{"id":40371,"date":"2009-08-11T11:03:25","date_gmt":"2009-08-11T11:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/11\/uma-vida-em-portugues-no-trilho-de-taize\/"},"modified":"2009-08-11T11:03:25","modified_gmt":"2009-08-11T11:03:25","slug":"uma-vida-em-portugues-no-trilho-de-taize","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-vida-em-portugues-no-trilho-de-taize\/","title":{"rendered":"Uma vida em portugu\u00eas no trilho de Taiz\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Irm\u00e3o David fala da experi\u00eancia \u00fanica de viver na comunidade mon\u00e1stica, que n\u00e3o quer ser um movimento, mas uma inspira\u00e7\u00e3o para os jovens crist\u00e3os <!--more--> <\/p>\n<p>O Irm&atilde;o David, natural de Portalegre, &eacute; actualmente o &uacute;nico portugu&ecirc;s na comunidade ecum&eacute;nica de Taiz&eacute;, no Sul de Fran&ccedil;a. Durante a semana que a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA passou em Taiz&eacute;, pode testemunhar a forma pr&oacute;xima como este religioso se relaciona com todos os portugueses e o desejo tamb&eacute;m de os jovens n&atilde;o se fecharem numa experi&ecirc;ncia &uacute;nica, mas procurarem o seu lugar na Igreja.<\/p>\n<p>Ao longo de uma hora, numa conversa que percorreu a sua vida, o Ir. David relembrou o Irm&atilde;o Roger e deu a conhecer melhor a proposta que Taiz&eacute; vai trazer a Portugal, em Fevereiro de 2010, integrada na Miss&atilde;o 2010, da diocese do Porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &#8211; A comunidade de Taiz&eacute; surge num contexto de guerra. Na Europa decorria a II Guerra Mundial e os crist&atilde;os estavam tamb&eacute;m divididos. A proposta que se fez na altura, faz sentido faz&ecirc;-la agora? Estamos a viver uma guerra diferente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irm&atilde;o David &#8211;<\/strong> A guerra foi um empurr&atilde;o dado ao Irm&atilde;o Roger, mas a intui&ccedil;&atilde;o j&aacute; vinha a ser amadurecida ao longo de alguns anos.<\/p>\n<p>Acredito ser uma intui&ccedil;&atilde;o que permanece v&aacute;lida para os dias de hoje. &Eacute; importante na Igreja a exist&ecirc;ncia de crist&atilde;os que procuram dar um testemunho de paz e de reconcilia&ccedil;&atilde;o no nosso mundo de hoje.<\/p>\n<p>A an&uacute;ncio de um Deus de paz e amor torna-se palavras vazias quando n&atilde;o s&atilde;o vividas concretamente e, sobretudo, quando os crist&atilde;os est&atilde;o divididos e de costas voltadas. Parece que anunciamos coisas bonitas mas n&atilde;o as conseguimos viver. O testemunho torna-se desfigurado e n&atilde;o tem a mesma for&ccedil;a de um testemunho de vida.<\/p>\n<p>O Irm&atilde;o Roger achava na altura, e continua a ser algo muito presente na voca&ccedil;&atilde;o da comunidade, que &eacute; importante anunciar o Evangelho com palavras, mas mais importante ainda &eacute; faz&ecirc;-lo com a nossa pr&oacute;pria vida. Sermos sinais do Evangelho, testemunhas de Deus com a nossa vida.<\/p>\n<p>Foi isso que o Irm&atilde;o Roger procurou fazer. Quando come&ccedil;ou a 2&ordf; Guerra Mundial, ele sentiu n&atilde;o poder esperar mais. Sentiu que era importante os crist&atilde;os serem fermento de paz numa Europa dividida. O fermento de paz n&atilde;o se reveste de li&ccedil;&otilde;es de como a construir, mas de come&ccedil;ar por viver essa paz. E ele come&ccedil;ou sozinho, em 1940. O Irm&atilde;o Roger chegou a Taiz&eacute; com o objectivo de um dia vir a ter uma comunidade, de reunir um grupo de jovens e de homens que se quisessem consagrar monasticamente a Cristo, para ser uma par&aacute;bola de comunh&atilde;o, um sinal muito concreto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Pode dizer-se que a comunidade vive afastada do mundo, mas recebe o mundo em Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Jesus disse aos disc&iacute;pulos &laquo;V&oacute;s n&atilde;o sois do mundo, mas estais no mundo&raquo;. Precisamos ter consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de estar no mundo hoje, presentes entre os homens.<\/p>\n<p>O Irm&atilde;o Roger vivia na Su&iacute;&ccedil;a, com os pais, e sentia-se chamado a come&ccedil;ar esta aventura. Mas, ele dizia muitas vezes, n&atilde;o podia ser na Su&iacute;&ccedil;a, porque isso seria escolher um caminho de facilidade, quando havia situa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o dif&iacute;ceis a meia d&uacute;zia de quil&oacute;metros.