{"id":40738,"date":"2009-09-10T15:45:15","date_gmt":"2009-09-10T15:45:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/09\/10\/gabinetes-de-imprensa-na-igreja-2\/"},"modified":"2009-09-10T15:45:15","modified_gmt":"2009-09-10T15:45:15","slug":"gabinetes-de-imprensa-na-igreja-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/gabinetes-de-imprensa-na-igreja-2\/","title":{"rendered":"Gabinetes de Imprensa na Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia do Pe. Federico Lombardi nas Jornadas das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, muito obrigado por me terem convidado. Eu n&atilde;o posso viajar muito, porque estou condicionado a permanecer em Roma para cumprir as diversas tarefas que me est&atilde;o confiadas. As minhas viagens s&atilde;o por isso sobretudo as que realizo para acompanhar o Santo Padre. Contudo, parece-me que um aspecto integrante do dever de respons&aacute;vel pelas comunica&ccedil;&otilde;es da Santa S&eacute; seja o de dar a conhecer e compreender, nos diferentes pa&iacute;ses, o servi&ccedil;o eclesial desenvolvido em Roma, de modo a favorecer a liga&ccedil;&atilde;o e a colabora&ccedil;&atilde;o entre aqueles que se ocupam das comunica&ccedil;&otilde;es sociais na Igreja. Para esse fim, procuro n&atilde;o s&oacute; acolher e conhecer todos os grupos de jornalistas que v&ecirc;m a Roma visitar as nossas institui&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m participar, todos os anos, em dois ou tr&ecirc;s encontros de comunicadores sociais eclesiais, nos seus pa&iacute;ses. Assim, estive, por exemplo &ndash; nos &uacute;ltimos anos &ndash; em Toronto com os jornalistas cat&oacute;licos do Canad&aacute; e dos Estados Unidos; em Madrid e Salamanca, em Londres, Viena, na B&eacute;lgica, em Bratislava, etc.<em>.<\/em> N&atilde;o podiam por isso faltar F&aacute;tima e Portugal.<\/p>\n<p>Vou apresentar as minhas considera&ccedil;&otilde;es &ndash; muito simples e pr&aacute;ticas &ndash; em aproximadamente dez proposi&ccedil;&otilde;es, ou teses, que passo a desenvolver brevemente.<\/p>\n<p><strong>Em primeiro lugar, a quem servimos com o nosso servi&ccedil;o?<\/strong><\/p>\n<p>1. &Eacute;, antes de mais, um servi&ccedil;o para o Evangelho de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Pode parecer &oacute;bvio, mas julgo n&atilde;o ser in&uacute;til record&aacute;-lo como ponto de refer&ecirc;ncia essencial do nosso discurso. N&oacute;s n&atilde;o somos propagandistas pol&iacute;ticos, defensores de interesses particulares, ou simples profissionais do jornalismo. Somos, em primeiro lugar, crentes e crist&atilde;os. O que mais nos interessa &eacute; que o Evangelho de Jesus Cristo seja conhecido e compreendido atrav&eacute;s da palavra e do testemunho da Igreja. Se isso n&atilde;o acontece, perdemos tempo.<\/p>\n<p>Por conseguinte, devemos sempre preocupar-nos para que os conte&uacute;dos que n&oacute;s comunicamos e o modo como os comunicamos sejam coerentes com este Evangelho, que estejam permeados pelo amor a Deus e &agrave;s pessoas, pela procura do seu verdadeiro bem. Devemos estar absolutamente convictos de que somos servidores do bem dos nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s e que, se por vezes defendemos posi&ccedil;&otilde;es que parecem ir contra corrente, fazemos isso apenas para o verdadeiro bem e a verdadeira felicidade das pessoas &agrave;s quais a Igreja se dirige. Devemos tamb&eacute;m compreender que o modo de comunicar, a linguagem respeitosa e verdadeira, t&ecirc;m que reflectir o amor de Deus pelo mundo.<\/p>\n<p>O magist&eacute;rio da Igreja sobre os instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o social foi sempre positivo, desde o seu in&iacute;cio; embora prudente e real&iacute;stico quanto &agrave;s poss&iacute;veis ambiguidades e aos riscos, encarou-os sempre como instrumentos &uacute;teis para o an&uacute;ncio do Evangelho em &acirc;mbitos muito vastos, superiores &agrave;queles que cada um de n&oacute;s pode alcan&ccedil;ar atrav&eacute;s do contacto directo com as pessoas. Tamb&eacute;m n&oacute;s devemos partilhar esta atitude e ajudar a comunidade eclesial a viv&ecirc;-la.<\/p>\n<p>A pessoa respons&aacute;vel por um Gabinete de comunica&ccedil;&otilde;es sociais &eacute; sempre, por isso mesmo, um animador e promotor de comunica&ccedil;&atilde;o, algu&eacute;m que ajuda a estar atentos e a compreender a mudan&ccedil;a da cultura e das tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o para que o Evangelho possa chegar de modo novo &agrave;s pessoas do nosso tempo.<\/p>\n<p>2. &Eacute; um servi&ccedil;o que se insere numa comunidade, que &eacute; a Igreja, encarnada em institui&ccedil;&otilde;es e pessoas concretas &ndash; como a Confer&ecirc;ncia Episcopal, ou a Diocese, ou o Bispo, ou o Santu&aacute;rio&#8230; &ndash;, que nos encarregou de a representar.