{"id":404018,"date":"2025-12-17T09:45:17","date_gmt":"2025-12-17T09:45:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=404018"},"modified":"2025-12-18T16:22:03","modified_gmt":"2025-12-18T16:22:03","slug":"migracoes-mesmo-que-haja-um-poder-politico-a-gritar-em-sentido-contrario-a-integracao-acontece-na-mesma-pedro-gois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-mesmo-que-haja-um-poder-politico-a-gritar-em-sentido-contrario-a-integracao-acontece-na-mesma-pedro-gois\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: \u00abMesmo que haja um poder pol\u00edtico a gritar em sentido contr\u00e1rio, a integra\u00e7\u00e3o acontece na mesma\u00bb &#8211; Pedro G\u00f3is"},"content":{"rendered":"<p><em>Professor e diretor cient\u00edfico do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para a integra\u00e7\u00e3o social e encontra nos Evangelhos os \u00abdesafios\u00bb para a constru\u00e7\u00e3o humana em sociedade\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_402768\" aria-describedby=\"caption-attachment-402768\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-402768 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Pedro-Gois_9807-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-402768\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/HM, Pedro G\u00f3is<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 17 dez 2025 (Ecclesia) \u2013 Pedro G\u00f3is, professor e diretor cient\u00edfico do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es, afirmou que a \u201cpolariza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 uma \u201ct\u00e1tica pol\u00edtica\u201d para \u201cdesconstruir a coes\u00e3o social\u201d, que importa n\u00e3o esconder a \u201crealidade positiva e negativas\u201d e que a integra\u00e7\u00e3o \u201cvai acontecer\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO discurso polarizado \u00e9 uma t\u00e1tica pol\u00edtica apenas para desconstruir a coes\u00e3o social, criando a necessidade de um her\u00f3i avulso para vir resolv\u00ea-la. Sensatamente, se pensarmos um pouco sobre isso, percebemos que n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de quem chega, \u00e9 um processo. \u00c9 um processo que para algumas pessoas vai acontecer mais rapidamente e para outras vai ser um processo muito lento, quer para quem chega como para quem acolhe, e at\u00e9 algumas que n\u00e3o se v\u00e3o adaptar. Mesmo que haja um poder pol\u00edtico a gritar em sentido contr\u00e1rio, a integra\u00e7\u00e3o acontece na mesma\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Pedro G\u00f3is indica ser importante \u201cmostrar o lado positivo \u2013 porque \u00e9 extremamente maiorit\u00e1rio\u201d, mas tamb\u00e9m mostrar o lado negativo porque, explica, \u201cele existe e n\u00e3o devemos escond\u00ea-lo nem censur\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cObviamente que quando recebemos um milh\u00e3o de migrantes, nem todos ser\u00e3o integr\u00e1veis da mesma maneira, nem todos ser\u00e3o positivamente contribuintes para a sociedade portuguesa. O ponto aqui mais importante \u00e9 n\u00e3o discriminarmos em fun\u00e7\u00e3o da sua origem, mas discriminarmos em fun\u00e7\u00e3o dos atos cometidos. Portugu\u00eas ou um outro qualquer, o mesmo crime, a mesma lei aplic\u00e1vel\u201d, sublinha.<\/p><\/blockquote>\n<p>O respons\u00e1vel sublinha a necessidade de comunicar o que a academia reflete e diagnostica no tema migrat\u00f3rio, e salienta que o Observat\u00f3rio tem procurado \u201ca educa\u00e7\u00e3o\u201d como caminho de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHoje escrever um artigo significa chegar a 20 ou 30 pessoas, e fazer um v\u00eddeo no \u2018TikTok\u2019 significa chegar ao 20 ou 30 mil, s\u00f3 que este v\u00eddeo n\u00e3o consegue passar uma mensagem positiva, mas mensagens negativas contribuindo para influenciar a pr\u00f3pria realidade que estamos a estudar. No caso da Europa, criou esta perce\u00e7\u00e3o dos migrantes como algo de negativo, que vamos demorar algum tempo a conseguir normalizar\u201d, explica<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel acredita ser a educa\u00e7\u00e3o, a \u201cinscri\u00e7\u00e3o nos manuais de ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio\u201d, o colocar as crian\u00e7as e jovens em contacto com \u201ctemas do seu tempo\u201d, e procurar que a mensagem de integra\u00e7\u00e3o \u201cchegue aos grandes m\u00e9dia\u201d o caminho para a normaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Convidado a olhar o seu percurso, Pedro G\u00f3is recorda a pergunta cimeira que o levou \u00e0 Sociologia e, cedo, ao estudo das migra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA sociedade tinha tudo para correr mal e h\u00e1 uma pergunta da sociologia inicial que \u00e9 o que torna a sociedade poss\u00edvel? De que forma \u00e9 que n\u00f3s nos conseguimos organizar, sete, oito bilh\u00f5es de pessoas e p\u00f4r um mundo a funcionar? Porque o mundo funciona, tem muitos problemas, mas funciona. Como \u00e9 que n\u00f3s conseguimos, nestes desencontros de l\u00ednguas, de culturas, de saberes, ainda assim funcionar socialmente?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>O investigador persegue depois outras perguntas que se abrem: \u201cPorque \u00e9 que n\u00e3o acabamos com a pobreza? Porque \u00e9 que a exclus\u00e3o ainda \u00e9 devida \u00e0 ra\u00e7a ou \u00e0 cor da pele? Porque \u00e9 que ainda h\u00e1 tanta diferen\u00e7a de g\u00e9nero pelo mundo fora? Como \u00e9 que as classes sociais s\u00e3o hoje herdadas de pais para filhos e de av\u00f3s para netos ou at\u00e9 para bisnetos e n\u00e3o conseguimos resolver a pobreza absoluta de algumas popula\u00e7\u00f5es numa \u00e9poca de abund\u00e2ncia? Como \u00e9 que n\u00f3s gastamos tanto a fazer para t\u00e3o poucos e n\u00e3o temos essa capacidade?\u201d, explana.<\/p>\n<p>Investigador e professor universit\u00e1rio explica que o fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es se refere a pessoas concretas e recorda o espa\u00e7o da sala de aula como o encontro de diferentes sensibilidades.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando foi a invas\u00e3o da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia, eu tinha estudantes ucranianos e estudantes russos, e foi um momento muito impactante em sala de aula, porque as alunas russas estavam na primeira fila a chorar, e as alunas ucranianas estavam nas \u00faltimas filas muito inquietas com tudo o que estava a acontecer. O mundo estava ali, n\u00e3o era algo que est\u00e1vamos a acompanhar na televis\u00e3o\u201d, recorda.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pedro G\u00f3is reconhece que as migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um tema \u201cpolarizado\u201d na sociedade nos \u00faltimos anos mas que importa \u201cser s\u00e9rio\u201d na observa\u00e7\u00e3o da realidade e \u201cestar dispon\u00edvel a alterar a vis\u00e3o do mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 perfeita, na maior parte das vezes tem sido at\u00e9 demasiado imperfeito, o que nos deixa espa\u00e7o para melhorar, para propormos solu\u00e7\u00f5es para que as pol\u00edticas p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m a integra\u00e7\u00e3o social no seu todo, possa acontecer\u201d, indica.<\/p>\n<p>Na conversa com o investigador e professor na Universidade de Coimbra recordamos o conhecimento de \u201cCabo Verde\u201d antes de ter viajado \u00e0 ilha, o acolhimento que recebeu enquanto estudante no Bairro 6 de Maio, a marca dos \u201c\u00faltimos Papas todos eles imigrantes\u201d e os desafios que \u201cos Evangelhos a cada semana lan\u00e7am\u201d para a constru\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Pedro G\u00f3is \u00e9 o convidado do programa ECCLESIA emitido pouco depois da meia-noite na Antena 1, e disponibilizado no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor e diretor cient\u00edfico do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para a integra\u00e7\u00e3o social e encontra nos Evangelhos os \u00abdesafios\u00bb para a constru\u00e7\u00e3o humana em 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