<\/p>\n<p>Viver uma vida por Cristo e pelo Evangelho significa viv&ecirc;-la no cora&ccedil;&atilde;o do mundo e onde houver pessoas a sofrer e a precisar do testemunho crist&atilde;o.<\/p>\n<p>De facto n&atilde;o vivemos com os mesmos crit&eacute;rios que existem hoje na sociedade, mas levando um testemunho ao mundo de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Sente-se em Taiz&eacute; um ambiente diferente do que na sociedade. Se as pessoas s&atilde;o as mesmas, porque &eacute; que &eacute; t&atilde;o diferente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Essa &eacute; uma quest&atilde;o que gosto de lan&ccedil;ar &agrave;s pessoas que v&ecirc;m a Taiz&eacute;. O que aqui vivemos n&atilde;o &eacute; algo fora da realidade. &Eacute; evidente que aqui se torna mais f&aacute;cil viver um esp&iacute;rito de abertura a Deus e ao pr&oacute;ximo, de solidariedade, de entrega e de servi&ccedil;o, porque h&aacute; um ambiente circundante que contagia.<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s vezes por dia tocam os sinos, todos se dirigem &agrave; igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, possivelmente, muitos sem pensarem no que est&atilde;o a fazer, simplesmente v&atilde;o atr&aacute;s da multid&atilde;o e deixam-se levar. Mas ao deixar-se levar, s&atilde;o espontaneamente conduzidos a uma proximidade com Deus, atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o. Existe uma comunidade que reza. Esta ora&ccedil;&atilde;o trabalha mais as pessoas do que podemos imaginar.<\/p>\n<p>H&aacute; muito que n&atilde;o depende de n&oacute;s, que &eacute; trabalho dele. Quando as pessoas saem da ora&ccedil;&atilde;o, certamente saem transformadas por essa presen&ccedil;a de Deus, por esse louvor a Deus que acabam de cantar, por se entregarem a Deus com o que t&ecirc;m e o que s&atilde;o. N&atilde;o precisamos fazer de n&oacute;s o que n&atilde;o somos, nem de nos transformar para ir &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, vamos tal como somos e &eacute; essa ora&ccedil;&atilde;o que nos transforma.<\/p>\n<p>Quando as pessoas saem da ora&ccedil;&atilde;o inserem-se num ambiente de grande fraternidade, de solidariedade, de respeito e aten&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo. &Eacute; algo que contagia.<\/p>\n<p>Nesse sentido, &eacute; verdade que o que vivemos na sociedade muitas vezes n&atilde;o &eacute; isso. Se nos deixamos levar pelo ambiente &agrave; nossa volta, n&atilde;o somos levados a uma maior proximidade com Deus e abertura ao pr&oacute;ximo, mas antes levados a viver centrados em n&oacute;s mesmos, num esp&iacute;rito de competi&ccedil;&atilde;o e individualismo.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso for&ccedil;a de vontade para n&atilde;o nos deixarmos levar por todas as correntes &agrave; nossa volta. Temos de parar, ouvir o Deus profundo e seguir o que o nosso cora&ccedil;&atilde;o diz.<\/p>\n<p>Mas o que vivemos em Taiz&eacute; &eacute; tamb&eacute;m parte do mundo. O mundo tamb&eacute;m &eacute; assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Mas &eacute; uma proposta de convers&atilde;o? Prop&otilde;e-se que a pessoa que faz a experi&ecirc;ncia de Taiz&eacute; n&atilde;o volte igual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> &Eacute; uma proposta concreta de encontro com Cristo. Quando encontramos Cristo n&atilde;o voltamos iguais. N&atilde;o &eacute; uma convers&atilde;o &uacute;nica, mas um cont&iacute;nuo voltar para Deus. &Eacute; um encontro com Cristo que nos marca cada vez que o encontramos e que aqui podemos viver de forma profunda e forte, mas que podemos continuar a viver quando regressamos a casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Viver em comunidade e do trabalho<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>[[i,e,415,Artesanato feito pelos irm&atilde;os de Taiz&eacute;]]AE &#8211; Como &eacute; que a comunidade dos irm&atilde;os se organiza no seu dia-a-dia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Somos uma comunidade com cerca de 100 irm&atilde;os. Em Taiz&eacute; vivem cerca de 70 irm&atilde;os. Temos quatro pequenas fraternidades nos pa&iacute;ses do Sul &ndash; Brasil, Senegal, Coreia e Bangladesh. As fraternidades correspondem ao desejo dos irm&atilde;os n&atilde;o viverem centrados na Europa, mas de irem ao encontro dos povos que vivem em situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis e de grande pobreza. No fundo ser uma presen&ccedil;a do Evangelho junto destes povos e uma par&aacute;bola de comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a dos irm&atilde;os est&aacute; tamb&eacute;m dependente das necessidades da altura do ano em Taiz&eacute;. No Ver&atilde;o aumenta muito a procura. Durante os meses de Inverno, com menos pessoas, &eacute; poss&iacute;vel animar encontros noutros locais e preparar os encontros anuais.