<\/p>\n<p>Isto significa que se trata de uma tarefa que nos foi confiada e que nos pede que falemos em nome de algu&eacute;m e n&atilde;o em nosso nome pessoal. Isto implica um verdadeiro exerc&iacute;cio de aten&ccedil;&atilde;o e de escuta em rela&ccedil;&atilde;o a quem devemos representar. Se se trata do Bispo, temos que nos manter em contacto com ele para compreender bem o seu pensamento, as suas inten&ccedil;&otilde;es, at&eacute; o pr&oacute;prio estilo de rela&ccedil;&atilde;o com a comunidade eclesial e com o p&uacute;blico, de forma a interpret&aacute;-lo e n&atilde;o a tra&iacute;-lo.<\/p>\n<p>Devemos tamb&eacute;m aproximar a institui&ccedil;&atilde;o, ou a pessoa, que representamos do mundo da comunica&ccedil;&atilde;o social, ajud&aacute;-las a exprimir-se de modo adequado, a fazer passar as suas mensagens atrav&eacute;s dos instrumentos apropriadas. E fazer tudo isto sem nunca darmos prioridade ao nosso pensamento pessoal, mas sim ao pensamento de quem servimos, porque &eacute; esta a finalidade da nossa tarefa.<\/p>\n<p>E devemos fazer isso com alegria, amando a comunidade da Igreja e considerando que &eacute; uma honra servi-la, e que geralmente &eacute; mais &uacute;til transmitir aos outros o que lhes diz o Papa ou o Bispo do que aquilo que qualquer um de n&oacute;s pode inventar pessoalmente.<\/p>\n<p>Naturalmente, &eacute; importante a qualidade e a autoridade das tomadas de posi&ccedil;&atilde;o e das interven&ccedil;&otilde;es. Estar dispon&iacute;veis n&atilde;o significa procurar ser omnipresentes nos media, dando a impress&atilde;o de procurar a notoriedade. Os media podem ser trai&ccedil;oeiros: criam facilmente os seus protagonistas&nbsp; e depois desembara&ccedil;am-se deles em pouco tempo, ou tornam-nos prisioneiros do tipo de imagem que produziram deles. Por isso, &eacute; preciso saber bem o que se pretende comunicar e faz&ecirc;-lo com medida, nos momentos importantes. O ideal &eacute; que sejamos n&oacute;s a &ldquo;conduzir o jogo&rdquo; da comunica&ccedil;&atilde;o, criando as ocasi&otilde;es prop&iacute;cias e lan&ccedil;ando as mensagens que temos a peito, e n&atilde;o nos tornarmos n&oacute;s objecto do jogo dos media.<\/p>\n<p>Frequentemente, no servi&ccedil;o da institui&ccedil;&atilde;o &eacute; importante saber manter o car&aacute;cter reservado de uma informa&ccedil;&atilde;o ou documento cultivar a virtude da discri&ccedil;&atilde;o, para dizer as coisas quando devem ser ditas, resistindo &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de as antecipar. Parece-me oportuno fazer aqui esta observa&ccedil;&atilde;o: se houver coisas realmente confidenciais, que, por bons motivos, n&atilde;o devem ser postas em p&uacute;blico, n&atilde;o se devem revelar, no limite, nem sequer aos amigos. No mundo actual, a discri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existe ou n&atilde;o &eacute; considerada um valor, e n&atilde;o nos podemos queixar se circularem not&iacute;cias que fomos n&oacute;s pr&oacute;prios a dar. Creio que para se ser bons comunicadores &eacute; preciso saber observar os limites da comunica&ccedil;&atilde;o, distinguir bem o que deve ser comunicado e o momento em que se deve comunicar, e o que n&atilde;o deve ser comunicado ou n&atilde;o deve ser ainda comunicado.<\/p>\n<p>3. Trata-se&nbsp; de um servi&ccedil;o aos colegas profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o e, por interm&eacute;dio deles, ao p&uacute;blico, que &eacute; o povo de Deus na Igreja, ou o povo, em sentido mais amplo, do nosso pa&iacute;s, ou aquele que, de qualquer forma, pode ser alcan&ccedil;ado.<\/p>\n<p>Normalmente, quem trabalha num Gabinete para as comunica&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o tem de imediato, e em primeiro lugar, uma tarefa de comunica&ccedil;&atilde;o destinada a um vasto p&uacute;blico, mas um dever de comunica&ccedil;&atilde;o para comunicadores sociais, que, por sua vez &ndash; por etapas sucessivas &ndash; atingem o p&uacute;blico mais vasto. Por conseguinte, n&oacute;s somos servidores de nossos colegas comunicadores e, por isso, devemos fazer todo o poss&iacute;vel para os ajudar a realizarem bem o seu trabalho.