{"id":40764,"date":"2009-09-13T22:38:49","date_gmt":"2009-09-13T22:38:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/09\/13\/homilia-de-d-carlos-azevedo-no-dia-13-de-setembro-em-fatima\/"},"modified":"2009-09-13T22:38:49","modified_gmt":"2009-09-13T22:38:49","slug":"homilia-de-d-carlos-azevedo-no-dia-13-de-setembro-em-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-carlos-azevedo-no-dia-13-de-setembro-em-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Carlos Azevedo no dia 13 de Setembro, em F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Irradiante e convincente beleza espiritual de Maria&#8221; <!--more--> <\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Irradiante e convincente beleza espiritual de Maria<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;1. A sede de maravilha, de admira&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma constante dos cora&ccedil;&otilde;es, constitui um peregrinar incessante da alma humana. Na arte, na poesia, na ternura da rela&ccedil;&atilde;o humana buscamos saciar esta sede de encanto.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A Igreja vai ao encontro desta busca ao convidar-nos, nesta liturgia, a contemplar, com &iacute;ntima alegria, a beleza espiritual de Maria, a candura de Maria Imaculada. Para n&oacute;s, a beleza consiste na santidade, em ser imagem da bondade e da fidelidade de Cristo, o mais santo e, por isso, &ldquo;o mais belo entre os filhos dos homens&rdquo; (Sl 44,3). Depois de Cristo, todo o esplendor das criaturas, plasmadas pelo Esp&iacute;rito criador de Deus, se reflecte no fulgor espiritual de Santa Maria. Ela &eacute; &ldquo;espelho inef&aacute;vel de um pensamento de divina perfei&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como disse Paulo VI, que, como poucos, delineou com vigor o vibrar da beleza espiritual de Maria. Nesta criatura vemos a luz irradiante do Esp&iacute;rito, gra&ccedil;as &agrave; obra do art&iacute;fice divino, do Supremo artista do universo. Em Maria, n&oacute;s, Povo de Deus, reconhecemos o modelo realizado da verdade original a que os crentes s&atilde;o chamados, por puro dom de Deus.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Esta celebra&ccedil;&atilde;o canta e transp&otilde;e para Maria a sapi&ecirc;ncia divina. Na sua boca, como sede da Sabedoria incarnada, colocamos express&otilde;es sublimes como a de hoje: &ldquo;Eu sou a m&atilde;e do amor formoso&rdquo;. &ldquo;Em mim est&aacute; toda a gra&ccedil;a do caminho e da verdade, em mim est&aacute; toda a esperan&ccedil;a da vida e da virtude&rdquo;. Estes deliciosos textos da Sagrada Escritura tratam da sapi&ecirc;ncia divina, poeticamente personificada, como base das coisas criadas. A singular beleza de Maria decorre de ser express&atilde;o corp&oacute;rea da beleza invis&iacute;vel.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nela brilha o H&oacute;spede que a habita, porque traz no seio e esplendor do Novo Ad&atilde;o. Nela come&ccedil;am a manifestar-se as maravilhas de Deus que o Esp&iacute;rito Santo realizar&aacute; em Cristo e na sua Igreja. Para reconstruir o para&iacute;so perdido, a primeira c&eacute;lula desse mundo novo ser&aacute; Maria, admir&aacute;vel m&atilde;e de Jesus.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;2.Porque lhe chamamos formosa?