas variadas e desgarradas. Tem aspectos circunstanciais, respigados de muitas fontes, mas que n&atilde;o formam uma ideologia consistente e clara. No caso, vive e age sob influ&ecirc;ncias marxistas, ma&ccedil;&oacute;nicas, laicas, e at&eacute;, por vezes, liberais&hellip; Uma am&aacute;lgama formada consoante os interesses. N&atilde;o &eacute; um partido de pol&iacute;ticas consequentes e definidas, mas de decis&otilde;es avulso, de atear e de apagar, de agradar e de esquecer. Empenha-se em respostas imediatas agrad&aacute;veis para cultivar depend&ecirc;ncias. Desconhece a hist&oacute;ria e o povo que a viveu, a vive e lhe d&aacute; sentido. Trata por cima do ombro os dinamismos sociais mais v&aacute;lidos e influentes<\/p>\n<p>Os hist&oacute;ricos do PS, mais cultos, mais lidos e mais confrontados com as correntes exteriores, n&atilde;o gostam deste PS. Toleram-no, entram nas suas campanhas decisivas para que o partido perdure e tenha visibilidade. Est&aacute; &agrave; vista.<\/p>\n<p>Nisto tudo e apesar de tudo, o governo socialista tomou algumas coisas acertadas. Delas, algumas ficaram a meio e sem grande futuro. Fruto, a meu ver, da limita&ccedil;&atilde;o de horizontes e perspectivas mais largas. O pa&iacute;s &eacute; feito de pessoas e as decis&otilde;es tomadas devem visar sempre as pessoas, os seus direitos e necessidades e n&atilde;o os interesses partid&aacute;rios e a glorifica&ccedil;&atilde;o dos seus mais respons&aacute;veis. Governar &eacute; servir. Miss&atilde;o dura e dif&iacute;cil, mas que vai avante quando o alicerce &eacute; s&oacute;lido Nas circunst&acirc;ncias actuais, a honra n&atilde;o compensa, e mal vai para quem ainda n&atilde;o percebeu isso.<\/p>\n<p>Se o novo governo olhar com olhos objectivos e cr&iacute;ticos a realidade do pa&iacute;s, aceitar o contributo de uma oposi&ccedil;&atilde;o l&uacute;cida e esclarecida, n&atilde;o adaptar as exig&ecirc;ncias da democracia aos seus interesses, dispensar gente que j&aacute; mostrou que mais divide que concilia e constr&oacute;i, contar com as capacidades da sociedade civil, fizer uma pol&iacute;tica humanista com crit&eacute;rios claros e valores duradoiros, respeitar o povo com as suas convic&ccedil;&otilde;es profundas e os seus valores religiosos, morais e &eacute;ticos, tomar consci&ecirc;ncia de que o orgulho confunde e empobrece e s&oacute; a humildade d&aacute; lucidez e coer&ecirc;ncia, respeitar e defender a fam&iacute;lia, &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o natural indispens&aacute;vel, corrigindo os erros graves j&aacute; cometidos que a destroem e minimizam, for vanguardista no respeito pela verdade e pela isen&ccedil;&atilde;o, der aos pobres condi&ccedil;&otilde;es de vida digna e n&atilde;o apenas subs&iacute;dios de depend&ecirc;ncia, proporcionar aos jovens perspectivas s&eacute;rias de futuro, respeitar quem trabalha e lutar, sem tr&eacute;guas, pelo direito ao trabalho e &agrave; paz social&hellip;ent&atilde;o, o povo que votou maioritariamente PS n&atilde;o se sentir&aacute; iludido nem enganado e o partido vencedor n&atilde;o tirar&aacute; da vit&oacute;ria sen&atilde;o a responsabilidade di&aacute;ria de melhor servir a todos e a ningu&eacute;m esquecer.<\/p>\n<p>E a Igreja? Porque ela subsiste, antes e para al&eacute;m dos governos concretos, ser&aacute; fiel ao seu profetismo, com maior lucidez e coragem, como &eacute; seu dever, lutar&aacute;, pelos meios ao seu alcance, pela humaniza&ccedil;&atilde;o da sociedade e colaborar&aacute;, sem condi&ccedil;&otilde;es, na prossecu&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria do bem comum, defendendo os valores essenciais em que acredita, servindo as pessoas concretas, elas que s&atilde;o o caminho da sua miss&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Marcelino, bispo em&eacute;rito de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um coment&aacute;rio objectivo n&atilde;o pode restringir-se apenas ao resultado sa&iacute;do das urnas. 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