{"id":40406,"date":"2009-08-13T12:31:09","date_gmt":"2009-08-13T12:31:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/13\/homilia-de-d-alessandro-ruffinoni-em-fatima\/"},"modified":"2009-08-13T12:31:09","modified_gmt":"2009-08-13T12:31:09","slug":"homilia-de-d-alessandro-ruffinoni-em-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-alessandro-ruffinoni-em-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Alessandro Ruffinoni, em F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;Migram os p&aacute;ssaros e os animais, levados pelo instinto; migram as sementes nas asas dos ventos; migram as plantas de continente a continente, levadas pelas correntes das &aacute;guas e, mais que todos, migra o homem, instrumento daquela Provid&ecirc;ncia que preside e guia os destinos humanos, para a meta, que &eacute; o aperfei&ccedil;oamento do homem e a gl&oacute;ria de Deus&rdquo; (Scalabrini).<\/p>\n<p>Assim o Pai e Ap&oacute;stolo dos migrantes, Jo&atilde;o Batista Scalabrini, via as migra&ccedil;&otilde;es: um instrumento da Provid&ecirc;ncia para espalhar no mundo a f&eacute;, o progresso e a solidariedade.<\/p>\n<p>Na carta a Diogneto est&aacute; escrito: &ldquo;Para o crist&atilde;o toda terra estrangeira &eacute; p&aacute;tria e toda p&aacute;tria &eacute; terra estrangeira&#8230;. o crist&atilde;o habita a terra, mas &eacute; cidad&atilde;o do c&eacute;u&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; intenso e profundo pensar num mundo sem fronteiras, sem a palavra estrangeiro, pois esta &eacute; uma palavra triste, fria, uma palavra que separa e divide&#8230;<\/p>\n<p>Na Igreja ningu&eacute;m &eacute; estrangeiro, disse o Papa Jo&atilde;o Paulo II&deg;, todos somos irm&atilde;os e irm&atilde;s, filhos e filhas do mesmo Pai.<\/p>\n<p>Jesus disse: &ldquo;N&atilde;o vos chamo servos&#8230; mas vos chamo amigos&#8230;&rdquo;. Somos todos da mesma fam&iacute;lia de Deus. A Igreja &eacute; m&atilde;e e como m&atilde;e acolhe a todos e aceita todas as etnias.<\/p>\n<p>N&atilde;o me perguntem quantos idiomas eu falo, porque para o migrante, h&aacute; apenas dois idiomas. O idioma de Caim e o de Abel. O de Caim &eacute; o do &oacute;dio, da inveja, da humilha&ccedil;&atilde;o, do engano, do aproveitamento, da esperteza, da pris&atilde;o, da deporta&ccedil;&atilde;o, das patrulhas, das rondas&#8230; J&aacute; o idioma de Abel &eacute; o do amor, da acolhida, da solidariedade, do perd&atilde;o, da fraternidade, da amnistia&#8230; N&atilde;o importa se sou italiano, portugu&ecirc;s, brasileiro, americano, chin&ecirc;s ou japon&ecirc;s. Aquilo que &eacute; realmente importante &eacute; que somos todos feitos a imagem e semelhan&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>Neste contexto, poder&iacute;amos nos perguntar: Que sentido tem esta peregrina&ccedil;&atilde;o dos migrantes ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima? Por que reunir tanta gente ao redor de uma mesa eucar&iacute;stica, na casa da nossa M&atilde;e comum, Maria Sant&iacute;ssima? Os motivos s&atilde;o muitos, queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s. A Igreja como demonstra&ccedil;&atilde;o de amor e carinho, quer dizer aos seus filhos e filhas que reconhece a traject&oacute;ria de cada um; que n&atilde;o os esqueceu, apesar de estarem longe, dispersos pelo mundo inteiro; que os acompanha com sua prece, para que n&atilde;o cansem e n&atilde;o desanimem na busca de uma vida melhor.<\/p>\n<p>A Igreja, hoje e sempre, quer dizer, tamb&eacute;m, a todos voc&ecirc;s e a todos os migrantes do mundo um muito obrigado pelo trabalho realizado, pela contribui&ccedil;&atilde;o com o progresso das na&ccedil;&otilde;es que os acolhem. Voc&ecirc;s s&atilde;o sementes de Deus que espalham com a sua vida e o seu testemunho a f&eacute;, os costumes e as tradi&ccedil;&otilde;es de sua p&aacute;tria, enriquecendo, assim, os povos com os quais est&atilde;o convivendo.