<br \/>&#8211; Santa Maria &eacute; formosa, antes de mais, por ser &ldquo;cheia de gra&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;adornada com os dons do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (Col 3), plena da harmonia dos bens encantadores de Deus. &ldquo;Alegra-te, cheia de gra&ccedil;a&ldquo; &eacute; a sauda&ccedil;&atilde;o de inef&aacute;vel e exultante j&uacute;bilo do mensageiro Gabriel. &Eacute; significativo que a primeira express&atilde;o dirigida &agrave; Gracios&iacute;ssima, no Novo Testamento, seja um convite &agrave; alegria, &agrave; formosura vibrante da gra&ccedil;a de Deus. Como n&atilde;o h&aacute;-de gozar de trepidante alegria aquela da qual nascer&aacute; Jesus, a alegria de todos os povos, o mais engra&ccedil;ado, o mais belo na plenitude de humanidade, imagem perfeita da santidade do Alt&iacute;ssimo. A beleza das coisas terrenas &eacute; p&aacute;lida diante do fulgor da superabundante vida de Deus que habita Maria. A sua voca&ccedil;&atilde;o &uacute;nica implica uma vontade de amor singular da parte de Deus-amor, que lhe oferece gratuitamente as prim&iacute;cias da plenitude da gra&ccedil;a. Inaugurou-se um novo regime de beleza. Se Mois&eacute;s, os patriarcas e profetas tiveram gra&ccedil;a aos olhos de Deus, quanto mais a alma de Maria cheiinha, envolvida e plasmada pela beleza encantadora de Deus. Porque, agora, era a raiz da sua exist&ecirc;ncia, o n&uacute;cleo profundo da sua realidade que acolhia o Senhor, dava morada &agrave; Palavra.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">&#8211; Santa Maria &eacute; tamb&eacute;m formosa por amar com amor formoso a Deus, a Cristo e a toda a humanidade. Deus primou nesta criatura toda a efic&aacute;cia da sua gra&ccedil;a. Em Maria tem in&iacute;cio a maior das obras de Deus, na hist&oacute;ria humana e na vida do mundo. Mas n&atilde;o se reduz a uma perfei&ccedil;&atilde;o pessoal, antes ordena-se a outros e atrai. A miss&atilde;o nova da cheia de gra&ccedil;a, da m&atilde;e formosa corresponde a uma vasta e plena qualidade excepcional do seu amor, do seu programa de vida, dos tra&ccedil;os admir&aacute;veis da sua maternidade virginal. Porque a beleza crist&atilde; n&atilde;o se separa da bondade, o crist&atilde;o &eacute; chamado a fazer resplandecer Deus na pr&oacute;pria vida. Ora a mais luminosa e irradiante realiza&ccedil;&atilde;o &eacute; Maria, que atinge o auge, acima de qualquer ser humano.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">&#8211; A M&atilde;e de Cristo &eacute;, ainda, formosa por aderir e participar de modo admir&aacute;vel no mist&eacute;rio do seu nascimento, vida, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, aderindo &ldquo;com fortaleza e suavidade, com harmonia e fidelidade ao plano salvador de Deus&rdquo;. (IGREJA CAT&Oacute;LICA. Liturgia &#8211; <em>Missas da Virgem Santa Maria: Missal<\/em>. Coimbra: CEP, 1997, p.173). Esta plena ades&atilde;o mostra a integridade da sua sublime beleza. Em todas as estruturas e dinamismos do seu ser &eacute; imagem da pureza absoluta, &eacute; luz brilhante, harmonia plena, integridade total. Esta beleza fora de s&eacute;rie &eacute; densa e convincente. Realmente, uma obra-prima assim tem for&ccedil;a de convic&ccedil;&atilde;o irresist&iacute;vel e conquista os cora&ccedil;&otilde;es, mesmo rebeldes. At&eacute; incr&eacute;dulos reconhecem em Maria uma beleza inatac&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">3. Car&iacute;ssimos peregrinos:<br \/>N&atilde;o &eacute; uma do&ccedil;ura descobrir em Maria como a transpar&ecirc;ncia divina &eacute; uma possibilidade em n&oacute;s? De facto, diz a Palavra hoje proclamada: &ldquo;Quem trabalha comigo n&atilde;o pecar&aacute;&rdquo; porque o pecado &eacute; feio. &ldquo;A vontade de Deus &eacute; que eviteis a impureza&rdquo;. Deus n&atilde;o nos chamou para a impureza mas para a santidade. Este Santu&aacute;rio, ao escolher como tema deste m&ecirc;s: &ldquo;o pudor protege o mist&eacute;rio da pessoa e do seu amor&rdquo;, integrado no tema do ano: &ldquo;os puros de cora&ccedil;&atilde;o ver&atilde;o a Deus&rdquo;, est&aacute; a indicar-nos um caminho, uma via de beleza para que quem escuta a Palavra: &ldquo;Saiba possuir o seu corpo em santidade e honra, sem se deixar levar pelas paix&otilde;es desregradas&rdquo;. Encontrar a harmonia no corpo &eacute; uma gra&ccedil;a que evita muitas desgra&ccedil;as, estragos da dignidade humana, deturpa&ccedil;&atilde;o do projecto belo e bom do nosso Deus.