<\/p>\n<p>No concreto da vida, como irm&atilde;os, procuramos viver numa grande fam&iacute;lia e numa confian&ccedil;a m&uacute;tua.<\/p>\n<p>Desde o in&iacute;cio, os irm&atilde;os sentiram ser chamados a viver exclusivamente do seu trabalho. N&atilde;o vivemos do acolhimento, antes pelo contr&aacute;rio. Apoiamos as estruturas de acolhimento. N&atilde;o vivemos nem de doa&ccedil;&otilde;es nem de heran&ccedil;as. Vivemos exclusivamente do que fazemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Que trabalho &eacute; esse que fazem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Uma parte do dia da comunidade &eacute; dedicado &agrave;s oficinas, onde fazemos olaria, pe&ccedil;as em esmalte, na tipografia tamb&eacute;m a imprimir os livros, ou na oficina de vitrais. Todo o trabalho manual que fazemos &eacute; vendido na sala de exposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em Taiz&eacute;, e tamb&eacute;m nas fraternidades, o dia segue o ritmo das tr&ecirc;s ora&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o momentos em que todos nos reunimos para ir ao essencial da nossa voca&ccedil;&atilde;o, de forma simples. S&atilde;o os momentos de ora&ccedil;&atilde;o que vivificam o resto.<\/p>\n<p>Temos tamb&eacute;m uma grande disponibilidade para acolher os que chegam a Taiz&eacute; e viver a hospitalidade. Esta &eacute; caracter&iacute;stica que n&atilde;o estava no projecto do Irm&atilde;o Roger. A ideia original era ser um sinal na Igreja e no mundo, atrav&eacute;s da vida dos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Foi mais tarde, quase 20 anos depois de o Irm&atilde;o Roger estar em Taiz&eacute;, que come&ccedil;aram a chegar alguns grupos que pediam para ficar uns dias e partilhar as ora&ccedil;&otilde;es com os irm&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Alargar fronteiras<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Como &eacute; que isso aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> No final dos anos 50 n&atilde;o havia nada aqui. Era um grande descampado. Os irm&atilde;os encontraram uma pequena casa, em Cormatin, a cinco quil&oacute;metros de Taiz&eacute;, onde os jovens dormiam e, durante o dia, subiam a Taiz&eacute; para participar nas ora&ccedil;&otilde;es dos irm&atilde;os. N&atilde;o havia um programa organizado como actualmente.<\/p>\n<p>Mas depressa os irm&atilde;os compreenderam que essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era a ideal. Havia continuidade na presen&ccedil;a dos jovens em Taiz&eacute;, n&atilde;o exclusiva de algumas pessoas, mas vis&iacute;vel na procura e na vontade de a juventude viver uns dias junto de uma comunidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Os irm&atilde;os come&ccedil;aram a questionar como poderiam acolher, sem querer destruir o que tinha sido constru&iacute;do como vida religiosa e comunit&aacute;ria, e como poderiam partilhar o que iam vivendo do Evangelho com as pessoas que os procuravam.<\/p>\n<p>A pouco e pouco foram sendo encontradas formas de acolher em Taiz&eacute;. Primeiro foi constru&iacute;do El Abiodh, uma casa para poder acolher as pessoas, depois foi o parque de campismo. Dez anos depois da sua inaugura&ccedil;&atilde;o, a igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o tornou-se pequena demais e n&atilde;o era poss&iacute;vel acolher todos, em especial na ora&ccedil;&atilde;o que &eacute; a parte mais central da nossa vida.<\/p>\n<p>Por isso, os irm&atilde;os n&atilde;o tiveram medo de destruir a fachada da igreja, colocaram tendas &agrave; volta para acolher as pessoas que vinham, em especial no Ver&atilde;o. A fachada era muito bonita, com vitrais, mas o mais importante eram as pessoas, n&atilde;o o edif&iacute;cio. Isso esteve sempre muito presente no Irm&atilde;o Roger. O Irm&atilde;o dizia mesmo que &laquo;n&atilde;o somos guardi&otilde;es de museus, mas jardineiros para lan&ccedil;ar sementes de f&eacute;&raquo;.<\/p>\n<p>Quando a presen&ccedil;a das tendas deixou de ser algo excepcional para ser a norma, da P&aacute;scoa at&eacute; ao final do Ver&atilde;o, os irm&atilde;os pensaram em substituir as tendas por constru&ccedil;&otilde;es simples mas que permitissem acolher as pessoas de forma mais consistente.