{"id":40284,"date":"2009-08-04T14:28:07","date_gmt":"2009-08-04T14:28:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/04\/bispo-do-algarve-faz-balanco-dos-seus-cinco-anos-a-frente-da-diocese\/"},"modified":"2009-08-04T14:28:07","modified_gmt":"2009-08-04T14:28:07","slug":"bispo-do-algarve-faz-balanco-dos-seus-cinco-anos-a-frente-da-diocese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-do-algarve-faz-balanco-dos-seus-cinco-anos-a-frente-da-diocese\/","title":{"rendered":"Bispo do Algarve faz balan\u00e7o dos seus cinco anos \u00e0 frente da Diocese"},"content":{"rendered":"<p>Iniciativas promovidas ajudaram a criar \u00abnova sensibilidade eucar\u00edstica e vocacional\u00bb, diz D. Manuel Neto Quintas <!--more--> <\/p>\n<p>Quando se completam cinco anos, assinalados no passado dia 27 de Junho, sobre a tomada de posse de D. Manuel Neto Quintas como Bispo do Algarve, imp&otilde;e-se ouvir o Prelado sobre o trabalho realizado e perspectivar os horizontes que o futuro reserva &agrave; Igreja algarvia. Entrevistado pela &laquo;Folha do Domingo&raquo;, o Bispo diocesano aceitou dar resposta a muitas quest&otilde;es das que irrompem pela sua actualidade e oportunidade no contexto do exerc&iacute;cio reflexivo que a Igreja do Algarve tamb&eacute;m procura praticar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FOLHA DO DOMINGO &#8211; Chegou ao Algarve no final do Ver&atilde;o de 2000 para trabalhar como Bispo Auxiliar, diocese que lhe foi posteriormente entregue a 27 de Junho de 2004. Que mem&oacute;ria lhe traz a recorda&ccedil;&atilde;o dessa nova etapa da sua vida e do exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio? <\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Quintas &#8211;<\/em> Tratou-se de uma mudan&ccedil;a pessoal bastante grande no modo de servir a Igreja&hellip; Terminava o servi&ccedil;o de Superior Provincial dos Dehonianos em Portugal&#8230; Foram seis anos vividos com grande intensidade na anima&ccedil;&atilde;o das comunidades e das obras dehonianas aqui e em Madag&aacute;scar. O facto de ter sido nomeado Bispo auxiliar no mesmo dia em que fui substitu&iacute;do nesse servi&ccedil;o, n&atilde;o me deu possibilidade de ter algum tempo &ldquo;sab&aacute;tico&rdquo;, livre da intensidade pr&oacute;pria duma nomea&ccedil;&atilde;o episcopal, com tudo o que ela tem de emocional e de exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. O que mantenho mais vivo na mem&oacute;ria foi o acolhimento que aqui encontrei da parte de todos, clero e leigos, e sobretudo de D. Manuel Madureira, que facilitou muito esta mudan&ccedil;a e a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; nova realidade que vim encontrar e na qual me vim inserir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD- Como &eacute; trabalhar em termos pastorais numa diocese que tem grandes contrastes, a n&iacute;vel geogr&aacute;fico, demogr&aacute;fico, e com uma sazonalidade t&atilde;o acentuada? Que respostas procura a diocese para fazer face a esta realidade? <\/em><\/p>\n<p>Todas as dioceses t&ecirc;m as suas especificidades. As da nossa diocese, encaro-as com naturalidade&hellip; visto serem elas que nos definem como Igreja diocesana constitu&iacute;da por pessoas que vivem neste contexto geogr&aacute;fico, demogr&aacute;fico e sazonal. De certo modo, a nossa realidade reflecte o Portugal continental actual: tanto o interior algarvio (desertifica&ccedil;&atilde;o), como o litoral (concentra&ccedil;&atilde;o populacional) reflectem o interior e o litoral do territ&oacute;rio nacional com os respectivos apelos pastorais que lhe est&atilde;o associados. Enfim, temos um pouco de todas as dioceses&hellip; n&atilde;o as acompanhamos no n&uacute;mero