{"id":407418,"date":"2026-01-16T09:41:18","date_gmt":"2026-01-16T09:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=407418"},"modified":"2026-01-19T10:29:04","modified_gmt":"2026-01-19T10:29:04","slug":"lusofonias-a-forja-dos-futuros-missionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-a-forja-dos-futuros-missionarios\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; A forja dos futuros mission\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Ngoya, Obout e Mbalmayo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-407419 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Lusofonias-CamaroesFormacao16-1-2026.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sou um bom pagador de promessas, prometi e cumpro! A viagem de Bertoua para Yaound\u00e9 foi digna de in\u00edcio de cr\u00f3nica. Os primeiros 108 kms, de Bertoua at\u00e9 Abong Mbang decorreram sem grandes percal\u00e7os, viajando dentro de uma Toyota pensada para nove lugares. A condu\u00e7\u00e3o pareceu-me respons\u00e1vel e em duas horas chegamos, depois de passar por Doum\u00e9, sede da Diocese fundada pelos Espiritanos.<\/p>\n<p>Mas, de Abong Mbang a Yoaund\u00e9 tive direito a 223 longos kms, com muitos cami\u00f5es em sentido contr\u00e1rio, ora carregados de troncos, ora com enormes contentores. A\u00ed o chauffeur quis mostrar toda a sua classe e fez ultrapassagens e mais ultrapassagens, daquelas que n\u00e3o passam em nenhum exame de c\u00f3digo. Eu ia no lugar da frente e s\u00f3 imaginava aqueles grandes cami\u00f5es a entrar pela nossa carrinha adentro. V\u00e1rias vezes perdi a respira\u00e7\u00e3o, mas voltei a ganha-la quando olhava para o lado e via o motorista feliz a consultar o seu telem\u00f3vel.<\/p>\n<p>Devo confessar que, apesar de tudo, estas viagens enchem-me as medidas pela alegria que noto nas pessoas que percorrem a p\u00e9 as estradas, pelas crian\u00e7as que brincam nas aldeias, pelos mercados de rua que correspondem, mais ou menos, ao n\u00famero de casas, pela beleza das paisagens que ganham novo colorido quando se aproxima o p\u00f4r do sol.<\/p>\n<p>H\u00e1 na estrada muitos cami\u00f5es, carros, motas e pessoas a p\u00e9. V\u00ea-se muita mandioca a secar junto \u00e0 rua ou \u00e0 venda. O mesmo se diga de carv\u00e3o, inhames, lenha. H\u00e1 muita banana, sendo a maioria para cozinhar. A aproxima\u00e7\u00e3o das aldeias \u00e9 anunciada pelas mangueiras enormes, infelizmente sem fruto nesta \u00e9poca. Os palmeirais e milheirais s\u00e3o frequentes, assim como os campos de mandioca e as planta\u00e7\u00f5es de cacau. H\u00e1 muitas \u00e1rvores, na maioria, altas e esguias, dando eleg\u00e2ncia \u00e0 paisagem que pinta o c\u00e9u de verde ondulante&#8230; O verde \u00e9, sem concorr\u00eancia poss\u00edvel, a cor predominante da paisagem por onde quer que andemos. Nas estradas de terra batida h\u00e1 que destacar tamb\u00e9m o laranja da terra que est\u00e1 no ch\u00e3o ou voa sob a refinada forma de poeira. \u00c9 igualmente simp\u00e1tico ver o povo sentado \u00e0 sombra da soleira da porta e debaixo de enormes mangueiras em alegre cavaqueira.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 dados mais estranhos. Como quase n\u00e3o h\u00e1 cemit\u00e9rios p\u00fablicos, cada fam\u00edlia enterra os seus mortos onde quer e muitas decidiram sepultar os familiares em frente \u00e0 porta principal da casa, junto \u00e0 estrada nacional. E \u00e9 curioso ver faixas a atravessar a estrada com os seguintes dizeres: \u2018Bienvenue aux obs\u00e8ques de mr. Joseph\u2019, convidando para os vel\u00f3rios\u2026<\/p>\n<p>Cheguei s\u00e3o e salvo a Yaound\u00e9 e comecei uma etapa desafiante: a visita \u00e0s Casas de Forma\u00e7\u00e3o dos Espiritanos de toda a \u00c1frica Central.<\/p>\n<p>Comecei na bel\u00edssima e arborizada colina de Ngoya onde 30 jovens ultimam a sua prepara\u00e7\u00e3o para serem mission\u00e1rios. V\u00e3o \u00e0s aulas de Teologia na Faculdade, em Yaound\u00e9 e vivem o seu dia a dia num espa\u00e7o de sonho, com vistas belas sobre outras colinas que se situam em frente. H\u00e1 jovens camaroneses, centro-africanos, gaboneses, congoleses (de Kinshasa e de Brazzaville) e de Madag\u00e1scar. Foi fascinante encontra-los, escuta-los e s\u00f3 faltou coragem para enfrentar o calor e ir jogar futebol com eles\u2026<\/p>\n<p>Dali fui at\u00e9 Obout, onde funciona a primeira etapa da forma\u00e7\u00e3o de futuros mission\u00e1rios, num antigo Mosteiro Trapista, no meio da floresta tropical. Ali est\u00e3o seis jovens camaroneses, numa etapa que se deve ainda fazer a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Finalmente rumei a Mbalmayo, uma diocese sat\u00e9lite da capital. L\u00e1 funciona o chamado \u2018Ano de Noviciado\u2019, uma esp\u00e9cie de rito de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Religiosa e Mission\u00e1ria. O ambiente \u00e9 muito acolhedor, a anima\u00e7\u00e3o desta etapa formativa \u00e9 muito rigorosa, o que permite um s\u00e1bio discernimento e uma correta decis\u00e3o no fim do ano. Esta tripla visita a Casas de Forma\u00e7\u00e3o permitiu-me ver, escutar e partilhar experi\u00eancias sobre o qu\u00e3o importante e dif\u00edcil \u00e9 formar novas gera\u00e7\u00f5es de mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima dose de visitas \u00e9 bem mais transpirante: sigo para norte onde, a partir de Maroua, visitarei as miss\u00f5es Espiritanas nesta parte norte e t\u00f3rrida dos Camar\u00f5es, l\u00e1 onde os mu\u00e7ulmanos s\u00e3o maioria mais que absoluta. Quando regressar a Yaound\u00e9, ap\u00f3s mais um banho, direi como foi rica esta ida ao norte.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Ngoya, Obout e Mbalmayo<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - A forja dos futuros mission\u00e1rios\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/4sc3BwqFAOkDP9CnmGukj4?si=nSkZ06nER9asD0V9I2Njrg&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Ngoya, 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