{"id":40421,"date":"2009-08-14T16:17:42","date_gmt":"2009-08-14T16:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/14\/ir-alois-taize-sem-medo-do-futuro\/"},"modified":"2009-08-14T16:17:42","modified_gmt":"2009-08-14T16:17:42","slug":"ir-alois-taize-sem-medo-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ir-alois-taize-sem-medo-do-futuro\/","title":{"rendered":"Ir. Alois: Taiz\u00e9 sem medo do futuro"},"content":{"rendered":"<p>Quatro anos depois do assassinato do Ir. Roger, o actual prior fala dos desafios que se colocam \u00e0 comunidade ecum\u00e9nica <!--more--> <\/p>\n<p>A comunidade religiosa de Taiz&eacute; surgiu em 1940, no contexto da II Guerra Mundial. O Irm&atilde;o Roger, fundador da comunidade, deu in&iacute;cio a uma &laquo;par&aacute;bola de comunh&atilde;o&raquo;, com o objectivo de ser um sinal ecum&eacute;nico no meio da divis&atilde;o entre crist&atilde;os. Este sinal tem procurado levar a diferentes pa&iacute;ses e continentes a &laquo;Peregrina&ccedil;&atilde;o de Confian&ccedil;a na Terra&raquo; que pretende gerar um compromisso dos jovens com as suas par&oacute;quias e comunidades locais.<\/p>\n<p>O Irm&atilde;o Roger foi morto, em 2005, durante a ora&ccedil;&atilde;o da noite, na igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, em Taiz&eacute;. Designado oito anos antes pelo fundador, o Irm&atilde;o Alois &eacute; o actual Prior da Comunidade de Taiz&eacute;.<\/p>\n<p>A entrevista da Ag&ecirc;ncia ECCLESIA ao Irm&atilde;o Alois decorre no antigo quarto do Irm&atilde;o Roger, na casa comprada pelo fundador em 1940. &Eacute; neste simples quarto, de paredes cor-de-rosa, inundado pela paisagem das colinas da Borgonha que entram pelas janelas, que o actual Prior de Taiz&eacute; recebe e conversa com as pessoas.<\/p>\n<p>&Eacute; um quarto ainda habitado pela presen&ccedil;a do Irm&atilde;o Roger, onde os livros ao lado da cama ou em cima da mesa parecem continuamente desfolhados. &Eacute; na simplicidade, acompanhados de sumo de uva e biscoitos, que decorre a entrevista, antes da ora&ccedil;&atilde;o do meio dia.<\/p>\n<p>O Irm&atilde;o Alois &eacute; um homem de paz. O seu discurso &eacute; sereno. Cada palavra &eacute; pronunciada calmamente. A express&atilde;o do olhar, de um azul intenso e transparente, mostra o mundo que tem dentro. As rugas marcam-lhe o rosto que &agrave; dist&acirc;ncia n&atilde;o se percebem. &laquo;N&atilde;o sei falar portugu&ecirc;s&raquo;, afirma num portugu&ecirc;s perfeitamente compreens&iacute;vel, mas logo acrescenta serem quase as &uacute;nicas palavras que sabe dizer em portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na carta do Qu&eacute;nia que o Irm&atilde;o Alois escreveu (em 2008), afirma que Deus perturba a nossa vida e faz-nos mudar de planos. Ele perturbou-o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, j&aacute; muitas vezes. Eu estive no Qu&eacute;nia, pela primeira vez, em 1978, com o Irm&atilde;o Roger. E isso foi muito perturbador para mim. Na altura n&atilde;o est&aacute;vamos num grande encontro com a juventude. Viv&iacute;amos numa zona muito pobre e isso foi dif&iacute;cil. Mas foi muito importante passar por essa experi&ecirc;ncia, juntamente com o Irm&atilde;o Roger, em Nairobi.<\/p>\n<p>Tocar realmente a pobreza e fazer a experi&ecirc;ncia. Mas eu n&atilde;o tenho uma resposta para isso. Eu sou um monge e posso voltar para a Europa. Muitas pessoas gostariam de vir para a Europa e sonhar com uma vida mais f&aacute;cil, mas vivem na pobreza e a sua situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito mais dif&iacute;cil.<\/p>\n<p>Esta foi uma experi&ecirc;ncia que me perturbou muito e pela qual eu estou muito agradecido. A maioria das pessoas vive sem o necess&aacute;rio para a sua vida di&aacute;ria. Isso continua a ser uma interroga&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o podemos simplesmente esquecer.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Deus tamb&eacute;m o perturbou quando, no in&iacute;cio dos anos 70, veio a Taiz&eacute; pela primeira vez?<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria antes que ele me abriu para uma experi&ecirc;ncia maior de Igreja. E nesse sentido, tamb&eacute;m foi perturbador, sim. Eu tinha uma ideia muito pequena e estreita da Igreja, marcada apenas pelo meu pa&iacute;s, apenas pelas minhas concep&ccedil;&otilde;es, pela minha Igreja. Aqui eu fiz uma experi&ecirc;ncia enquanto cat&oacute;lico. &laquo;O que &eacute; que isso significa de ser cat&oacute;lico?