{"id":404307,"date":"2025-12-21T09:31:37","date_gmt":"2025-12-21T09:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=404307"},"modified":"2025-12-18T12:43:49","modified_gmt":"2025-12-18T12:43:49","slug":"angola-sera-um-natal-diferente-mas-talvez-o-essencial-esteja-mais-presente-d-manuel-felicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/angola-sera-um-natal-diferente-mas-talvez-o-essencial-esteja-mais-presente-d-manuel-felicio\/","title":{"rendered":"Angola: \u00abSer\u00e1 um Natal diferente, mas talvez o essencial esteja mais presente\u00bb &#8211; D. Manuel Fel\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p>Bispo em\u00e9rito da Guarda, rumou a Angola, em abril, para assumir a reativa\u00e7\u00e3o do Centro de Espiritualidade da Miss\u00e3o Dom Jo\u00e3o de Oliveira Matos, na Diocese de Sumbe, Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica de Luanda. \u00c9 a partir de Angola que concede \u00e0 Renascen\u00e7a e \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA esta entrevista, em plena \u00e9poca de Natal<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_392141\" aria-describedby=\"caption-attachment-392141\" style=\"width: 124px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-392141\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3-124x280.jpg\" alt=\"\" width=\"124\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3-124x280.jpg 124w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3-454x1024.jpg 454w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3-768x1732.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3-681x1536.jpg 681w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Comissao-Comunicacao-e-Imagem-Diocese-Sumbe-Carlos-Guerra-Carlos-3.jpg 908w\" sizes=\"(max-width: 124px) 100vw, 124px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-392141\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Comiss\u00e3o Comunica\u00e7\u00e3o e Imagem da Diocese Sumbe\/Carlos Guerra Carlos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Senhor bispo,<\/em> <em>o que \u00e9 que motivou esta mudan\u00e7a, este desinstalar, esta ida ao encontro de uma certa periferia?<\/em><\/p>\n<p>Isto resultou do meu pr\u00f3prio Minist\u00e9rio na Diocese da Guarda, porque em 2012 eu vim aqui inaugurar este Centro Mission\u00e1rio que ficou a funcionar sob a responsabilidade e orienta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas irm\u00e3s da Liga dos Servos de Jesus que aqui constitu\u00edram comunidade. E durante nove anos, at\u00e9 2021, o Centro Mission\u00e1rio funcionou com uma escola prim\u00e1ria protocolada com os servi\u00e7os do Estado, com o Estatuto de Escola Cat\u00f3lica, com um Centro de Espiritualidade e Forma\u00e7\u00e3o erigido pelo Bispo Local e com uma resid\u00eancia. Com a pandemia elas regressaram e eu, ficando livre em mar\u00e7o passado, entendi que devia pessoalmente p\u00f4r-me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do meu sucessor para vir dar andamento a estes servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Por isso, com a autoriza\u00e7\u00e3o expressa do meu sucessor, tamb\u00e9m tive os seus aconselhamentos, eu dirigi-me para Angola e tive c\u00e1 uma primeira etapa de cinco meses. Fui resolver alguns assuntos a\u00ed a Portugal e regressei para continuar os servi\u00e7os.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1 na Kilenda, na Diocese de Sumbe?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o estou na Kilenda, estou a 30 quil\u00f3metros da Kilenda, porque eu n\u00e3o quis viver no lugar do Centro Mission\u00e1rio. Eu quis viver numa comunidade sacerdotal, a 30 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, numa terra chamada Gabela, constitu\u00edda por padres da Boa Nova, onde eu sou muito bem acolhido, onde me sinto muito bem e diariamente desloco-me 30 quil\u00f3metros para ir ativar estes servi\u00e7os.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que \u00e9 o seu dia a dia?