{"id":4099,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/forum-social-mundial-reunira-75-mil-activistas-de-todo-mundo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"forum-social-mundial-reunira-75-mil-activistas-de-todo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/forum-social-mundial-reunira-75-mil-activistas-de-todo-mundo\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Social Mundial reunir\u00e1 75 mil activistas de todo mundo"},"content":{"rendered":"<p>Com o objectivo de defender uma ordem econ\u00f3mica que seja alternativa ao modelo neolibral, cerca de 75.000 activistas de mais de cem pa\u00edses participar\u00e3o a partir da pr\u00f3xima sexta-feira, 16 de Janeiro, no F\u00f3rum Social Mundial (FSM), uma reuni\u00e3o alternativa ao Foro Econ\u00f3mico Mundial. O encontro decorre em Mumbai (antiga Bombaim), \u00cdndia. Considerado a maior reuni\u00e3o internacional da sociedade civil, o FSM nasceu h\u00e1 tr\u00eas anos, em Porto Alegre, com a pretens\u00e3o de criar um modelo que favore\u00e7a um crescimento econ\u00f3mico com igualdade social. Desde ent\u00e3o, o FSM fora realizado todos os anos na cidade brasileira. A decis\u00e3o de transferir este encontro para a \u00c1sia &#8211; e, em especial, para a \u00cdndia, pa\u00eds marcado por agudas divis\u00f5es econ\u00f3micas, sociais, religiosas e pol\u00edticas &#8211; obedece \u00e0 necessidade de chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre as desigualdades que prevalecem nesse continente.  &#8220;Este ano o F\u00f3rum ser\u00e1 muito mais asi\u00e1tico e pouco latino-americano&#8221;, admitiu um membro do comit\u00e9 organizador, Candido Grybowski.  A reuni\u00e3o em Mumbai ser\u00e1 inaugurada pelo Pr\u00e9mio Nobel da Paz 2003, a iraniana Shirin Ebadi e, durante seis dias, delegados de 5.000 organiza\u00e7\u00f5es de 121 pa\u00edses participar\u00e3o em centenas de confer\u00eancias, semin\u00e1rios e mesas de di\u00e1logo, em que ser\u00e3o discutidos temas como &#8220;Terra, \u00c1gua e Seguran\u00e7a Alimentar&#8221;, &#8220;Militarismo, Guerra e Paz&#8221; e &#8220;Exclus\u00e3o e opress\u00e3o: religiosa, \u00e9tnica e lingu\u00edstica&#8221;, entre muitos outros.  O Pr\u00e9mio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, o l\u00edder anti-globaliza\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Bov\u00e9, e representantes de organiza\u00e7\u00f5es como o Movimento dos Sem-Terra do Brasil participar\u00e3o no encontro.   ORIGENS E OBJECTIVOS Artigo de Chico Whitaker, fundador do FSM: No in\u00edcio de 1998 veio a p\u00fablico a proposta de um Acordo Multilateral de Investimentos \u2013 mais conhecido como AMI ou, em ingl\u00eas, como MAI &#8211; que seria assinado pelos pa\u00edses mais ricos do mundo, para depois ser proposto aos demais pa\u00edses do mundo. Esse Acordo vinha a ser discutido em segredo no quadro da OCDE, com a pretens\u00e3o de passar a ser uma esp\u00e9cie de Constitui\u00e7\u00e3o mundial do capital, que lhe daria todos os direitos \u2013 especialmente no Terceiro Mundo, onde seriam feitos os &#8220;investimentos&#8221; &#8211; e quase nenhum dever.  O jornal franc\u00eas Le Monde Diplomatique repercutiu ent\u00e3o amplamente uma primeira den\u00fancia feita nos Estados Unidos pelo movimento &#8220;Public Citizens&#8221;, liderado por Ralph Nader, atrav\u00e9s de um artigo assinado por uma advogada desse movimento, Lori Wallach. A reac\u00e7\u00e3o aos absurdos que esse Acordo continha fez surgir um movimento social de protesto que, no final de 1998, levou a Fran\u00e7a a retirar-se das negocia\u00e7\u00f5es, o que acabou por impedir que o Acordo fosse celebrado. Uma das entidades animadoras dessa mobiliza\u00e7\u00e3o foi a ATTAC &#8211; inicialmente Associa\u00e7\u00e3o pela Taxa Tobin de Ajuda aos Cidad\u00e3os, actualmente Associa\u00e7\u00e3o pela Taxa\u00e7\u00e3o das Transa\u00e7\u00f5es Financeiras para Ajuda aos Cidad\u00e3os &#8211; que come\u00e7ava naquele momento a tomar forma na Fran\u00e7a, tamb\u00e9m a partir de uma proposta nesse sentido feita pelo mesmo Le Monde Diplomatique. O objectivo dessa associa\u00e7\u00e3o &#8211; que hoje re\u00fane duas dezenas de milhares de aderentes pela Fran\u00e7a fora, e fez nascerem outras ATTACs no resto do mundo &#8211; era lutar pela concretiza\u00e7\u00e3o da proposta de taxa\u00e7\u00e3o dos movimentos do capital especulativo feita pelo Pr\u00e9mio Nobel de Economia, James Tobin, como forma de controlar sua actual liberdade absoluta de circula\u00e7\u00e3o em escala mundial, com as consequ\u00eancias que conhecemos. A partir das articula\u00e7\u00f5es que esses factos ajudaram a fazer surgir por toda parte, entre aqueles que n\u00e3o aceitavam a possibilidade de um mundo inteiramente controlado pelos interesses do capital, foram sendo organizadas diferentes manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a esse tipo de globaliza\u00e7\u00e3o.  