{"id":40343,"date":"2009-08-07T15:43:37","date_gmt":"2009-08-07T15:43:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/07\/migracoes-um-desafio-civilizacional\/"},"modified":"2009-08-07T15:43:37","modified_gmt":"2009-08-07T15:43:37","slug":"migracoes-um-desafio-civilizacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-um-desafio-civilizacional\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es, um desafio civilizacional"},"content":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio deste Novo Mil&eacute;nio assistimos &agrave; grande intensifica&ccedil;&atilde;o e complexidade dos movimentos migrat&oacute;rios. Em alguns lugares de forma mais medi&aacute;tica, mas noutros de forma mais silenciosa. S&atilde;o as novas mobilidades geogr&aacute;ficas, culturais e econ&oacute;micas a mudar o mundo!<\/p>\n<p>As migra&ccedil;&otilde;es humanas internacionais s&atilde;o um dos maiores desafios civilizacionais colocados &agrave;s nossas sociedades &#8211; portuguesa, europeia e mundial &#8211; para a felicidade de pessoas e povos. A mobilidade humana presente em todas as latitudes e continentes apresenta-se como um dos maiores &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; a decifrar com bom senso e a acolher com intelig&ecirc;ncia para o di&aacute;logo e paz entre as religi&otilde;es e, particularmente, da Igreja cat&oacute;lica com outras tradi&ccedil;&otilde;es espirituais p&oacute;s-modernas.<\/p>\n<p>O di&aacute;logo, o confronto, o encontro e, &agrave;s vezes, tamb&eacute;m a fus&atilde;o &ndash; expressa em ritos e hierarquias &#8211; foram sempre aspectos da dimens&atilde;o incarnat&oacute;ria inerente ao pr&oacute;prio cristianismo. As origens &agrave;s quais volt&aacute;mos com o II Conc&iacute;lio do Vaticano s&atilde;o para n&oacute;s a fonte segura e inspiradora para a nova pedagogia exigida pelas pr&oacute;prias muta&ccedil;&otilde;es culturais e globais em curso nas nossas par&oacute;quias, dioceses, congrega&ccedil;&otilde;es e movimentos sempre mais multiculturais e constitu&iacute;dos por grupos espec&iacute;ficos de pessoas.<\/p>\n<p>Em v&eacute;speras da 37.&ordf; Semana Nacional de Migra&ccedil;&otilde;es, e inspirado pela mensagem que o Papa Bento XVI escreveu para a Jornada Mundial do Migrante e Refugiado 2009, onde Paulo &eacute; apontando como migrante do Evangelho e mission&aacute;rio sem fronteiras, conv&eacute;m pensar ao dom que s&atilde;o as migra&ccedil;&otilde;es humanas e novas mobilidades interiores para a nossa fidelidade &agrave; miss&atilde;o global da Igreja.<\/p>\n<p>Pensemos em Jesus, Maria, Paulo, Tim&oacute;teo, Tito, nossos antepassados na busca de Deus e pr&aacute;tica da fraternidade, s&oacute; para citar as colunas do primeiro s&eacute;culo desta Era. Jesus que ousou contactar a cultura &ldquo;impura&rdquo; dos samaritanos e das v&aacute;rias categorias de estrangeiros e exclu&iacute;dos da sua pr&oacute;pria terra pela lei de Mois&eacute;s, elogiando a f&eacute; e caridade desses irm&atilde;os; Maria, m&atilde;e indefesa e mulher perseguida que, para salvar seu filho das garras do romano opressor, foi for&ccedil;ada a exilar-se no Egipto: p&aacute;tria de falsos deuses e fara&oacute;s opressores; Paulo que, sem renunciar &agrave; sua identidade, sempre reivindicou suas m&uacute;ltiplas perten&ccedil;as culturais: religioso judeu (fariseu), cidad&atilde;o romano e poliglota (aramaico, judeu e grego); Tim&oacute;teo, gentio circuncidado adulto, filho de m&atilde;e judia e pai grego; por fim, Tito, crist&atilde;o de cultura helenista e mission&aacute;rio ousado que falava sem medo nas sinagogas dos judeus e nos are&oacute;pagos dos gentios das comunidades da di&aacute;spora, mais tolerantes e interculturais que as comunidades da Judeia porque constitu&iacute;das por gentes diferentes no mesmo territ&oacute;rio.<\/p>\n<p>A Igreja em Portugal e na Europa, continua muito empenhada a n&iacute;vel da cidadania e direitos humanos dos emigrantes, imigrantes, refugiados e outras categorias de itinerantes (povo cigano e gentes do mar). Tem feito ouvir, em diferenciados f&oacute;runs e de v&aacute;rios modos a sua voz prof&eacute;tica face &agrave;s actuais legisla&ccedil;&otilde;es europeias minimalistas e viciadas pelo medo e pela seguran&ccedil;a. Legisla&ccedil;&otilde;es repressivas que n&atilde;o facilitando a admiss&atilde;o atrav&eacute;s de canais &aacute;geis e legais lan&ccedil;am muitos candidatos &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de traficantes e terr&iacute;veis intermedi&aacute;rios. Leis que empurram imigrantes para a ilegalidade deixando-os ao deus-dar&aacute; no clandestino mar da esperan&ccedil;a em que se tornou o mediterr&acirc;neo e, cada vez mais, tamb&eacute;m outras ilhas e costas atl&acirc;nticas, pac&iacute;ficas e &iacute;ndicas.