&raquo; Esta concep&ccedil;&atilde;o tornou-se universal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Irm&atilde;o Roger escreveu que, a n&iacute;vel espiritual, a pessoa que mais o influenciou foi a m&atilde;e. E para si?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que foi de facto o Irm&atilde;o Roger. Fui marcado pela forma como vivemos juntos, pela sua maneira de ser. Ele tinha uma bondade profunda, muito humana. Mas ao mesmo tempo uma impaci&ecirc;ncia. O Irm&atilde;o Roger era muito paciente com v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o eram perfeitas. Mas, por outro lado, quando ele sentia que havia algo urgente a fazer, ele tornava-se impaciente at&eacute; ver isso concretizado.<\/p>\n<p>A vida do Irm&atilde;o Roger foi uma vida inteiramente inspirada pelo Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>[[i,e,438,Ora&ccedil;&atilde;o do Irm&atilde;o Alois ]]O Irm&atilde;o Alois j&aacute; referiu que o Irm&atilde;o Roger n&atilde;o lhe deixou directivas para ser Prior da comunidade. Mas disse que, para um Prior ou qualquer um dos irm&atilde;os, o discernimento, o esp&iacute;rito de miseric&oacute;rdia e uma inesgot&aacute;vel bondade, era o mais importante. Como tem procurado viver esta directiva do Irm&atilde;o Roger?<\/strong><\/p>\n<p>O mais importante &eacute; que estas indica&ccedil;&otilde;es que o Irm&atilde;o Roger deixou n&atilde;o se conseguem sozinho. Eu n&atilde;o o tenho feito sozinho. &Eacute; muito bonito perceber que eu e todos os irm&atilde;os fazemos algo em conjunto.<\/p>\n<p>&Eacute; claro que eu tenho uma responsabilidade na comunidade, mas &eacute; partilhada com todos os restantes irm&atilde;os. E isso &eacute; muito bom.<\/p>\n<p>Os &uacute;ltimos anos do Irm&atilde;o Roger, quando ele estava muito velho e quando n&atilde;o podia fazer muitas coisas, n&oacute;s percebemos agora que estes anos foram anos de prepara&ccedil;&atilde;o para a comunidade. Na altura n&atilde;o o sab&iacute;amos, mas agora vemos como estes anos foram um tempo de prepara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Irm&atilde;o Roger est&aacute; ainda muito presente entre os irm&atilde;os?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, bastante. E principalmente, na forma como n&oacute;s estamos juntos. Mesmo quando era mais velho, ele n&atilde;o falava muito, mas a sua presen&ccedil;a entre n&oacute;s, reflectia a forma como dever&iacute;amos estar juntos. E isso continua e estamos muito felizes por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E entre as pessoas que chegam &agrave; comunidade?<\/strong><\/p>\n<p>Para os mais novos &eacute; agora diferente. H&aacute; muitos jovens que chegam &agrave; comunidade que nunca o conheceram. Mas eu penso que eles sentem a heran&ccedil;a. O que &eacute; bonito &eacute; perceber que, depois de quatro anos, o Irm&atilde;o Roger n&atilde;o apontou para si pr&oacute;prio, como o centro do que se passava em Taiz&eacute; mas, como Jo&atilde;o Baptista, apontou para Cristo e para a presen&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>Actualmente, com todos os jovens que continuam a chegar a Taiz&eacute;, n&oacute;s vemos que isto &eacute; verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ele deixou um testamento espiritual?<\/strong><\/p>\n<p>Atrav&eacute;s de toda a sua vida, n&atilde;o por palavras. &Eacute; incr&iacute;vel que no &uacute;ltimo dia da sua vida ele falou com um irm&atilde;o, aqui no seu quarto, e disse que a nossa comunidade poderia alargar. Mas ele estava t&atilde;o cansado que n&atilde;o acabou a frase.<\/p>\n<p>Ficamos com esta palavra, alargar, &laquo;&eacute;largir&raquo; (diz a palavra em franc&ecirc;s). E isto continua a ser importante. Continua presente no nosso cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Muitas vezes deparamo-nos com o medo. O medo do futuro, dos outros, de n&atilde;o sermos o que dever&iacute;amos. Este medo torna-nos estreitos. E precisamos prestar aten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o para termos medo, mas para nos abrirmos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>&laquo;N&atilde;o podemos viver como antigamente&raquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>O Irm&atilde;o Roger disse que os irm&atilde;os de Taiz&eacute; n&atilde;o s&atilde;o mestres espirituais, apenas homens que ouvem. Mas a juventude precisa de ser ouvida ou guiada espiritualmente?<\/strong><\/p>\n<p>Algo est&aacute; a mudar sobre esta quest&atilde;o. &Eacute; verdade que cada vez mais pessoas, mesmo dentro da Igreja, querem um guia. E isso &eacute; bom e &eacute; importante que o fa&ccedil;amos. Mas penso que o mais importante continua a ser ouvir. Primeiro ouvir e tentar perceber a pessoa, ajudando-a a tomar uma decis&atilde;o livre.