{"id":408413,"date":"2026-01-20T09:29:55","date_gmt":"2026-01-20T09:29:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=408413"},"modified":"2026-01-19T11:32:36","modified_gmt":"2026-01-19T11:32:36","slug":"sera-que-a-missa-tem-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sera-que-a-missa-tem-futuro\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que a Missa tem futuro?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila real<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>O t\u00edtulo pode parecer provocador, mas n\u00e3o tenho a m\u00ednima d\u00favida de que a Missa tem futuro, porque n\u00e3o h\u00e1 Igreja sem a Missa, e se a Igreja j\u00e1 durou dois mil anos, outros dois mil, pelo menos, est\u00e1 para durar, e afirmo isto sem qualquer convencimento ou soberba, mas pela f\u00e9 e convic\u00e7\u00e3o que sinto. O t\u00edtulo resulta de alguns dados que vamos tendo da participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na missa dominical. Hoje a Igreja est\u00e1 muito centrada nos grandes eventos e nas estat\u00edsticas dos grandes eventos, grandes encontros, jornadas, jubileus, e por a\u00ed fora, h\u00e1 um grande j\u00fabilo pelas mobiliza\u00e7\u00f5es e multid\u00f5es que se movem, mas conv\u00e9m n\u00e3o esquecer a realidade da Igreja concreta de todos os dias, a realidade paroquial da Igreja. Poderemos at\u00e9 ter muitos casos de muitos crist\u00e3os que participam nestes grandes eventos, mas andam muito distantes e alheios da par\u00f3quia de que fazem parte. Conv\u00e9m que a Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o embandeire em arco com as grandes turbas medi\u00e1ticas que tem tido, porque podem dar uma ideia distorcida da sua verdadeira realidade. Honestamente, n\u00e3o digo que estes eventos n\u00e3o sejam importantes e s\u00e3o, mas dou mais aten\u00e7\u00e3o ao cristianismo discreto, silencioso, coerente e comprometido que as pessoas vivem nas par\u00f3quias e no seu dia a dia. Os dados que nos v\u00e3o chegando da participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na missa dominical s\u00e3o muito baixos. Muitos crist\u00e3os raramente ou nunca participam na missa de domingo. N\u00e3o h\u00e1 uma resposta simples e s\u00e3o muitos os fatores envolvidos. \u00c9 um desafio para todas as comunidades e \u00e9 um assunto que tem de estar no centro da pastoral.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 uns tempos, realizou-se um congresso eucar\u00edstico em Braga. Deste congresso sa\u00edram as seguintes linhas orientadoras para a vida da Igreja em Portugal: Redescobrir que a centralidade eucar\u00edstica vai para al\u00e9m do Domingo; Manter as igrejas abertas e revalorizar a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; Procurar o equil\u00edbrio entre a Tradi\u00e7\u00e3o e a necessidade de introduzir novas linguagens na liturgia; Refor\u00e7ar a Eucaristia como escola de fraternidade e sacramento de unidade; Garantir a autenticidade e coer\u00eancia entre o que se vive e anuncia; Assumir a sinodalidade a partir da Eucaristia; Ser sinal de Esperan\u00e7a. Cada comunidade foi chamada a aplicar e a aprofundar estas orienta\u00e7\u00f5es, sabendo que a Eucaristia, sobretudo do domingo, \u00e9 a fonte e o cume da sua vida.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os desafios que se colocam hoje \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da missa, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, de forma consistente, eliminar o div\u00f3rcio que se verifica entre muitos crist\u00e3os e a missa de domingo, assistimos \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o da vida de comunidade. \u00c9 uma tarefa \u00e1rdua, mas ao mesmo tempo desafiante, e v\u00e3o saindo boas indica\u00e7\u00f5es da Igreja para ajudar a viv\u00ea-la melhor, a n\u00e3o ser um ato rotineiro e mec\u00e2nico, porque assim est\u00e1 mandado e \u00e9 para cumprir, sem a saborear muito bem, nem nela encontrar for\u00e7a, alimento e luz para a vida.