{"id":404968,"date":"2025-12-28T09:30:59","date_gmt":"2025-12-28T09:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=404968"},"modified":"2025-12-27T23:05:07","modified_gmt":"2025-12-27T23:05:07","slug":"entrevista-a-guerra-limpa-e-um-verdadeiro-mito-e-depois-um-enorme-perigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-a-guerra-limpa-e-um-verdadeiro-mito-e-depois-um-enorme-perigo\/","title":{"rendered":"Entrevista: A guerra limpa \u00e9 \u00abum verdadeiro mito e depois um enorme perigo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Antigo chefe do Estado-Maior-General das For\u00e7as Armadas e atual presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal, Lu\u00eds Valen\u00e7a Pinto coleciona as mensagens do Papa para o Dia Mundial da Paz, afirma que ter\u00e1 sido o primeiro a ensinar a paz e diz que \u00aba Europa tem de se armar se quer prevenir a guerra\u00bb<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_404971\" aria-describedby=\"caption-attachment-404971\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-404971 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto.jpeg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto.jpeg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto-400x267.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Valenca-Pinto-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-404971\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cuna (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Papa Le\u00e3o XIV prop\u00f5e, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, uma paz desarmada e desarmante, como foi a \u201cluta\u201d de Jesus e denuncia as despesas militares, a n\u00edvel mundial. Escreve: \u201cAo longo de 2024, aumentaram 9,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, confirmando a tend\u00eancia ininterrupta dos \u00faltimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 bili\u00f5es de d\u00f3lares, ou seja, 2,5% do PIB mundial\u201d. Diante destes n\u00fameros, \u00e9 impens\u00e1vel falar numa paz desarmada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nunca \u00e9 impens\u00e1vel, e \u00e9 sempre construtivo falar numa paz desarmada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Devo dizer, j\u00e1 agora, como esclarecimento, que as despesas de armamento, de facto, t\u00eam vindo a subir, mas antes da Guerra na Ucr\u00e2nia, elas subiam sobretudo na zona do Golfo e na zona da Bacia do Pac\u00edfico. E no resto do mundo estavam, de alguma maneira, a descer. Com a Guerra da Ucr\u00e2nia, isso tudo se alterou e hoje h\u00e1 um crescimento generalizado, que tamb\u00e9m, infelizmente, para a Europa, n\u00e3o por haver lugar esse esfor\u00e7o financeiro e de armamento, mas infelizmente pelas circunst\u00e2ncias que justificam e motivam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas \u00e9 mais dif\u00edcil essa paz desarmada, desta forma&#8230;? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 absolutamente, para n\u00e3o dizer que \u00e9 imposs\u00edvel. H\u00e1 rapazes maus no nosso jardim&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E se sinalizarmos o tema do lado da Uni\u00e3o Europeia, talvez, o problema ainda seja maior, at\u00e9 porque, de acordo com as indica\u00e7\u00f5es de Conselho da Europa em 2024, as despesas com a defesa dos Estados-membros atingiram 343 mil milh\u00f5es de euros. \u00c9 um aumento que se regista pelo d\u00e9cimo ano consecutivo. E em 2025 \u00e9 de esperar que atinja os 381 mil milh\u00f5es de euros. As despesas com a defesa em 2025 aumentaram 11% em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior e mais de 62% face a 2020. Estes s\u00e3o n\u00fameros que nos fazem pensar que, de facto, o horizonte que se avizinha n\u00e3o \u00e9 o melhor?