<\/em><\/p>\n<p>Habitualmente eu levanto-me sempre antes das seis horas. \u00c0s seis e meia celebro Missa, tomo um pequeno-almo\u00e7o e fico dispon\u00edvel para aquilo que \u00e9 preciso fazer. \u00c9 claro que a primeira parte da minha presen\u00e7a aqui, essencialmente, foi fazer a requalifica\u00e7\u00e3o da log\u00edstica, porque a log\u00edstica, estando quatro ou cinco anos desativada, com certeza que precisa de algumas repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Consegui faz\u00ea-lo e neste momento a log\u00edstica est\u00e1 preparada para receber estes servi\u00e7os que est\u00e3o praticamente a funcionar. Menos a resid\u00eancia, essa est\u00e1 \u00e0 espera dos volunt\u00e1rios mission\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Passar de gestor de uma diocese portuguesa para mission\u00e1rio no terreno, lidando com a forma\u00e7\u00e3o de leigos e a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, de alguma forma rejuvenesceu o seu minist\u00e9rio?<\/em><\/p>\n<p>Foi uma oportunidade que eu tive. Nosso Senhor deu-me sa\u00fade para isso, estou a t\u00ea-la e agrade\u00e7o-lhe esta oportunidade, porque assim eu estou a continuar certas preocupa\u00e7\u00f5es que tive no exerc\u00edcio do Minist\u00e9rio como Bispo da Guarda durante vinte anos e dois meses. Portanto, neste momento estou a continuar este servi\u00e7o aqui e sinto-me bem. Enquanto Deus quiser, a sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 eterna. Por\u00e9m, a sa\u00fade \u00e9 para p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e eu sinto-me bem a p\u00f4r a sa\u00fade que tenho \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Referiu recentemente que a\u00ed os catequistas s\u00e3o o bra\u00e7o direito dos padres. Essa corresponsabilidade dos leigos \u00e9 mais vis\u00edvel em Angola do que em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Na par\u00f3quia onde estou \u00e9 bastante vis\u00edvel. At\u00e9 mais vis\u00edvel do que a experi\u00eancia que eu trazia da diocese da Guarda. Claro que temos de continuar a forma\u00e7\u00e3o. E quando diminui a forma\u00e7\u00e3o, depois os servi\u00e7os tamb\u00e9m n\u00e3o correm bem. Da\u00ed que a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o fator n\u00famero um de preocupa\u00e7\u00e3o. Eu participei numa Assembleia Diocesana de quatro dias, que foi para fazer a revis\u00e3o do que se fez no ano de 2025 e preparar a programa\u00e7\u00e3o de 2026. E um dos fatores principais apontados foi o de n\u00e3o podermos arrefecer no esfor\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis, incluindo a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal. Porque aqui h\u00e1 muitos padres, mas a forma\u00e7\u00e3o tem de ser cuidada. Porque sen\u00e3o tamb\u00e9m o n\u00famero pode ser um problema e tamb\u00e9m n\u00e3o queremos que seja um fator.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 muitos padres, em agosto passado participei numa celebra\u00e7\u00e3o nesta Diocese, em que, s\u00f3 numa celebra\u00e7\u00e3o, foram ordenados 28 padres. Eu no fim, ao bispo local, rindo-me com ele, disse: o senhor de uma vez ordena 28. Eu durante 20 anos ordenei 24. Claro que tamb\u00e9m ordenei 25 di\u00e1conos permanentes e eles aqui n\u00e3o sabem o que \u00e9 isso, at\u00e9 entendem que n\u00e3o \u00e9 preciso, \u00e9 um assunto que n\u00e3o est\u00e1 na agenda. Por isso, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es muito diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Realidades diferentes, portanto&#8230;<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o completamente diferentes. Em geral, h\u00e1 aqui tr\u00eas n\u00edveis de catequistas. \u00c9 o visitador, \u00e9 o catequista geral e o catequista local.