{"id":409117,"date":"2026-01-28T08:00:00","date_gmt":"2026-01-28T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=409117"},"modified":"2026-01-29T18:11:46","modified_gmt":"2026-01-29T18:11:46","slug":"cancro-eu-sabia-o-que-tinha-e-a-gravidade-isabel-galrica-neto-diz-que-os-seus-pacientes-sao-seus-mestres-no-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cancro-eu-sabia-o-que-tinha-e-a-gravidade-isabel-galrica-neto-diz-que-os-seus-pacientes-sao-seus-mestres-no-caminho\/","title":{"rendered":"Cancro: \u00abEu sabia o que tinha e a gravidade\u00bb &#8211; Isabel Galri\u00e7a Neto diz que os seus pacientes s\u00e3o seus \u00abmestres\u00bb no caminho"},"content":{"rendered":"<p><em>Especialista em Cuidado paliativos, Isabel Galri\u00e7a Neto passou de m\u00e9dica a doente oncol\u00f3gica e, antecipando o Dia Mundial do Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, fala sobre a procura de sentido na \u00abtravessia do tratamento\u00bb e da necessidade de \u00abafirmar a esperan\u00e7a e a coragem\u00bb sem recurso a \u00ablinguagem b\u00e9lica\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_409139\" aria-describedby=\"caption-attachment-409139\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-409139 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/isabel_galrica_neto_AE-23-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-409139\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 28 jan 2026 (Ecclesia) \u2013 Isabel Galri\u00e7a Neto, m\u00e9dica especialista em cuidados paliativos, depois de um diagn\u00f3stico de cancro de mama, \u201co mais agressivo\u201d, e estando em remiss\u00e3o ap\u00f3s tratamento de um ano, assume estar \u201cmais pr\u00f3xima da experi\u00eancia\u201d dos seus pacientes.<\/p>\n<p>\u201cOs meus pacientes sempre foram, ainda antes da doen\u00e7a, meus mestres e eu estou profundamente grata aos milhares de doentes que tive o privil\u00e9gio de cuidar e de tratar. Ao atravessar a doen\u00e7a, eles continuaram a ser meus mestres mas considero que estou mais pr\u00f3xima das experi\u00eancias que eles vivem\u201d, explica Isabel Galri\u00e7a Neto \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica, diretora do Departamento de Cuidados Continuados e Paliativos de um hospital, em Lisboa, foi diagnosticada, em fevereiro de 2024, com um cancro de mama triplo negativo, \u201cmais agressivo que existe, felizmente localizado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu trato estes doentes ainda hoje. Acompanham-me muitas mulheres, mais jovens, porque o triplo negativo \u00e9 um c\u00e2ncer da mama caracter\u00edstico das mulheres mais jovens, e n\u00f3s hoje vemos isso acontecer com pacientes de 20 e 30 anos, portanto, mulheres bem mais jovens. Eu sabia que teria que enfrentar quimioterapia, imunoterapia, cirurgia, radioterapia, ou seja, todas as terapias que hoje temos. Felizmente h\u00e1 muitos progressos\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>O Dia Mundial do Cancro \u00e9 assinalado a 4 de fevereiro com o objetivo de consciencializar para a doen\u00e7a e para a sua preven\u00e7\u00e3o, alertar para fatores de risco e para o seu diagn\u00f3stico precoce.<\/p>\n<p>A respons\u00e1vel alerta para a \u201cbusca de sentido\u201d que quem atravessa situa\u00e7\u00f5es de fragilidade deve perseguir, mas refuta qualquer \u201clinguagem b\u00e9lica\u201d sobre \u201cluta\u201d e \u201ccombate\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Ainda que uma atitude mais positiva possa ser facilitadora para fazer esta travessia de tratamento, n\u00e3o \u00e9 por eu ter mais ou menos vontade que eu recupero, curo-me ou n\u00e3o curo. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o num combate, n\u00e3o \u00e9 por vontade pr\u00f3pria ou por serem mais corajosas que se curam ou n\u00e3o. S\u00e3o fatores da doen\u00e7a e do tratamento que ditam o desfecho.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Isabel Galri\u00e7a Neto d\u00e1 conta que a \u201cfragilidade\u201d faz parte do processo: \u201cH\u00e1 uns dias em que n\u00f3s podemos ver v\u00e1rias janelas e portas fechadas mas vamos procurar algumas que podem estar abertas; noutros dias, enquanto travessia, n\u00e3o vemos nada e isso \u00e9 permitido. Mas importa pensar quer se vai chegar ao outro dia, e que eu me vou deixar cuidar \u2013 pelos m\u00e9dicos, pelos amigos, pela fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante ter no\u00e7\u00e3o que n\u00e3o implica fazer coisas grandiosas: pode ser n\u00f3s abra\u00e7armos um filho e dizer-lhe \u2018eu agrade\u00e7o que estejas aqui comigo\u2019 e partilharmos o sil\u00eancio, porque n\u00e3o se consegue dizer mais. Ter consci\u00eancia da fortaleza n\u00e3o \u00e9 ter grandes gestos\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>Depois de um ano em tratamentos \u201cmuito duros\u201d, Isabel Galri\u00e7a Neto est\u00e1 em remiss\u00e3o tendo consci\u00eancia que ser\u00e1 doente oncol\u00f3gica para o resto da vida e sabendo que o tipo de cancro que teve pode voltar.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSomos sempre desafiados a perceber que s\u00edntese se faz das experi\u00eancias pelas quais passamos. \u00c0s vezes n\u00e3o \u00e9 no imediato. Estive um ano a fazer tratamento, vou celebrar agora em Fevereiro o meu primeiro ano sem tratamento e os dois anos de diagn\u00f3stico n\u00e3o sei o que \u00e9 que a vida me trar\u00e1. No processo houve muitos \u00abse\u2019s\u00bb at\u00e9 na f\u00e9, mas eu assumir \u00abSenhor eu n\u00e3o entendo nada. Cuida de mim\u00bb. S\u00f3 Deus sabe realmente o que vai na nossa vida\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A m\u00e9dica, originalmente especializada em medicina geral e familiar, h\u00e1 mais de 30 anos a trabalhar em Cuidados Paliativos, est\u00e1 neste momento a fazer Doutoramento na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei quais s\u00e3o as circunst\u00e2ncias (que vou ter para concluir) e tenho muito trabalho pela frente. Mas, efetivamente, isto era um objetivo j\u00e1 antes de adoecer e eu comecei o doutoramento durante os tratamentos. \u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o de vida. Sobretudo s\u00f3 Deus sabe o que vir\u00e1\u201d, resume.<\/p>\n<p>A conversa com Isabel Galri\u00e7a Neto pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, emitido esta noite na Antena 1, e disponibilizado no podcast \u00ab&#8217;Alarga a tua tenda&#8217;.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em Cuidado paliativos, Isabel Galri\u00e7a Neto passou de m\u00e9dica a doente oncol\u00f3gica e, antecipando o Dia Mundial do Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, fala sobre a procura de sentido na \u00abtravessia do tratamento\u00bb e da necessidade de \u00abafirmar a esperan\u00e7a e a coragem\u00bb sem recurso a \u00ablinguagem 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