<\/p>\n<p>No princ&iacute;pio dos anos 90, com a abertura das fronteiras dos pa&iacute;ses de Leste, o n&uacute;mero de participantes duplicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>[[i,e,461,Reflex&atilde;o em grupos]]AE &#8211; E foi nessa evolu&ccedil;&atilde;o, que foram percebendo a necessidade de fazer uma proposta estruturada? A jovens, a adultos e a fam&iacute;lias, concretamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Sim, foi algo que veio com o tempo. Com a experi&ecirc;ncia e com os erros que fomos fazendo. Percebemos que era importante ir ao encontro das pessoas. As quest&otilde;es de um jovem de 20 anos n&atilde;o s&atilde;o as mesmas de uma pessoa de 40. Da&iacute; a necessidade de adaptar o programa a diferentes faixas et&aacute;rias.<\/p>\n<p>Existe um programa para fam&iacute;lias que v&ecirc;m com filhos com idade inferior a 15 anos mas apenas durante o Ver&atilde;o. No espa&ccedil;o Olinda conseguimos acolher 80 a 100 fam&iacute;lias. H&aacute; tamb&eacute;m uma zona para encontros de adultos, com mais de 35 anos, onde as reflex&otilde;es s&atilde;o organizadas de forma diferente. Mas a grande maioria que vem s&atilde;o jovens, entre os 18 e os 25 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; V&ecirc;m &agrave; descoberta ou &agrave; procura de algo em concreto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> H&aacute; uma grande diversidade entre os jovens que chegam a Taiz&eacute;. Alguns v&ecirc;m &agrave; descoberta, outros porque um amigo lhes falou, outros ainda porque j&aacute; conheceram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; A comunidade &eacute; para todos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Sim, e &eacute; aberto. &Agrave; chegada explicamos um pouco o sentido do que se vive em Taiz&eacute;, o programa da semana e deixamos a pessoa livre. Se a pessoa perceber que n&atilde;o era o que procurava, est&aacute; livre de ir embora. Ningu&eacute;m &eacute; for&ccedil;ado a nada. Todos s&atilde;o bem-vindos. Mas &eacute; uma proposta muito concreta, para viver um tempo de paragem, de ora&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o e tamb&eacute;m de encontro com os outros jovens que chegam de v&aacute;rios pontos do mundo.<\/p>\n<p>Cada Domingo &eacute; uma surpresa, ver a quantidade de autocarros que chegam. Questionamos como &eacute; poss&iacute;vel chegarem tantos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; E qual &eacute; a resposta que encontra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> N&atilde;o sei dar. Podemos talvez perguntar a alguns porque v&ecirc;m. Alguns poder&atilde;o responder que foi um amigo que perguntou, outro dir&aacute; que viu na Internet, outro dir&aacute; que leu um livro, ou ouviu na par&oacute;quia. A grande maioria penso que tem conhecimento de Taiz&eacute; atrav&eacute;s de amigos.<\/p>\n<p>Mas permanece o mist&eacute;rio de porqu&ecirc; virem tantos. Na Europa assistimos ao decr&eacute;scimo de participa&ccedil;&atilde;o nas igrejas, menos jovens, e aqui &eacute; ao contr&aacute;rio, cada vez aparecem mais. Como explicar isto? N&atilde;o sei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Sem &laquo;movimento&raquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>[[v,d,349,Celebra&ccedil;&atilde;o da Luz em Taiz&eacute;]]AE &#8211; Pode dizer-se que h&aacute; um movimento de Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID-<\/strong> Quando come&ccedil;aram a chegar jovens a Taiz&eacute;, os irm&atilde;os perceberam que n&atilde;o queriam formar um movimento, guardar os jovens num esp&eacute;cie de grupos de Taiz&eacute;, mas oferecer uma hospitalidade gratuita. Os Irm&atilde;os queriam proporcionar uma experi&ecirc;ncia de Igreja, um espa&ccedil;o de encontro com Cristo, com as pessoas, consigo pr&oacute;prio, um espa&ccedil;o de reflex&atilde;o, mas muito gratuito que ajudasse cada um a encontrar-se a si mesmo, para continuar a sua viv&ecirc;ncia crist&atilde;, na sua terra e na sua comunidade.<\/p>\n<p>H&aacute; muitos grupos aos quais &eacute; preciso dar vida. A nossa voca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; criar mais um grupo, mas ajudar os jovens a descobrir o que j&aacute; existe, a procurar dar vida ao que j&aacute; existe, a desenvolver coisas novas, se for esse o caso, mas com o apoio nas suas comunidades locais.