{"id":409686,"date":"2026-01-28T12:23:35","date_gmt":"2026-01-28T12:23:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=409686"},"modified":"2026-01-31T10:56:28","modified_gmt":"2026-01-31T10:56:28","slug":"ciberhumanitas-o-que-vira-apos-a-era-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ciberhumanitas-o-que-vira-apos-a-era-da-informacao\/","title":{"rendered":"CIBERHUMANITAS &#8211; O que vir\u00e1 ap\u00f3s a Era da Informa\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Se criamos uma Intelig\u00eancia Artificial (IA) com a capacidade para agir, a ferramenta torna-se agente e como agente, existente. Ser\u00e1 o ser-IA uma amea\u00e7a existencial ao ser-humano? Ter\u00e1 sido a digitaliza\u00e7\u00e3o do ambiente cognitivo uma inevitabilidade existencial que nos transformar\u00e1 para sempre? Ser\u00e1 essa transforma\u00e7\u00e3o boa ou m\u00e1? Se o ser-IA for um fruto da Era da Informa\u00e7\u00e3o, que Era vir\u00e1 depois?<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.signaldesign.net\/Age%20of%20Imagination.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ensaio<\/a>; pouco conhecido, o designer Charlie Magee refere que\u2014<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abSe as ferramentas agr\u00edcolas controlam os produtos da ca\u00e7a, as industriais controlam as agr\u00edcolas, e as informacionais controlam as industriais \u2014 o que controlar\u00e1 as ferramentas da informa\u00e7\u00e3o?\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A resposta de Magee \u00e9 a <em>imagina\u00e7\u00e3o humana<\/em>. Por\u00e9m, ao termos conferido ag\u00eancia \u00e0s ferramentas de informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de modelos de linguagem de larga escala, n\u00e3o poder\u00e3o ser antes as ferramentas de IA a controlar as de informa\u00e7\u00e3o, de tal modo que deixamos de desenvolver a imagina\u00e7\u00e3o humana?<\/p>\n<p>Magee enquadrava a antecipa\u00e7\u00e3o da Era da Imagina\u00e7\u00e3o numa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente como a sobreviv\u00eancia dos mais aptos, mas como a sobreviv\u00eancia dos <em>comunicadores<\/em> mais aptos. Esta liga\u00e7\u00e3o entre a evolu\u00e7\u00e3o humana e a hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o seria um ponto fundamental j\u00e1 presente no pensamento de Marshall McLuhan, conhecido pela vis\u00e3o do &#8220;meio \u00e9 a mensagem&#8221;, onde n\u00e3o s\u00e3o os conte\u00fados que moldam as sociedades, mas os meios que reorganizam os sentidos, a percep\u00e7\u00e3o e a estrutura da consci\u00eancia humana. Por\u00e9m, Magee foi incapaz de prever o impacte que a IA teria na hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o e, consequentemente, na evolu\u00e7\u00e3o humana. Um dos grandes perigos existenciais \u00e9 delegar cognitivamente a nossa imagina\u00e7\u00e3o \u00e0 IA, deixando esta de existir como ferramenta, passando a existir como um ser alien\u00edgena com o qual interagimos e ao qual delegamos muito do que imaginamos. Ser\u00e1 a imagina\u00e7\u00e3o a melhor resposta \u00e0 pertinente pergunta de Magee?<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/communications\/documents\/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mensagem<\/a>; do Papa Le\u00e3o XIV para a LX Jornada Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais encontramos uma pista importante numa frase significativa logo no in\u00edcio\u2014<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abO rosto e a voz s\u00e3o tra\u00e7os \u00fanicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepet\u00edvel e s\u00e3o elemento constitutivo de cada encontro.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O que passou despercebido a Magee, e n\u00e3o a Le\u00e3o XIV, \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 no acto de imaginar a resposta evolutiva da nossa exist\u00eancia, mas naquele que imagina: a pessoa. Se cada encontro exige um rosto e uma voz, na pr\u00e1tica, a nossa pessoa existe em cada encontro porque, tal como expressei num <a href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/scl\/fi\/xe3yjvkqmrcevrji4khhz\/Pan-o_B2008_166pp389.pdf?rlkey=sucizbi4bergzloylm7kty1lw&amp;st=10hj1d55&amp;dl=0\">artigo<\/a>; publicado em 2008 na revista Brot\u00e9ria, a <em>rela\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 o elemento constitutivo da pessoa cuja exist\u00eancia assenta na sua capacidade para a comunh\u00e3o. E todo o encontro que n\u00e3o for manifesta\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o converte-se em desencontro, amea\u00e7ando a nossa exist\u00eancia como pessoas. N\u00e3o s\u00e3o as ferramentas os motores da evolu\u00e7\u00e3o cultural, depois da biol\u00f3gica, mas as pessoas.