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, o horizonte que j\u00e1 temos e o horizonte que podemos recear realmente n\u00e3o \u00e9 o melhor. Muito infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o melhor. E isso dificulta muito qualquer a\u00e7\u00e3o que procure assentar a conduta dos Estados e das outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais em algo mais do que a resposta preventiva a uma agress\u00e3o. N\u00f3s estamos na imin\u00eancia de ser agredidos aqui na Europa. Ningu\u00e9m tem d\u00favidas acerca disso. Aqui em Portugal, na ponta sudoeste, podemos achar que \u00e9 menos iminente, mas quando viajamos para a Pol\u00f3nia, para os estados escandinavos, para os estados b\u00e1lticos, toda a gente est\u00e1 a esperar que a guerra comece esta noite. Isso \u00e9 uma realidade muito infeliz e muito triste.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Estamos a desvalorizar esse risco de alguma forma?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, n\u00e3o estamos. Obviamente, este risco \u00e9 muito s\u00e9rio e tem consequ\u00eancias que s\u00e3o complicadas de ponto de vista social, nomeadamente o desvio, salvo seja, de dinheiro para as despesas de armamento. \u00c9 por isso que \u00e9 importante perceber que a seguran\u00e7a e a defesa s\u00e3o uma exig\u00eancia fundamental das sociedades porque se n\u00f3s pens\u00e1mos em desenvolvimento e bem-estar, n\u00e3o poderemos t\u00ea-lo se n\u00e3o tivermos seguran\u00e7a e defesa. Como ao contr\u00e1rio, tamb\u00e9m n\u00e3o poderemos ter seguran\u00e7a e defesa, se n\u00e3o estivermos num patamar interessante de desenvolvimento e bem-estar. Essas duas coisas t\u00eam de ser compatibilizadas e compete aos governos fazer a gest\u00e3o disso mesmo. Por isso, t\u00eam de perceber que a defesa \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica essencial, a par de muitas outras pol\u00edticas p\u00fablicas, e, quem tem a responsabilidade coletiva, comum, tem de fazer a gest\u00e3o pelo menos das prioridades. Mas esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9, como disse, infelizmente e muito tristemente uma situa\u00e7\u00e3o real de que n\u00e3o devemos fugir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>S\u00e3o raz\u00f5es suficientes para que, na recente cimeira da Nato, se tenha tomado a decis\u00e3o de gastar com a defesa 5% do PIB at\u00e9 2035, o que fez que Portugal no Or\u00e7amento de Estado tamb\u00e9m j\u00e1 aumente essa despesa no pr\u00f3ximo ano? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, s\u00e3o raz\u00f5es suficientes, embora o que se passou na cimeira da Nato tenha outros contornos para al\u00e9m da evid\u00eancia da raz\u00e3o. Porque, como sabe, o imperativo, veio do lado dos Estados Unidos, concretamente do Sr. Trump. Ele imp\u00f4s isso. Mas a circunst\u00e2ncia \u00e9 compat\u00edvel com isso mesmo. E ele colocou as duas coisas, de um ponto de vista formal e at\u00e9 do ponto de vista de um interesse muito direto americano, dentro da perspetiva transacional que ele tem trazido para as rela\u00e7\u00f5es internacionais, se \u00e9 que ele tem uma compreens\u00e3o clara do que s\u00e3o, das rela\u00e7\u00f5es internacionais&#8230; Mas sim: a situa\u00e7\u00e3o imp\u00f5e esse aumento de despesa no sentido de gastar mais, gastar melhor, gastar mais em conjunto e gastar mais europeu. S\u00e3o os quatro crit\u00e9rios que temos procurado seguir em todos os Estados europeus, designadamente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Esse investimento na defesa fragiliza outros setores, como a sa\u00fade ou a sociedade social, no futuro? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei se fragiliza. Mais uma vez repito: compete aos governos gerir as coisas em todos esses setores. O que eu sei, por certo, \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica melhor apenas com o crit\u00e9rio de se p\u00f4r l\u00e1 mais dinheiro. E, identicamente, a sa\u00fade tamb\u00e9m n\u00e3o fica melhor se o crit\u00e9rio for apenas p\u00f4r l\u00e1 mais dinheiro. \u00c9 preciso racionalizar, gerir melhor, etc.