{"id":404061,"date":"2025-12-16T12:58:05","date_gmt":"2025-12-16T12:58:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=404061"},"modified":"2025-12-16T12:58:19","modified_gmt":"2025-12-16T12:58:19","slug":"padre-esta-preso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-esta-preso\/","title":{"rendered":"&#8220;Padre, est\u00e1 preso!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rio Joachim Lohre recorda os 371 dias de cativeiro no Mali<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Faather-Hans-Joachim-Lohre-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-273101 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Faather-Hans-Joachim-Lohre-1-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Faather-Hans-Joachim-Lohre-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Faather-Hans-Joachim-Lohre-1-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Faather-Hans-Joachim-Lohre-1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O padre alem\u00e3o Hans-Joachim Lohre foi mission\u00e1rio no Mali durante aproximadamente tr\u00eas d\u00e9cadas. A 20 de Novembro de 2022, foi raptado em Bamako, a capital, por terroristas, quando ia celebrar missa. Ficou em cativeiro 371 dias. Recentemente, esteve na Su\u00ed\u00e7a, a convite da Funda\u00e7\u00e3o AIS, num evento da Red Week, a Semana Vermelha de alerta precisamente para a problem\u00e1tica da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os no mundo\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u201cUm carro aproximou-se, colocou-se atr\u00e1s do meu, e tr\u00eas homens em uniforme militar saltaram de dentro. Um deles veio ao meu encontro e disse: \u2018Padre, est\u00e1 preso\u2019. Eu disse que n\u00e3o podia naquele momento, que tinha primeiro de ir celebrar a missa em Kalabanura. Responderam: \u2018Fique calado, poder\u00e1 explicar-se depois na base\u2019. E, nesse instante, empurraram-me para o banco de tr\u00e1s do carro, colocaram-me um capuz na cabe\u00e7a e disseram de novo: \u2018Fique quieto\u2019. Depois seguiram para aquilo que era, de facto, a sede da chefia militar \u2014 embora, na realidade, n\u00e3o fossem militares do Estado, mas sim uma lideran\u00e7a islamista. Foi ent\u00e3o que percebi que, provavelmente, [o rapto] estava mesmo a acontecer.\u201d Foi assim que o padre Hans-Joachim Lohre recordou, durante a Red Week que a Funda\u00e7\u00e3o AIS organizou no m\u00eas passado na Su\u00ed\u00e7a, o que lhe aconteceu no dia 20 de Novembro de 2022. Raptado por terroristas ligados \u00e0 Al-Qaeda, o sacerdote iria ficar 371 dias em cativeiro. Conhecido com \u201cHa-Jo\u201d, e membro da Sociedade dos Mission\u00e1rios de \u00c1frica, o padre Lohre foi mission\u00e1rio em \u00c1frica durante cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas, tendo apostado muito nas quest\u00f5es do di\u00e1logo inter-religioso. Nascido na Alemanha em 1957, \u00e9 considerado um profundo especialista nas quest\u00f5es do Isl\u00e3o. Antes de seu sequestro, dirigia um centro ecum\u00e9nico em Bamako e era respons\u00e1vel pelo di\u00e1logo inter-religioso na Confer\u00eancia Episcopal do Mali. Durante o seu cativeiro, como recorda agora o secretariado su\u00ed\u00e7o da Funda\u00e7\u00e3o AIS, \u201cconseguiu conversar com os jihadistas, na sua maioria jovens, em diversas ocasi\u00f5es\u201d. Dois anos depois de ter sido libertado, o sacerdote alem\u00e3o diz que n\u00e3o guarda qualquer sentimento de rancor para com os seus sequestradores. \u201cNunca senti \u00f3dio ou ressentimento contra eles\u201d, diz. Hoje, o padre Lohre vive e trabalha no sul da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>\u201cPassei um ano no deserto\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Durante a Red Week, organizada pela Funda\u00e7\u00e3o AIS de 15 a 23 de Novembro deste ano, o padre Lohre esteve na Su\u00ed\u00e7a tendo falado sobre a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, atormentados pelo extremismo isl\u00e2mico no Mali e em diversos outros pa\u00edses de \u00c1frica. Numa breve entrevista a um canal de televis\u00e3o do Lichtenstein, o mission\u00e1rio alem\u00e3o recordou que trabalhou no Mali como capel\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o do clero mais jovem, tendo-se envolvido no di\u00e1logo inter-religioso. \u201cFoi neste contexto que, a 20 de Novembro de 2022, fui raptado pelo grupo Jnim, a organiza\u00e7\u00e3o de apoio ao Isl\u00e3o e aos mu\u00e7ulmanos, e passei um ano no deserto com os jihadistas da Al-Qaeda\u201d, disse. \u201cDurante o tempo no deserto, foram especialmente os di\u00e1logos com os v\u00e1rios grupos isl\u00e2micos que