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos viver como antigamente na Igreja. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer &agrave;s pessoas como viver, como se comportar e em que acreditar. N&atilde;o podemos voltar atr&aacute;s. Temos de ousar dizer aos jovens &laquo;&eacute;s livre, por isso toma uma decis&atilde;o livre&raquo;.<\/p>\n<p>Eles apenas poder&atilde;o usar bem a sua liberdade se sentirem que os ouvimos, que os entendemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&Eacute; por isso que se rodeia de jovens e de crian&ccedil;as? <\/strong><\/p>\n<p>Sim. Tamb&eacute;m na Igreja, quando estamos nas ora&ccedil;&otilde;es, entre jovens e crian&ccedil;as, que aparecem tal como acontecia com o Irm&atilde;o Roger.<\/p>\n<p>Dois dias depois da morte do Irm&atilde;o Roger, uma crian&ccedil;a, que estava ao seu lado na hora em que ele foi morto, veio ter comigo. Este foi um sinal que as crian&ccedil;as querem continuar a estar ali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que diz &agrave;s crian&ccedil;as que se sentam a seu lado?<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; muito ternurento. Eu pergunto-lhes o nome e por vezes pergunto-lhes por quem devemos rezar. E recebo lindas respostas. Pedem, por vezes, para rezarmos por algu&eacute;m da sua fam&iacute;lia, outras pedem-me para rezar por Jesus. Significa que elas querem agradecer a Jesus tudo o que ele fez e continua a fazer. N&atilde;o foi s&oacute; h&aacute; dois mil anos atr&aacute;s, ele continua a carregar o sofrimento do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No final da ora&ccedil;&atilde;o da noite, juntam-se v&aacute;rias pessoas para falar consigo. O que procuram as pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; muitos outros irm&atilde;os que ficam na igreja a falar. Eu n&atilde;o falo durante muito tempo com as pessoas. Posso simplesmente fazer uma cruz na sua testa, tal como os pais faziam, antigamente, aos seus filhos.<\/p>\n<p>A estes jovens que aqui v&ecirc;m, se eu apenas fizer a cruz na sua testa, eles far&atilde;o isso aos seus filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que &eacute; que em poucos minutos de conversa pode fazer a diferen&ccedil;a?<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; simplesmente um momento de ora&ccedil;&atilde;o. Estamos em frente de Deus e, juntos, somos chamados a transmitir o amor de Deus. Para isso por vezes precisamos de uma longa conversa. Outras, pode simplesmente acontecer na nossa vida di&aacute;ria, um sinal muito pequeno que transmita o amor de Deus. Isso n&atilde;o precisa de muito tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>[[i,e,455,Placa Taiz&eacute;]]Os irm&atilde;os recusam afirmar a exist&ecirc;ncia de um movimento em torno de Taiz&eacute;. Pedem &agrave;s pessoas que chegam a Taiz&eacute; que voltem para as suas igrejas locais e ai trabalhem e rezem. Mas o que aqui se passa n&atilde;o pode ser negado, toca as pessoas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, n&oacute;s vemos isso. &Eacute; muito bonito e estamos espantados com tudo o que se passa. N&oacute;s somos testemunhas do que, semana ap&oacute;s semana, as pessoas descobrem aqui. N&atilde;o somos os autores, somos testemunhas do que vem acontecendo h&aacute; anos e que continua.<\/p>\n<p>Mas &eacute; algo que tem de continuar na vida di&aacute;ria. E isso n&atilde;o continua se apenas pensarmos em como foi bonito o que se viveu em Taiz&eacute;, mas descobrindo a presen&ccedil;a de Deus na vida di&aacute;ria.<\/p>\n<p>Deus est&aacute; presente em tudo o que se faz, n&atilde;o apenas nos momentos espirituais, mas no estudo, na vida familiar tamb&eacute;m. &Eacute; importante encontrar apoio nas comunidades locais para continuar a procurar pela presen&ccedil;a de Deus na vida di&aacute;ria e n&atilde;o apenas recordar uma viagem a Taiz&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas pode ser continuado por experi&ecirc;ncias em Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p>N&oacute;s precisamos de momentos excepcionais, de peregrina&ccedil;&otilde;es. Em Portugal, voc&ecirc;s t&ecirc;m o Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, que junta jovens e adultos numa ora&ccedil;&atilde;o conjunta. Estes momentos de peregrina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o importantes. Mas temos de descobrir onde &eacute; que Deus espera por mim na vida di&aacute;ria.