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na defesa, depois de muito tempo na Europa em que n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa, em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a massiva de militares americanos aqui na Europa e tamb\u00e9m das suas armas nucleares, agora o tempo est\u00e1 muito reduzido. Do ponto de vista das exist\u00eancias reais de militares e sistemas de armamento americano aqui na Europa, mais do que est\u00e1 reduzido, agora&#8230; N\u00f3s temos a conting\u00eancia de ficar mesmo anulado..<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E as amea\u00e7as de Trump continuam&#8230; <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As amea\u00e7as de Trump de um lado e as amea\u00e7as do outro lado Leste e tamb\u00e9m as amea\u00e7as do Sul e do Sudeste porque n\u00f3s europeus n\u00e3o podemos apenas infelizmente, mais uma vez, olhar apenas para a Ucr\u00e2nia. \u00c9 evidente que a Ucr\u00e2nia \u00e9, certamente, o quadro mais dram\u00e1tico e mais vis\u00edvel, mas n\u00f3s temos toda esta corda do Norte da \u00c1frica e, imediatamente, antes o SAEL e tamb\u00e9m na faixada Leste do Mediterr\u00e2neo situa\u00e7\u00f5es tremendas de aten\u00e7\u00e3o, de instabilidade, de injusti\u00e7a social, etc. Tudo isso \u00e9 gerador de grandes amea\u00e7as sobre a Europa e a Europa tem de pensar em todo esse quadro, pois cada um pode pesar diferentemente nas amea\u00e7as daqui ou dali. E a Europa tamb\u00e9m tem de entender e infelizmente &#8211; e eu j\u00e1 usei muitas vezes a palavra infelizmente, mas talvez corresponda ao nosso momento &#8211; hoje em dia, a Europa est\u00e1 bastante sozinha nesta situa\u00e7\u00e3o e por isso tem de olhar por si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O General Valencia Pinto defendeu em julho passado, num semin\u00e1rio sobre a economia de defesa organizado pela Associa\u00e7\u00e3o Industrial Portuguesa e pela EuroDefense a cria\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o geral de armamento com autonomia no Minist\u00e9rio da Defesa, porqu\u00ea? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 est\u00e1 criada! Porque, no per\u00edodo da troika, no infeliz per\u00edodo da troika houve uma tese geral que percorreu toda a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de amalgamar dire\u00e7\u00f5es gerais e reduzir dire\u00e7\u00f5es gerais e quadros dirigentes etc. E no Minist\u00e9rio da Defesa, onde havia salvo erro 4 ou 5 dire\u00e7\u00f5es gerais, essas 5 ou 4 passaram para 2. Uma dire\u00e7\u00e3o geral de pol\u00edtica, muito diferenciada, e depois todo o resto, o pessoal, as infraestruturas, o armamento, etc, foi amalgamado numa dire\u00e7\u00e3o de recursos. Ao longo destes \u00faltimos, 10, 12 anos, verificou-se que isso n\u00e3o funcionava bem. O armamento e o equipamento, tal como as infraestruturas, de resto, mas designadamente o armamento e o equipamento t\u00eam uma din\u00e2mica e uma realidade que s\u00e3o diferentes, muito diferentes das quest\u00f5es do pessoal. Por outro lado, de um ponto de vista pr\u00e1tico, as quest\u00f5es do pessoal normalmente ganham muito justamente prioridade. E isso agravava a gest\u00e3o do armamento e do equipamento. E ainda, finalmente, se me permite, porque a din\u00e2mica do armamento e do equipamento tem uma enorme dimens\u00e3o internacional, e isso convida, como era de resto no passado, a uma dire\u00e7\u00e3o geral aut\u00f3noma. Eu congratulo-me muito por isso ter sido muito compreendido&#8230; necessariamente n\u00e3o foi por aquilo que eu disse que foi entendido, mas era entendido por outras pessoas e ainda bem e j\u00e1 est\u00e1 criada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Papa alerta para a rela\u00e7\u00e3o entre os povos baseada n\u00e3o no direito, na justi\u00e7a e na confian\u00e7a, mas no medo e tamb\u00e9m no dom\u00ednio da for\u00e7a. O conflito na Ucr\u00e2nia e em Israel s\u00e3o um exemplo disso? