{"id":404530,"date":"2025-12-20T09:57:32","date_gmt":"2025-12-20T09:57:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=404530"},"modified":"2025-12-19T14:59:50","modified_gmt":"2025-12-19T14:59:50","slug":"compromissos-e-exigencias-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/compromissos-e-exigencias-do-natal\/","title":{"rendered":"Compromissos e exig\u00eancias do Natal"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila real<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Transform\u00e1mos o Natal numa az\u00e1fama, e o problema \u00e9 que cada vez mais passamos ao lado do essencial! Como dizia h\u00e1 dias o Papa Le\u00e3o XIV, vivemos preocupados pelos preparativos do Natal num \u201cativismo fren\u00e9tico\u201d e o fundamental do Natal pode passar-nos ao lado. Fazemos inaugura\u00e7\u00f5es de luzes nas nossas casas, vilas e cidades, enfeites natal\u00edcios por todo o lado, montras cheias de luzes, almo\u00e7os e jantares natal\u00edcios, preocupa\u00e7\u00f5es com as compras para oferecer, buscas dos supermercados para todo o tipo de compras, e outros afins desta \u00e9poca. Toda esta barafunda acaba no pr\u00f3prio dia de Natal com sacos e mais sacos de restos aliment\u00edcios, pap\u00e9is e mais pap\u00e9is, agora amarrotados, friamente rasgados para revelarem o mist\u00e9rio dos presentes. Para muitos, este \u00e9 o significado do Natal. E como tem sido repetitiva esta viv\u00eancia da quadra natal\u00edcia!<\/p>\n<p>N\u00e3o quero alimentar nenhuma amarga maledic\u00eancia contra a forma como hoje se vive o Natal, custa-me \u00e9 v\u00ea-lo a ser transformado cada vez mais numa festa comercial, consumista, l\u00fadica, cada vez mais destitu\u00edda dos valores crist\u00e3os e espirituais. N\u00e3o digo que algumas daquelas coisas n\u00e3o se fa\u00e7am, mas conv\u00e9m faz\u00ea-las com esp\u00edrito crist\u00e3o. N\u00f3s, crist\u00e3os, temos de ver um pouco mais longe e viver o Natal de outra forma. Vivermos o Natal mais por dentro. No pres\u00e9pio sobressai o sil\u00eancio profundo. As figuras principais n\u00e3o pronunciam uma palavra. Tudo nos \u00e9 oferecido como um dom, uma surpresa que n\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera para nossa contempla\u00e7\u00e3o e espanto. O mundo \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 um puro e maravilhoso dom do amor de Deus, que devemos acolher, amar e administrar. Cria\u00e7\u00e3o que levamos para dentro das nossas casas: fazemos os pres\u00e9pios onde replicamos a cria\u00e7\u00e3o que tanto nos fascina, sabendo que s\u00f3 nos compreendemos como perten\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o de Deus. Somos da natureza e s\u00f3 com a natureza nos realizamos plenamente. O v\u00e9rtice e o centro da natureza \u00e9 o homem (e a mulher), a quem Deus incumbiu de a cuidar e administrar bem. O mundo foi feito para o homem, mas n\u00e3o para o homem ser um senhor absoluto, dono e patr\u00e3o de uma natureza que vai utilizar, manipular e explorar at\u00e9 ao limite para ter sempre mais poder e rendimentos.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da natureza e do homem, o pres\u00e9pio apresenta-nos o maior dom, o dom excelso, que Deus deu \u00e0 humanidade: Jesus Cristo, que a todos pede acolhimento e abertura de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na contempla\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio n\u00e3o podemos deixar de sentir a for\u00e7a de alguns compromissos e exig\u00eancias, e constatarmos que h\u00e1 muito a fazer no acolhimento da sua mensagem. Desde logo, \u00e9 preciso valorizar mais Deus na vida pessoal, comunit\u00e1ria e familiar. Quantos sair\u00e3o das festividades de Natal com mais abertura e vontade de busca de Deus, em Jesus Cristo? Na sociedade atual, instalou-se a indiferen\u00e7a religiosa e a aridez interior. E mesmo os crentes est\u00e3o presos a rotinas, as comunidades, na sua esmagadora maioria, est\u00e3o s\u00f3 atadas a h\u00e1bitos, tradi\u00e7\u00f5es e costumes, sem frescura espiritual e sede de Deus, h\u00e1 falta de vida de ora\u00e7\u00e3o, pouco empenho na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a todos os n\u00edveis, desinteresse pela B\u00edblia e pela leitura da Palavra de Deus, superficialidade na viv\u00eancia espiritual da f\u00e9.