<\/p>\n<p>Procurando ser um espa&ccedil;o de comunh&atilde;o, a nossa voca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passa por criar um movimento. Queremos oferecer uma comunh&atilde;o onde todos se sintam em casa e n&atilde;o formar um grupo onde nos fechar&iacute;amos em determinado carisma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; A proposta &eacute; que as pessoas vivam esta experi&ecirc;ncia mas regressem aos seus locais e a&iacute; percebam o seu lugar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Exactamente. O Papa Jo&atilde;o Paulo II passou por Taiz&eacute;, em 1986, e disse isso mesmo. &laquo;Passa-se por Taiz&eacute; como se passa perto de uma fonte&raquo;. O viajante chega, p&aacute;ra, sacia a sua sede e depois continua o seu caminho, refrescado pela sede saciada e com for&ccedil;as renovadas para o seu caminho.<\/p>\n<p>Taiz&eacute; &eacute; um s&iacute;tio onde se pode descansar, o corpo e a mente, para poder continuar o caminho. &Eacute; isso que procuramos oferecer aos jovens &#8211; um tempo de paragem para ir &agrave;s fontes da f&eacute;, para ir ao essencial, para encontrar o sentido da nossa vida para, depois, regressarem &agrave;s suas vidas e a&iacute; viverem um compromisso crist&atilde;o, mais activo e com mais entusiasmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Mas reconhece que para muitos esta &eacute; uma experi&ecirc;ncia finita? No regresso n&atilde;o levam esse compromisso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Digo muitas vezes aos que encontro em Taiz&eacute; que n&atilde;o podemos viver uma experi&ecirc;ncia bonita, espectacular, como alguns dizem e, ao voltar a casa, querer copiar e colar &agrave; nossa realidade local, numa linguagem de Internet. A nossa vida n&atilde;o &eacute; assim. Cada experi&ecirc;ncia vale por si, no contexto onde se encontra.<\/p>\n<p>O que vivemos em Taiz&eacute; &eacute; tamb&eacute;m adaptado &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que aqui temos, &agrave; presen&ccedil;a de muitos jovens e de grupos internacionais. Quando vivemos um encontro internacional numa grande cidade, temos de adaptar, assim como numa pequena cidade.<\/p>\n<p>Sem copiar, os jovens devem perguntar-se o que foi importante em Taiz&eacute;: o que me marcou, porque &eacute; que a experi&ecirc;ncia foi bonita, o que me levou a saciar essa sede, e como posso viver esses aspectos na minha vida quotidiana?<\/p>\n<p>Questionados por diversas dimens&otilde;es que em Taiz&eacute; lhes tocaram, os jovens devem inspirarem-se nessa experi&ecirc;ncia e adaptar o essencial &agrave; situa&ccedil;&atilde;o concreta em que se encontram.<\/p>\n<p>Evidentemente, n&oacute;s lan&ccedil;amos propostas. Somos como o semeador da par&aacute;bola de Jesus. Mas, se o semeador quando lan&ccedil;a a semente se p&otilde;e a pensar &laquo;ser&aacute; que esta vai dar fruto ou morrer?&raquo;, ent&atilde;o n&atilde;o lan&ccedil;a nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; A gratuidade est&aacute; a&iacute;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> &Eacute; com uma grande gratuidade que fazemos este acolhimento em Taiz&eacute;. Acolher quem chega, partilhar o que vivemos e, depois, deixar que as sementes cres&ccedil;am. Mas tenho confian&ccedil;a. Sei que muita coisa boa cresce, outras coisas morrem, mas isso &eacute; inevit&aacute;vel. No entanto, o resultado final ser&aacute; certamente muito positivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>&laquo;Inquieta&ccedil;&atilde;o vinda de Deus&raquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Como &eacute; que o Irm&atilde;o David descobriu que este seria o seu caminho para ir &agrave; fonte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211; <\/strong>Para mim foi mais do que ir uma vez &agrave; fonte (risos). Descobri que o meu lugar &eacute; aqui. Penso que o descobri a pouco e pouco. N&atilde;o foi algo que surgiu de repente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Come&ccedil;ou a pouco e pouco a vir a Taiz&eacute;?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> O meu primeiro contacto com Taiz&eacute; foi num encontro europeu em Roma, na altura eu tinha 15 anos. A minha par&oacute;quia organizava um grupo, que habitualmente se deslocava a Taiz&eacute; e aos encontros europeus. Quando eu fiz 15 anos convidaram-me para participar e foi esse o meu primeiro contacto.<\/p>\n<p>Fui sem saber o que era Taiz&eacute; ou a comunidade. Na altura achei que era uma viagem que me interessava, apenas isso.