<\/p>\n<p>Aqui, normalmente, insisto numa atitude aberta e positiva, embora prudente e n&atilde;o ing&eacute;nua. N&atilde;o devemos partir do pressuposto que os jornalistas s&atilde;o insidiosos ou mal intencionados. Devemos ter consci&ecirc;ncia de que h&aacute; jornalistas de todas as tend&ecirc;ncias e atitudes e que temos de procurar dar a cada um uma ajuda para ele dar um passo na direc&ccedil;&atilde;o certa: da nossa parte, p&ocirc;-los em condi&ccedil;&otilde;es de poderem fazer uma boa informa&ccedil;&atilde;o, se estiverem dispostos a isso. Alguns falar&atilde;o sempre mal da Igreja, porque s&atilde;o pagos para isso, e, mesmo se quisessem, n&atilde;o poderiam fazer outra coisa; mas outros s&atilde;o respons&aacute;veis e tentam compreender, e t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es para explicar as coisas boas que compreendem. Devemos encorajar cada um a fazer o melhor que for capaz.<\/p>\n<p>Aqui, podemos falar de modo muito concreto: h&aacute; a acessibilidade, a nossa disponibilidade pessoal para ajudar quem pede explica&ccedil;&otilde;es, aprofundamentos, etc. Esta disponibilidade &eacute; por vezes muito apreciada.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, sabemos bem que os nossos colegas s&atilde;o muito sens&iacute;veis a um tratamento igual em rela&ccedil;&atilde;o a todos eles, pelo menos na medida do poss&iacute;vel. N&atilde;o deixar-se levar por simpatias: dar a todos o mesmo texto, ao mesmo tempo, manifestando para com todos eles o mesmo respeito pelo seu trabalho. Isto &eacute; muito importante para manter a autoridade no nosso trabalho.<\/p>\n<p>Existe tamb&eacute;m a dimens&atilde;o humana das rela&ccedil;&otilde;es com as pessoas, a compreens&atilde;o das suas situa&ccedil;&otilde;es e dificuldades profissionais pessoais: v&ecirc;-los como homens e mulheres, e compreend&ecirc;-los. Frequentemente, no seu trabalho, s&atilde;o pesadamente condicionados pelos seus chefes e t&ecirc;m que escrever coisas que n&atilde;o gostariam de escrever. A participa&ccedil;&atilde;o nos momentos mais importantes da sua vida &ndash; partilhando as alegrias e o sofrimento &ndash; &eacute; essencial para construir a comunidade dos comunicadores. &Agrave;s vezes, podem ser criadas boas ocasi&otilde;es de encontro tamb&eacute;m com o Bispo, momentos de festa e, para os crentes, at&eacute; mesmo de ora&ccedil;&atilde;o comum, por exemplo por ocasi&atilde;o do Dia das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais, ou da Festa do Patrono, S. Francisco de Sales. Em resumo, dever&iacute;amos conseguir viver o nosso servi&ccedil;o aos colegas comunicadores tamb&eacute;m como um servi&ccedil;o pastoral, humano e espiritual, embora com a devida discri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Trata-se de um servi&ccedil;o que n&atilde;o parte apenas no sentido da institui&ccedil;&atilde;o que representamos para o exterior, mas tamb&eacute;m do mundo envolvente para esta institui&ccedil;&atilde;o. Por outras palavras, &eacute; um servi&ccedil;o &ldquo;bidireccional&rdquo;, para o di&aacute;logo entre a Igreja e o mundo.<\/p>\n<p>Geralmente, falo da Sala de Imprensa na qual trabalho como de uma &ldquo;porta aberta&rdquo;, atrav&eacute;s da qual existe um fluxo comunicativo de informa&ccedil;&otilde;es, mensagens, respostas&hellip; que partem, mas h&aacute; tamb&eacute;m um fluxo de perguntas, opini&otilde;es, reac&ccedil;&otilde;es&hellip; que entram, e que manifesta expectativas, necessidades, problemas que interpelam a Igreja, e dos quais n&oacute;s nos devemos fazer int&eacute;rpretes para obter e apresentar as respostas poss&iacute;veis ou oportunas.<\/p>\n<p>Este servi&ccedil;o de media&ccedil;&atilde;o que permite um di&aacute;logo entre a Igreja e o mundo exterior realiza-se de muitos modos diferentes. Tradicionalmente, n&atilde;o existe apenas a resposta a pedidos individuais de informa&ccedil;&otilde;es e entrevistas, mas tamb&eacute;m a revista de imprensa para fazer chegar aos nossos superiores, ou a outras pessoas eventualmente interessadas. Hoje, &agrave; revista de imprensa tradicional devemos acrescentar a monitoriza&ccedil;&atilde;o da rede, que se torna cada vez mais importante e urgente, e sobre a qual temos ainda muito que aprender. Na realidade, o mundo da comunica&ccedil;&atilde;o social est&aacute;-se a deslocar rapidamente dos media tradicionais &ndash; imprensa, r&aacute;dio, televis&atilde;o &ndash; para a rede, e n&oacute;s n&atilde;o podemos deixar de ter isso em conta.<\/p>\n<p>Um outro aspecto do nosso servi&ccedil;o &ndash; se para isso tivermos for&ccedil;as, tempo e capacidades &ndash; pode ser n&atilde;o s&oacute; o de responder &agrave;s solicita&ccedil;&otilde;es daqueles que v&ecirc;m ter connosco, mas tamb&eacute;m estabelecer um conjunto de contactos com respons&aacute;veis e operadores da comunica&ccedil;&atilde;o social na &aacute;rea da nossa compet&ecirc;ncia, que nos permita intervir tamb&eacute;m a n&iacute;vel mais alto, por exemplo a directores, para fazermos chegar mensagens, despertar interesse e aten&ccedil;&atilde;o relativamente a eventos importantes, etc.