Ora, h\u00e1 uns bons vinte anos os donos do mundo se vinham encontrando num F\u00f3rum a que deram o nome de F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial, que se realizava em Davos, pequena e luxuosa esta\u00e7\u00e3o de ski da Su\u00ed\u00e7a. Organizado por uma entidade que hoje \u00e9 uma grande empresa, ele re\u00fane actualmente, uma vez por ano \u2013 al\u00e9m dos encontros regionais que come\u00e7ou tamb\u00e9m a promover. Pode-se dizer que \u00e9 em Davos \u2013 que atrai correspondentes de todos os grandes jornais do mundo \u2013 que se constr\u00f3i a teoria e se vai avan\u00e7ando na pr\u00e1tica da domina\u00e7\u00e3o do mundo pelo capital, dentro dos par\u00e2metros do neo-liberalismo. Pois foi frente a tudo isso que estava acontecendo que alguns brasileiros pensaram que se poderia iniciar uma nova etapa de resist\u00eancia a esse pensamento hoje hegem\u00f3nico no mundo. Mais al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es de massa e protestos, pareceria poss\u00edvel passar-se a uma etapa propositiva, de busca concreta de respostas aos desafios de constru\u00e7\u00e3o de &#8220;um outro mundo&#8221;, em que a economia estivesse a servi\u00e7o do ser humano e n\u00e3o o inverso.  Economistas e outros universit\u00e1rios contr\u00e1rios ao neo-liberalismo j\u00e1 vinham realizando, na Europa, encontros que chamavam de Anti-Davos. O que se pretendia no entanto era mais do que isso. Propunha-se realizar um outro encontro, de dimens\u00e3o mundial e com a participa\u00e7\u00e3o de todas as organiza\u00e7\u00f5es que vinham se articulando nos protestos de massa, voltado para o social \u2013 o F\u00f3rum Social Mundial. Esse encontro teria lugar, para se dar uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica ao in\u00edcio dessa nova etapa, nos mesmos dias do encontro de Davos em 2001, podendo a partir da\u00ed repetir-se todos os anos, sempre nos mesmos dias em que os grandes do mundo se encontrassem em Davos. Mais exactamente quem teve essa not\u00e1vel ideia \u2013 n\u00e3o sei se a teria discutido anteriormente com outras pessoas \u2013 foi nosso amigo Oded Grajew, que a colocou para mim quando nos encontramos na Fran\u00e7a, em Fevereiro deste ano. Resolvemos lev\u00e1-la juntos ao director do Le Monde Diplomatique, que \u00e9 tamb\u00e9m o Presidente da ATTAC na Fran\u00e7a, Bernard Cassen, para vermos se a ideia seria bem aceite fora do Brasil. Cassen entusiasmou-se e fez a proposta de realizarmos o F\u00f3rum no Brasil. Para ele, teria que ser no Terceiro Mundo \u2013 pelo seu efeito tamb\u00e9m simb\u00f3lico \u2013 e o Brasil estava entre os pa\u00edses com melhores condi\u00e7\u00f5es de acolher um F\u00f3rum desse tipo.  De volta ao Brasil come\u00e7amos a verificar quais entidades se dispunham a aceitar esse desafio e assumir essa enorme tarefa. Em 28 de Fevereiro reuniam-se em S\u00e3o Paulo representantes das 8 entidades que hoje j\u00e1 tem assinado um &#8220;Acordo de coopera\u00e7\u00e3o&#8221; para a realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o foi realizada em Porto Alegre de 25 a 30 de Janeiro de 2001.  Por sugest\u00e3o de Cassen, em fins de Junho uma comitiva das entidades viajou a Genebra, onde estariam reunidas, numa &#8220;c\u00fapula&#8221; alternativa \u00e0 C\u00fapula Social da ONU &#8220;Copenhagen + 5&#8221;, grande parte das organiza\u00e7\u00f5es que estavam a articular-se pelo mundo nas manifesta\u00e7\u00f5es contra o neo-liberalismo.  De l\u00e1 para c\u00e1 estamos numa corrida contra o tempo, para asseguramos a presen\u00e7a de participantes de todo o mundo, com quotas fixadas para cada continente e tipo de actua\u00e7\u00e3o.  O F\u00f3rum n\u00e3o tem car\u00e1cter deliberativo, e n\u00e3o se gastar\u00e1 tempo, portanto, para discutir as v\u00edrgulas de um documento final. Ele ser\u00e1 o in\u00edcio de um processo de reflex\u00e3o conjunta, a n\u00edvel mundial, em torno dos quatro eixos abordados nos pain\u00e9is das manh\u00e3s: a produ\u00e7\u00e3o de riquezas e a reprodu\u00e7\u00e3o social; o acesso \u00e0s riquezas e a sustentabilidade; a afirma\u00e7\u00e3o da sociedade civil e dos espa\u00e7os p\u00fablicos; o poder pol\u00edtico e a \u00e9tica na nova sociedade. O que se pretende \u00e9 abrir espa\u00e7o numa reflex\u00e3o tamb\u00e9m &#8220;globalizada&#8221;, para a busca de alternativas ao modelo dominante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objectivo de defender uma ordem econ\u00f3mica que seja alternativa ao modelo neolibral, cerca de 75.000 activistas de mais de cem pa\u00edses participar\u00e3o a partir da pr\u00f3xima sexta-feira, 16 de Janeiro, no F\u00f3rum Social Mundial (FSM), uma reuni\u00e3o alternativa ao Foro Econ\u00f3mico Mundial. O encontro decorre em Mumbai (antiga Bombaim), \u00cdndia. Considerado a maior [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[102,122,187,191,203],"class_list":["post-4099","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-agua","tag-brasil","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4099"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4099\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4099"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4099"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}