do clero, &eacute; certo, para respondermos como gostar&iacute;amos a esta amplitude de problemas&hellip; mas com um clero generoso como o nosso, apesar de limitado em n&uacute;mero e da m&eacute;dia et&aacute;ria ser elevada, apoiados por um grupo de leigos correspons&aacute;veis com uma boa inser&ccedil;&atilde;o e compromisso nas suas comunidades, damos as respostas poss&iacute;veis, certos de que n&atilde;o passamos de instrumentos do amor de Deus e da ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>Espero que, com uma melhor organiza&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o, possamos responder a estes desafios, no sentido de p&aacute;rocos e comunidades do litoral se abrirem mais &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na vida das comunidades do interior. Tamb&eacute;m podemos progredir, num melhor aproveitamento da presen&ccedil;a de muitos sacerdotes de outras dioceses, nacionais e estrangeiros, que aqui v&ecirc;m passar alguns dias de descanso no ver&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Hoje em dia assistimos a uma mobilidade cada vez maior por parte das pessoas. Entende que o actual modelo de organiza&ccedil;&atilde;o paroquial ainda faz sentido nos dias de hoje ou seria necess&aacute;rio uma actualiza&ccedil;&atilde;o? <\/em><\/p>\n<p>O conceito de &ldquo;par&oacute;quia&rdquo; foi inicialmente aplicado &ndash; a&iacute; pelo s&eacute;c. V &ndash; apenas &agrave;s comunidades crist&atilde;s surgidas no mundo rural. S&oacute; muito mais tarde &eacute; que se estendeu &agrave;s das cidades, tendo sido o conc&iacute;lio de Trento a determinar, na pr&aacute;tica e em s&iacute;ntese, a estrutura actual&hellip;<\/p>\n<p>Vivemos num tempo caracterizado pelo dinamismo da mudan&ccedil;a, factor importante na defini&ccedil;&atilde;o da realidade actual. A mobilidade a que se refere e sobretudo as mudan&ccedil;as sociais e culturais &ndash; sociedade de consumo, o &ldquo;zapping&rdquo; dominical, a participa&ccedil;&atilde;o &ldquo;ocasional&rdquo; na vida da pr&oacute;pria comunidade &ndash; criam diferentes modos de rela&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e a par&oacute;quia e a perten&ccedil;a &agrave; Igreja. A afirma&ccedil;&atilde;o da liberdade individual &ndash; que, por vezes conduz a um individualismo e a um relativismo abrangente &ndash; relativiza e fragiliza a consci&ecirc;ncia comunit&aacute;ria, a exig&ecirc;ncia de celebrar a f&eacute; em ritmo comunit&aacute;rio e de a testemunhar a partir do envio eucar&iacute;stico, escutado na pr&oacute;pria comunidade.<\/p>\n<p>Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; geradora de novas necessidades que, por sua vez requerem novas propostas pastorais. Hoje, sem deixar o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o paroquial habitual, a pastoral procura apoiar-se sobretudo na comunidade dos fi&eacute;is. A perspectiva eclesiol&oacute;gica do Vaticano II reclama maior empenho e responsabiliza&ccedil;&atilde;o da parte de todos &ndash; leigos, sacerdotes e consagrados &ndash; numa clara vis&atilde;o de complementaridade e co-responsabilidade. Hoje pretende-se que comunidade seja geradora, pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, de novos minist&eacute;rios laicais, que respondam &agrave;s suas necessidades e &agrave;s do meio onde ela est&aacute; implantada e contribuam todos, cada um a seu modo, para a realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o da Igreja: o an&uacute;ncio do Evangelho a todos e em todas as idades, que conduza a um op&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel por Jesus Cristo e a uma clara e decidida predilec&ccedil;&atilde;o pelos pobres e mais fr&aacute;geis