<\/p>\n<p>5. &Agrave; luz do que acabo de dizer, isto &eacute;, da nossa aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s perguntas que s&atilde;o colocadas &agrave; Igreja, o nosso pode tornar-se um servi&ccedil;o para a boa formula&ccedil;&atilde;o da resposta da Igreja. Em muitos casos, pode ser nosso dever propor ao Bispo ou &agrave; institui&ccedil;&atilde;o que representamos o momento oportuno ou a formula&ccedil;&atilde;o apropriada para lhes dar resposta.<\/p>\n<p>Se virmos que &eacute; urgente dizer algo, porque est&aacute; a crescer uma onda de perguntas na rede, cabe-nos transmitir essa informa&ccedil;&atilde;o &agrave; autoridade competente, possivelmente j&aacute; com uma proposta concreta de resposta, que depois pode obviamente ser aceite ou n&atilde;o, modificada ou n&atilde;o, pelos superiores. Mas, geralmente, os superiores agradecem as propostas razo&aacute;veis que recebem. Esta &eacute; uma forma importante de colabora&ccedil;&atilde;o que esperam de n&oacute;s.<\/p>\n<p><strong>Que caracter&iacute;sticas o deve ter o nosso servi&ccedil;o?<br \/><\/strong>6. Em primeiro lugar, nunca devemos deixar de insistir no uso de uma linguagem clara, simples e compreens&iacute;vel, n&atilde;o demasiado abstracta e complicada, ou t&eacute;cnica. &Agrave;s vezes, &eacute; verdade que os conte&uacute;dos s&atilde;o complexos e os discursos devem ser articulados, mas, no fim de contas, se queremos que a mensagem &ldquo;passe&rdquo; e fique na mem&oacute;ria de quem nos escuta, devemos ser capazes de mostrar com simplicidade e clareza o seu n&uacute;cleo central; caso contr&aacute;rio, n&atilde;o nos podemos queixar se depois forem feitas apresenta&ccedil;&otilde;es ou interpreta&ccedil;&otilde;es parciais ou desviadas. Deste modo, se fizermos a apresenta&ccedil;&atilde;o de um documento, &eacute; necess&aacute;rio saber apresentar uma s&iacute;ntese, um breve comunicado, uma frase inspiradora, remetendo embora o aprofundamento para a leitura integral do documento.<\/p>\n<p>(Apresento um exemplo do meu trabalho &ndash; a apresenta&ccedil;&atilde;o na Sala de Imprensa de um Documento importante da Santa S&eacute;. Tratava-se de um documento que tinha v&aacute;rias dezenas de p&aacute;ginas. Por sua vez, a apresenta&ccedil;&atilde;o foi feita com duas interven&ccedil;&otilde;es profundas, mas muito longas e amplas, e os jornalistas n&atilde;o tiveram a possibilidade, nem tempo suficiente para compreender e sintetizar, devendo ao mesmo tempo publicar rapidamente os primeiros artigos ou fazer as suas interven&ccedil;&otilde;es: se as suas apresenta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o fossem satisfat&oacute;rias, neste caso a culpa era nossa, n&atilde;o deles).<\/p>\n<p>Quando nos s&atilde;o colocadas perguntas que merecem uma resposta, &eacute; preciso d&aacute;-la sem fazer esperar muito tempo. &Eacute; oportuno estar dispon&iacute;veis e responder &ndash; pessoalmente ou atrav&eacute;s de uma pessoa delegada &ndash; quando nos procuram pelo telefone ou por e-mail. Esta disponibilidade produz credibilidade e confian&ccedil;a, ao passo que a indisponibilidade e a retic&ecirc;ncia geram desconfian&ccedil;a e suspei&ccedil;&atilde;o. Responder com brevidade tamb&eacute;m &eacute; importante para impedir que se criem ondas de nervosismo<strong>,<\/strong> ou se difundam informa&ccedil;&otilde;es falsas, ou inexactas, que &eacute; dif&iacute;cil depois rectificar. &Eacute; preciso ter em conta que os jornalistas t&ecirc;m que escrever not&iacute;cias &ndash; &eacute; esse o seu trabalho, frequentemente s&atilde;o mesmo for&ccedil;ados a isso quando surge algum problema do qual se fala &ndash; e, ent&atilde;o, se n&atilde;o tiverem respostas seguras, tendem naturalmente a desenvolver hip&oacute;teses ou a fazer conjecturas, ou a dar as suas explica&ccedil;&otilde;es. &Eacute; preciso tamb&eacute;m pensar que hoje a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um fluxo cont&iacute;nuo que circula atrav&eacute;s da Internet e os <em>sites<\/em>, em tempo real, e n&atilde;o h&aacute; um dia de tempo para responder, at&eacute; serem impressos os jornais do dia seguinte. Por isso, quanto mais cedo se der a resposta ou a informa&ccedil;&atilde;o correcta, melhor. Em geral, se formos capazes, &eacute; melhor sermos n&oacute;s a orientar a informa&ccedil;&atilde;o, dando-a n&oacute;s primeiro, do que correr atr&aacute;s de uma informa&ccedil;&atilde;o incorrecta.<\/p>\n<p>De um ponto de vista organizacional, tudo isto pressup&otilde;e naturalmente que saibamos organizar modos &aacute;geis e r&aacute;pidos de difus&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, das declara&ccedil;&otilde;es e comunicados, dos textos, o que hoje &eacute; normalmente mais f&aacute;cil gra&ccedil;as &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o electr&oacute;nica.