<\/p>\n<p>O visitador assume praticamente as fun\u00e7\u00f5es dos nossos di\u00e1conos permanentes. Por isso, \u00e9 uma realidade com uma experi\u00eancia provada aqui e estou convencido que esta experi\u00eancia influenciou o pr\u00f3prio Papa Francisco quando ele publicou a &#8220;Antiquum Ministerium&#8221; sobre os catequistas, a institui\u00e7\u00e3o de catequistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A imagem tradicional de um bispo Em\u00e9rito \u00e9 de algu\u00e9m que abranda o ritmo, que fica na sua diocese ou at\u00e9 regressa \u00e0 sua terra natal. O senhor fez o oposto. Fez as malas e partiu para Angola. O que \u00e9 que falou mais alto para esta mudan\u00e7a radical de vida? Foi a necessidade de ir \u00e0s periferias ou cumprir um sonho antigo que o governo de uma diocese n\u00e3o permitia?<\/em><\/p>\n<p>A experi\u00eancia que fiz, vindo aqui em 2012 com muita esperan\u00e7a, foi isso que me motivou em primeiro lugar a vir para aqui. Claro que eu tinha outra solu\u00e7\u00e3o, com certeza que n\u00e3o deixaria a diocese da Guarda, mas o meu lugar de origem \u00e9 a Diocese de Viseu. Eu j\u00e1 tinha falado com o bispo de Viseu no sentido de eu recolher-me na minha Diocese de origem sem preju\u00edzo de me deslocar \u00e0 Guarda quando as circunst\u00e2ncias o permitissem. Todavia, eu penso que para mim tamb\u00e9m foi uma oportunidade positiva dar cumprimento a esta responsabilidade. Eu vim aqui inaugurar, fechei no tempo da pandemia, e agora tenho possibilidade de contribuir e foi essa a raz\u00e3o. E com certeza que agora tamb\u00e9m estou a ver periferias.<\/p>\n<p>Repare que vou viver o Natal sem luzes na rua, sem pais Natal por a\u00ed a passear, sem reclames de comerciais. Eu esta manh\u00e3 fui sair \u00e0 rua, apenas encontrei uma estrela de Natal, de resto mais nada. E apenas encontrei dois an\u00fancios de R\u00e9veillon, porque de Natal nem vi nada. Quer dizer que aqui a realidade, a simbologia implantada na pra\u00e7a p\u00fablica, aqui n\u00e3o existe. Em contrapartida, eu hoje, \u00e0s cinco e meia da manh\u00e3, fui inaugurar a novena de Natal aqui numa comunidade, \u00e0s cinco e meia da manh\u00e3, e a igreja estava bastante cheia. Portanto, significa que tamb\u00e9m viver aqui o Natal, nesse aspeto, com uma parcim\u00f3nia de s\u00edmbolos, mas tamb\u00e9m voltado para o essencial, que \u00e9 o Pres\u00e9pio e \u00e9 o Menino Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 quase um ano em Angola, tempo suficiente para sentir o pulso ao pa\u00eds. A Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 tem sido uma voz muito cr\u00edtica, falando na corrup\u00e7\u00e3o como a pior desgra\u00e7a dos \u00faltimos 50 anos e alertando mesmo para o agravamento da fome. \u00c9 um retrato muito duro o que os bispos fazem. No terreno, na Kilenda, ou a 30 quil\u00f3metros de Kilenda, sente essa urg\u00eancia? As pessoas batem \u00e0 porta com fome, com falta de esperan\u00e7a nas pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. Aqui h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de pobreza bastante extrema. Todavia, as pessoas j\u00e1 se habituaram a uma certa parcim\u00f3nia de vida. Eu at\u00e9 tenho dito a algumas pessoas que aqui devia ser proibido haver fome. Porqu\u00ea? A gente olha para um lado e v\u00ea bananas, olha para o outro lado e v\u00ea abacaxi.<\/p>\n<p>Os feij\u00f5es, todos os meses h\u00e1 a nova colheita dos feij\u00f5es. Quer dizer que aqui a alimenta\u00e7\u00e3o imediata est\u00e1 ao alcance da m\u00e3o. \u00c9 verdade que tamb\u00e9m os h\u00e1bitos de trabalho aqui n\u00e3o s\u00e3o por a\u00ed al\u00e9m.<\/p>\n<p>As pessoas querem os objetivos, mas muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o dispostas a p\u00f4r os meios, nomeadamente o meio de trabalho. Claro que tamb\u00e9m h\u00e1 casos aqui de situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a, situa\u00e7\u00f5es de pessoas com abandono e que n\u00e3o podem, por si, gerir. E com certeza que isso, a par\u00f3quia onde me encontro, tem uma C\u00e1ritas bastante bem organizada e que vai ao encontro das pessoas.