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o absolutamente exemplos disso. N\u00f3s estamos a viver um tempo em que voltou a prevalecer a for\u00e7a e isso n\u00e3o \u00e9 um tempo interessante para os homens e para o mundo em geral. N\u00f3s t\u00ednhamos uma esperan\u00e7a muito grande, todos com certeza, que os tempos eram outros e que as ideias da coopera\u00e7\u00e3o e as ideias do multilateralismo da troca entre os povos da ajuda ao desenvolvimento do que prevaleciam. E, o que verificamos, \u00e9 que infelizmente n\u00e3o \u00e9 assim. O mundo internacional \u00e9 sempre regulado pelas pessoas, por mais que haja ideias que prevalecem em determinadas \u00e9pocas. Aparecem depois pessoas que alteram completamente esse entendimento. Hoje em dia, n\u00f3s temos l\u00edderes internacionais com perspetivas muito singulares muito preocupantes, a meu ver muito erradas e negativas, e eles condicionam a situa\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Esvaziou-se de alguma forma o conte\u00fado da diplomacia? J\u00e1 agora como \u00e9 que valia o comportamento da comunidade internacional na gest\u00e3o destes dois conflitos por exemplo? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tem sido muito interessante observar o baile da comunidade internacional no sentido de uma certa \u201cdan\u00e7a\u201d que tem havido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s temos realmente dois grandes protagonistas, os Estados Unidos e a China. E a China faz a sua afirma\u00e7\u00e3o de uma maneira muito tranquila, muito carregada da ambiguidade construtiva e obviamente, em todo o caso, n\u00e3o podemos esquecer os objetivos da China: vir a ser &#8211; e a curto prazo s\u00ea-lo-\u00e1 &#8211; uma superpot\u00eancia pr\u00f3xima dos Estados Unidos. Hoje j\u00e1 \u00e9 uma superpot\u00eancia, mas ainda temos de reconhecer alguma decalagem, em algumas \u00e1reas, n\u00e3o em todas, em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Essas duas partes condicionam muito isso. Depois, temos aquilo que s\u00e3o outros pa\u00edses, por exemplo aquilo que, a meu ver, j\u00e1 n\u00e3o faz muito sentido de existir, que s\u00e3o os BRICS (um\u00a0agrupamento de grandes economias emergentes: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul e mais 6 novos membros, o Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Egito, Eti\u00f3pia, Indon\u00e9sia) e tamb\u00e9m uma outra organiza\u00e7\u00e3o muito fluorescente na parte leste do nosso planeta, a Organiza\u00e7\u00e3o de Passo Grande e Coopera\u00e7\u00e3o de Shanghai. Todas essas organiza\u00e7\u00f5es tiveram recentemente cimeiras a fazerem declara\u00e7\u00f5es muito evidentes de afastamento nos tradicionais valores ocidentais. Uma certa, relativa e n\u00e3o completa, identifica\u00e7\u00e3o com a China e uma afirma\u00e7\u00e3o mais misteriosa ainda de uma coisa que eu francamente n\u00e3o sei o que \u00e9, nem quem representa que \u00e9 o Sul Global, tamb\u00e9m juntando esse Sul Global a este cortejo de entidades no mundo que se afasta dos valores do Ocidente para preferir precisamente o reconhecimento da for\u00e7a, etc. Tudo em nome de uma situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a que at\u00e9 pode existir, mas certamente n\u00e3o \u00e9 pela for\u00e7a que ser\u00e1 corrigida. E no meio disto tudo temos a Europa muito sozinha, depois de muitas d\u00e9cadas de distra\u00e7\u00e3o para ser simp\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da seguran\u00e7a e defesa, agora a perceber que tem realmente que acordar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, com certeza que sempre \u00e9 muito importante e indispens\u00e1vel que haja a diplomacia, mas a verdade \u00e9 que a diplomacia pode ser exercida simplesmente com a\u00e7\u00f5es de outra natureza: estou a pensar, por exemplo, na dissuas\u00e3o. N\u00f3s precisamos de dissuas\u00e3o na Europa e \u00e9 uma coisa que n\u00f3s aprendemos com algum desencanto, e \u00e9 pena, porque isso j\u00e1 tem sido aprendido assim nos anos 50 no s\u00e9culo passado&#8230; Mas depois esquecemos todos que a componente nuclear n\u00e3o dissuade o convencional, de todo. Por causa da quest\u00e3o da proporcionalidade para um lado e para o outro lado, no fim do cortejo de raz\u00f5es negativas que justamente se associam \u00e0s armas nuclear. A Europa tem de se armar de facto se quer prevenir a guerra, isso \u00e9 um prop\u00f3sito europeu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Falemos um pouco do perigo da intelig\u00eancia artificial. O Papa afirma que \u201cconstatamos que os recentes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a aplica\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias artificiais no \u00e2mbito militar radicalizam a trag\u00e9dia dos conflitos armados. Receia que possamos estar a refor\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es para a guerra? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Certamente. Hoje em dia sabemos todos que h\u00e1 uma ideia de que hoje \u00e9 poss\u00edvel conduzir guerras ditas limpas, em que n\u00e3o h\u00e1 baixas. Isso \u00e9, em primeiro lugar um verdadeiro mito e depois um enorme perigo, na minha opini\u00e3o. Mito porque essa a\u00e7\u00e3o apoia-se em informa\u00e7\u00f5es, e as informa\u00e7\u00f5es por vezes est\u00e3o erradas. Essa a\u00e7\u00e3o cont\u00e9m naturalmente erros e isso tamb\u00e9m a afasta desse profissionalismo que alguns v\u00e3o ver nela. Mas as raz\u00f5es mais s\u00e9rias \u00e9 que esse tipo de perspetiva de uma guerra limpa e sem baixas, determinada apenas por carregar num bot\u00e3o a milhares de quil\u00f3metros do decisor e a milhares de quil\u00f3metros do objetivo tem duas potenciais consequ\u00eancias muito preocupantes no meu entendimento: a primeira \u00e9 que banaliza o recurso \u00e0 guerra, porque \u00e9 f\u00e1cil mandar algu\u00e9m carregar no bot\u00e3o, \u00e9 \u00e0 dist\u00e2ncia n\u00e3o se d\u00e1 por isso; a segunda \u00e9 porque tamb\u00e9m conduz e convida a uma menor responsabiliza\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pol\u00edticos. Se um respons\u00e1vel pol\u00edtico que tiver de decidir enviar uma divis\u00e3o ou duas para uma zona qualquer de combate pensa e entende bem, procura fazer o c\u00e1lculo da situa\u00e7\u00e3o e as baixas que pode ter, como \u00e9 que isso atinge os objetivos e se esses objetivos s\u00e3o verdadeiramente importantes. Mandar-se a algu\u00e9m carregar no bot\u00e3o a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia \u00e9 muit\u00edssimo tentador e muito distante da ideia de profunda responsabiliza\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes pol\u00edticos. Isso, francamente, \u00e9 uma coisa que me preocupa muito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 evidente que estamos no princ\u00edpio desse tempo dito das guerras limpas e porventura n\u00e3o temos ideias muito claras sobre como as regular e limitar, mas mais cedo ou mais tarde, acontecer\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o de as regular e limitar. At\u00e9 l\u00e1, \u00e9 preciso que estejamos atentos e que saibamos que elas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o limpas quanto isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Le\u00e3o XIV n\u00e3o foge tamb\u00e9m da quest\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o para justificar a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es. O Papa diz que infelizmente faz parte do panorama contempor\u00e2neo arrastar cada vez mais as palavras da f\u00e9 para o embate pol\u00edtico, aben\u00e7oar o nacionalismo e justificar religiosamente a viol\u00eancia e a luta armada. \u00c9 um perigo onde est\u00e3o cada