<\/p>\n<p>Voc&ecirc;s s&atilde;o como os pastores de Bel&eacute;m, que ap&oacute;s haverem visto e adorado a Jesus na manjedoura partiram para proclamar as maravilhas de Deus. Muita gente ao receber, voc&ecirc;s migrantes, se contagia com sua f&eacute; e acredita em Deus. Voc&ecirc;s partiram como simples disc&iacute;pulos e pastores e tornaram-se grandes mission&aacute;rios em nosso mundo. Quantas lindas hist&oacute;rias poderia aqui contar de migrantes que plantaram no meio da floresta, no meio das grandes metr&oacute;poles, nas plan&iacute;cies e nos montes, com a ajuda de um simples quadro, ou imagem, um grande santu&aacute;rio ou uma grande Catedral ao redor dos quais se desenvolveram uma f&eacute; e uma tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Em viagens ao Jap&atilde;o e aos Estados Unidos constatei como a presen&ccedil;a dos migrantes &eacute; uma forte contribui&ccedil;&atilde;o para o crescimento de valores crist&atilde;os e humanos entre as pessoas.<\/p>\n<p>Por isso, o migrante nunca pode ser considerado como um problema, nem pela Igreja, nem pelo Estado que o acolhe, e sim uma riqueza de grande valor de que devemos agradecer a Deus.<\/p>\n<p>Na recente Enc&iacute;clica <em>Caritas in Veritate<\/em>, o Papa Bento XVI chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fen&oacute;meno das migra&ccedil;&otilde;es na contemporaneidade. &ldquo;&Eacute; um fen&oacute;meno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problem&aacute;ticas sociais, econ&oacute;micas, pol&iacute;ticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dram&aacute;ticos que coloca &agrave;s comunidades nacional e internacional. Pode-se dizer que estamos perante um fen&oacute;meno social de natureza epocal, que requer uma forte e clarividente pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o internacional para ser convenientemente enfrentado. Esta pol&iacute;tica h&aacute;-de ser desenvolvida a partir de uma estreita colabora&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses donde partem os emigrantes e os pa&iacute;ses de chegada; h&aacute;-de ser acompanhada por adequadas normativas internacionais capazes de harmonizar os diversos sistemas legislativos, na perspectiva de salvaguardar as exig&ecirc;ncias e os direitos das pessoas e das fam&iacute;lias emigradas e, ao mesmo tempo, os das sociedades de chegada dos pr&oacute;prios emigrantes. Nenhum pa&iacute;s se pode considerar capaz de enfrentar, sozinho, os problemas migrat&oacute;rios do nosso tempo (&#8230;). Todo o imigrante &eacute; uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalien&aacute;veis que h&atilde;o-de ser respeitados por todos em qualquer situa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (62).<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m no Documento de Aparecida (Maio 2007) os Bispos Latino-americanos e Caribenhos recordam o dever do acompanhamento pastoral dos migrantes, afirmando: &ldquo;Entre as tarefas da Igreja em favor dos migrantes est&aacute; a den&uacute;ncia prof&eacute;tica dos atropelos que eles sofrem frequentemente. Como Igreja que ama seus filhos devemos nos esfor&ccedil;ar para conseguir uma pol&iacute;tica migrat&oacute;ria que leve em considera&ccedil;&atilde;o os direitos das pessoas em mobilidade&rdquo; (DAp 414).