<\/p>\n<p>As religi&otilde;es, todas elas, s&atilde;o hoje chamadas &ndash; por inspira&ccedil;&atilde;o quase divina &#8211; a assumir nos seus templos, hierarquias, prega&ccedil;&otilde;es, miss&otilde;es, prociss&otilde;es, par&aacute;bolas e pedagogias aquela evang&eacute;lica realidade que criou fortes e violentas tens&otilde;es na igreja primitiva, mas que foi a chave para abrir as portas do Reino a todos os povos. Aquilo que hoje se d&aacute; pelo nome de interculturalidade.<\/p>\n<p>Mais do que a proclama&ccedil;&atilde;o desta realidade em acto h&aacute; j&aacute; perto de uma d&eacute;cada &ndash; atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas educativas e estudos especializados &#8211; h&aacute; que subtra&iacute;-la &agrave; ideologia e &agrave; discuss&atilde;o acad&eacute;mica para atingir o que ela, de facto, &eacute; na sua ess&ecirc;ncia: n&atilde;o uma ideia, mas uma ac&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o uma ideologia, mas uma pr&aacute;tica. N&atilde;o um conceito, mas um movimento humano: um afecto! N&atilde;o uma inten&ccedil;&atilde;o moral, mas a raz&atilde;o de ser da pr&oacute;pria religi&atilde;o transcendente que liberta o homem para o divinizar. Atrav&eacute;s de uma rela&ccedil;&atilde;o construtiva e libertadora com o Outro por excel&ecirc;ncia &ndash; Deus &ndash; para que a fraternidade seja poss&iacute;vel e a conviv&ecirc;ncia entre diferentes revele aos homens que o humanismo e a fraternidade crist&atilde; s&atilde;o a alma universal de cada ser humano, filiado ou n&atilde;o numa religi&atilde;o, disc&iacute;pulo ou n&atilde;o de uma tradi&ccedil;&atilde;o ou filosofia.<\/p>\n<p>&Eacute; aqui que surge hoje a grande oportunidade de consciencializa&ccedil;&atilde;o e acompanhamento diferenciado que marca as v&aacute;rias pastorais espec&iacute;ficas &ndash; entre as quais a migrat&oacute;ria, a militar, a da sa&uacute;de, entre outras &#8211; que a Igreja vem desenvolvendo ao longo da sua hist&oacute;ria solid&aacute;ria. Com uma linguagem pr&oacute;pria, com estruturas adaptadas, mission&aacute;rios preparados e uma evangeliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;situada&rdquo; para um an&uacute;ncio do Evangelho marcado pela linguagem compreens&iacute;vel, simbologia percept&iacute;vel, palavras simples e proximidade salv&iacute;fica.<\/p>\n<p>S&oacute; regressando &agrave;s ra&iacute;zes da interculturalidade que marca, desde o in&iacute;cio, a vida e miss&atilde;o da Igreja n&oacute;s seremos ap&oacute;stolos ousados e atrevidos como Paulo de Tarso. &Eacute; preciso redescobrir que as m&uacute;ltiplas perten&ccedil;as que habitam a nossa alma s&atilde;o a mais-valia necess&aacute;ria para a criatividade exigida pela &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; que se apregoa e que queremos ver actuada nas nossas comunidades e pastorais.<\/p>\n<p>Oxal&aacute;, a nova enc&iacute;clica do Santo Padre &ldquo;Caritas in veritate&rdquo;, lida e meditada em comunidade, aproxime mais a Igreja do mundo em acelerada muta&ccedil;&atilde;o cultural, complexa mobilidade religiosa e mobilize os movimentos e plataformas c&iacute;vicas cat&oacute;licas para uma presen&ccedil;a mais p&uacute;blica no debate da Sociedade Civil ao redor das quest&otilde;es sociais, econ&oacute;micas, ambientais e migrat&oacute;rias.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Rui Pedro, Mission&aacute;rio Scalabriniano<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in&iacute;cio deste Novo Mil&eacute;nio assistimos &agrave; grande intensifica&ccedil;&atilde;o e complexidade dos movimentos migrat&oacute;rios. Em alguns lugares de forma mais medi&aacute;tica, mas noutros de forma mais silenciosa. S&atilde;o as novas mobilidades geogr&aacute;ficas, culturais e econ&oacute;micas a mudar o mundo! 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