&nbsp;<\/p>\n<p>7. Al&eacute;m disso, &eacute; sempre preciso ser verdadeiros e sinceros. Talvez seja sup&eacute;rfluo record&aacute;-lo, mas n&atilde;o creio. &Eacute; preciso dizer sempre a verdade, mesmo quando nos s&atilde;o colocadas perguntas dif&iacute;ceis. Caso contr&aacute;rio, mais cedo ou mais tarde acabaremos por nos contradizer, e seremos acusados disso sem piedade, e o mal ser&aacute; mais grave. A consci&ecirc;ncia tranquila que deriva de se dizer sempre a verdade &eacute; a premissa fundamental para enfrentar serenamente cada situa&ccedil;&atilde;o, mesmo as mais dif&iacute;ceis. Isto n&atilde;o significa que devemos dizer sempre tudo: poder&aacute; haver justos motivos para a reserva; mas tudo o que se disser deve ser verdade, devemos poder assumir a responsabilidade por aquilo que dizemos. A verdade &eacute; um princ&iacute;pio fundamental, particularmente na chamada &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o de crises&rdquo;, quando somos atacados devido a esc&acirc;ndalos ou erros. Nada pior do que pensar que podemos melhorar a situa&ccedil;&atilde;o negando a verdade.<\/p>\n<p>Uma observa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, que considero importante, diz respeito precisamente &agrave; chamada &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o de crise&rdquo;<strong>,<\/strong> isto &eacute;, &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es nas quais a Igreja acaba por se encontrar em dificuldade devido a esc&acirc;ndalos ou acusa&ccedil;&otilde;es graves, e fica sujeita a cr&iacute;ticas ou ataques tamb&eacute;m no campo dos media. Podemos pensar nas recentes situa&ccedil;&otilde;es relacionadas com abusos sexuais. &Eacute; necess&aacute;rio preparar-se para tais eventualidades.<\/p>\n<p>O assunto foi objecto de estudos aprofundados (por exemplo, em Santiago de la Cerva, <em>&ldquo;A comunica&ccedil;&atilde;o de crise na Igreja&rdquo;,<\/em> EDUSC)<a href=\"..\/..\/scripts\/tiny_mce3\/plugins\/paste\/pasteword.htm#_ftn1\">[1]<\/a>. Mas pareceu-me necess&aacute;rio, pelo menos, evoc&aacute;-lo aqui, e convidar-vos a ter presentes algumas sugest&otilde;es elementares:<\/p>\n<p>&#8211; As &uacute;nicas medidas verdadeiramente eficazes consistem em antecipar os problemas, reduzir os riscos antes que se tornem crises e preparar-se para o pior.<\/p>\n<p>&#8211; As percep&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico s&atilde;o t&atilde;o importantes como a verdade dos factos: deve-se olhar para o problema com o olhar do p&uacute;blico (h&aacute; um &ldquo;tribunal da opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;), se as pessoas pensam que h&aacute; crise, a crise existe mesmo.<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; necess&aacute;rio determinar bem qual ser&aacute; a mensagem da institui&ccedil;&atilde;o, identificar o p&uacute;blico ao qual pretendemos dirigir-nos, escolher o porta-voz (ponderar se devemos ser n&oacute;s pr&oacute;prios em todos os casos, ou se conv&eacute;m delegar noutra pessoa o caso espec&iacute;fico) e os canais de comunica&ccedil;&atilde;o apropriados.<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; necess&aacute;rio falar com uma s&oacute; voz e transmitir mensagens coerentes, claras, simples, repetidas. As vozes contradit&oacute;rias entre si destroem a confian&ccedil;a dos ouvintes.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;N&atilde;o pensar apenas no p&uacute;blico &ldquo;externo&rdquo;, mas, ainda antes no &ldquo;interior&rdquo; da pr&oacute;pria Igreja, para manter a sua confian&ccedil;a. Pensar nas v&iacute;timas: o p&uacute;blico julgar&aacute; como foram tratadas as pessoas &agrave;s quais &ndash; voluntariamente ou n&atilde;o &ndash; se causaram danos.<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; necess&aacute;rio tentar recuperar a iniciativa, tornar-se fonte informativa, colaborar com as autoridades, responder aos media.<\/p>\n<p>&#8211; Como j&aacute; disse, a palavra chave &eacute; &ldquo;credibilidade&rdquo;: dizer sempre e s&oacute; a verdade. Nunca se deve mentir, esconder a verdade ou afirmar coisas n&atilde;o confirmadas. Uma &uacute;nica mentira &eacute; suficiente para destruir a credibilidade.<\/p>\n<p>&#8211; As m&aacute;s not&iacute;cias devem ser ditas o mais cedo poss&iacute;vel e de uma s&oacute; vez (n&atilde;o pouco a pouco); se tiver havido erros, deve-se pedir desculpa. S&oacute; assim &eacute; poss&iacute;vel ser-se perdoado.