{"id":40716,"date":"2009-09-08T17:40:52","date_gmt":"2009-09-08T17:40:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/09\/08\/mocao-sobre-educacao\/"},"modified":"2009-09-08T17:40:52","modified_gmt":"2009-09-08T17:40:52","slug":"mocao-sobre-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mocao-sobre-educacao\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7\u00e3o sobre Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Aprovada no 30.\u00ba Conselho Nacional do Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes <!--more--> <\/p>\n<p>Apresentamos esta mo&ccedil;&atilde;o no momento em que a Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; chamada &agrave; reflex&atilde;o e discuss&atilde;o, um pouco por toda a parte, na nossa sociedade. Seguimos diariamente uma enormidade de discursos, que se prop&otilde;em a essa mesma reflex&atilde;o &ndash; a uma revis&atilde;o do sentido que esta deve tomar no seio do desenvolvimento humano nos seus mais diversos n&iacute;veis, como por exemplo, o intelectual e o s&oacute;cio-cultural cultural.<\/p>\n<p>Falar de Educa&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e, logo &agrave; partida, partir de uma perspectiva que n&atilde;o a reduza ao simples exerc&iacute;cio escolar, mas antes a reconsidere como uma dimens&atilde;o da exist&ecirc;ncia humana, em si multifacetada e de uma grande complexidade. Comecemos por a&iacute;. Afinal, como v&ecirc; a sociedade a nossa Educa&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o a ver&aacute; como a mera exposi&ccedil;&atilde;o de um conjunto de instrumentos e m&eacute;todos, numa l&oacute;gica estandardizada, tal como est&aacute; definida a escola em Portugal? De facto, preocupa-nos saber que a Educa&ccedil;&atilde;o esteja a caminhar para uma condi&ccedil;&atilde;o claustrof&oacute;bica. A escola deve ser entendida como um espa&ccedil;o de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento humano, de integra&ccedil;&atilde;o de valor, de afirma&ccedil;&atilde;o de f&eacute; e, em suma, transforma&ccedil;&atilde;o pessoas. Por&eacute;m, jamais esta dever&aacute; er o resumo da Educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>1. A<\/strong><strong> miss&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; A Educa&ccedil;&atilde;o deve estar presente em todo o processo de desenvolvimento do indiv&iacute;duo. Entenda-se pois, o contexto familiar, religioso, s&oacute;cio-cultural, profissional, entre outros, como espa&ccedil;os promotores de educa&ccedil;&atilde;o e abandone-se, desde j&aacute;, a ideia demag&oacute;gica de que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o grosso sin&oacute;nimo da rela&ccedil;&atilde;o entre professor e aluno.<\/p>\n<p>&#8211; Valorizar a Educa&ccedil;&atilde;o obriga-nos a considerar que esta se adianta &agrave; simples transmiss&atilde;o de conhecimentos formais; ela &eacute;, antes de mais, informalmente formal: deve promover a integra&ccedil;&atilde;o dos valores individuais e &eacute;tico-sociais no modo de pensar e agir de cada pessoa em desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>2. A<\/strong><strong> fam&iacute;lia e a educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; A fam&iacute;lia, enquanto primeiro agente de socializa&ccedil;&atilde;o vai funcionar como o nosso primeiro contacto com a educa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nesta que adquirimos os princ&iacute;pios e os valores para a nossa vida e jamais a devemos colocar num segundo plano na educa&ccedil;&atilde;o. Na altura em que falamos em desafios para a educa&ccedil;&atilde;o, torna-se fundamental sublinhar que sobretudo os pais dos nossos jovens cumpram o seu compromisso educativo, tendo um papel mais activo e respons&aacute;vel no percurso dos seus filhos.<\/p>\n<p><strong>3. O papel da escola<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; A escola deve ser o motor primordial de desenvolvimento cultural de cada indiv&iacute;duo, constituindo o espa&ccedil;o privilegiado de transmiss&atilde;o de conhecimentos formais, nunca deixando de ser, paralelamente, um agente de socializa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o para a cidadania.<\/p>\n<p>&#8211; Sendo uma parte integrante no processo, o professor deve alhear-se &agrave;s pr&aacute;ticas educativas que ignorem a reflex&atilde;o de valores b&aacute;sicos da vida humana. &Eacute;, portanto, a unidade que promove o sentido de comunidade nos seus alunos, passando a representar mais do que um simples &ldquo;mestre&rdquo; que transmite apenas conhecimento.