{"id":40365,"date":"2009-08-10T15:28:51","date_gmt":"2009-08-10T15:28:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/10\/o-turismo-e-a-evangelizacao-pelo-patrimonio-da-igreja\/"},"modified":"2009-08-10T15:28:51","modified_gmt":"2009-08-10T15:28:51","slug":"o-turismo-e-a-evangelizacao-pelo-patrimonio-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-turismo-e-a-evangelizacao-pelo-patrimonio-da-igreja\/","title":{"rendered":"O turismo e a evangeliza\u00e7\u00e3o pelo patrim\u00f3nio da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Quando falamos de evangeliza&ccedil;&atilde;o somos levados, inadvertidamente, a pensar exclusivamente em palavras, em discurso, esquecendo que o mesmo mist&eacute;rio (Logos) traduzido na palavra escrita e oral, &eacute; transmitido por muitas outras formas que, para muitos, poder&atilde;o ser, em certas circunst&acirc;ncias, as mais eloquentes. Aproximam-se as f&eacute;rias. A procura de outros lugares &eacute; uma oportunidade para visitar, ao menos por curiosidade, um monumento, para participar numa festa, enfim, para ir &agrave; procura do desconhecido&hellip;<\/p>\n<p>O turismo oferece, pois, uma oportunidade &uacute;nica para uma evangeliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do patrim&oacute;nio da Igreja. Seremos capazes de tirar partido disso? &laquo;Herdamos um patrim&oacute;nio excepcional que pode, ainda hoje, testemunhar e instruir&raquo;.<\/p>\n<p>Para nossa reflex&atilde;o, transcrevemos um extracto da comunica&ccedil;&atilde;o do bispo de Amiens ao Comit&eacute; episcopal do turismo e dos tempos livres de Fran&ccedil;a (tradu&ccedil;&atilde;o de <em>La Documentation Catholique<\/em>, n&ordm; 2162, 15 Junho 1997, pp. 588-589).<\/p>\n<p>&laquo;O turismo vem-se tornando cada vez mais cultural. O que atrai o turista &eacute; frequentemente a natureza (o sol, o mar, a montanha), mas, uma vez chegado ao local, d&aacute; in&iacute;cio a uma pesquisa cultural. Para apenas n&atilde;o &ldquo;bronzear o idiota&rdquo;, h&aacute; a leitura. Mas h&aacute; sobretudo a visita aos locais hist&oacute;ricos, monumentos not&aacute;veis, museus diversos&hellip; &Eacute; surpreendente observar como a curiosidade do veraneante &eacute; imediatamente excitada pelos tra&ccedil;os do passado. Mesmo quando os conhecimentos do passado s&atilde;o pouco exactos acerca dos s&eacute;culos e se misturam as personagens, a visita de um castelo ou de uma esta&ccedil;&atilde;o arqueol&oacute;gica faz parte da estadia. Os servi&ccedil;os de turismo sabem apoiar-se neste gosto pela hist&oacute;ria, insinuando-o mediante um espect&aacute;culo de luz e som ou de um museu pedag&oacute;gico.<\/p>\n<p>Pode dizer-se que o turista est&aacute; habitado por uma nostalgia ou em todo o caso por um desejo de compreender o hoje atrav&eacute;s do passado. A viagem &eacute; quase sempre para ele uma peregrina&ccedil;&atilde;o &agrave;s fontes. Talvez porque na outra face da sua vida, a face do trabalho, &eacute; o amanh&atilde; que domina: a inven&ccedil;&atilde;o, os projectos, os desafios. Ent&atilde;o, no tempo livre, por contraste, concentra todo o seu interesse no ontem&hellip;<\/p>\n<p>Os comerciantes de viagens sabem vender quil&oacute;metros e estadias justificando-os com alguns minutos num mosteiro ou numa igreja rom&acirc;nica. Que sede misteriosa, que curiosidade m&iacute;stica, que procura espiritual se esconde por detr&aacute;s disso? Pode falar-se de moda&hellip; pode prosaicamente sublinhar-se que os edif&iacute;cios religiosos t&ecirc;m, frequentemente, entrada livre&hellip; Pode dizer-se que muitos dos visitantes n&atilde;o compreendem nada do sentido religioso das esculturas g&oacute;ticas ou dos espa&ccedil;os da arquitectura rom&acirc;nica. E contudo &hellip;<\/p>\n<p>Muito humildemente, a pequenina igreja da aldeia de que se n&atilde;o fala mesmo no Guia Verde [Michelin], se por sorte est&aacute; aberta, recebe a visita do turista que a&iacute; p&aacute;ra. Senta-se por um instante, ouve o sil&ecirc;ncio, goza a frescura, olha &agrave; esquerda e &agrave; direita, d&aacute; uma volta, talvez acenda uma vela, ou leia um ex-voto&hellip; N&atilde;o, n&atilde;o se trata de uma visita ao Sant&iacute;ssimo Sacramento! Mas talvez de uma ora&ccedil;&atilde;o. Pensa no primo doente, no filho sem trabalho, nos amigos que se divorciaram&hellip; N&atilde;o diz nada a ningu&eacute;m. Nem diz que tem f&eacute;&hellip; Talvez, algures, um outro lugar teria produzido o mesmo movimento interior. Mas se a&iacute; o monumento na sua humildade fez sinal, se uma presen&ccedil;a, um texto, uma imagem, uma tradi&ccedil;&atilde;o, um livro aberto prop&ocirc;s uma reflex&atilde;o, uma chamada, uma interroga&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o a visita poder&aacute; ser uma etapa decisiva. Neste caso, foi um encontro consigo mesmo e, talvez, sem o saber, com o pr&oacute;prio Deus.<\/p>\n<p>Por vezes, h&aacute; o encontro com algu&eacute;m, o sacrist&atilde;o que limpa as cadeiras, um desconhecido que reza, um padre que, por sorte, n&atilde;o se encontra muito apressado, e a aventura espiritual pode aprofundar-se. O convite para uma liturgia excepcional ou para um tempo de ora&ccedil;&atilde;o: eis o contacto retomado e um caminho que come&ccedil;a e que ningu&eacute;m, &agrave; partida, poder&aacute; adivinhar as etapas que se seguem.<\/p>\n<p>Este &laquo;turismo religioso&raquo; revela sem d&uacute;vida um dos segredos profundos de toda a viagem. Aquele que se movimenta anda em busca de alguma coisa: n&atilde;o lhe basta acumular sempre postais ilustrados ou boas refei&ccedil;&otilde;es. Procura algu&eacute;m no fundo de si mesmo. N&atilde;o lhe digais demasiado depressa quem ou o qu&ecirc;, teria medo disso! Procura quem possa dar sentido a esta viagem, a esta aventura, a esta vida que se esvai. Esperemos que se familiarize um pouco com este desconhecido para lhe revelar o seu nome&raquo;.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos de evangeliza&ccedil;&atilde;o somos levados, inadvertidamente, a pensar exclusivamente em palavras, em discurso, esquecendo que o mesmo mist&eacute;rio (Logos) traduzido na palavra escrita e oral, &eacute; transmitido por muitas outras formas que, para muitos, poder&atilde;o ser, em certas circunst&acirc;ncias, as mais eloquentes. Aproximam-se as f&eacute;rias. 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