<\/p>\n<p>A Igreja, dioceses e par&oacute;quias, deve dar o exemplo para uma melhor acolhida dos migrantes, ajudando os fi&eacute;is a superar preconceitos e preven&ccedil;&otilde;es. Ela &eacute; chamada a ser encontro fraterno e pac&iacute;fico, casa de todos, edif&iacute;cio sustentado pela verdade, pela justi&ccedil;a, pela caridade e pela liberdade (Jo&atilde;o XXIII). Onde est&aacute; o povo que sofre e trabalha, a&iacute; deve estar a Igreja (Scalabrini)<\/p>\n<p>O migrante n&atilde;o &eacute; um estrangeiro, mas um mensageiro de Deus que surpreende e rompe a regularidade e a l&oacute;gica da vida quotidiana. No migrante a Igreja v&ecirc; Cristo que &ldquo;coloca a sua tenda no meio de n&oacute;s&rdquo; (Jo 1,14) e que &ldquo;bate &agrave; nossa porta (Ap 3,20).<\/p>\n<p>Feliz daquele povo que sabe acolher e abrir a porta ao migrante, porque encontrar&aacute; mais paz e alegria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma palavra, agora, aos migrantes Brasileiros presentes nesta peregrina&ccedil;&atilde;o e que encontraram, nesta na&ccedil;&atilde;o, acolhida e trabalho. Como bispo encarregado pela CNBB&nbsp; da pastoral dos migrantes brasileiros no exterior (PBE), quero dizer-lhes que a Igreja do Brasil &eacute; orgulhosa de todos voc&ecirc;s, pela sua f&eacute;, pelo trabalho e pelo esp&iacute;rito de alegria que contagia a todos. Todos os anos, no m&ecirc;s de Junho, celebramos, nas Dioceses do Brasil, a semana do migrante e &eacute; precisamente neste tempo que elevamos a Deus as nossas preces para os migrantes, de maneira especial recordando os 4 milh&otilde;es de brasileiros\/as espalhados no mundo. Como respons&aacute;vel da pastoral para os brasileiros no exterior, queremos ser ponte entre a sua p&aacute;tria de origem e a nova p&aacute;tria que os acolhe. Queremos dialogar e pedir encarecidamente aos nossos irm&atilde;os bispos e sacerdotes, que agora s&atilde;o os seus pastores, para que fa&ccedil;am o poss&iacute;vel, para que n&atilde;o lhes falte acompanhamento espiritual e o apoio fraterno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Permitam que termine a minha mensagem fazendo uma prece a nossa Senhora de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>&Oacute; Virgem e Nossa Senhora de F&aacute;tima, M&atilde;e dos peregrinos. Ensina-nos o caminho do amor e da fraternidade. Fica connosco nos momentos de des&acirc;nimo e de tristeza. Fica connosco quando ao redor de nossa f&eacute; surgem as d&uacute;vidas e as dificuldades. Fica em nossas fam&iacute;lias para que continuemos sendo ninhos de amor, respeito e uni&atilde;o. Fica com aqueles nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s que mais sofrem em terras estrangeiras, porque n&atilde;o tem casa, trabalho e comida. Olha com carinho &agrave;s nossas crian&ccedil;as e aos jovens. Que possam crescer como o teu Filho Jesus, em idade, bondade e sabedoria. Que eles nos ajudem a fazer desta terra um lugar de fraternidade e de paz. Fortalece a todos na f&eacute; para que sejamos disc&iacute;pulos mission&aacute;rios de teu Filho Jesus. Am&eacute;m.<\/p>\n<p>Viva Nossa Senhora de F&aacute;tima!<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 13 de Agosto de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+&nbsp; Alessandro Ruffinoni<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Migram os p&aacute;ssaros e os animais, levados pelo instinto; migram as sementes nas asas dos ventos; migram as plantas de continente a continente, levadas pelas correntes das &aacute;guas e, mais que todos, migra o homem, instrumento daquela Provid&ecirc;ncia que preside e guia os destinos humanos, para a meta, que &eacute; o aperfei&ccedil;oamento do homem e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,122,168,207,314],"class_list":["post-40406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-diocese-da-guarda","tag-fatima","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40406"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40406\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}