da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Procedeu &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o das vigararias, passando a diocese de seis para quatro &aacute;reas pastorais vicariais. A que se deveu essa altera&ccedil;&atilde;o? <\/em><\/p>\n<p>Pretendeu-se, tendo em conta a nova realidade diocesana &ndash; diminui&ccedil;&atilde;o do clero em algumas vigarias e maior facilidade de mobilidade do mesmo &ndash; redimensionar com mais realismo a constitui&ccedil;&atilde;o das Vigararias, de modo a proporcionar-lhes uma participa&ccedil;&atilde;o mais din&acirc;mica no governo pastoral da Diocese. Tamb&eacute;m se pretendeu definir e enquadrar o m&uacute;nus do Vig&aacute;rio, de modo a melhor promover a fraternidade entre o clero da Vigararia, a coordenar com maior efic&aacute;cia a pastoral vicarial e a prestar um contributo mais objectivo e participativo ao Bispo diocesano no governo pastoral da Diocese. Este processo j&aacute; aconteceu, ou est&aacute; a acontecer, igualmente, noutras dioceses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Entende ser necess&aacute;rio proceder a mais alguma altera&ccedil;&atilde;o\/reestrutura&ccedil;&atilde;o de alguma &aacute;rea da diocese? E no plano da organiza&ccedil;&atilde;o ou gest&atilde;o pensa ser necess&aacute;rio fazer alguma adapta&ccedil;&atilde;o? <\/em><\/p>\n<p>O Sr. D. Manuel Madureira deixou-nos um documento ainda actual e inspirador &ndash; a Diocese do Algarve em revis&atilde;o &ndash; que envolveu clero, consagrados e leigos na sua an&aacute;lise. Eu considero-o um documento prof&eacute;tico e muito actual, a n&iacute;vel inspirador. A sua aplica&ccedil;&atilde;o tem-se revelado dif&iacute;cil porque exige agentes pastorais dispostos e preparados para &ldquo;servir&rdquo; a Igreja de modo diferente. As &ldquo;unidades pastorais&rdquo; s&oacute; passar&atilde;o de teoria quando houver gente capaz de as assumir como um modo novo de &ldquo;ser&rdquo; Igreja e de &ldquo;realizar&rdquo; a sua miss&atilde;o. O reajustamento da presen&ccedil;a do clero ao territ&oacute;rio diocesano, tendo em conta a desertifica&ccedil;&atilde;o do interior e o crescimento demogr&aacute;fico no litoral, criando centros irradiadores de ac&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria, &eacute; uma realidade que gradualmente se vai impondo. E o que n&atilde;o fazemos por op&ccedil;&atilde;o positiva, e de modo sereno, teremos que o fazer depois, pela press&atilde;o e urg&ecirc;ncia da necessidade. Espero e desejo que, este ano sacerdotal contribua para encontrarmos juntos o melhor modo de servir, hoje, a nossa Igreja diocesana. Pessoalmente gostaria, como j&aacute; referi, que as comunidades do litoral, mais numerosas e com maior dinamismo pastoral, se abrissem mais &agrave;s comunidades do interior mais envelhecidas e, por isso mesmo, com menos dinamismo, mas n&atilde;o com menos f&eacute; e menos sentido de Igreja e de viv&ecirc;ncia dos valores do evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Na altura da sua tomada de posse como Bispo diocesano apontava que toda a pastoral da diocese devia inspirar-se na Eucaristia e na Pastoral das Voca&ccedil;&otilde;es de Consagra&ccedil;&atilde;o. Como avalia o trabalho conseguido nestas &aacute;reas? <\/em><\/p>\n<p>As iniciativas promovidas na diocese ajudaram a criar, nas nossas comunidades paroquiais, uma nova sensibilidade eucar&iacute;stica e vocacional. Crescemos um pouco mais no apre&ccedil;o pelas voca&ccedil;&otilde;es de consagra&ccedil;&atilde;o na Igreja. Era tamb&eacute;m esse o apelo de Jo&atilde;o Paulo II na carta apost&oacute;lica no in&iacute;cio do novo mil&eacute;nio, ao pedir um generoso empenho, sobretudo atrav&eacute;s de uma ora&ccedil;&atilde;o insistente ao Senhor da messe, na promo&ccedil;&atilde;o das voca&ccedil;&otilde;es ao sacerd&oacute;cio e de especial consagra&ccedil;&atilde;o, definido como um problema de grande import&acirc;ncia para a vida da Igreja em todo o mundo.