<\/p>\n<p>Em Roma gostei muito do que vivi. Os tempos de ora&ccedil;&atilde;o foram uma descoberta para mim. A forma simples de rezar, o ambiente, o ter espa&ccedil;o para n&oacute;s pr&oacute;prios. Na altura, lembro-me de pensar, vi que&nbsp; era poss&iacute;vel viver aquele tipo de encontro no meio da dispers&atilde;o, inevit&aacute;vel de uma grande cidade, e perguntava-me como seria numa aldeiazinha como &eacute; Taiz&eacute;.<\/p>\n<p>Acabei por vir a Taiz&eacute; com o grupo da par&oacute;quia e passei a vir regularmente no Ver&atilde;o. Mas quando vinha, na altura com 15, 16 ou 18 anos, nunca me passou pela cabe&ccedil;a que um dia viria a ser irm&atilde;o na comunidade. Era uma experi&ecirc;ncia muito rica, quer a n&iacute;vel pessoal como para o grupo de jovens. Foi mais tarde que o questionamento surgiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; E como surgiu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Eu sou natural de Portalegre. Durante tr&ecirc;s anos estive a estudar em Lisboa. E quando fui para a capital, sem o procurar, naturalmente afastei-me do grupo de jovens porque j&aacute; n&atilde;o estava tanto tempo em Portalegre. Sentia que como viv&ecirc;ncia crist&atilde; n&atilde;o me bastava ir &agrave; missa ao Domingo, queria mais. Mas, com o ritmo que tinha, de estudos, das viagens constantes entre Lisboa e Portalegre, de estar com fam&iacute;lia e amigos, percebi que isso n&atilde;o me bastava. A determinada altura tive necessidade de parar, de me encontrar.<\/p>\n<p>Como conhecia Taiz&eacute; escrevi aos irm&atilde;os e falei sobre a possibilidade de ficar n&atilde;o uma semana, como nos anos anteriores, mas durante as f&eacute;rias de Ver&atilde;o. Quando chegou o final das f&eacute;rias, em que eu deveria regressar para come&ccedil;ar as aulas, senti que tinha sido demasiado r&aacute;pido. Tinha chegado com algumas perguntas e ao fim de um m&ecirc;s e meio n&atilde;o tinha respostas. Tinha mais perguntas ainda. Sentia falta de espa&ccedil;o e de tempo para poder pensar e formular essas perguntas. Na altura achei que era importante continuar por mais tempo.<\/p>\n<p>Fui a Portugal preparar as coisas, pensei interromper o curso por um ano e ficar uma temporada maior em Taiz&eacute;. Foi j&aacute; v&aacute;rios meses depois de aqui estar que, tendo-me identificado tanto com o que aqui encontrei e estava a viver, espontaneamente come&ccedil;ou a surgir a quest&atilde;o: &laquo;Ser&aacute; que n&atilde;o &eacute; isto que eu quero?&raquo;<\/p>\n<p>Com o tempo, a pouco e pouco, fui compreendendo que de facto era isto que eu queria e acabei por ficar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; J&aacute; l&aacute; v&atilde;o 15 anos. O que mudou em si? <\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211; <\/strong>Diria que estou mais consciente do que sou. Vivemos num mundo cheio de solicita&ccedil;&otilde;es e deixamos de ouvir o que temos dentro. Taiz&eacute; ajuda-nos a ter um espa&ccedil;o de liberdade para sermos n&oacute;s pr&oacute;prios. N&atilde;o criamos m&aacute;scaras para nos apresentarmos, mas vivermos como somos.<\/p>\n<p>Estou aqui h&aacute; mais de 15 anos. Por um lado &eacute; como se tivesse sido ontem. O tempo passa muito depressa. Mas ao mesmo tempo, j&aacute; se viveram tantas coisas em Taiz&eacute;. Foram anos muitos preenchidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; E em que &eacute; que a comunidade mudou nestes 15 anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> De certa forma n&atilde;o mudou nada e mudou tudo. No essencial n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as. Quando encontro pessoas que estiveram em Taiz&eacute; h&aacute; muito tempo e depois voltam, dizem isso mesmo. No fundo nada mudou.<\/p>\n<p>O mesmo ritmo de vida centrado nas ora&ccedil;&otilde;es, a mesma aten&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa, a mesma viv&ecirc;ncia de fraternidade, de reconcilia&ccedil;&atilde;o de comunh&atilde;o. Ao mesmo tempo as situa&ccedil;&otilde;es v&atilde;o evoluindo e, por isso, adaptamo-nos &agrave;s exig&ecirc;ncias que mudam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Sem perder o essencial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Que &eacute; a simplicidade. Procuramos, com muito poucos meios que temos, dar respostas a exig&ecirc;ncias, permanecendo na simplicidade. E procurando utilizar a simplicidade com criatividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; O Irm&atilde;o Alois escreveu na carta do Qu&eacute;nia que