{"id":40239,"date":"2009-07-31T11:23:53","date_gmt":"2009-07-31T11:23:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/31\/ano-pastoral-2009-10-em-santarem\/"},"modified":"2009-07-31T11:23:53","modified_gmt":"2009-07-31T11:23:53","slug":"ano-pastoral-2009-10-em-santarem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-pastoral-2009-10-em-santarem\/","title":{"rendered":"Ano Pastoral 2009\/10 em Santar\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><strong>Brilhe a vossa luz diante dos homens<br \/><\/strong><em>Carta Pastoral do Bispo de Santar&eacute;m para 2009\/10<\/em> <\/p>\n<p>O Ano Paulino permitiu-nos conhecer melhor o grande ap&oacute;stolo S&atilde;o Paulo. Envolvido e transformado pela luz de Cristo quando ia a caminho de Damasco, S&atilde;o Paulo tornou-se um evangelizador incans&aacute;vel, convicto de que a gra&ccedil;a que recebera era para comunicar a todos os povos. Tinha consci&ecirc;ncia clara de que o Senhor o investira da miss&atilde;o de levar o evangelho que &eacute; luz e for&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o para todos os crentes e de que todo o homem anseia pela Boa Nova de Cristo. <em>&quot;Ai de mim se n&atilde;o evangelizar&quot; (1 Cor 9,16)<\/em>. Ou seja, se n&atilde;o evangelizasse privaria as pessoas da gra&ccedil;a do evangelho e n&atilde;o seria merecedor da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o recebida.<\/p>\n<p><strong>Crist&atilde;o luz do mundo<\/strong><\/p>\n<p>A miss&atilde;o de anunciar o evangelho &eacute; confiada tamb&eacute;m a todos os crentes. &Eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o pessoal que decorre do Baptismo, Confirma&ccedil;&atilde;o e Eucaristia, e tamb&eacute;m uma miss&atilde;o de toda a comunidade crist&atilde;. Jesus veio ao mundo para iluminar todos os povos no caminho para Deus, que &eacute; o caminho do amor e da paz. Para que a Sua luz chegue at&eacute; aos confins da terra, preparou os disc&iacute;pulos, formou com eles a Igreja e enviou-os a pregar a Boa Nova da Salva&ccedil;&atilde;o a todos os povos: <em>&quot;V&oacute;s sois a luz do mundo.<\/em><strong><em><sup> <\/sup><\/em><\/strong><em>N&atilde;o se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;<\/em><a name=\"BM5_15\" title=\"BM5_15\"><\/a><strong><em><sup> <\/sup><\/em><\/strong><em>nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que est&atilde;o em casa.<a name=\"BM5_16\" title=\"BM5_16\"><\/a><strong><sup> <\/sup><\/strong>Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que est&aacute; no C&eacute;u.&quot; (Mt 5, 14-16). <\/em>Cada crist&atilde;o &eacute;, portanto, chamado a ser luz e todos em comunidade formam uma grande chama, uma cidade iluminada que irradia a luz &agrave; sua volta.<\/p>\n<p>A sociedade em que vivemos e de que somos parte activa e comprometida, precisa da luz do evangelho, da proposta do amor e da esperan&ccedil;a que Jesus nos veio trazer. O evangelho &eacute;, na verdade, um caminho para a vida, d&aacute; sentido e orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia humana. &Eacute; tamb&eacute;m um fermento de transforma&ccedil;&atilde;o que pode gerar um mundo novo. Damos hoje conta de muitas car&ecirc;ncias humanas, verificamos muitos sinais de desorienta&ccedil;&atilde;o para os quais o evangelho pode ser a resposta. Adquire, portanto, maior for&ccedil;a, o apelo de Cristo: <em>&quot;V&oacute;s sois a luz do mundo&quot;.