<\/p>\n<p>Ainda agora, por exemplo, nestas duas semanas, n\u00f3s vamos visitar pessoas doentes, idosas e tamb\u00e9m pobres que nos indica o catequista. Ele pr\u00f3prio vai, v\u00ea quem s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o nessas circunst\u00e2ncias e n\u00f3s vamos ao encontro delas pela m\u00e3o do catequista. E quando vamos, vemos a doen\u00e7a, vemos a velhice, vemos o abandono, que a velhice n\u00e3o \u00e9 assim tanto como a\u00ed, mas vemos o abandono e vemos tamb\u00e9m as necessidades. Portanto, aqui a pr\u00f3pria estrutura est\u00e1 tamb\u00e9m organizada no sentido de n\u00e3o esquecer essas periferias.<\/p>\n<p>Falou na CEAST, a Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9, que \u00e9 verdade que denunciam a corrup\u00e7\u00e3o, mas tiveram um gesto muito interessante, foi um simp\u00f3sio, um congresso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O congresso da reconcilia\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o dos 50 anos da independ\u00eancia, onde convidaram n\u00e3o s\u00f3 pessoas dentro da igreja, mas da sociedade civil, do ex\u00e9rcito, da seguran\u00e7a; o pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica. Foram tr\u00eas dias e ele esteve l\u00e1 sempre presente esses tr\u00eas dias e \u00e9 verdade que eles a\u00ed fazem den\u00fancias concretas. Mas o presidente ouviu-as. Ouviu-as e certamente que n\u00e3o as vai deixar em saco roto.<\/p>\n<p>Eu sublinho em particular uma delas. \u00c9 que \u00e9 preciso que aqui acabem os medos. As pessoas vivem com medo. Portanto, que haja uma lei da amnistia geral em que as pessoas deixem de ter medo por alinhamentos pol\u00edticos ou sociais que tiveram e que agora est\u00e3o a pagar faturas elevadas, algumas na pris\u00e3o e outras mesmo fora da pris\u00e3o, mas praticamente marginalizadas de todo. Ora bem, esse foi um gesto bonito, que n\u00e3o s\u00f3 denunciou, mas tamb\u00e9m anunciou com a presen\u00e7a do pr\u00f3prio presidente nesse congresso de cinco dias, Congresso da Reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi um gesto muito bonito e que n\u00f3s agora aqui vamos procurar levar \u00e0 pr\u00e1tica o quanto poss\u00edvel. Como disse, as nossas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o estas que eu j\u00e1 relatei aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamente, perante este contexto de grande dificuldade, como acaba de nos relatar, como \u00e9 que se consegue fazer passar uma mensagem de esperan\u00e7a neste Natal onde, como me disse ainda h\u00e1 pouco, n\u00e3o se veem luzes de Natal nas ruas?<\/em><\/p>\n<p>Ainda hoje de manh\u00e3 \u00e0s cinco e meia, eu disse na abertura da novena o seguinte: Meus amigos, eu venho habituado a um Natal diferente. Aqui n\u00e3o h\u00e1 consoada, aqui n\u00e3o h\u00e1 Missa do Galo, aqui n\u00e3o h\u00e1 luzes, n\u00e3o h\u00e1 pais Natais, n\u00e3o h\u00e1. Mas h\u00e1 uma coisa. Estamos aqui na novena de Natal para olhar, contemplar o Menino do Pres\u00e9pio. E disse-lhes, isto \u00e9 um mist\u00e9rio, um mist\u00e9rio maravilhoso, um sinal maravilhoso.<\/p>\n<p>E o Papa Francisco, no texto sobre o Pres\u00e9pio que escreveu em 2019, ele motiva-nos muito a vivermos a mensagem do Natal como a grande li\u00e7\u00e3o que o Natal nos h\u00e1 de transmitir. Ent\u00e3o, eu estarei aqui convosco a esta hora, durante estes nove dias, precisamente para contemplarmos a li\u00e7\u00e3o do Pres\u00e9pio. E eu penso, mesmo para mim pessoalmente, fora desta simbologia que nos envolve habitualmente no Natal, tamb\u00e9m vou ter uma oportunidade de concentrar mais a minha aten\u00e7\u00e3o no Pres\u00e9pio, no mist\u00e9rio do Pres\u00e9pio da Encarna\u00e7\u00e3o, que \u00e0s vezes a\u00ed tamb\u00e9m era distra\u00eddo como toda a gente, n\u00e3o \u00e9? Estou-lhe a citar uma preocupa\u00e7\u00e3o que hoje \u00e0s 5h30 da manh\u00e3 tive com o grupo com que me encontrei para inaugurar a novena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9, portanto, uma forma de pregar a esperan\u00e7a neste contexto de Natal, e neste contexto particular de Angola, que como dizem os Bispos, os sal\u00e1rios s\u00e3o prec\u00e1rios e a pol\u00edtica fiscal \u00e9 violenta?