<\/p>\n<p>&#8211; Afirmar, conscientemente, a import&acirc;ncia da reflex&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o dos valores na educar&atilde;o em escola, &eacute; tamb&eacute;m sublinhar que se torna sumariamente fundamental, garantir nas primeiras fases do percurso escolar, que esta seja reconhecida, significativamente, nos sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o do aluno, de forma que este tenha consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia destes valores na sua vida.<\/p>\n<p>&#8211; Para al&eacute;m dos desafios j&aacute; referidos, a educa&ccedil;&atilde;o em escola, deve garantir a constru&ccedil;&atilde;o da personalidade e a preserva&ccedil;&atilde;o dos direitos da individualidade; o ensino &eacute; agora um &ldquo;fen&oacute;meno de massas&rdquo;, e h&aacute; muito que deixou de promover a personaliza&ccedil;&atilde;o de cada indiv&iacute;duo, sublinhando-se que tal projecto deve isolar-se de qualquer forma de emerg&ecirc;ncia de ambientes competitivos e individualistas. A aposta deve ser sim, no desenvolvimento do esp&iacute;rito cr&iacute;tico e da capacidade de pensar por si, construir ou produzir.<\/p>\n<p>&#8211; Fazer Educa&ccedil;&atilde;o remete-nos para o desafio de prolongar cada uma das suas pr&aacute;ticas &agrave; vida de cada indiv&iacute;duo: &eacute; mais do que um mero conjunto de metodologias, deve ser sim, um espa&ccedil;o de aprofundamento dessas mesmas metodologias no modo de cada um construir o seu projecto de vida.<\/p>\n<p>&#8211; Por outro lado, &eacute; fundamental pensar sobre tais pr&aacute;ticas antes, durante e depois da sua aplica&ccedil;&atilde;o e abandonar a postura passiva que, fundamentalmente, professores (mas tamb&eacute;m os alunos) apresentam quando nunca questionam o seu pr&oacute;prio modo de ensinar e desenvolver aprendizagens nos seus alunos.<\/p>\n<p><strong>4. A<\/strong><strong> sociedade, a escola e a Educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Esta &eacute; a era dos n&uacute;meros e das percentagens, das estat&iacute;sticas. Mais do que isto, preferimos a qualidade do ensino, a garantia de melhores espa&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o, das melhores pr&aacute;ticas e metodologias, do maior e melhor desenvolvimento.<\/p>\n<p>&#8211; O futuro da educa&ccedil;&atilde;o passa por exigir de cada um de n&oacute;s a certeza de que as pr&aacute;ticas educativas deixar&atilde;o de ser instrumentalizadas e de se encontrar ao servi&ccedil;o de interesses alheios, perdendo o seu verdadeiro sentido. &Eacute; fundamental, com isto, garantir que todo o processo educativo tem, antes de mais, presente o desenvolvimento livre de cada indiv&iacute;duo, oferecendo-lhe oportunidades, contrariamente ao que tem acontecido: criar-lhe apenas condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&#8211; A Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um valor. Um valor b&aacute;sico da vida, um direito e um dever que todos recebemos. Por isso, todos devemos ter igualdade no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, travando-se a luta pelo fim da marginaliza&ccedil;&atilde;o que, muito frequentemente, ainda vemos acontecer nas escolas portuguesas. O valor da igualdade &eacute;, por tudo isto, a alternativa a esta realidade; igualdade no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, igualdade nas oportunidades de aprendizagem ao longo do desenvolvimento (a organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o escolar n&atilde;o deve discriminar pessoas pelas suas diferen&ccedil;as individuais, mas antes tentar a sua inclus&atilde;o).<\/p>\n<p>&#8211; O espa&ccedil;o escolar passa a caracterizar-se como uma unidade integradora de toda a comunidade educativa: alunos, funcion&aacute;rios docentes e n&atilde;o-docentes, pais e organiza&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-culturais, alargando assim, o processo de educa&ccedil;&atilde;o a toda a comunidade.<\/p>\n<p>N&atilde;o poder&iacute;amos fechar esta reflex&atilde;o em torno da educa&ccedil;&atilde;o, sem antes dizer o que habitualmente o Movimento vem dizendo aos seus militantes, mudar a organiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; ao alcance de cada um, parte deste j&aacute; dito fen&oacute;meno complexo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprovada no 30.\u00ba Conselho Nacional do Movimento Cat\u00f3lico de Estudantes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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