vez mais as sociedades ocidentais, v\u00edtimas da radicaliza\u00e7\u00e3o deste discurso pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu diria que todos estamos v\u00edtimas potenciais, desse radicalismo. A quest\u00e3o \u00e9 saber que quem segue esse caminho s\u00e3o sempre pessoas radicais. Nenhuma religi\u00e3o, no meu entendimento, das grandes religi\u00f5es entenda-se, n\u00e3o de seitas avulso que h\u00e1 por esse mundo de fora, as grandes religi\u00f5es nenhuma pode ser acusada de ser belicista e incitar \u00e0 viol\u00eancia por a\u00ed fora. Mas, dentro de todas elas, h\u00e1 leituras poss\u00edveis que convidam a isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s temos hoje o caso mais manifesto de grupos islamistas que tomam essa doutrina como boa e que causam a perturba\u00e7\u00e3o que causam, e em que as primeiras v\u00edtimas s\u00e3o eles pr\u00f3prios embora n\u00e3o se d\u00ea muito conta disso. Mas, em todo lado, a ideia do povo eleito \u00e9 uma ideia tremendamente perigosa e est\u00e1 fundada aonde? Est\u00e1 fundada na religi\u00e3o. E n\u00f3s na f\u00e9 crist\u00e3 tamb\u00e9m temos grupos radicais felizmente mais marginais do que outras religi\u00f5es, mas tamb\u00e9m os temos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E em Portugal h\u00e1 esse risco? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu creio que \u00e9 um risco de se ligar isso \u00e0 ideia de terrorismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com certeza que aqui em Portugal, como em todas as sociedades europeias, o risco de terrorismo existe. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deixar de dizer que duas coisas convivem bem uma com a outra, a realidade que a nossa sociedade \u00e9 particularmente segura por compara\u00e7\u00e3o com outras sociedades europeias. Outra realidade \u00e9 que, com certeza que pode haver terrorismo em Portugal; hoje, amanh\u00e3, para a semana \u00e9 sempre potencial&#8230; Imaginar o contr\u00e1rio \u00e9 muit\u00edssimo perigoso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Afirma o Papa tamb\u00e9m na mensagem que a justi\u00e7a e a dignidade humana est\u00e3o mais do que nunca expostas ao desequil\u00edbrio de poder entre os mais fortes. Corremos o risco na sua opini\u00e3o de acentuar a rela\u00e7\u00e3o internacional na tens\u00e3o entre dois blocos, voltar essa tens\u00e3o entre os dois blocos: Estados Unidos e a R\u00fassia? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tenho a impress\u00e3o que n\u00e3o vamos caminhar para dois manifestos superpoderes, os Estados Unidos por um lado e a China por outro, mas n\u00e3o propriamente para um tipo de confronto mesmo que passivo, basicamente ideol\u00f3gico como aconteceu no tempo da guerra fria, mas \u00e9 muito verdade aquilo que o Papa diz. N\u00f3s estamo-nos a afastar de padr\u00f5es de justi\u00e7a e da ideia de paz ligada \u00e0 justi\u00e7a porque essa \u00e9 a boa e construtiva ideia de paz. N\u00e3o chega, n\u00e3o \u00e9 suficiente entender a paz como aus\u00eancia de guerra, aus\u00eancia de tiros. \u00c9 preciso entender a paz como algo que se confunde com a justi\u00e7a n\u00e3o dos tribunais, leia-se, mas sim a justi\u00e7a assente na n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, num plano pol\u00edtico, econ\u00f3mico e social. E o mundo est\u00e1, todos sabemos, como muita pena, carregado de discrimina\u00e7\u00f5es. E as tens\u00f5es que hoje existem, muito assentes no exerc\u00edcio do poder, carregam, sobrep\u00f5em-se a essas vis\u00f5es e acentuam as discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O motivo que nos trouxe para esta entrevista foi a mensagem do Papa Le\u00e3o XIV, a Mensagem para o Dia Mundial da Paz e sabemos que o Sr. General \u00e9 um colecionador dessas mensagens, gostava que nos explicasse o porqu\u00ea dessa sua prefer\u00eancia.