{"id":405284,"date":"2025-12-26T17:48:58","date_gmt":"2025-12-26T17:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=405284"},"modified":"2025-12-29T12:47:14","modified_gmt":"2025-12-29T12:47:14","slug":"lusofonias-natal-ao-ritmo-dos-tambores-e-do-calor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-natal-ao-ritmo-dos-tambores-e-do-calor\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Natal ao ritmo dos tambores e do calor"},"content":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Bangui &#8211; RCA<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-405285 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25-373x280.jpg 373w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/lusofonias.-Natal.RCA_.26.12.25.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bangui assusta ao chegar, mas abra\u00e7a ao partir. O aeroporto ainda obriga a imaginar os tempos duros da guerra civil: velho, abandonado, t\u00f3rrido, em obras de recupera\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m sabe quando v\u00e3o terminar. Mas \u2013 dizia-me um anci\u00e3o \u2013 que no tempo da guerra, o aeroporto acolheu refugiados e, quando aterrava um avi\u00e3o, viam-se barracas em todo o lado, pessoas na pista, militares a controlar tudo e todos. Agora, os tempos s\u00e3o mais calmos, o pa\u00eds tenta reinventar-se, mas o progresso continua muito estagnado, com alguma agita\u00e7\u00e3o de tempos a tempos provocada por campanhas eleitorais, como a que iniciou dia 14 de dezembro, a seguir \u00e0 minha chegada. Continua a ser verdade que nenhuma operadora a\u00e9rea internacional aceita aterrar de noite em Bangui, nem permite que algum avi\u00e3o ali \u2018durma\u2019.<\/p>\n<p>Causa-me sempre um grande impacto a primeira viagem a um pa\u00eds nunca dantes visitado, que \u00e9 a que me leva do aeroporto \u00e0 Casa Principal dos Espiritanos. Bangui n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o, com o atravessar uma cidade cheia de motos e povo, com\u00e9rcio em todos os passeios, com muitos jovens e crian\u00e7as na rua, pois era a hora de sair da escola e regressar a casa.<\/p>\n<p>\u2018Este pa\u00eds \u00e9 rico demais para que nos deixem em paz!\u2019 \u2013 ouvi isto da boca de muitas pessoas, pois \u00e9 convic\u00e7\u00e3o partilhada que os diamantes e o ouro s\u00e3o riqueza para uns quantos e s\u00e3o de sangue e l\u00e1grimas para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, obrigada a sobreviver muito abaixo de um n\u00edvel de vida humanamente aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os Espiritanos chegaram a estas terras em 1894 e nunca mais daqui sa\u00edram. Hoje continuam a viver e trabalhar em boa parte das Dioceses (em cinco de nove) com compromissos nas \u00e1reas da pastoral direta, da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, desenvolvimento e compromissos sociais. Dos 23 Espiritanos centro africanos, apenas dez trabalham na RCA. Os restantes 13 dividem-se pelo Gab\u00e3o, Fran\u00e7a, Guin\u00e9-Bissau, Congo-Brazzaville, Camar\u00f5es e Seicheles. 15 Espiritanos de outros pa\u00edses, vivem e trabalham neste pa\u00eds que \u00e9 cora\u00e7\u00e3o do continente. Todas as Comunidades Espiritanas s\u00e3o internacionais. H\u00e1 16 jovens em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passear a p\u00e9 ou passar de carro pelo centro da cidade e alguns bairros perif\u00e9ricos deu para transpirar a s\u00e9rio e fazer o exerc\u00edcio f\u00edsico que conv\u00e9m \u00e0 sa\u00fade, mas tamb\u00e9m palpar o ritmo e as condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um contraste evidente e gritante entre os bairros mais ricos e as periferias muito pobres. Nas ruas, assustam as motas e os carros que tentam contornar buracos, pessoas ou outras viaturas, com acidentes e atropelamentos a ser o p\u00e3o nosso de cada dia. Mas fa\u00e7o sempre um exerc\u00edcio muito interessante: \u00a0ler no rosto das pessoas a sua enorme alegria de viver expressa em sorrisos e sauda\u00e7\u00f5es efusivas, ou mesmo na simples proposta de qualquer coisa a vender\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 coincid\u00eancias que s\u00e3o providenciais e a visita de cortesia \u00e0s Irm\u00e3s Espiritanas foi por ocasi\u00e3o da festa de in\u00edcio de \u2018postulantado\u2019 de tr\u00eas jovens. Pude participar na celebra\u00e7\u00e3o e no jantar que se seguiu, com muita boa disposi\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a, gastronomia local e conversas partilhadas sobre a Miss\u00e3o. Dois dias depois, encontrei a outra comunidade das Espiritanas, em Mbaiki.<\/p>\n<p>\u2018Bar\u00e1-al\u00e1\u2019 (\u2018Bom dia\u2019, \u2018boa noite\u2019) e \u2018singuila mingui\u2019 (\u2018Muito obrigado\u2019) s\u00e3o em sango, como em todas as l\u00ednguas do mundo, as express\u00f5es mais utilizadas. A estas junto \u2018siriri\u2019, a Paz. Decorei-as \u00e0 custa de as ouvir e repetir tantas vezes, como resultado de muitos encontros e celebra\u00e7\u00f5es, sempre recebido de bra\u00e7os abertos por um povo muito acolhedor.<\/p>\n<p>O Natal das comunidades crist\u00e3s em Bangui foi uma grande festa. Participei na Missa da Vig\u00edlia (que n\u00f3s chamamos do \u2018Galo\u2019) na Capela de S. Charles e tive direito a duas missas em dia de Natal: em S. Charles de manh\u00e3 e em S. Bernard \u00e0 tarde. Mudou a Igreja, a hora, a assembleia, mas manteve-se a festa, o ritmo, a dan\u00e7a, a alegria pelo nascimento de Cristo.<\/p>\n<p>Mas \u2013 como devem imaginar \u2013 a minha visita \u00e0 Rep\u00fablica Centro Africana n\u00e3o se resumiu a Bangui. Tive a alegria de fazer centenas de kms de estrada para visitar tamb\u00e9m as Comunidades Espiritanas nas Dioceses de Mbaiki e Bouar. Vi coisas extraordin\u00e1rias durante as viagens, tive acesso a menus muito originais, encontrei mission\u00e1rios dedicados e um povo muito lutador. L\u00e1 iremos.<\/p>\n<p>Continua\u00e7\u00e3o de um Natal cheio da Justi\u00e7a e Paz que o Menino quis trazer.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Bangui &#8211; RCA<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Bangui &#8211; RCA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":401851,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-405284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=405284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=405284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=405284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=405284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}