<\/em><\/p>\n<p><strong>Comunidades mission&aacute;rias<\/strong><\/p>\n<p>Esta &eacute; a linha de fundo do programa pastoral do pr&oacute;ximo ano 2009\/2010. No ano transacto procur&aacute;mos aprofundar a vida fraterna dos crist&atilde;os: &quot;Quem acredita nunca est&aacute; s&oacute;&quot;. Tivemos a preocupa&ccedil;&atilde;o de sensibilizar os fi&eacute;is e as comunidades para que se apresentem &quot;como uma casa de fam&iacute;lia fraterna&quot; onde as pessoas s&atilde;o acolhidas e encontram o calor da solidariedade e do amor crist&atilde;os. Este ano, em continua&ccedil;&atilde;o, vamos aprofundar a miss&atilde;o da comunidade. Na verdade, as comunidades crist&atilde;s adultas s&atilde;o comunidades mission&aacute;rias.<\/p>\n<p>Este plano\/programa situa-se na continua&ccedil;&atilde;o do percurso pastoral que temos vindo a seguir na nossa diocese de Santar&eacute;m desde o ano 2000, inspirados pelos disc&iacute;pulos de Ema&uacute;s: Os primeiros tr&ecirc;s anos foram dedicados ao aprofundamento da Palavra de Deus (lectio divina); depois, outro tri&eacute;nio, aos sacramentos como momentos de encontro com Cristo; agora um tri&eacute;nio, pelo menos, &agrave; comunidade crist&atilde;: a comunh&atilde;o na comunidade, no ano passado; a comunidade em miss&atilde;o, este ano; rela&ccedil;&atilde;o Igreja e sociedade, depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. A<\/strong><strong> humanidade necessita de luz<\/strong><\/p>\n<p>Tem crescido nos &uacute;ltimos tempos a indiferen&ccedil;a religiosa. Deus parece n&atilde;o despertar interesse nem ter lugar na vida de muita gente. V&aacute;rios fil&oacute;sofos e cientistas ateus, que marcaram a cultura descrente do s&eacute;culo XX (Marx, Comte; Freud, etc.), anunciaram que o progresso e a ci&ecirc;ncia dos tempos modernos haviam de substituir a religi&atilde;o. Esta estaria ultrapassada. Estas teorias tiveram grande influ&ecirc;ncia e podem gerar a impress&atilde;o de que a f&eacute; crist&atilde;, numa sociedade moderna, &eacute; irrelevante, faz parte das opini&otilde;es privadas, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o faz falta mas pode constituir at&eacute; um impedimento ao progresso, &agrave; liberdade e ao gozo da vida.<\/p>\n<p>Alcan&ccedil;&aacute;mos, na verdade, um progresso t&eacute;cnico impressionante, beneficiamos de descobertas cient&iacute;ficas que trouxeram uma grande qualidade de vida. Mas verificamos, igualmente, muitos medos e inquieta&ccedil;&otilde;es, grande desorienta&ccedil;&atilde;o, bastantes depend&ecirc;ncias que alienam e, em muitas &aacute;reas, um recuo moral. Esclarece S&atilde;o Paulo aos Romanos, que o facto de terem trocado a verdade de Deus pela mentira e prestar culto &agrave;s criaturas em vez de adorar o Criador, tornou as pessoas insensatas (Rm 1, 25). Como no mundo romano do tempo de S&atilde;o Paulo, notamos hoje muitas realiza&ccedil;&otilde;es magn&iacute;ficas e, simultaneamente, muita confus&atilde;o, vaidade, injusti&ccedil;a e opress&atilde;o, bem como factos perversos e repugnantes. Assim reconheceu Bento XVI, numa carta recente enviada aos bispos: &quot;<em>O verdadeiro problema neste momento da nossa hist&oacute;ria &eacute; que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orienta&ccedil;&atilde;o,<strong> <\/strong>cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais&quot;. <\/em><\/p>\n<p><strong>Sem Deus faltam refer&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>De facto, o ate&iacute;smo e a indiferen&ccedil;a religiosa, ao p&ocirc;r de parte a luz de Deus, empobrecem e fragilizam a exist&ecirc;ncia humana. Sem a f&eacute;, esperan&ccedil;a e amor, as tr&ecirc;s atitudes ou virtudes que caracterizam o crente em Deus, a humanidade fica desamparada perante o sofrimento, a maldade, o ego&iacute;smo, as inquieta&ccedil;&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o humano. Notamos este empobrecimento e desorienta&ccedil;&atilde;o em muitos sintomas.