<\/p>\n<p>Como dom gratuito do Pai, as voca&ccedil;&otilde;es nascem e desenvolvem-se gra&ccedil;as &agrave; media&ccedil;&atilde;o da Igreja orante e, simultaneamente, mediadora da proposta vocacional. Esta dupla media&ccedil;&atilde;o deve ser assumida por cada um dos membros da Igreja, sem excep&ccedil;&atilde;o. O apelo vocacional diz respeito a todo o crist&atilde;o, e n&atilde;o apenas &agrave;queles que foram agraciados com este dom, e deve estar presente nas diferentes &aacute;reas de pastoral. Trata-se de uma tarefa nunca conclu&iacute;da. &Eacute; por isso que a pastoral vocacional deve ser assumida como unificadora da pastoral em geral&hellip; introduzindo &ldquo;o an&uacute;ncio vocacional nos sulcos da pastoral ordin&aacute;ria&rdquo; como recomendava Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; A Igreja algarvia viveu nos &uacute;ltimos anos a ordena&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sacerdotes, sendo que no &uacute;ltimo ano (de 31 de Maio de 2008 a 31 de Maio de 2009) foram ordenados quatro novos padres, o que pode levar a pensar-se que o problema da diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais no Algarve foi resolvido ou pelo menos atenuado. Concorda com esta vis&atilde;o? <\/em><\/p>\n<p>A ordena&ccedil;&atilde;o destes quatro novos padres, constitu&iacute;ram, para mim, o maior dom de Deus &agrave; nossa Igreja diocesana: a resposta de Deus &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e ao envolvimento de todos na pastoral das voca&ccedil;&otilde;es e, em primeiro lugar, daqueles que os apoiaram e orientaram (equipas dos Semin&aacute;rios Menor de Faro e Maior de &Eacute;vora).<\/p>\n<p>Mais do que &ldquo;resolver&rdquo; ou &ldquo;atenuar&rdquo; o problema da falta de sacerdotes, os novos padres constituem para todos um sinal de esperan&ccedil;a e, para n&oacute;s que j&aacute; recebemos o minist&eacute;rio ordenado, um est&iacute;mulo a vivermos com alegria a fidelidade &agrave; voca&ccedil;&atilde;o recebida e com maior generosidade o servi&ccedil;o &agrave; nossa Igreja diocesana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Nos planos e na orienta&ccedil;&atilde;o do Pastor considera haver verdadeira sintonia entre o presbit&eacute;rio e os v&aacute;rios movimentos de apostolado com o seu Bispo? <\/em><\/p>\n<p>Os movimentos eclesiais e as novas comunidades constituem, hoje, um verdadeiro dom do Esp&iacute;rito, um &ldquo;sinal luminoso da beleza de Cristo e da sua Igreja&rdquo;, segundo express&atilde;o de Bento XVI.<\/p>\n<p>&Eacute; natural que, devido &agrave; sensibilidade pessoal de cada um, tal como acontece com tantos crist&atilde;os que sintonizam mais com um tipo de espiritualidade do que com outra, haja padres que se revejam mais nuns movimentos do que noutros.<\/p>\n<p>Quem faz surgir os movimentos na Igreja &eacute; o Esp&iacute;rito Santo e &eacute; a mesma Igreja, atrav&eacute;s daqueles que t&ecirc;m o minist&eacute;rio do discernimento dos carismas, que os aprova.