<\/p>\n<p>&#8211; Relativamente a &ldquo;pedir desculpas&rdquo; &eacute; preciso tamb&eacute;m ter cuidado com as implica&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, para que n&atilde;o sejam atribu&iacute;das responsabilidades que n&atilde;o existem. Consultar um assessor jur&iacute;dico, nos casos mais cr&iacute;ticos, &eacute; importante.<\/p>\n<p>Isto &eacute; importante e eu recordo a viagem do Papa quando ele falou dos abusos sexuais. O Papa participava na dor e na necessidade de prevenir o problema. Todos o acusavam e queriam envolver as institui&ccedil;&otilde;es no problema. Nos casos de responsabilidade, um porta-voz &eacute; importante.<\/p>\n<p>Na comunica&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de se ser verdadeiros, &eacute; importante ser-se &ldquo;aut&ecirc;nticos&rdquo; (&ldquo;ser si mesmos&rdquo;). Cada um tem a sua personalidade diferente de comunicador. Bento XVI &eacute; diferente de Jo&atilde;o Paulo II, mas tamb&eacute;m ele &ndash; como vemos cada vez melhor &ndash; &eacute; capaz de comunicar, com o seu estilo pr&oacute;prio. H&aacute; quem seja mais brilhante e quem &eacute; mais austero, etc. Mas &eacute; importante que se veja que quem comunica &eacute; uma pessoa sincera, que &ldquo;entra em jogo&rdquo;, pessoalmente, naquilo que diz, que &eacute; capaz de transmitir convic&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m de uma linguagem fria e burocr&aacute;tica, &ldquo;clerical&rdquo;, no sentido negativo do termo. Devemos recordar que o testemunho, a experi&ecirc;ncia vivida, s&atilde;o geralmente mensagens bastante mais eficazes do que os racioc&iacute;nios conceptuais, ou longos discursos: &eacute; oportuno que tamb&eacute;m a nossa comunica&ccedil;&atilde;o tenha em si elementos e aspectos desta natureza sem cin&iacute;smos.<\/p>\n<p>&nbsp;8. No nosso servi&ccedil;o, devemos tamb&eacute;m procurar servir a seriedade e o aprofundamento da informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Hoje, muitas vezes, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; demasiado breve, r&aacute;pida e superficial. Difundem-se muito facilmente &ldquo;chav&otilde;es&rdquo;&nbsp; incorrectos e perde-se o gosto por compreender com maior profundidade o significado das mensagens mais exigentes, ou a complexidade das situa&ccedil;&otilde;es, ou as verdadeiras motiva&ccedil;&otilde;es das posi&ccedil;&otilde;es da Igreja no seu magist&eacute;rio e na sua pastoral. Embora seja dif&iacute;cil, n&atilde;o devemos abdicar do esfor&ccedil;o de fornecer aos nossos colegas comunicadores os instrumentos para eles poderem compreender e aprofundar, assim como estimul&aacute;-los a tentar fazer isso. Isto significa n&atilde;o s&oacute; proporcionar ocasi&otilde;es de encontros de aprofundamento, como s&atilde;o as tradicionais confer&ecirc;ncias de imprensa, mas tamb&eacute;m organizar encontros com pessoas competentes, para alargar o <em>background<\/em> de certos problemas, e oferecer sistematicamente, al&eacute;m dos comunicados breves e essenciais, tamb&eacute;m materiais de documenta&ccedil;&atilde;o mais desenvolvidos (com a advert&ecirc;ncia que n&atilde;o sejam demasiado extensos, para n&atilde;o desencorajar, ao fim, a sua leitura&#8230;). Por outras palavras, n&atilde;o devemos ceder demasiado facilmente &agrave; ideia de que a informa&ccedil;&atilde;o deva ser sempre superficial e simplista.<\/p>\n<p><strong>A liga&ccedil;&atilde;o e a colabora&ccedil;&atilde;o no nosso servi&ccedil;o<br \/><\/strong>9. O nosso &eacute; um servi&ccedil;o que n&atilde;o fazemos sozinhos, mas essencialmente em colabora&ccedil;&atilde;o e em liga&ccedil;&atilde;o com outros, e &eacute; fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o da comunidade eclesial na comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>Os instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o social cat&oacute;licos s&atilde;o instrumentos fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o da comunidade crist&atilde; e da comunidade humana, em sentido mais amplo. Por isso, devemos animar e encorajar o uso e o desenvolvimento dos instrumentos de comunica&ccedil;&atilde;o social no campo que nos for confiado.