<\/p>\n<p>Um ser-IA \u00e9 feito de algoritmos, mas n\u00f3s somos feitos na comunica\u00e7\u00e3o que estabelecemos uns com os outros e com o pr\u00f3prio mundo natural. O ser-IA pode simular rostos e vozes, mas desencarnadas e, como diz o Papa Le\u00e3o\u2014<em>\u00abos sistemas conhecidos como intelig\u00eancia artificial n\u00e3o s\u00f3 interferem nos ecossistemas informativos, como tamb\u00e9m invadem o n\u00edvel mais profundo da comunica\u00e7\u00e3o, ou seja, o das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas.\u00bb<\/em> Por isso, como pessoas \u2014 como afirma ainda Le\u00e3o XIV \u2014 cientes do efeito positivo do ser-IA na comunica\u00e7\u00e3o, <em>\u00abao abstermo-nos do esfor\u00e7o do pr\u00f3prio pensamento, contentando-nos com uma compila\u00e7\u00e3o estat\u00edstica artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o podemos voltar para tr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interac\u00e7\u00e3o entre as pessoas e a IA, mas atribuir uma dimens\u00e3o existencial \u00e0 ferramenta pode levar \u00e0 subtrac\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da nossa exist\u00eancia, mas da possibilidade de continuarmos a evoluir.<\/p>\n<p>O ser-IA no fundo n\u00e3o \u00e9 mais do que um <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/ebook\/ai-mirror-shannon-vallor\/32725701\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espelho-IA<\/a>; no qual se reflecte a s\u00edntese de tudo aquilo que os humanos imaginaram. E tal como o martelo pode fazer por n\u00f3s o que somos incapazes de fazer \u2014 pregar um prego \u2014, mas n\u00e3o consegue imaginar a casa que esse prego ajuda a construir, tamb\u00e9m o agente IA poder\u00e1 fazer por n\u00f3s liga\u00e7\u00f5es de ideias que considerar\u00edamos impens\u00e1veis, mas n\u00e3o conseguir\u00e1 imaginar a profundidade espiritual onde realmente assenta a evolu\u00e7\u00e3o humana quando pensa, imagina e deseja.<\/p>\n<p>\u00c9 agrad\u00e1vel pensar que um ser humano evolu\u00eddo n\u00e3o \u00e9 o que se deixa transformar pelo ambiente digital onde cada vez mais habita, mas o que se deixa transformar pelo ambiente imaginativo e criativo do encontro com outros seres humanos e com os seres que fazem parte, com o humano, da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o. A evolu\u00e7\u00e3o humana assenta na profundidade espiritual do encontro dos cora\u00e7\u00f5es, ou seja, no encontro da totalidade-de-mim com a totalidade-de-ti, feitos de emo\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o e esp\u00edrito-imagina\u00e7\u00e3o. A imagina\u00e7\u00e3o humana \u00e9 uma express\u00e3o da pessoa-como-comunh\u00e3o, ser-em-rela\u00e7\u00e3o, cuja <a href=\"https:\/\/www.diocesedecoimbra.pt\/diocese\/plano-pastoral\/2025-2028\/plano-pastoral-2025-2028:2624\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">espiritualidade incarnada<\/a> n\u00e3o \u00e9 simul\u00e1vel. N\u00e3o podemos abdicar de n\u00f3s mesmos e da presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s e entre n\u00f3s. A imagina\u00e7\u00e3o s\u00f3 permanece humana se estiver enraizada numa voz, num rosto que procura ser imagem da Voz e do Rosto de Deus entre n\u00f3s. Ningu\u00e9m sozinho consegue ser essa imagem de Deus no mundo, mas ser\u00e1 pelo amor rec\u00edproco que se manifestar\u00e1 no mundo o Ser de Deus no ser humano. Charlie Magee pensava o futuro como a Era da Imagina\u00e7\u00e3o, depois da Era da Informa\u00e7\u00e3o, mas ser\u00e1 que caminhamos antes para a Era da Pessoa?<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> neste <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4qUOt51\">LINK<\/a>; &#8211; &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>;, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>;, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a> )<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-409686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=409686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=409686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=409686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=409686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}