Deus nos perturba e nos vai fazendo mudar de planos. Isso acontece consigo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Sem d&uacute;vida. Eu estudava, pensava seguir a minha vida numa determinada direc&ccedil;&atilde;o e, de repente, sem sentir nenhuma press&atilde;o, surgiu uma inquieta&ccedil;&atilde;o interior. Hoje olhando para tr&aacute;s, acho que essa inquieta&ccedil;&atilde;o veio de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; A comunidade tem uma marca muito humana na hospitalidade e acolhimento que faz. Essa marca &eacute; estrutural e imprescind&iacute;vel nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> O esfor&ccedil;o &eacute; de acolher de forma muito humana. H&aacute; marcas que ficam quando o acolhimento &eacute; feito com naturalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Portugueses d&atilde;o testemunho de f&eacute;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>[[i,e,367,Membros do grupo de Regueira de Pontes na fila para a refei&ccedil;&atilde;o]]AE &#8211; Essa liga&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m muito especial com os portugueses. O Irm&atilde;o David mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o, natural dada a sua nacionalidade, mas intencional na proximidade que se instala?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> A comunidade pediu-me para ser um pouco refer&ecirc;ncia para os portugueses que chegam a Taiz&eacute;. &Eacute; com grande alegria que eu vejo que h&aacute; muitos portugueses a chegar a Taiz&eacute;. N&atilde;o &eacute; um aumento que duplique ou triplique, mas cada vez chegam mais.<\/p>\n<p>Penso, sobretudo, que as pessoas que v&ecirc;m a Taiz&eacute; levam algo da sua experi&ecirc;ncia. &Eacute; uma marca de autenticidade. N&atilde;o s&atilde;o palavras bonitas que ouvimos, numa palestra ou num workshop. &Eacute; uma experi&ecirc;ncia concreta que se vive. Uma experi&ecirc;ncia que tem, depois, espa&ccedil;o para o conv&iacute;vio, para o contacto com as pessoas, para a ora&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o. Mas que ultrapassa tudo isso e n&atilde;o se define apenas por uma dessas dimens&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Em 2010 a comunidade de Taiz&eacute; desloca-se, pela segunda vez, a Portugal. Inserida na Miss&atilde;o 2010 da diocese do Porto, v&atilde;o organizar um encontro ib&eacute;rico no Carnaval. Como surgiu esta proposta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Para n&oacute;s &eacute; uma grande alegria regressar a Portugal. No seguimento do que se viveu h&aacute; cinco anos atr&aacute;s. E j&aacute; tinha havido outras experi&ecirc;ncias mais pequenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Correu bem o encontro de 2004?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Essa experi&ecirc;ncia foi muito positiva, tanto para n&oacute;s, que prepar&aacute;mos e vivemos o encontro de forma profunda, como para os jovens do resto da Europa que participaram.<\/p>\n<p>Ainda hoje continuamos a ouvir testemunhos de jovens que participaram no encontro em Lisboa e que foram marcados pelo testemunho dos portugueses. Um testemunho de acolhimento, de hospitalidade, mas tamb&eacute;m de f&eacute;.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia nas par&oacute;quias, que decorreu de manh&atilde;, foi marcante. Os ecos que nos chegaram foram de um verdadeiro acolhimento dos jovens locais que participavam nos grupos, nas ora&ccedil;&otilde;es. Muitos dizem ser dif&iacute;cil e raro, em alguns pa&iacute;ses, encontrar jovens nas par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Os portugueses deram um testemunho de f&eacute; a n&iacute;vel europeu que se resume a uma viv&ecirc;ncia crist&atilde;. Quando olhamos para a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal achamos que &eacute; pouco e que se reduz a uma minoria. Mas essa minoria vai e est&aacute; presente. E os portugueses sabem faz&ecirc;-lo com entusiasmo e alegria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Quanto ao encontro ib&eacute;rico, como surgiu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> O convite partiu de D. Manuel Clemente que, no contexto da Miss&atilde;o 2010, nos questionou sobre a possibilidade de participarmos na iniciativa. Junto das estruturas de pastoral juvenil e universit&aacute;ria, procuramos encontrar uma proposta para esse encontro ib&eacute;rico. Veremos a receptividade, mas os portugueses com quem temos contacto t&ecirc;m-se mostrado muito abertos a esta ideia e com vontade de participar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Ser&aacute; um encontro especificamente para portugueses e espanh&oacute;is?