<\/p>\n<p>Se houver publica&ccedil;&otilde;es de imprensa, r&aacute;dio ou televis&otilde;es, de car&aacute;cter diocesano ou com cobertura mais vasta, devem ser encorajadas, embora seja oportuno avaliar a sua qualidade e utilidade e os recursos que absorvem; &eacute; necess&aacute;rio, &agrave;s vezes, lan&ccedil;ar novas iniciativas: por exemplo, hoje &eacute; indispens&aacute;vel garantir uma presen&ccedil;a eficaz da realidade diocesana na Internet. Mas &eacute; sempre preciso recordar que a comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; especialmente na Igreja &ndash; &eacute; um valor que exige energias e envolve custos, mas dificilmente gera receitas econ&oacute;micas. Com paci&ecirc;ncia e const&acirc;ncia, temos que ajudar os nossos superiores a terem uma vis&atilde;o alargada, a considerarem que h&aacute; retornos e resultados apost&oacute;licos e culturais que n&atilde;o se podem avaliar em termos monet&aacute;rios, mas que s&atilde;o importantes, em rela&ccedil;&atilde;o aos quais vale a pena investir e gastar. Ser&aacute; muitas vezes necess&aacute;rio dedicar recursos econ&oacute;micos, ou procur&aacute;-los, para ajudar a comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; do ponto de vista da disponibilidade dos instrumentos materiais, mas tamb&eacute;m, e ainda antes, do ponto de vista da forma&ccedil;&atilde;o de operadores qualificados e capazes.<\/p>\n<p>&ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o para a comunh&atilde;o&rdquo; tornou-se para mim, com o tempo, um lema insistente que inspira constantemente todo o meu trabalho de comunicador e que considero fundamental para transmitir aos meus colaboradores inspira&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o no seu trabalho de servi&ccedil;o eclesial como comunicadores. &Eacute; um lema bastante mais concreto do que se pode imaginar &agrave; primeira vista: orienta as escolhas da linguagem, da atitude de escuta e de benevol&ecirc;ncia para com todos os interlocutores, o gosto para criar ocasi&otilde;es de di&aacute;logo e compreens&atilde;o m&uacute;tua, tamb&eacute;m no campo ecum&eacute;nico, inter-religioso, etc. &Eacute; uma atitude decidida: quero falar sempre e s&oacute; para unir, e n&atilde;o para dividir. &Eacute; uma atitude que se traduz sempre em comportamentos concretos de disponibilidade para colaborar e para ajudar todas as institui&ccedil;&otilde;es e as componentes eclesiais e sociais, a fim de que possam dar-se a conhecer, fazer-se compreender, dialogar entre si e com a Igreja e a sociedade, de modo construtivo. Penso que todos devemos ter consci&ecirc;ncia de que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a via poderosa e eficaz para construir a comunh&atilde;o eclesial: &eacute; esta a condi&ccedil;&atilde;o para tomar decis&otilde;es concretas capazes de a sustentar e promover com todo o cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"left\" valign=\"top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>10. O discurso da comunica&ccedil;&atilde;o para a comunh&atilde;o coloca-se naturalmente a diferentes n&iacute;veis: na Diocese, mas tamb&eacute;m para al&eacute;m das suas fronteiras, de modo a abrir-se aos horizontes da regi&atilde;o, do pa&iacute;s, do Continente, da Igreja universal. A comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; na realidade precisamente a via principal para unir todos os dias os fi&eacute;is &agrave; comunidade mais ampla da Igreja, inserida no mundo.<\/p>\n<p>Este &eacute; um tema em que me empenho muito, porque acredito que alimentar a dimens&atilde;o da uni&atilde;o da Igreja universal atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o, construindo pontes entre as Igrejas locais e Roma, constitui precisamente a miss&atilde;o principal dos media da Santa S&eacute;, nos quais trabalho desde h&aacute; 18 anos.<\/p>\n<p>Convenci-me cada vez mais que a boa comunica&ccedil;&atilde;o na Igreja requer a integra&ccedil;&atilde;o de diferentes n&iacute;veis de comunica&ccedil;&atilde;o, todos s&atilde;o necess&aacute;rios, mas complementares entre si: o n&iacute;vel local (paroquiano ou diocesano), o n&iacute;vel interm&eacute;dio (normalmente nacional), e o n&iacute;vel universal. O Bispo, a Confer&ecirc;ncia Episcopal, o Papa devem estar presentes no horizonte da comunidade cat&oacute;lica e de cada um dos fi&eacute;is, para que estes se sintam membros da Igreja.<\/p>\n<p>Penso que se devem procurar, nos respectivos pa&iacute;ses, as formas mais eficazes de colabora&ccedil;&atilde;o no campo das comunica&ccedil;&otilde;es sociais para garantir ao mesmo tempo a vitalidade da comunica&ccedil;&atilde;o local e a dimens&atilde;o mais ampla, que forma para o sentido da universalidade e da uni&atilde;o da Igreja universal. Em muitos Pa&iacute;ses, esta &eacute; a direc&ccedil;&atilde;o j&aacute; tomada, ou que se vai tomando, e &eacute; natural que isso aconte&ccedil;a.