<\/p>\n<p>Uma fragilidade que afecta duramente as pessoas &eacute; o sofrimento. Apesar do progresso da medicina, encontramos ainda muitos sofrimentos humanos, n&atilde;o apenas f&iacute;sicos mas tamb&eacute;m morais e espirituais. As feridas e as dores da exist&ecirc;ncia humana questionam a f&eacute; na Provid&ecirc;ncia de Deus. Na verdade, a f&eacute; n&atilde;o nos livra do sofrimento nem o explica. Mas &eacute; fonte de sentido e consola&ccedil;&atilde;o. Face &agrave; realidade dolorosa das feridas e da dor, o crente pode sentir-se tentado a estar contra Deus. Mas Deus continua a ser o &uacute;nico apoio onde podemos encontrar esperan&ccedil;a e fortaleza nestes momentos. [&quot;Pode estar contra Deus mas n&atilde;o sem Ele&quot; como conclui um fil&oacute;sofo crente, Elie Wiesel]<\/p>\n<p>Sem Deus faltam refer&ecirc;ncias e orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia humana. Realidades fundamentais como o respeito e defesa da vida humana, a uni&atilde;o e a estabilidade da fam&iacute;lia fundada no matrim&oacute;nio, a honestidade, a justi&ccedil;a, a dignidade e a verdade do homem relativizam-se e ficam sem alicerce. O desaparecimento de Deus na consci&ecirc;ncia dos nossos contempor&acirc;neos tem acarretado a morte do humanismo. Sem Deus, como reconhecem muitos estudiosos da vida social, o homem fica sem defesa, sem norte, sem crit&eacute;rios de distin&ccedil;&atilde;o entre bem e mal para orientar a exist&ecirc;ncia e definir uma escala de valores. <\/p>\n<p><strong>A f&eacute; estimula a intelig&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; um engano pensar que, ao p&ocirc;r de parte a f&eacute;, as pessoas se orientam mais pela raz&atilde;o e se tornam mais evolu&iacute;dos culturalmente. A f&eacute; crist&atilde; relaciona-se bem com a cultura e com a intelig&ecirc;ncia e promove-as. Acontece que muita gente deixa a f&eacute; porque est&aacute; para al&eacute;m da raz&atilde;o e depois acaba por acreditar em tudo, em supersti&ccedil;&otilde;es, bruxarias, religi&otilde;es esot&eacute;ricas, etc. Ao rejeitarem Deus parece realizar-se frequentemente com as pessoas de hoje o que denuncia a carta aos romanos: as pessoas ficam no vazio e dedicam-se aos &iacute;dolos, perdem o senso comum e caem na degrada&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. A<\/strong><strong> procura de Deus no cora&ccedil;&atilde;o humano<\/strong><\/p>\n<p>Como anunciar o evangelho &agrave;s pessoas da nossa &eacute;poca atingidas pela descristianiza&ccedil;&atilde;o, aparentemente desinteressadas da f&eacute; crist&atilde;? Ser&aacute; que pregamos no deserto?<\/p>\n<p>Apesar da indiferen&ccedil;a generalizada e da apologia do agnosticismo pelas correntes laicistas militantes, verifica-se tamb&eacute;m, na actual gera&ccedil;&atilde;o, sensibilidade e interesse pela dimens&atilde;o transcendente da vida humana e abertura ao mist&eacute;rio de Deus. <\/p>\n<p><strong>O apelo da f&eacute; continua a ter lugar no cora&ccedil;&atilde;o humano<\/strong><\/p>\n<p>Verificamos, antes de mais a profundidade e persist&ecirc;ncia de muitos h&aacute;bitos crist&atilde;os que mostram a necessidade de Deus e podem ser