marcaram a experi\u00eancia\u201d, recordou. \u201cGrupos que considero desviados, mas que est\u00e3o convencidos de que cumprem a vontade de Deus, para construir uma sociedade no Mali baseada nos mandamentos divinos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Padre Lohre, parceiro da Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho nas quest\u00f5es do di\u00e1logo inter-religioso, que o padre Joachim Lohre realizava no Mali era apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o AIS. A not\u00edcia da sua liberta\u00e7\u00e3o, a 26 de Novembro de 2023, foi recebida com natural alegria pela presidente executiva internacional da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. \u201cEstamos muito aliviados e felizes por saber que o Padre Ha-Jo foi libertado depois de uma experi\u00eancia que deve ter sido muito dura. Ao longo dos anos, trabalh\u00e1mos juntos e a Funda\u00e7\u00e3o AIS viu em primeira m\u00e3o como ele sempre teve em mente o bem-estar do povo do Mali, independentemente da sua religi\u00e3o. De facto, ele estava profundamente empenhado no di\u00e1logo inter-religioso no pa\u00eds de maioria mu\u00e7ulmana, que considerava fundamental para a paz e o desenvolvimento\u201d, afirmou Regina Lynch. Na ocasi\u00e3o, a respons\u00e1vel da Funda\u00e7\u00e3o AIS alertava, contudo, para o facto de muitas pessoas continuarem em cativeiro e de haver muitas comunidades crist\u00e3s v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o religiosa, especialmente em \u00c1frica. \u201cContinuamos a acompanhar, com grande ang\u00fastia, a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, em particular na regi\u00e3o do Sahel, onde todos os dias os crist\u00e3os s\u00e3o expulsos das suas aldeias, morrem \u00e0 fome sob a press\u00e3o de grupos terroristas ou s\u00e3o simplesmente massacrados porque querem usar uma cruz ao pesco\u00e7o ou rezar\u201d, acrescentou Regina Lynch.<\/p>\n<p><strong>Cancelada peregrina\u00e7\u00e3o a santu\u00e1rio mariano<\/strong><\/p>\n<p>Passaram, entretanto, dois anos e os receios da presidente executiva internacional da AIS confirmam-se. Sinal de que a amea\u00e7a jihadista n\u00e3o diminuiu no Mali, pelo contr\u00e1rio, ainda recentemente os bispos deste pa\u00eds africano decidiram cancelar, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, a peregrina\u00e7\u00e3o anual ao santu\u00e1rio mariano de Kita, que deveria ter ocorrido nos dias 15 e 16 de Novembro. Em causa, o bloqueio de combust\u00edveis imposto \u00e0 capital, Bamako, pelos grupos jihadistas que est\u00e3o cada vez mais activos. Toda esta instabilidade vem analisada em detalhe no mais recente Relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, e que foi publicado a 21 de Outubro em Lisboa e nas principais capitais europeias. A situa\u00e7\u00e3o no Mali deve ser vista no contexto da escalada da viol\u00eancia jihadista na regi\u00e3o do Sahel, em \u00c1frica, regi\u00e3o que, s\u00f3 por si, \u00e9 respons\u00e1vel por mais de metade de todas as mortes relacionadas com o terrorismo em 2024. Al\u00e9m do Mali, os pa\u00edses mais impactados pelo terrorismo nesta regi\u00e3o s\u00e3o o Burquina Fasso, N\u00edger, Nig\u00e9ria e Camar\u00f5es. O Mali, pode ler-se no Relat\u00f3rio da AIS, \u201csofreu um decl\u00ednio constante na seguran\u00e7a e nos direitos fundamentais, tornando-se um dos pa\u00edses mais afectados pelo terrorismo no mundo\u201d. Uma situa\u00e7\u00e3o de crise que come\u00e7ou em 2012, quando a infiltra\u00e7\u00e3o de grupos extremistas no norte do Mali reacendeu a rebeli\u00e3o tuaregue. A situa\u00e7\u00e3o foi-se agravando com o passar do tempo. A retirada das for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o da paz da ONU, em 2023, veio agravar ainda mais esta crise a que n\u00e3o \u00e9 alheio tamb\u00e9m \u201co envio de mercen\u00e1rios russos do Grupo Wagner\u201d, sinaliza a AIS. \u201cA viol\u00eancia jihadista intensificou-se, entretanto, por todo o pa\u00eds, com civis \u2013 incluindo crist\u00e3os \u2013 a enfrentarem raptos, abusos e a imposi\u00e7\u00e3o de regras religiosas. Em 2024, a junta militar suspendeu a actividade pol\u00edtica e reprimiu a dissid\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o continua cr\u00edtica, com receios de conflito civil e cont\u00ednuas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u201d, elucida ainda o Relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo.<\/p>\n<p>Paulo Aido<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"&quot;Foi ent\u00e3o que percebi que o #rapto estava mesmo a acontecer&quot; Pe. 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