{"id":403652,"date":"2025-12-12T14:21:16","date_gmt":"2025-12-12T14:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=403652"},"modified":"2025-12-12T14:21:16","modified_gmt":"2025-12-12T14:21:16","slug":"resgatar-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/resgatar-o-natal\/","title":{"rendered":"Resgatar o Natal"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266299 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>O Natal aproxima-se e, com ele, a az\u00e1fama pr\u00f3pria desta quadra: as luzes acesas nas ruas, as mesas que se planeiam com cuidado, os presentes que se escolhem, e o reencontro com a fam\u00edlia que tantos aguardam. Tudo isto \u00e9 belo e bom, mas facilmente se torna num ru\u00eddo que abafa o essencial. O maior risco de cada Natal \u00e9 repetir o primeiro: Jesus ficar de fora. N\u00e3o por falta de vontade d\u2019Ele, mas porque, distra\u00eddos, n\u00e3o lhe abrimos espa\u00e7o. Maria e Jos\u00e9 encontraram portas fechadas naquela noite em Bel\u00e9m; hoje, o perigo \u00e9 sermos n\u00f3s os donos das casas que se fecham, inadvertidamente, ao pr\u00f3prio Senhor que chega.<\/p>\n<p>Vale a pena perguntar-nos com sinceridade onde est\u00e1 Jesus no nosso Natal. Est\u00e1 apenas como tema de um c\u00e2ntico, como imagem num cart\u00e3o ou como recorda\u00e7\u00e3o long\u00ednqua de uma catequese antiga? Ou est\u00e1 verdadeiramente no centro, como Aquele que vem para habitar connosco? Se n\u00e3o tivermos cuidado, o Natal torna-se apenas um intervalo festivo marcado pela troca de presentes, pelas iguarias tradicionais e pela conviv\u00eancia familiar. Tudo isto ganha o seu sentido quando nasce da luz que brota do pres\u00e9pio; sem essa luz, at\u00e9 o mais bonito acaba por perder profundidade.<\/p>\n<p>Precisamos de recuperar tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o simples folclore, mas pedagogias de f\u00e9. Uma delas \u00e9 recordar \u00e0s crian\u00e7as \u2013 e aos adultos \u2013 que \u00e9 o Menino Jesus quem d\u00e1 as prendas. Esta pr\u00e1tica, t\u00e3o enraizada noutros tempos, colocava o cora\u00e7\u00e3o da festa no lugar certo: n\u00e3o somos n\u00f3s os protagonistas, \u00e9 Ele. Quando se diz a uma crian\u00e7a que o presente vem do Menino Jesus, ensina-se que todo o bem tem origem em Deus e que cada d\u00e1diva \u00e9 express\u00e3o do Seu amor. \u00c9 uma forma simples e bela de educar para a gratid\u00e3o, para o reconhecimento e para a f\u00e9 viva.<\/p>\n<p>Outro ponto essencial \u00e9 recuperar o sentido crist\u00e3o da noite de Natal e do pr\u00f3prio dia 25. A Missa do Galo, a Missa da Aurora e a Missa do Dia s\u00e3o muito mais do que ritos: s\u00e3o encontros. Neles celebramos o Deus que entra na hist\u00f3ria, que assume a nossa fragilidade e que se faz pr\u00f3ximo. Participar na Eucaristia n\u00e3o \u00e9 um extra opcional; \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da festa, o momento em que acolhemos a luz que transforma tudo o resto. H\u00e1 um Natal antes da Missa e um Natal depois da Missa \u2013 e \u00e9 imposs\u00edvel confundir um com o outro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nas nossas casas, h\u00e1 s\u00edmbolos que educam e que mant\u00eam viva a mem\u00f3ria do primeiro Natal. Nos \u00faltimos anos, a \u00e1rvore de Natal tem ocupado quase todo o espa\u00e7o, tornando-se a pe\u00e7a central da decora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mal nisso, mas n\u00e3o pode substituir o pres\u00e9pio. O pres\u00e9pio \u00e9 a catequese mais simples e profunda que existe: ali vemos Deus entre n\u00f3s, pobre entre os pobres, acolhido por uns e ignorado por outros. Ao montarmos o pres\u00e9pio, lembramos que a f\u00e9 se concretiza, que Deus entra na vida real \u2013 com palha, poeira, simplicidade e sil\u00eancio. Talvez por isso ele esteja a ser esquecido: o pres\u00e9pio n\u00e3o \u00e9 espet\u00e1culo, \u00e9 revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este ano, cada fam\u00edlia \u00e9 convidada a abrir portas ao verdadeiro Natal. N\u00e3o se trata de rejeitar os presentes, os encontros ou as tradi\u00e7\u00f5es festivas, mas de lhes devolver a sua raiz. Celebrar o Natal crist\u00e3o \u00e9 deixar que Jesus n\u00e3o seja apenas um adere\u00e7o, mas o centro; n\u00e3o um convidado, mas o anfitri\u00e3o; n\u00e3o um tema, mas o motivo. Se Ele nascer realmente no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa casa, ent\u00e3o tudo o resto encontrar\u00e1 o seu lugar.<\/p>\n<p>Que este Natal n\u00e3o repita o primeiro no que teve de mais triste \u2013 a exclus\u00e3o \u2013, mas no que teve de mais belo: Deus a nascer e a transformar o mundo a partir da simplicidade de um cora\u00e7\u00e3o que O acolhe.<\/p>\n<p>Pe. Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-403652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/403652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=403652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/403652\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=403652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=403652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=403652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}