<\/p>\n<p>Eu dou gra&ccedil;as a Deus pelos movimentos presentes na nossa diocese. Todos contribuem, cada um segundo a sua espiritualidade, para uma viv&ecirc;ncia mais consciente do pr&oacute;prio baptismo e um maior impulso mission&aacute;rio dos seus membros, empenhados na solu&ccedil;&atilde;o de problemas de cariz social, na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais humana, mais fraterna e mais solid&aacute;ria, e na pr&aacute;tica generosa de ac&ccedil;&otilde;es de voluntariado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Em que moldes t&ecirc;m estado a ser feitas as visitas pastorais e que balan&ccedil;o faz delas? <\/em><\/p>\n<p>Os moldes habituais que herdei do Sr. D. Manuel Madureira. Constituem, verdadeiramente, um tempo privilegiado para o Bispo, na medida em que lhe permite uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o ao mundo humano e crist&atilde;o que lhe foi confiado; a possibilidade de um conhecimento e contactos m&uacute;tuos; a recolha de informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis para aplica&ccedil;&atilde;o, no concreto, da mensagem evang&eacute;lica que lhe cabe anunciar.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m possibilitam &agrave;s comunidades crist&atilde;s, com os seus respectivos P&aacute;rocos, a revis&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o pastoral que est&atilde;o a realizar, bem como receberem, do Bispo, est&iacute;mulo para continuar, com zelo e criatividade, a sua miss&atilde;o evangelizadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Como avalia os crist&atilde;os algarvios em termos da coer&ecirc;ncia entre a f&eacute; que proclamam e a sua vida que vivem fora da igreja? T&ecirc;m alguma dificuldade em assumir o testemunho crist&atilde;o fora do templo ou, pelo contr&aacute;rio, a dimens&atilde;o testemunhal &eacute; vivida de igual forma quer estejam no seu meio laboral, social e familiar ou dentro da Igreja? <\/em><\/p>\n<p>Bom, quando nos referimos aos crist&atilde;os algarvios, temos que partir da constata&ccedil;&atilde;o de que a maioria dos eleitores do distrito de Faro, n&atilde;o nasceu no Algarve&hellip; pelos menos estes s&atilde;o os dados que me chegaram recentemente. Somos, por isso, uma diocese constitu&iacute;da por gente oriunda de distintas proveni&ecirc;ncias, nacionais e estrangeiras e mesmo de diferentes continentes&hellip; Esta caracter&iacute;stica multicultural reflecte-se, necessariamente, no modo como cada um vive e testemunha a f&eacute;. O que verificamos em todos &eacute; a necessidade de conhecimento e aprofundamento dos conte&uacute;dos essenciais da f&eacute;, lacuna que aqui e em todo o lado, limita, fragiliza ou mesmo anula o compromisso crist&atilde;o no mundo. Procuramos responder a esta realidade com a constitui&ccedil;&atilde;o de grupos de adultos de aprofundamento da f&eacute;, sobretudo quando solicitam, para si mesmos ou para outros, a celebra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e do matrim&oacute;nio. Para alguns trata-se verdadeiramente do &ldquo;primeiro an&uacute;ncio&rdquo; acolhido de modo consciente e com implica&ccedil;&otilde;es concretas na vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Os divorciados recasados &ndash; alguns dos quais a colaborar directamente na estrutura paroquial &ndash; s&atilde;o tamb&eacute;m uma realidade que se vem evidenciando no Algarve. De que forma &eacute; que a Igreja, e concretamente a algarvia, procura proceder com estes casos? <\/em><\/p>\n<p>A crise da institui&ccedil;&atilde;o familiar encontra, actualmente, a sua express&atilde;o mais vis&iacute;vel e mais sofrida na fragilidade do v&iacute;nculo matrimonial. Tornou-se frequente encontrarmos gente que passou do casamento can&oacute;nico a um div&oacute;rcio civil e depois a um segundo casamento civil por parte de ambos ou, pelo menos, de um dos c&ocirc;njuges divorciados. Esta situa&ccedil;&atilde;o coloca os crentes numa situa&ccedil;&atilde;o de ruptura com Igreja enquanto comunh&atilde;o e caminho de fidelidade a Jesus Cristo.