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Sobretudo para eles, sim. N&atilde;o vamos, evidentemente, excluir a participa&ccedil;&atilde;o de outros, mas &eacute; uma altura do ano em que, sabemos, ser&aacute; mais dif&iacute;cil outros deslocarem-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; &Eacute; normal organizarem-se encontros mais pequenos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> N&atilde;o nos fechamos numa &uacute;nica f&oacute;rmula. Mas &eacute; verdade que nos &uacute;ltimos anos, t&ecirc;m surgido mais encontros regionais. H&aacute; pouco mais de 30 anos surgiu a tradi&ccedil;&atilde;o do encontro europeu no final de ano que, posteriormente, foi alargado a encontros intercontinentais mais regulares.<\/p>\n<p>Depois da morte do Irm&atilde;o Roger surgiu o convite para um encontro na &Iacute;ndia e o Irm&atilde;o Alois considerou ser importante aceitarmos o convite para concretizar o apelo deixado pelo pr&oacute;prio Irm&atilde;o Roger no dia da sua morte, de encontrarmos formas de alargar a Peregrina&ccedil;&atilde;o da Confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Agora, em cada ano, temos encontros intercontinentais. Isto &eacute; algo que vamos continuar a organizar. H&aacute; jovens de outros continentes que v&ecirc;m a Taiz&eacute; e n&atilde;o t&ecirc;m possibilidade de ir aos encontros europeus no final de cada ano. O pr&oacute;ximo encontro intercontinental ser&aacute; nas Filipinas.<\/p>\n<p>Come&ccedil;aram a surgir tantos convites para encontros que consider&aacute;mos importante encontrar outras formas e n&atilde;o ficarmos fechados na f&oacute;rmula do encontro europeu. Ter encontros mais pequenos envolve mais os jovens locais. Temos percebido que os jovens gostam que lhes confiemos responsabilidades. N&atilde;o basta convidar os jovens, mas confiar-lhes coisas pr&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Constantemente temos essa experi&ecirc;ncia em Taiz&eacute;. Se os envolvermos, os jovens aderem e sentem-se parte integrante do que est&aacute; a ser preparado. Nos encontros mais pequenos essa dimens&atilde;o pode ser potenciada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE &#8211; Com o desaparecimento do Irm&atilde;o Roger houve a necessidade de um per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, para as pessoas sentirem que o essencial de Taiz&eacute; n&atilde;o se perdia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ID &#8211;<\/strong> Acho que foi tudo muito natural e de uma grande continuidade. N&atilde;o notei uma fase de transi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que o fundador da comunidade tinha uma presen&ccedil;a especial e permaneceu Prior da comunidade at&eacute; ao final da sua vida com uma presen&ccedil;a, apesar da sua idade, muito vis&iacute;vel quer na anima&ccedil;&atilde;o da vida da comunidade como entre os jovens.<\/p>\n<p>Todas as noites ele ficava na igreja a conversar com os jovens que se dirigiam a ele. Lembro-me de o ver ficar com as pessoas e a falar longamente com quem precisava. No final tinha j&aacute; dificuldade em ouvir, em compreender e a comunica&ccedil;&atilde;o era mais limitada, mas ele queria sempre ficar, nem que fosse para rezar um bocadinho com cada jovem que viesse ter com ele.<\/p>\n<p>O Irm&atilde;o Roger tinha a preocupa&ccedil;&atilde;o de acolher pessoalmente e f&ecirc;-lo at&eacute; ao dia em que morreu. &Eacute; evidente que tinha e continua a ter uma presen&ccedil;a muito importante na comunidade. Mas simultaneamente, o Irm&atilde;o Roger foi capaz de preparar essa transi&ccedil;&atilde;o de forma natural e discreta, sem darmos conta.<\/p>\n<p>Foi um choque para todos, pela forma como as coisas aconteceram, mas o essencial estava preparado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3o David fala da experi\u00eancia \u00fanica de viver na comunidade mon\u00e1stica, que n\u00e3o quer ser um movimento, mas uma inspira\u00e7\u00e3o para os jovens crist\u00e3os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[122,168,187,203,280,314,315],"class_list":["post-40371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-brasil","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-pastoral-juvenil","tag-solidariedade","tag-taize"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}