{"id":408397,"date":"2026-01-23T09:43:52","date_gmt":"2026-01-23T09:43:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=408397"},"modified":"2026-01-28T13:58:37","modified_gmt":"2026-01-28T13:58:37","slug":"lusofonias-missao-quente-no-extremo-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-missao-quente-no-extremo-norte\/","title":{"rendered":"\u00a0LUSOFONIAS &#8211; Miss\u00e3o \u2018quente\u2019 no extremo norte"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, no Extremo Norte dos Camar\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-408400 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-NorteCamaroes-23-1-2026.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Rumei ao extremo norte dos Camar\u00f5es, l\u00e1 onde o deserto do Sahara est\u00e1 mais pr\u00f3ximo, o mesmo se diga do cora\u00e7\u00e3o do mundo isl\u00e2mico. Por isso, estranhei a \u2018brisa ligeira\u2019 que me acolheu \u00e0 chegada, em vez do sol escaldante e abafado que eu esperava em Maroua (a 1157 kms de Yaound\u00e9 &#8211; por terra, seriam cerca de tr\u00eas dias de viagem!!). Basta dar uma pequena volta \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es para percebermos que a maioria do povo que ali vive \u00e9 mu\u00e7ulmana, embora as Igrejas crist\u00e3s sejam igualmente fortes. Mas os esfor\u00e7os de di\u00e1logo entre os crentes destas duas Religi\u00f5es s\u00e3o not\u00e1veis e t\u00eam trazido frutos palp\u00e1veis.<\/p>\n<p>Recuemos um pouco no tempo e no espa\u00e7o. A \u00faltima comunidade Espiritana que visitara foi o Noviciado da \u00c1frica Central, nas periferias de Mbalmayo, a uns 50 kms da capital. Ali est\u00e3o 14 jovens em Forma\u00e7\u00e3o, vindos do Gab\u00e3o, Congo-Brazzaville, Rep. Centro Africana, Nig\u00e9ria, Benin e, claro est\u00e1, Camar\u00f5es. \u00c9 enorme a riqueza de tanta diversidade. Tive direito a visita guiada ao centro da cidade, a come\u00e7ar pela Catedral, constru\u00edda pelos Espiritanos. Percorremos as salas e corredores do grande Hospital do Santo Ros\u00e1rio, estivemos no Pa\u00e7o Episcopal e andamos pelo mercado popular, a rebentar pelas costuras de um movimentado povo que compra, vende e regateia muito.<\/p>\n<p>No fim, viajei para Yaound\u00e9 de onde voei para o extremo Norte, onde encontrei \u2013 como j\u00e1 disse \u2013 uma realidade humana, religiosa e clim\u00e1tica muito diferente do resto do pa\u00eds. Partilho ent\u00e3o estes dias t\u00e3o acelerados, mas t\u00e3o marcados por um testemunho de compromisso mission\u00e1rio radical, tal a dificuldade \u2013 a todos os n\u00edveis \u2013 da Miss\u00e3o que ali se vive.<\/p>\n<p>Aterrado em Maroua, fui levado pelos Espiritanos at\u00e9 Gu\u00e9m\u00e9, a Miss\u00e3o mais distante, situada na fronteira com o Chade. Foram 6 horas e meia aos saltos e a comer muita poeira. O bom destas viagens s\u00e3o as conversas e as paisagens. A terra \u00e9 \u00e1rida, mesmo assim cultivam o \u2018karal\u2019 (sorgo), um cereal cuja planta se assemelha ao milho e que n\u00e3o precisa de \u00e1gua para produzir. H\u00e1 muito algod\u00e3o e arroz, cultivando igualmente, com sistemas de irriga\u00e7\u00e3o tradicionais, cebola e cenoura. As casas s\u00e3o pequenas e feitas de adobe de argila com cobertura de folhas. H\u00e1 muito gado a circular: bois, ovelhas, cabras, porcos, galinhas e at\u00e9 burros. Paramos em Kael\u00e9 para comer, em plena rua, uma carne assada, um dos almo\u00e7os mais saborosos da minha vida, pois j\u00e1 eram 14h30 e o apetite \u00e9 o melhor tempero! Visitamos em Guidguis, uma comunidade de Irm\u00e3s Brasileiras que fugiram de Guem\u00e9 h\u00e1 oito anos, quando o Boko Haram amea\u00e7ava atacar e fazer ref\u00e9ns os mission\u00e1rios estrangeiros. Ainda tivemos direito ao rebentamento de um pneu, mas chegamos s\u00e3os e salvos.<\/p>\n<p>Passar um domingo em Guem\u00e9 foi gra\u00e7a, pois participei numa Eucaristia muito animada, na Igreja ao ar livre, um espa\u00e7o cheio de \u00e1rvores que, com um ligeiro vento, se torna muito acolhedor. Os textos b\u00edblicos e os c\u00e2nticos foram, na maioria, em Mass\u00e1, a l\u00edngua daquela regi\u00e3o fronteiri\u00e7a. Embora esteja tudo seco \u2013 confessava um l\u00edder local \u2013 \u2018aqui neste extremo norte tudo \u00e9 extremo: o calor e o frio, a seca e as chuvas, a brisa leve e o \u2018harmattan\u2019, esse vento quente e violento que dobra as \u00e1rvores e at\u00e9 arrasta os carros!\u2019. De facto, a terra \u00e9 argilosa e, quando chove, fica tudo inundado, n\u00e3o se podendo visitar as 44 comunidades organizadas em sete Sectores Pastorais.<\/p>\n<p>A viagem seguinte foi at\u00e9 Mokond, na regi\u00e3o de Maroua, \u00e1rea de muito sorgo e cebola. A Miss\u00e3o est\u00e1 constru\u00edda no sop\u00e9 de montanha. Almocei com os dois Padres Espiritanos, as 3 Irm\u00e3s Ursulinas e 5 dos Respons\u00e1veis m\u00e1ximos das Comunidades. Momento alto foi a visita a Kondje, uma das 21 Comunidades de Sector, onde me esperavam dezenas de pessoas que cantaram, dan\u00e7aram e partilharam as alegrias e dores do dia a dia, numa \u00e1rea onde os mu\u00e7ulmanos controlam tudo. A tradu\u00e7\u00e3o para Mufu, a l\u00edngua local, foi decisiva para todos nos entendermos. Terminamos a beber juntos um \u2018bilbil\u2019, bebida fermentada feita de sorgo. Tive ainda a alegria de acompanhar o P. Adamo na visita ao projeto que ele lan\u00e7ou para acolhimento de crian\u00e7as e jovens vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A etapa seguinte levou-me \u00e0 Miss\u00e3o de Bogo, outro espa\u00e7o desafiante. Usei a express\u00e3o \u2018quente\u2019, mas n\u00e3o me referia s\u00f3 \u00e0s altas temperaturas que provocam a can\u00edcula na maior parte do ano. H\u00e1 tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica dos ataques frequentes e b\u00e1rbaros do \u2018Boko Haram\u2019, esse movimento armado de fundamentalistas isl\u00e2micos que semeiam o terror por onde passam.<\/p>\n<p>E h\u00e1 tantas outras coisas para contar sobre este extremo norte que ali voltaremos na pr\u00f3xima cr\u00f3nica.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, no Extremo Norte dos Camar\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Miss\u00e3o \u2018quente\u2019 no extremo norte\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; 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