<\/p>\n<p>Digo aos jovens: &laquo;Deus espera-te em casa. Deixa Taiz&eacute;, mas descobre onde Deus te espera em casa&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Viver na simplicidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>A comunidade de irm&atilde;os de Taiz&eacute; pede uma contribui&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica a cada participante, consoante a situa&ccedil;&atilde;o de cada pa&iacute;s. No caso de Portugal, pede entre 5 e 7 euros por dia. Como se pode viver com 7 por dia, quando na sociedade o dinheiro parece nunca chegar? <\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; verdade que tentamos que a contribui&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria das pessoas que v&ecirc;m a Taiz&eacute; sejam a m&iacute;nima poss&iacute;vel para que quem queira, possa vir e participar. Por exemplo, as pessoas que v&ecirc;m da Europa de Leste, da Ucr&acirc;nia e dos pa&iacute;ses b&aacute;lticos, que enfrentam dificuldades, d&atilde;o menos ainda. Quando as pessoas dizem que podem dar mais, n&oacute;s aceitamos.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que por vezes temos dificuldades. Mas n&oacute;s conseguimos organizar os encontros de uma forma muito simples.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas isso &eacute; um sinal para as pessoas que aqui v&ecirc;m? &Eacute; poss&iacute;vel viver de forma simples&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, &eacute; verdade, &eacute; um sinal de que podemos viver com simplicidade. E isso agrada-nos, porque a simplicidade junta as pessoas. N&atilde;o h&aacute; empregados para tratar das coisas e, por isso, todos t&ecirc;m de ajudar e contribuir para o bem da comunidade, de forma natural e bonita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sociedade depara-se com uma crise econ&oacute;mica e financeira a n&iacute;vel internacional. Mas dentro da comunidade, essa crise parece n&atilde;o influenciar o dia-a-dia. Como &eacute; que isso &eacute; poss&iacute;vel?<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel de forma imediata. Mas eu falo com muitos jovens e fam&iacute;lias que vivem em dificuldades. V&aacute;rios jovens que n&atilde;o encontram um trabalho. Estes relatos s&atilde;o um peso que jovens e menos jovens trazem a Taiz&eacute;. N&atilde;o experimentamos ainda a crise no plano econ&oacute;mico, mas percebemo-la nas situa&ccedil;&otilde;es que as pessoas testemunham e com as quais lidam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As pessoas de diferentes pa&iacute;ses que chegam a Taiz&eacute; precisam de diferentes mensagens?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas que nos chegam de &Aacute;frica lidam com situa&ccedil;&otilde;es muito diferentes. Chegam-nos jovens de diferentes continentes, para experi&ecirc;ncias de dois ou tr&ecirc;s meses, que s&atilde;o preparadas pelas suas igrejas locais. As diferentes economias, mentalidades e tamb&eacute;m tradi&ccedil;&otilde;es na vida eclesial, mostram o qu&atilde;o diferentes as pessoas s&atilde;o. Precisamos de prestar muita aten&ccedil;&atilde;o e ouvirmo-nos mutuamente.<\/p>\n<p>&Aacute;frica pode dizer que a Europa n&atilde;o os ouve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eles sentem isso?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Por isso estamos muito certos de todas as iniciativas. No encontro de Lisboa (em Dezembro de 2004), descobri que h&aacute; muitas propostas para os jovens irem em miss&atilde;o para &Aacute;frica. Isto &eacute; muito bonito e muito forte em Portugal, mais do que em Fran&ccedil;a. Precisamos mais destas iniciativas de nos ouvirmos mutuamente.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI escreveu na sua &uacute;ltima enc&iacute;clica &ldquo;Caritas in Veritate&raquo; que a globaliza&ccedil;&atilde;o torna os homens vizinhos, mas n&atilde;o os faz irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Est&aacute; muito bem dito e &eacute; isso mesmo que n&oacute;s experienciamos aqui na comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que &eacute; preciso para fazer diferente?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que em Taiz&eacute;, o facto de nos juntarmos tr&ecirc;s vezes por dia na igreja, cria uma enorme diferen&ccedil;a. Mostra que somos uma comunidade, que pertencemos uns aos outros, que somos respons&aacute;veis uns pelos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro anos depois do assassinato do Ir. 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