<\/p>\n<p>Depois, assistimos ainda hoje a uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do ser humano e da sua dignidade. J\u00e1 muito se vai fazendo, mas temos de continuar a promover mais respeito pela pessoa humana. Temos um n\u00famero inaceit\u00e1vel de assassinatos no nosso pa\u00eds e no mundo, nas v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es sociais. Est\u00e1 instalada uma cultura de viol\u00eancia verbal e f\u00edsica que urge combater. Na estrada v\u00ea-se muita inc\u00faria e falta de civismo, o que tem levado a um n\u00famero de acidentes e de mortes intoler\u00e1vel. Muitas pessoas t\u00eam recorrido ao suic\u00eddio. O aborto tornou-se uma banaliza\u00e7\u00e3o, servindo para tapar a irresponsabilidade, a inconsci\u00eancia e a intemperan\u00e7a como muitos vivem a vida. A muitos trabalhadores ainda se d\u00e3o sal\u00e1rios miser\u00e1veis. Os n\u00edveis de tr\u00e1fico humano continuam em n\u00edveis inadmiss\u00edveis, sobretudo para mulheres e crian\u00e7as. Tem de ser severamente combatido. A mulher continua a ser vista como mero objeto sexual e usada para prazer ef\u00e9mero do homem. Os migrantes nem sempre s\u00e3o bem recebidos e s\u00e3o facilmente e falsamente acusados de serem a causa dos problemas que nos afetam e continuam a ser usados como pau para toda a obra. Apesar de alguns pequenos progressos nos \u00faltimos anos, os n\u00edveis de pobreza no nosso pa\u00eds continuam elevados, temos quase dois milh\u00f5es de pessoas a viver no limiar da pobreza. Todos os dias somos confrontados com idosos abandonados, temos um grande n\u00famero de pessoas cuja grande companheira \u00e9 a solid\u00e3o e com ela v\u00e3o morrer, possivelmente numa tristeza indescrit\u00edvel. Notam-se situa\u00e7\u00f5es de desinteresse e indiferen\u00e7a das pessoas entre si, situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deveriam existir.<\/p>\n<p>Por fim, nos \u00faltimos anos assistimos a uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da natureza. O Natal chama-nos a aten\u00e7\u00e3o para o menosprezo e desrespeito para com a natureza. E \u00e9 uma pena que esta \u00e9poca natal\u00edcia se tenha tornado um desbundar de prendas in\u00fateis, sup\u00e9rfluas. Os papas bem t\u00eam recomendado sobriedade e singeleza, a n\u00e3o sermos devoradores interesseiros de bens e de coisas a que ao fim de alguns dias j\u00e1 arrumamos a um canto, mas\u2026O maior presente \u00e9 nos tornarmos mais presentes uns para os outros, como Deus fez em Jesus Cristo. Quando conseguiremos praticar um natal mais s\u00f3brio e com mais respeito pela natureza, que n\u00e3o \u00e9 ilimitada nos seus recursos? As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que alguns soberbos ainda teimam em negar em nome de interesses, mostram-nos que temos de ter outro comportamento e atitude para com a natureza, e temos de mudar de rota para que esta casa comum tenha futuro e seja saud\u00e1vel para o ser humano.<\/p>\n<p>Bom Natal e boas festas.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-404530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=404530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=404530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=404530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=404530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}