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 sim, senhor. Vou por aqui e vejo lojas fechadas por causa do fisco. O fisco chega l\u00e1 e fecha os com\u00e9rcios. E h\u00e1 v\u00e1rios fechados, acorrentados, e depois s\u00f3 quando pagam \u00e9 que reabrem.<\/p>\n<p>\u00c9 claro depois as pessoas perguntam-me: para onde \u00e9 que vai o resultado do fisco? N\u00e3o se veem os resultados nos melhoramentos que deviam existir, nomeadamente as infraestruturas que ficaram danificadas desde a guerra e ainda n\u00e3o est\u00e3o minimamente requalificadas. Repare que eu, para ir daqui \u00e0 sede da Diocese, s\u00e3o 100 km, eu demoro no m\u00ednimo duas horas e meia.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea? Porque o jipe algumas vezes tem de sair fora da estrada para depois encontrar a estrada mais \u00e0 frente, porque os buracos s\u00e3o mais que muitos. Portanto, aqui o problema \u00e9 esse. Aqui j\u00e1 se n\u00e3o fala, por exemplo, em \u00e1gua, em \u00e1gua ao domic\u00edlio, n\u00e3o se fala, vai-se com o caneco busc\u00e1-la onde \u00e9 preciso.<\/p>\n<p>A eletricidade est\u00e1 aqui a dois passos, mas na Kilenda n\u00e3o h\u00e1. E a eletricidade \u00e9 praticamente de gra\u00e7a, porque vem aqui das barragens de Kwanza. S\u00e3o 20 km de rede que h\u00e1 muito tempo andam a prometer, mas n\u00e3o fazem. Portanto, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que todos os dias nos incomodam, mas n\u00f3s estamos aqui. Se eles sofrem, n\u00f3s tamb\u00e9m sofremos com eles, e estamos aqui \u00e0 procura de solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 verdade que a igreja aqui tem procurado fazer este trabalho, n\u00e3o s\u00f3 ao n\u00edvel superior da Confer\u00eancia Episcopal, mas tamb\u00e9m aqui nas comunidades. Este trabalho est\u00e1 a ser feito. Pode ser potenciado. A minha presen\u00e7a aqui tamb\u00e9m poder\u00e1 ajudar um bocadinho nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_392138\" aria-describedby=\"caption-attachment-392138\" style=\"width: 1624px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-392138 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe.jpg\" alt=\"\" width=\"1624\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe.jpg 1624w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe-400x177.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe-1024x454.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe-768x340.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D.-Manuel-Felicio_Foto-Diocese-Sumbe-1536x681.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1624px) 100vw, 1624px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-392138\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese do Sumbe<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Este vai ser o seu primeiro Natal em Angola. O que espera desta celebra\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 que \u00e9 diferente na forma como as comunidades angolanas celebram o nascimento de Jesus, comparando com o frio \u2013 n\u00e3o s\u00f3 clim\u00e1tico, mas \u00e0s vezes humano \u2013 da Europa?<\/em><\/p>\n<p>Bom, aqui frio, frio clim\u00e1tico n\u00e3o h\u00e1. Neste momento temos calor que chegue. Frio humano vai-se corrigindo. Com certeza que tamb\u00e9m h\u00e1 indiferen\u00e7as. E \u00e9 uma das coisas que tenho falado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas n\u00e3o se compara com o frio na Europa, pois n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, nem pensar nisso. Na Europa vigora a tese: governa-te que eu tamb\u00e9m me governo. Cada um para si. Aqui a solidariedade \u00e9 maior. Repare que aqui, algu\u00e9m que vai ter com outro familiar, \u00e9 sempre acolhido.