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil abordar uma quest&atilde;o t&atilde;o complexa na resposta a uma pergunta de uma entrevista sobre assuntos t&atilde;o diversificados. Gostaria, no entanto, de dizer a quantos se encontram nesta situa&ccedil;&atilde;o duas coisas. A primeira &eacute;-me sugerida pelo testemunho de alguns destes casais: n&atilde;o embarquem em solu&ccedil;&otilde;es simp&aacute;ticas, acolhedoras e facilitadoras&hellip; apontadas por algu&eacute;m que fala em nome pessoal mas n&atilde;o em nome da Igreja. Isso n&atilde;o resolve o problema de fundo e acaba sempre por ser gerador de mal-estar pessoal na viv&ecirc;ncia da f&eacute;. As op&ccedil;&otilde;es e solu&ccedil;&otilde;es pastorais para ajudarem autenticamente a pessoa t&ecirc;m que se apoiar na verdade. S&oacute; o que &eacute; verdadeiro pode ser pastoral. A segunda colho-a de Jo&atilde;o Paulo II em palavras repassadas de amor pastoral: saibam estes homens e estas mulheres que a Igreja os ama, n&atilde;o est&aacute; longe deles e sofre pela sua situa&ccedil;&atilde;o. A Igreja continua a consider&aacute;-los seus filhos, que n&atilde;o quer ver abandonados ou exclu&iacute;dos, podendo participar, igualmente, na missa pela escuta da Palavra, e participar activamente nas suas obras e no testemunho da caridade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Que avalia&ccedil;&atilde;o faz o senhor Bispo do trabalho de leigos mandatados a trabalhar em colabora&ccedil;&atilde;o com os p&aacute;rocos? &Eacute; uma estrat&eacute;gia a manter ou a incrementar ainda mais? <\/em><\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; positiva, apesar das dificuldades. Claro que &eacute; um caminho a seguir e a incrementar. Passa, quanto a mim, pelo incremento desta op&ccedil;&atilde;o a resposta que somos chamados a dar. Reconhe&ccedil;o que h&aacute; ainda alguma confus&atilde;o em muita gente sobre a miss&atilde;o espec&iacute;fica de &ldquo;leigos mandatados&rdquo;, que se apoia, necessariamente, numa voca&ccedil;&atilde;o laical e n&atilde;o no minist&eacute;rio ordenado. Muito gostaria e espero que, nas nossas par&oacute;quias, pela ac&ccedil;&atilde;o dos P&aacute;rocos, surgissem mais casais ou leigos com esta disposi&ccedil;&atilde;o e correspondente disponibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Quando se vive uma das mais graves crises da hist&oacute;ria recente, sendo o Algarve permanentemente referenciada como a regi&atilde;o do pa&iacute;s que mais sofre com o desemprego, que respostas tem a Igreja algarvia procurado dar a este n&iacute;vel? <\/em><\/p>\n<p>Temos procurado, a n&iacute;vel das par&oacute;quias, das associa&ccedil;&otilde;es e movimentos, estar atentos a estas situa&ccedil;&otilde;es e procurar, ou dar se poss&iacute;vel, respostas para elas. A n&iacute;vel da Diocese, cri&aacute;mos um fundo proveniente da &uacute;ltima ren&uacute;ncia quaresmal, que est&aacute; ser gerido por uma comiss&atilde;o nomeada para o efeito. Reconhe&ccedil;o que a nossa resposta &eacute; mais pontual e assistencial do que, propriamente, uma ac&ccedil;&atilde;o de fundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Que avalia&ccedil;&atilde;o global faz ent&atilde;o o senhor Bispo destes cinco anos como Pastor desta por&ccedil;&atilde;o da Igreja universal? E quais foram para si as grandes ac&ccedil;&otilde;es realizadas? <\/em><\/p>\n<p>Eu gosto pouco de fazer balan&ccedil;os deste g&eacute;nero. &Eacute; muito dif&iacute;cil avaliar e medir a ac&ccedil;&atilde;o de Deus na vida de quantos constitu&iacute;mos esta Igreja diocesana&hellip; Procuramos deixar-nos conduzir pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, mas que as nossas fragilidades humanas, a come&ccedil;ar por mim, tantas vezes impedem de chegar &agrave;s metas propostas e de produzir os frutos desejados.