<\/p>\n<p>Jesus Cristo deixou a Eucaristia \u00e0 sua Igreja para sentirmos e celebr\u00e1rmos a sua presen\u00e7a ressuscitada no meio de n\u00f3s, para celebr\u00e1rmos o seu amor e o vivermos entre n\u00f3s, amor que teve o seu momento alto na cruz, que a missa atualiza, para escutarmos a sua palavra que alimenta e ilumina a vida crist\u00e3, para edificar e consolidar a sua Igreja, o seu Corpo m\u00edstico, que se alimenta e fortalece com o mesmo sangue e o mesmo p\u00e3o. A missa \u00e9 para dar gra\u00e7as a Deus pelo que fez, faz e far\u00e1 por n\u00f3s, fazer mem\u00f3ria dos grandes acontecimentos da nossa salva\u00e7\u00e3o e suplicar a Deus pelas grandes necessidades da Igreja e do mundo. Por fim a missa tem tamb\u00e9m como finalidade criar profunda comunh\u00e3o e fraternidade entre os crist\u00e3os e ajud\u00e1-los a ser luz e sal da terra quando saem da celebra\u00e7\u00e3o da missa. Reparem como a missa \u00e9 uma grande escola de humanidade, vida, comunh\u00e3o e fraternidade. Pergunto-me muitas vezes se muitos crist\u00e3os entendem a missa, se sabem o que nela se celebra e vivem depois o que nela celebram, n\u00e3o a reduzindo erradamente a um ritualismo, um dever, um preceito ou at\u00e9 uma devo\u00e7\u00e3o. Quando n\u00e3o se entende o que se celebra e porque se celebra, \u00e9 meio caminho andado para rapidamente se abandonar a missa. E quando se celebram mist\u00e9rios t\u00e3o sublimes como a presen\u00e7a de Jesus no meio de n\u00f3s, a presen\u00e7a e escuta da Palavra de Deus, a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e se pode receber o pr\u00f3prio Jesus Cristo, e se ouve de muitos crist\u00e3os que a \u201cmissa \u00e9 uma seca\u201d, d\u00e1 quase para bradar aos c\u00e9us. Um crist\u00e3o, quando se torna crist\u00e3o, torna-se filho de Deus, seguidor de Jesus e membro de uma comunidade. Disp\u00f5em-se a caminhar com Cristo e com os outros. Viver estas realidades implica encontro, celebra\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, partilha, comunh\u00e3o e miss\u00e3o. A missa tem por finalidade realizar, dinamizar e aprofundar estas realidades. Muitos crist\u00e3os, infelizmente, n\u00e3o chegam aqui.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de espantar que num tempo em que se tem pouca vida interior, em que n\u00e3o se busca Deus, ou se busca Deus de uma forma muito difusa ou ecl\u00e9tica, e n\u00e3o se cultivam os valores espirituais, em que n\u00f3s e o nosso bem-estar e prazer nos coloc\u00e1mos no centro da vida, n\u00e3o se sinta grande apelo ou motiva\u00e7\u00e3o para se participar na missa. Trocamo-la facilmente pelo que mais nos apetece no imediato, por uma qualquer caminhada, jogo, atividade, festa, divers\u00e3o ou evento. Eu, os meus interesses e prazeres levam tudo na frente. E num tempo em que n\u00e3o h\u00e1 grandes convic\u00e7\u00f5es, em que n\u00e3o se procura viver um ideal, se troca a fidelidade pelo hedonismo, fica esmorecida e fragilizada a vontade de se participar na missa. Por outro lado, agora andamos nesta moda de que s\u00f3 o que tem movimento e dinamismo \u00e9 engra\u00e7ado, levando-se muito ru\u00eddo e divers\u00e3o para dentro da missa, quando ela tamb\u00e9m \u00e9 importante porque nos d\u00e1 o que a vida n\u00e3o nos d\u00e1 no dia a dia: rezar, adorar, sil\u00eancio, interioridade, encontro com uma palavra diferente e desafiante, reflex\u00e3o, estar com os outros, celebrar a vida e o amor, sentir-me pertencente aos outros, viver o servi\u00e7o, encontrar luz, for\u00e7a e esperan\u00e7a para a vida. A missa deve ser festiva, mas festiva n\u00e3o significa divertida nem bonita.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Igreja \u00e9 clara: os crist\u00e3os que marcaram o seu tempo eram crist\u00e3os profundamente eucar\u00edsticos. E as comunidades crist\u00e3s que tiveram grande vitalidade e testemunho crist\u00e3o eram comunidades profundamente eucar\u00edsticas. Ningu\u00e9m espere ser um bom crist\u00e3o e dar muito fruto sem se alimentar da Eucaristia. Sem ela, n\u00e3o h\u00e1 crist\u00e3o, padre, cantor, catequista, ap\u00f3stolo, mission\u00e1rio que se aguente e que tenha vitalidade crist\u00e3 na sua vida. At\u00e9 muitos casais crist\u00e3os, sem ela, n\u00e3o se aguentam. Penso que muitos crist\u00e3os teriam muito a ganhar se redescobrissem a import\u00e2ncia da missa para a sua vida. D\u00e1-nos um amor, uma for\u00e7a, uma presen\u00e7a, uma comunh\u00e3o, uma alegria, uma palavra, que n\u00e3o encontramos em mais lado nenhum. \u00c9 um multivitam\u00ednico que d\u00e1 gosto, sentido e consist\u00eancia \u00e0 vida, de que nunca dever\u00edamos prescindir.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-408413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/408413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=408413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/408413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=408413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=408413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=408413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}