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 comer para todos, h\u00e1 a comer para todos. Se h\u00e1 menos, cada um come menos, mas todos comem. E fica o tempo que entende junto da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma lei geral que n\u00f3s vemos aqui aplicada. Este sentido do acolhimento, este sentido da fam\u00edlia alargada, aqui existe. E \u00e9 um valor. \u00c9 um valor que h\u00e1 de ser posto em evid\u00eancia. E isso, o Natal, tamb\u00e9m potencia e diz que, vivendo este valor, estamos a viver o Natal.<\/p>\n<p>De maneira que eu, como \u00e9 que vou viver aqui o Natal? Olhe, sem consoada, sem Missa do Galo, sem essas simbologias todas, eu espero que isto contribua para que com as pessoas com as quais diariamente estou, com as quais celebro, isso me ajude a ir ao essencial do minist\u00e9rio. E uma coisa \u00e9 certa. Eles n\u00e3o t\u00eam Missa do Galo. Mas, repare, no dia de Natal, o que se prev\u00ea \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o \u00fanica na pra\u00e7a p\u00fablica tenha milhares de pessoas e no m\u00ednimo quatro horas. As pessoas aqui n\u00e3o olham para o rel\u00f3gio quando est\u00e3o a celebrar pontos essenciais.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 um Natal diferente, mas talvez o essencial esteja mais presente do que em muitas circunst\u00e2ncias que n\u00f3s temos por a\u00ed. Porque \u00e0s vezes, no dia de Natal, celebrar tr\u00eas, quatro Missas \u00e9 importante faz\u00ea-lo, mas tiramos-lhe peso e valor \u00e0 pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o em si. Aqui h\u00e1 mais esfor\u00e7o por valorizar a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E ser\u00e1 um Natal com comida na mesa?<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. Eu espero n\u00e3o passar fome nesse dia, mas estarei atento e, havendo algumas pessoas com mais necessidade, tamb\u00e9m sou capaz de partilhar com elas. Sabe que essas situa\u00e7\u00f5es de maior car\u00eancia, elas n\u00e3o se v\u00eam a olho nu.<\/p>\n<p>Por isso, ao longo destes dias, at\u00e9 ao Natal, sobretudo nos contatos que vamos ter com os doentes, os mais abandonados, atrav\u00e9s da m\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o do catequista visitador, que foi nas comunidades ver onde \u00e9 que est\u00e3o os problemas. E n\u00f3s agora vamos, ao longo destes dias, \u00e0s tardes principalmente, ao encontro das pessoas. A uns damos a Santa Un\u00e7\u00e3o, a outros falamos, rezamos um bocadinho e, portanto, \u00e9 o nosso contacto, ao longo destes dias. Sobretudo durante as tardes dedicamo-nos a contactar com as pessoas em necessidade daqui at\u00e9 ao Natal. Espero tamb\u00e9m, eu pr\u00f3prio, sentir-me bem na disponibilidade para ir ao encontro daqueles que mais sofrem, que est\u00e3o em mais dificuldade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Apesar da dist\u00e2ncia, sabemos que continua atento \u00e0 realidade portuguesa. Ao olhar para Portugal a partir de \u00c1frica, a perspetiva muda? O que \u00e9 que o preocupa mais no nosso pa\u00eds neste momento, seja a n\u00edvel social ou na vida da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja em Portugal tem estado atenta aos problemas da sociedade. Por exemplo, na mensagem de Natal do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal v\u00ea-se bem a preocupa\u00e7\u00e3o pelos migrantes, pelos idosos, pelos abandonados, por aqueles que est\u00e3o sozinhos, por aqueles que at\u00e9 t\u00eam disponibilidades materiais, mas n\u00e3o t\u00eam os que mais estimam junto deles, e est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de abandono. Essas s\u00e3o realidades que est\u00e3o a preocupar a Igreja portuguesa. E agrada-me muito que isso fa\u00e7a parte da preocupa\u00e7\u00e3o do Natal da Igreja em Portugal. Evidentemente que a pr\u00f3pria sociedade civil tamb\u00e9m, em meu entender, tem de progredir no sentido de inclus\u00e3o total de todos, inclus\u00e3o de todos, para que ningu\u00e9m fique de fora, isto a todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>Estive atento \u00e0 greve geral que se fez. \u00c9 verdade que n\u00f3s temos de dar aten\u00e7\u00e3o aos direitos dos trabalhadores, mas tamb\u00e9m temos de dar aten\u00e7\u00e3o a todos. H\u00e1 alguns que n\u00e3o t\u00eam a voz do trabalho, e agora tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser esquecidos.