{"id":403916,"date":"2025-12-19T09:23:29","date_gmt":"2025-12-19T09:23:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=403916"},"modified":"2025-12-19T13:00:30","modified_gmt":"2025-12-19T13:00:30","slug":"lusofonias-na-republica-centro-africana-as-portas-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-na-republica-centro-africana-as-portas-do-natal\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Na Rep\u00fablica Centro Africana, \u00e0s portas do Natal"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Bangui &#8211; RCA<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-403917 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/LusofoniasRCACardealDieudonne19-12-2025-373x280.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/LusofoniasRCACardealDieudonne19-12-2025-373x280.jpg 373w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/LusofoniasRCACardealDieudonne19-12-2025.jpg 642w\" sizes=\"(max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 quase Natal e aterrei em Bangui, a capital da Rep\u00fablica Centro Africana (RCA). No cora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, este pa\u00eds franc\u00f3fono ainda anda \u00e0 procura da estabilidade e da reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, t\u00e3o importantes como urgentes, para a constru\u00e7\u00e3o de um Estado de direito.<\/p>\n<p>A grande figura da RCA \u00e9 o Cardeal Dieudonn\u00e9 Nzapalainga, Arcebispo de Bangui. Mission\u00e1rio Espiritano, nasceu em Bangassou (1967), estudou nos Camar\u00f5es\u00a0 e no Gab\u00e3o,\u00a0 concluindo a sua Teologia em Paris. Os primeiros anos da sua vida mission\u00e1ria aconteceram em Fran\u00e7a, onde trabalhou na Obra de Auteuil, com crian\u00e7as e jovens com vidas em risco.<\/p>\n<p>2012 \u00e9 o ano do maior desafio da sua vida: foi nomeado Arcebispo de Bangui, num per\u00edodo particularmente violento da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds. Liderou iniciativas muito arriscadas, como a da Plataforma Inter-Religiosa para a Paz, que o fez percorrer um pa\u00eds em guerra civil para, juntamente com o l\u00edder mu\u00e7ulmano e o l\u00edder protestante, apelar e sensibilizar para a urg\u00eancia da reconcilia\u00e7\u00e3o nacional. Estas m\u00faltiplas interven\u00e7\u00f5es em contexto de viol\u00eancia extrema d\u00e3o esperan\u00e7a e futuro a este povo que habita o cora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e angariaram-lhe o t\u00edtulo de \u2018Cardeal coragem\u2019. Inspirados nele ou sobre ele, foram escritos livros e feitos filmes. Tem percorrido o mundo a fazer confer\u00eancias e a dar entrevistas. Tudo \u2013 diz ele \u2013 em nome da paz.<\/p>\n<p>Um dos momentos mais importantes para a vida das popula\u00e7\u00f5es centro-africanas foi a inesperada visita do Papa Francisco a Bangui em novembro de 2015. O Papa tomou a decis\u00e3o de iniciar o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia nesta cidade africana, abrindo a Porta Santa da Catedral. E, no ano seguinte, a 9 de outubro de 2016, o Papa surpreendeu o mundo com o an\u00fancio de que o Arcebispo Nzapalainga se tornaria no cardeal mais jovem da Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica Centro Africana continua a ferro e fogo. Como em todas as guerras, quem sofre \u00e9 o povo que \u00e9 morto, torturado, deslocado, abusado. E, claro, a economia \u00e9 destru\u00edda, ficando nas m\u00e3os de oportunistas que gerem tr\u00e1ficos de toda a esp\u00e9cie e ganham fortunas \u00e0 custa da desgra\u00e7a e da mis\u00e9ria das popula\u00e7\u00f5es martirizadas. As for\u00e7as internacionais, enviadas pela ONU e pela Uni\u00e3o Africana, tentam defender as popula\u00e7\u00f5es em \u00e1reas mais sens\u00edveis, mas n\u00e3o tem sido muito bem-sucedida neste objetivo.<\/p>\n<p>Mas regressemos \u00e0 hist\u00f3ria dram\u00e1tica dos \u00faltimos anos. Em 2013, surge \u2013 como atr\u00e1s o disse &#8211; a Plataforma Inter Religiosa para a Paz. O pa\u00eds estava tomado de assalto por grupos rebeldes, auto-proclamados isl\u00e2micos. Semearam o p\u00e2nico, mataram, destru\u00edram. A pr\u00f3pria capital ficou dividida em bairros pr\u00f3s e contra. Os tr\u00eas l\u00edderes das grandes Comunidades Religiosas na capital, reuniram-se e decidiram avan\u00e7ar juntos para a reconcilia\u00e7\u00e3o: o Cardeal Dieudonn\u00e9, o Iman Omar Kobine Layama e o Pastor Nicolas Gbangou. Abriram uma das p\u00e1ginas mais belas da hist\u00f3ria recente da RCA, apresentada como exemplo para a \u00c1frica e o resto do mundo.<\/p>\n<p>Fizeram in\u00fameras visitas em todo o pa\u00eds, arriscaram enfrentar estes grupos armados, lan\u00e7aram iniciativas v\u00e1rias de sensibiliza\u00e7\u00e3o e compromisso pela pacifica\u00e7\u00e3o, gritaram por apoio \u00e0 comunidade internacional, amplificando o grito deste povo martirizado por interesses alheios.<\/p>\n<p>O cardeal Dieudonn\u00e9, figura chave da Plataforma, insistiu sempre na import\u00e2ncia do trabalhar juntos, apesar das diferen\u00e7as. Tal op\u00e7\u00e3o deu for\u00e7a a esta miss\u00e3o porque gerou confian\u00e7a no seio das comunidades cat\u00f3licas, isl\u00e2micas e protestantes.<\/p>\n<p>Ponto alto da vida deste pa\u00eds \u00a0&#8211; j\u00e1 o referi &#8211; foi a visita do Papa Francisco. Disse: \u2018Bangui tornou-se hoje a capital espiritual do mundo. O Ano Santo da Miseric\u00f3rdia chega antes a esta terra, uma terra que sofre h\u00e1 diversos anos a guerra, o \u00f3dio, a incompreens\u00e3o, a falta de paz\u2019. A verdade \u00e9 que as imagens correram o mundo e a RCA passou a constar no mapa dos pa\u00edses a ser apoiados.<\/p>\n<p>Dez anos mais tarde, encontrei o Cardeal Dieudonn\u00e9 feliz pelo caminho percorrido, embora consciente do muito que est\u00e1 por fazer. Quando h\u00e1 tempos o confrontaram com o facto de ele estar num pedestal diante da comunidade internacional, eis a sua resposta : \u2018sou pobre, vindo de um pa\u00eds pobre. N\u00e3o tenho motorista, ningu\u00e9m me abre e fecha portas, n\u00e3o deixo que a vaidade tome conta de mim. Se eu aceitasse, o governo tinha-me dado carro e guarda costas. Nunca aceitei. Eu fico com o povo. V\u00eam \u00e0 minha casa ministros e pobres. Recebo todos. E vou ao encontro de todos, n\u00e3o medindo riscos. N\u00e3o tenho medo do desafio das periferias. Gosto de l\u00e1 estar. Como o Papa Francisco dizia, somos Igreja em sa\u00edda\u2019.<\/p>\n<p>Tony Neves, em Bangui &#8211; RCA<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS \u2013 Na Rep\u00fablica Centro Africana, \u00e0s portas do Natal\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5NESFCmw9rjA0izB1RYDil?si=d7BMIxVNQLqM-k94gDlY6g&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Bangui &#8211; 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