<\/p>\n<p>Apesar destas limita&ccedil;&otilde;es e de outras conhecidas, que depois se tornam mais evidentes na realidade pr&oacute;pria de cada comunidade, pessoalmente penso que procur&aacute;mos, de modo geral, empenhar-nos em seguir o Programa de Pastoral da diocese, assumindo-o como um meio para crescermos mais como comunidades vivas, fraternas e mission&aacute;rias.<\/p>\n<p>Para isto muito contribu&iacute;ram as iniciativas promovidas pela passagem da Imagem Peregrina por todas as par&oacute;quias, das quais destaco as catequeses b&iacute;blicas para grupos de adultos. A realiza&ccedil;&atilde;o do S&iacute;nodo dos Bispos e a celebra&ccedil;&atilde;o do Ano Paulino vieram dar um grande contributo &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o deste Programa que, como sabemos, inspirar&aacute; ainda os pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos da nossa ac&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>FD &#8211; Quais as principais obras\/projectos que gostaria de ver realizados na diocese? <\/em><\/p>\n<p>Como diocese, temos naturalmente, alguns sonhos&hellip; se assim lhe podemos chamar. Quero referir-me apenas a dois deles&hellip; um mais pr&aacute;tico, outro mais vivencial.<\/p>\n<p>Como sabemos a diocese assumiu, ainda com D. Manuel Madureira a obra social iniciada pelo Pe. Gomes, SOS Vida, de apoio &agrave;s gr&aacute;vidas e &agrave;s m&atilde;es solteiras. Apoio que tem vindo a ser assumido pelo Caritas, mesmo sem termos uma estrutura\/obra pr&oacute;pria com esta finalidade. Trata-se de um projecto, assumido pela diocese, em diversas ocasi&otilde;es, a &uacute;ltima no in&iacute;cio da visita da Imagem Peregrina. Gostaria que a constru&ccedil;&atilde;o desta obra continuasse a ter o envolvimento de todos &ndash; p&aacute;rocos e par&oacute;quias &ndash; e n&atilde;o fosse a obra do Bispo ou de alguns apenas&hellip;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m gostaria que este Ano Sacerdotal, com as iniciativas que j&aacute; temos programadas, nos ajudasse a definir e a assumir melhor a miss&atilde;o do minist&eacute;rio ordenado na Igreja. Quanto melhor for assumida a miss&atilde;o espec&iacute;fica dos presb&iacute;teros e di&aacute;conos permanentes, mais e melhor surgir&aacute; o lugar dos leigos e a sua participa&ccedil;&atilde;o na vida das comunidades paroquiais e na miss&atilde;o da Igreja. Por outro lado, tamb&eacute;m desejava que este ano, nos ajudasse, como clero diocesano, a fazer da ora&ccedil;&atilde;o pessoal, particularmente a ora&ccedil;&atilde;o a Cristo presente na Eucaristia, a nossa primeira prioridade pastoral, como testemunho do reconhecimento do primado absoluto de Deus na nossa vida, imersos numa cultura pluralista e ambivalente de religiosidade polite&iacute;sta e neutra, cada vez mais dominante, como &eacute; aquela em que vivemos.<\/p>\n<p>Queremos acreditar e confiar mais naquilo que Deus faz em n&oacute;s e atrav&eacute;s de n&oacute;s, do que na nossa ac&ccedil;&atilde;o pastoral, tantas vezes desligada da sua fonte e da comunh&atilde;o eclesial, n&atilde;o passando, por isso mesmo, de &ldquo;agita&ccedil;&atilde;o&rdquo; pastoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas promovidas ajudaram a criar \u00abnova sensibilidade eucar\u00edstica e vocacional\u00bb, diz D. Manuel Neto Quintas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[113,114,120,127,162,185,199,91,294,329],"class_list":["post-40284","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-dehonianos","tag-diocese-do-algarve","tag-espiritualidade","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40284\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}