<\/p>\n<p>E por isso, os respons\u00e1veis da nossa sociedade t\u00eam de dar aten\u00e7\u00e3o a todos. \u00c0queles que t\u00eam voz para reivindicar e aos outros que n\u00e3o t\u00eam voz para reivindicar. E isso \u00e9 importante que aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>E eu espero que tamb\u00e9m este Natal e a mensagem de Natal leve os nossos respons\u00e1veis a darem conta que, como l\u00edderes de um povo, t\u00eam que n\u00e3o deixar ningu\u00e9m de fora, mas estar atentos \u00e0s necessidades de todos. \u00c9 um bocadinho o desejo que eu quero deixar nesta minha mensagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Especialmente tendo em aten\u00e7\u00e3o aqueles que v\u00eam de fora, os migrantes, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>O presidente da Confer\u00eancia Episcopal sublinhou muito esse aspeto. E aqui t\u00eam-me perguntado: ent\u00e3o, e v\u00f3s l\u00e1, como \u00e9 que \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>E eu tenho dito aqui que os portugueses precisam de quem trabalhe. Os portugueses precisam de acolher, at\u00e9 por necessidade.<\/p>\n<p>Com certeza que h\u00e1 outras raz\u00f5es para al\u00e9m da necessidade material. Para al\u00e9m de haver necessidade de quem trabalhe, acolher quem nos procura \u00e9 um dever que todos n\u00f3s temos. Porque todo ser humano tem o direito de ser acolhido onde quer que se encontre e para onde quer que v\u00e1. Todavia, al\u00e9m disso, n\u00f3s portugueses temos um d\u00e9ficit grande de pessoas que trabalhem. Por exemplo, eu venho da\u00ed e com a consci\u00eancia de que o nosso sector social, se n\u00e3o for a migra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem gente para responder \u00e0s necessidades dos nossos lares. N\u00e3o tem gente para responder \u00e0s necessidades mesmo dos trabalhos ao domic\u00edlio. Isso \u00e9 uma realidade. E, portanto, tamb\u00e9m deve motivar os nossos respons\u00e1veis nas leis que fazem que n\u00e3o sejam leis de exclus\u00e3o, mas sejam leis de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 certo, temos de cuidar a seguran\u00e7a, temos de cuidar a educa\u00e7\u00e3o das pessoas para saberem ocupar o seu lugar e, com certeza, quando h\u00e1 maus comportamentos, que se chame \u00e0 responsabilidade; mas por isso temos tamb\u00e9m for\u00e7as de seguran\u00e7a, temos tribunais, que tamb\u00e9m exercem o seu dever.<\/p>\n<p>E repito, eu aqui tenho dito que em Portugal, n\u00f3s precisamos de gente que v\u00e1 daqui ajudar-nos nos servi\u00e7os essenciais, como n\u00f3s portugueses tamb\u00e9m, em determinada altura, tivemos de sair da nossa terra e fomos ajudar outros. Agora, precisamos tamb\u00e9m de quem nos ajude. Este fator tem de estar na cabe\u00e7a dos nossos respons\u00e1veis, que ao fazerem leis n\u00e3o podem ignorar isto. Tem de t\u00ea-lo em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E estamos a dar uma imagem negativa, nomeadamente no que diz respeito ao acolhimento e \u00e0s leis que estamos a produzir\u2026 Estamos a dar uma imagem negativa da forma como queremos acolher ou estamos dispostos a acolher?<\/em><\/p>\n<p>Olhe, eu aqui, \u00e0s pessoas que me perguntam sobre se, com as novas leis, j\u00e1 \u00e9 imposs\u00edvel ir para Portugal, trabalhar? Eu respondo: acho que n\u00e3o, e \u00e9 de continuar a tentar, porque h\u00e1 procedimentos que ainda est\u00e3o em vigor.<\/p>\n<p>Com certeza tem de haver garantias, e eu tenho dito aqui, \u00e9 poss\u00edvel, uma carta de chamada. Eu estou aqui em Angola, porque tive uma carta de chamada, neste caso da Confer\u00eancia Episcopal, em que diz que garante a minha manuten\u00e7\u00e3o, a minha sa\u00fade, tudo aquilo que eu preciso. Ora bem, eu estou aqui por isso, e com visto por 365 dias renov\u00e1vel, no pr\u00f3ximo m\u00eas de abril. Tamb\u00e9m n\u00f3s a\u00ed temos procedimentos dessa natureza, vamos us\u00e1-los.