{"id":40251,"date":"2009-08-03T11:12:56","date_gmt":"2009-08-03T11:12:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/08\/03\/o-peixe-amarelo-pistas-para-um-mundo-melhor\/"},"modified":"2009-08-03T11:12:56","modified_gmt":"2009-08-03T11:12:56","slug":"o-peixe-amarelo-pistas-para-um-mundo-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-peixe-amarelo-pistas-para-um-mundo-melhor\/","title":{"rendered":"O peixe amarelo &#8211; Pistas para um mundo melhor"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel que, apesar das inven\u00e7\u00f5es e progressos, apesar da cultura, da religi\u00e3o e do conhe\u00adcimento do universo, se tenha ficado na superf\u00edcie da vida? <!--more--> <\/p>\n<p>Julgo que o interesse e a vontade de lutar por um mundo melhor dependem mais do curso da vida, dos seus &laquo;rios subterr&acirc;neos&raquo;, do que de qualquer tomada de consci&ecirc;ncia, racional ou estat&iacute;stica, das desigualdades econ&oacute;micas e sociais. O compromisso pelo bem comum come&ccedil;a quando se &eacute; atravessado pela interpela&ccedil;&atilde;o de Rilke: &ldquo;Ser&aacute; poss&iacute;vel que, apesar das inven&ccedil;&otilde;es e progressos, apesar da cultura, da religi&atilde;o e do conhe&shy;cimento do universo, se tenha ficado na superf&iacute;cie da vida?&rdquo;<\/p>\n<p>Depois de estudar gest&atilde;o, e de um breve per&iacute;odo no sector privado, tive a sorte de transitar para organiza&ccedil;&otilde;es de cariz social. Primeiro, para a associa&ccedil;&atilde;o Chapit&ocirc; e, depois, com um grupo de amigos, para a TESE &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Sem este tipo de organiza&ccedil;&otilde;es, ditas da sociedade civil, a sustentabilidade social e ambiental, a coes&atilde;o territorial, a boa governa&ccedil;&atilde;o, a pujan&ccedil;a e resili&ecirc;ncia das comunidades, e a diversidade cultural ficariam seriamente comprometidas. Sem elas, a confian&ccedil;a e o capital social seriam d&eacute;beis e poucas seriam as propostas de modelos de desenvolvimento e de produ&ccedil;&atilde;o de riqueza alternativos. O combate &agrave; pobreza, &agrave; exclus&atilde;o social e &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, bem como a promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar, da biodiversidade, da cultura, e da participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e democr&aacute;tica das pessoas dependem de uma sociedade civil robusta, atenta e inovadora. Sem esse tipo de organiza&ccedil;&atilde;o civil, a sociedade jamais ser&aacute; um organismo vivo, s&atilde;o, sensitivo e criativo.<\/p>\n<p>&Agrave; escala global, os contrastes s&atilde;o cada vez mais vincados: metade dos habitantes do planeta vive com menos de dois d&oacute;lares por dia e n&atilde;o tem as devidas condi&ccedil;&otilde;es de acesso a &aacute;gua, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, cr&eacute;dito ou habita&ccedil;&atilde;o. Acresce que apenas 1\/6 das pessoas consome 4\/5 dos recursos dispon&iacute;veis e que 50% da riqueza do planeta est&aacute; nas m&atilde;os de apenas 2% dos seus habitantes. E, por&eacute;m, &eacute; poss&iacute;vel acabar com a pobreza no prazo de uma gera&ccedil;&atilde;o. Assim haja vontade.<\/p>\n<p>A gera&ccedil;&atilde;o a que perten&ccedil;o ser&aacute; menos dada a ideologias pol&iacute;ticas mas mais dispon&iacute;vel para causas globais. A internet e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o deram-lhe uma cidadania global. Trata-se de uma gera&ccedil;&atilde;o de &laquo;pragmatopians&raquo;, que combina bem idealismo e pragmatismo, que mant&eacute;m viva a ousadia da esperan&ccedil;a e o atrevimento da utopia, assentes na racionalidade do poss&iacute;vel. Esta &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se rev&ecirc; no colectivismo totalitarista nem no liberalismo atomista, que n&atilde;o sacraliza o poder nem o lucro, que h&aacute;-de vencer o oportunismo, a apatia e o desencanto, que n&atilde;o &eacute; uma multid&atilde;o sem desejo, e que n&atilde;o ser&aacute;, certamente, o fracasso da virtude, nas palavras de Manuel Antunes.<\/p>\n<p>O t&iacute;tulo do livro &#8211; O Peixe Amarelo &#8211; fica a dever-se a um conto de Herberto Helder, que conta a hist&oacute;ria de um pintor que tinha um aqu&aacute;rio com um peixe vermelho. Ora, o pintor encontrava-se a pintar o peixe, quando este come&ccedil;a a mudar de cor para negro. O pintor v&ecirc;-se, ent&atilde;o, obrigado a interromper a obra &ldquo;onde estava a chegar ao vermelho do peixe&rdquo;. O preto colocava-lhe um problema, &ldquo;formava a ins&iacute;dia do real e abria um abismo&rdquo;. &Eacute; ent&atilde;o que, &ldquo;ao meditar, o pintor percebe que o peixe mostrava que existia apenas uma lei. Era a lei da metamorfose. E compreendida esta esp&eacute;cie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo&rdquo;. O &laquo;peixe amarelo&raquo; &eacute;, por isso, uma excelente met&aacute;fora da atitude de que depende o futuro.<\/p>\n<p>Num tempo de caos e complexidade, numa sociedade do risco e da mudan&ccedil;a e num mundo globalizado, o conhecimento e a inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as alavancas do futuro. O medo n&atilde;o deve amarrar-nos a fidelidades ser&ocirc;dias, n&atilde;o pode impedir-nos de habitar nas margens, nas fronteiras do (im)poss&iacute;vel. E que papel dever&aacute; ter o passado? O da base da alavanca que h&aacute;-de erguer o futuro. Reconhecendo-lhe essa import&acirc;ncia, talvez o lugar certo seja na &laquo;retaguarda da vanguarda&raquo;, mas n&atilde;o menos.<\/p>\n<p>Escritos entre 2006 e 2009, na sua maioria para o jornal Di&aacute;rio Econ&oacute;mico, os textos que aqui se publicam t&ecirc;m em comum o facto de terem procurado pistas para o futuro e para um futuro melhor. Ant&oacute;nio C&acirc;mara (YDreams), Carlos Zorrinho (Plano Tecnol&oacute;gico), Diogo Vasconcelos (Cisco), Geoff Mulgan (Young Foundation) e Rog&eacute;rio Roque Amaro (ISCTE) tamb&eacute;m aqui apresentam &ldquo;pistas para um mundo melhor&rdquo;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.wook.pt\/ficha\/o-peixe-amarelo-pistas-para-um-mundo-melhor\/a\/id\/2050949\" target=\"_blank\">O peixe amarelo &ndash; Pistas para um mundo melhor<br \/><\/a>Jo&atilde;o Wengorovius Meneses<br \/>Editora: Pedra Angular<br \/>Ano: 2009<br \/>P&aacute;ginas: 256<br \/>Pre&ccedil;o: &euro; 14,40<br \/>Ref.&ordf; ISBN: 978-989-961-45-3-6<\/p>\n<p><em>Com <a href=\"http:\/\/www.snpcultura.org\/vol_o_peixe_amarelo_pistas_para_um_mundo_melhor.html\" target=\"_blank\">Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel que, apesar das inven\u00e7\u00f5es e progressos, apesar da cultura, da religi\u00e3o e do conhe\u00adcimento do 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