\u00a0 E j\u00e1 agora para finalizarmos mesmo qual \u00e9 o papel das religi\u00f5es no processo do desarmamento integral proposto desde o Papa Jo\u00e3o XXIII na \u201cPacem in Terris\u201d?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma pergunta muito interessante. O papel das religi\u00f5es \u00e9 imensamente importante. J\u00e1 l\u00e1 vai o tempo em que se brincava um pouco, mas tamb\u00e9m por outro lado se lavava a s\u00e9rio aquela est\u00fapida afirma\u00e7\u00e3o de Estaline quando perguntava quantas divis\u00f5es tem o Papa? O Papa tem muitas divis\u00f5es e as divis\u00f5es que correspondem \u00e0s nossas consci\u00eancias. E quem diz o Papa diz outros l\u00edderes religiosos equivalentes. Aqui uma dificuldade particularmente no mundo sunita em que n\u00e3o h\u00e1 propriamente a figura de um \u201cprimus\u201d na vis\u00e3o sunita da igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porqu\u00ea que eu coleciono essas coisas? Porque h\u00e1 muitos idos anos atr\u00e1s, nos anos 80 e pouco &#8211; tudo na minha vida j\u00e1 est\u00e1 nos idos atr\u00e1s &#8211; \u00a0<span style=\"text-decoration: line-through;\">\u00e1 muitos idos atr\u00e1s dizia<\/span> <span style=\"text-decoration: line-through;\">nos anos 80<\/span> eu ensinava, ou tentava ensinar estrat\u00e9gia e geopol\u00edtica no ent\u00e3o Instituto de Altos Estudos Militares e tudo era constru\u00eddo e vinha assim de tr\u00e1s nesta perspetiva da guerra do exerc\u00edcio militar, da dissuas\u00e3o, da d\u00e9tente, da coexist\u00eancia pac\u00edfica, valores todos desse per\u00edodo hist\u00f3rico em particular na Europa. A mim interessou-me a ideia da paz e fui despertado para isso por express\u00f5es opini\u00f5es e pensamentos que emanaram da Igreja, designadamente Paulo VI. A Igreja come\u00e7ou, nessa altura com o Paulo VI, a estudar a paz a preocupar-se com a paz e a fazer pastoral sobre a paz. E o dia 1 de janeiro, Dia Mundial da Paz, \u00e9 uma express\u00e3o disso mesmo. S\u00f3 mais tarde \u00e9 que a academia atrav\u00e9s de um noruegu\u00eas, Johan Galtung, come\u00e7ou a teorizar a paz e inspirando-se muito naquilo que, entretanto, j\u00e1 tinha sido a pastoral da Igreja. E, nessa, altura interessei-me imenso, comecei a ensinar a paz, talvez tenha sido o primeiro a ensinar a paz em Portugal nesta zona de estudos de seguran\u00e7a e de rela\u00e7\u00f5es internacionais. E desde ent\u00e3o, no primeiro de janeiro de cada ano coleciono mensagem. N\u00e3o sabia, at\u00e9 ontem, que a mensagem do Papa Le\u00e3o pensada para o dia 1 de janeiro j\u00e1 estava dispon\u00edvel, mas gra\u00e7as \u00e0 vossa informa\u00e7\u00e3o e ajuda j\u00e1 a tenho e j\u00e1 li. E claro que eu vou juntar as outras todas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E hoje tivemos o privil\u00e9gio de falar com um especialista em mensagens para o Dia Mundial da Paz. Muito obrigado<\/em>,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pena n\u00e3o ser especialista na paz\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antigo chefe do Estado-Maior-General das For\u00e7as Armadas e atual presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal, Lu\u00eds Valen\u00e7a Pinto coleciona as mensagens do Papa para o Dia Mundial da Paz, afirma que ter\u00e1 sido o primeiro a ensinar a paz e diz que \u00aba Europa tem de se armar se quer prevenir a guerra\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":404971,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[165],"class_list":["post-404968","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-dia-mundial-da-paz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=404968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/404971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=404968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=404968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=404968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}