<\/p>\n<p>Eu aqui tenho dito que n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel ir para Portugal trabalhar, temos de seguir os procedimentos, e isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais pertinente tem a ver com uma outra coisa. O problema da migra\u00e7\u00e3o desviou-se para outro ponto, que eu acho que era desnecess\u00e1rio, que \u00e9 a chamada lei da nacionalidade. O que n\u00f3s t\u00ednhamos estava bem, n\u00e3o precis\u00e1vamos de mais. Agora o que n\u00f3s t\u00ednhamos de apostar era numa migra\u00e7\u00e3o humanizada, uma migra\u00e7\u00e3o em que as pessoas s\u00e3o contempladas nos seus direitos e tamb\u00e9m motivadas para os seus deveres. A lei da nacionalidade acho que foi desviar a quest\u00e3o, em meu entender, do que eu vejo aqui, do que \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, este \u00e9 um ponto sens\u00edvel, sens\u00edvel. Tem estado presente muito at\u00e9 nos pronunciamentos da Igreja e da Confer\u00eancia Episcopal e que espero que tenha um desfecho positivo para a nossa sociedade portuguesa e tamb\u00e9m para estrangeiros que nos procuram para relan\u00e7ar a sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>E aqui vejo que algumas pessoas desejariam relan\u00e7ar a sua vida e t\u00eam possibilidade para isso, at\u00e9 ajudar-nos-iam com a sua capacidade de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E t\u00eam receio de vir para Portugal nesta altura?<\/em><\/p>\n<p>O que se tem dito aqui \u00e9 que as leis endureceram muito. Todavia eu tento explicar que o que agora se tem estado a falar, \u00e9 mais na nacionalidade do que propriamente na lei da migra\u00e7\u00e3o, porque o acolhimento existe, com algumas dificuldades. O discurso p\u00fablico, nem sempre \u00e9 aquilo que as leis exigem.<\/p>\n<p>A lei, felizmente, ainda tem uma certa capacidade de acolhimento e, portanto, vamos valorizar a lei como ela est\u00e1. Certamente vai haver algumas modifica\u00e7\u00f5es, ainda n\u00e3o as sei todas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas est\u00e1 de alguma forma criada uma perce\u00e7\u00e3o de maior dificuldade, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Sim. A sensa\u00e7\u00e3o que aqui h\u00e1 \u00e9 de que h\u00e1 maior dificuldade na migra\u00e7\u00e3o para Portugal. Algu\u00e9m me disse at\u00e9: ah! o nosso presidente tamb\u00e9m devia p\u00f4r dificuldades a quem quer vir da\u00ed para c\u00e1.<\/p>\n<p>E eu respondo: est\u00e1 bem, com certeza. Mas eu penso que aqui devemos tamb\u00e9m ter capacidade de di\u00e1logo e o acolhimento \u00e9 o fator n\u00famero um que n\u00f3s temos de valorizar. E certamente, a n\u00edvel dos respons\u00e1veis, h\u00e1 possibilidades de di\u00e1logo que n\u00e3o existem a n\u00edvel do cidad\u00e3o comum.<\/p>\n<p>Espero que nos respons\u00e1veis esse di\u00e1logo exista e, sobretudo, entre n\u00f3s, quer PALOP quer CPLP, n\u00f3s sintamos que tamb\u00e9m temos liga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, institucionais e at\u00e9 de deveres uns para com os outros, que nos obrigam a ter uma lei e uma atitude de acolhimento com discrimina\u00e7\u00e3o positiva, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 mais ou menos isto que eu tenho dito \u00e0s pessoas que me interpelam e sobre esse aspeto, v\u00e1rias t\u00eam sido aquelas que v\u00eam ter comigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo em\u00e9rito da Guarda, rumou a Angola, em abril, para assumir a reativa\u00e7\u00e3o do Centro de Espiritualidade da Miss\u00e3o Dom Jo\u00e3o de Oliveira Matos, na Diocese de Sumbe, Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica de Luanda. \u00c9 a partir de 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