<\/p>\n<p>Neste sentido, a fun&ccedil;&atilde;o dos media do Vaticano deve ser encarada como um servi&ccedil;o que pretende integrar o compromisso comunicativo imprescind&iacute;vel das Igrejas locais. N&atilde;o nos consideramos absolutamente capazes de esgotar a comunica&ccedil;&atilde;o na Igreja, mas sim o n&oacute; central de uma enorme rede difundida capilarmente no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Posso falar mais directamente da R&aacute;dio Vaticano, que prepara precisamente programas em muitas l&iacute;nguas diferentes que s&atilde;o cada vez mais eficazmente inseridos na programa&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios cat&oacute;licas que crescem no mundo inteiro e que os recebem regularmente, por sat&eacute;lite ou pela Internet, ao passo que a difus&atilde;o directa em Ondas Curtas serve sobretudo os Pa&iacute;ses onde n&atilde;o existem, ou n&atilde;o podem existir, r&aacute;dios cat&oacute;licas locais.<\/p>\n<p>Algo semelhante acontece com o Centro Televisivo Vaticano, que coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das Televis&otilde;es de todo o tipo &ndash; e, por conseguinte, tamb&eacute;m das cat&oacute;licas as imagens das actividades do Papa, que constituem um ponto precioso e importante da sua programa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, agora, que se desenvolvem rapidamente as televis&otilde;es pela Internet, menos caras e mais flex&iacute;veis, empreendemos a produ&ccedil;&atilde;o de breves <em>videonews<\/em> sobre a actividade di&aacute;ria do Papa e colaboramos com outras ag&ecirc;ncias cat&oacute;licas de televis&atilde;o para produzir e difundir informa&ccedil;&atilde;o facilmente acess&iacute;vel desta forma.<\/p>\n<p><strong>Um olhar conclusivo<br \/><\/strong>Para terminar, diria que o nosso &eacute; um tempo muito din&acirc;mico, que abre &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o eclesial muitas possibilidades e que deve ser vivido com serenidade e entusiasmo.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que existem enormes poderes informativos perante os quais nos sentimos pequenos e pobres.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m &eacute; verdade que a Igreja tem uma grande vitalidade e est&aacute; muito pr&oacute;xima da vida real das pessoas.<\/p>\n<p>N&atilde;o devemos ter uma vis&atilde;o demasiado centralista da Igreja: devemos equilibrar a universalidade com a capacidade criativa local. Devemos ser capazes de encorajar as iniciativas locais, saber fazer circular as experi&ecirc;ncias positivas e partilh&aacute;-las, procurar coordenar e integrar as contribui&ccedil;&otilde;es para a comunica&ccedil;&atilde;o dos diferentes n&iacute;veis, mas valorizando as contribui&ccedil;&otilde;es informativas e comunicativas que a Igreja universal nos oferece.<\/p>\n<p>Devemos ter confian&ccedil;a, o Esp&iacute;rito actua. Quero recordar as palavras do par&aacute;grafo conclusivo da &uacute;ltima Carta Apost&oacute;lica de Jo&atilde;o Paulo II, de 2005, dedicada precisamente ao <em>&ldquo;R&aacute;pido desenvolvimento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social&rdquo;:<\/em><\/p>\n<p>&ldquo;Aos trabalhadores da comunica&ccedil;&atilde;o, e principalmente aos crentes comprometidos neste importante &acirc;mbito da sociedade, repito o convite que, desde o in&iacute;cio do meu minist&eacute;rio de Pastor da Igreja Universal, quis fazer ao mundo inteiro: &ldquo;N&atilde;o tenhais medo!&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o tenhais medo das novas tecnologias! Elas incluem-se entre as coisas maravilhosas&rdquo; &ndash; <em>&ldquo;inter mirifica&rdquo;<\/em> &ndash; que Deus p&ocirc;s &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o para as descobrirmos, usarmos, difundir a verdade, tamb&eacute;m a verdade acerca do nosso destino de seus filhos, e herdeiros do seu Reino eterno.<\/p>\n<p>N&atilde;o tenhais medo da oposi&ccedil;&atilde;o do mundo! Jesus disse-nos: <em>&ldquo;Eu venci o mundo!&rdquo; <\/em><\/p>\n<p>N&atilde;o tenhais medo nem sequer das vossas fraquezas e da vossa inaptid&atilde;o! O Mestre divino disse: <em>&ldquo;Eu estarei sempre convosco, todos os dias, at&eacute; ao fim do mundo&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>Comunicai a mensagem de esperan&ccedil;a, de gra&ccedil;a e de amor de Cristo, mantendo sempre viva, neste mundo passageiro, a eterna perspectiva do C&eacute;u&hellip;&rdquo; (n. 14).<\/p>\n<p align=\"center\">&laquo;&laquo;&laquo; &raquo;&raquo;&raquo;<\/p>\n<p><em>&nbsp;Pe. Federico Lombardi,&nbsp;Director da Sala de Imprensa da Santa S&eacute;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"..\/..\/scripts\/tiny_mce3\/plugins\/paste\/pasteword.htm#_ftnref1\">[1]<\/a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Edi&ccedil;&otilde;es da Universidade da Santa Cruz.<\/p>\n<p>Cf. http:\/\/www.chiesacattolica.it\/pls\/cci_new_v3\/v3_s2ew_consultazione.mostra_paginat0?id_pagina=4715.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia do Pe. 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