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A aus&ecirc;ncia de pudor conduz &agrave; provoca&ccedil;&atilde;o sedutora. A busca de excita&ccedil;&atilde;o sensual no modo de vestir n&atilde;o condiz com a aut&ecirc;ntica atrac&ccedil;&atilde;o, conduz a perder o verdadeiro fasc&iacute;nio que existe em cada criatura humana, banaliza a dignidade do corpo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">H&aacute; tanta diferen&ccedil;a entre o fasc&iacute;nio de um olhar sorridente e puro, que aprecia a beleza humana e se eleva, e a sensualidade possessiva, que perturba, agita e desregula os comportamentos! H&aacute; tanta diferen&ccedil;a entre o encanto da beleza inocente que suaviza a vida e a mal&iacute;cia do olhar, produto de mente obscurecida! Quando projectos pol&iacute;ticos apenas ratificam a decad&ecirc;ncia humana, em lugar de dignificar a qualidade de vida e elevar o n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es e dos v&iacute;nculos entre as pessoas, contribuem para tornar a vida feia e confundir as mentes.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">N&oacute;s aqui estamos a contemplar Maria para purificar o nosso olhar. Como modelo inspirador e esperan&ccedil;a consoladora, na beleza que nela resplandece, lavamos as sedu&ccedil;&otilde;es que nos arrastam e prendem, as atrac&ccedil;&otilde;es que nos desviam da fidelidade, as tenta&ccedil;&otilde;es que conduzem &agrave; perda da bela harmonia do corpo. Pelas l&aacute;grimas da penit&ecirc;ncia recuperamos a vis&atilde;o da beleza divina, falseada ou perdida nos desvarios contempor&acirc;neos. Temos necessidade de fixar a beleza de Maria porque os nossos olhos s&atilde;o ofendidos por imagens enganadoras de caducos e ilus&oacute;rios impulsos. Precisamos de restaurar, nas nossas mentes e nos costumes &agrave; nossa volta, a experi&ecirc;ncia feliz do que &eacute; verdadeiramente belo. A Senhora de F&aacute;tima irradia para n&oacute;s atitudes puras, grandes, fortes.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Perante esta criatura t&atilde;o estupenda, tenho que terminar louvando a gl&oacute;ria de Deus.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Te louvamos, Deus de infinita beleza, por esta &ldquo;Senhora mais brilhante que o sol&rdquo;. &Eacute; luz inspiradora para redimirmos o nosso olhar de qualquer marca de falsa e inferior beleza. Seduz homens e mulheres para a santidade, como atrai artistas e poetas para a Beleza incontaminada. Motiva, qual M&atilde;e do amor formoso, as comunidades crist&atilde;s a caminhar na perfei&ccedil;&atilde;o, como concede aos doentes sentido e serenidade. Liberta a nossa consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica para nos batermos, com determina&ccedil;&atilde;o, por um Portugal e um mundo orientados por ideais dignos e nobres, mobilizadores da responsabilidade de todos, na alegria de unir vontades para ser mais belo viver.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Carlos Moreira Azevedo<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Bispo auxiliar de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Irradiante e convincente beleza espiritual de Maria&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,174,207,246],"class_list":["post-40764","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-diocese-de-coimbra","tag-fatima","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40764"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40764\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}