s&oacute;lidos pontos de apoio na evangeliza&ccedil;&atilde;o: procura da Igreja nos momentos decisivos da vida humana (como no baptismo, matrim&oacute;nio, ex&eacute;quias); participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes na catequese; congrega&ccedil;&atilde;o de muita gente para rezar e receber forma&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora; sentimentos religiosos intensos vividos nas manifesta&ccedil;&otilde;es da religiosidade popular; ades&atilde;o de muitos adultos a propostas de forma&ccedil;&atilde;o, etc. <\/p>\n<p>A pr&aacute;tica dominical, manifesta&ccedil;&atilde;o mais importante da f&eacute;, tem diminu&iacute;do em v&aacute;rias regi&otilde;es, bem como a celebra&ccedil;&atilde;o de outros sacramentos, como o matrim&oacute;nio e a reconcilia&ccedil;&atilde;o; Nota-se tamb&eacute;m decr&eacute;scimo das voca&ccedil;&otilde;es de consagra&ccedil;&atilde;o. Mas estes indicadores n&atilde;o s&atilde;o iguais em toda a parte. H&aacute; regi&otilde;es em que estas manifesta&ccedil;&otilde;es de f&eacute; aumentam. Por outro lado, assistimos &agrave; ades&atilde;o de numerosas pessoas, designadamente jovens, a express&otilde;es religiosas como peregrina&ccedil;&otilde;es a Santu&aacute;rios e lugares santos, retiros, encontros de espiritualidade, e outras muitas manifesta&ccedil;&otilde;es de abertura ao transcendente. N&atilde;o s&atilde;o multid&otilde;es que participam nestes exerc&iacute;cios espirituais. Mas os participantes t&ecirc;m aumentado e s&atilde;o empenhados.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a de numerosos jovens em Taiz&eacute; e nos encontros mundiais da juventude e a forma intensa e atenta como vivem estes momentos constitui um sinal admir&aacute;vel da actualidade e da for&ccedil;a da f&eacute; em Jesus Cristo. Outra express&atilde;o que, entre n&oacute;s &eacute; muito significativa e chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia actual do cristianismo, s&atilde;o os grupos de jovens e adultos que preparam com interesse e seriedade o sacramento do Crisma e os outros sacramentos da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.<\/p>\n<p><strong>Abertura ao mist&eacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>Encontramos tamb&eacute;m express&otilde;es de religiosidade e de necessidade de rela&ccedil;&atilde;o com o transcendente que, n&atilde;o sendo crist&atilde;s, n&atilde;o deixam de revelar a procura do &quot;deus desconhecido&quot; (cf Act 17, 22-23) no cora&ccedil;&atilde;o dos nossos contempor&acirc;neos: a curiosidade por novas religi&otilde;es ou movimentos espirituais que oferecem respostas ao mist&eacute;rio da vida e satisfazem, &agrave; medida de cada um, o desejo de rela&ccedil;&atilde;o com o transcendente. Podemos ainda considerar a participa&ccedil;&atilde;o de muitos jovens em iniciativas de solidariedade e de ajuda fraterna de matriz crist&atilde;, bem como o apre&ccedil;o crescente pelos valores e express&otilde;es da cultura e do patrim&oacute;nio art&iacute;stico da Igreja, como manifesta&ccedil;&atilde;o de sensibilidade e de procura de Deus, pois n&#39;Ele est&aacute; a fonte e realiza&ccedil;&atilde;o plena da bondade e da beleza.<\/p>\n<p>Estes sinais da sensibilidade religiosa das pessoas do nosso tempo confirmam a mensagem da Sagrada Escritura: Deus criou &agrave; Sua imagem os homens para que O procurem e, encontrando-O, encontrem a luz e a paz. Existe no cora&ccedil;&atilde;o humano um desejo e uma atrac&ccedil;&atilde;o para Deus, como na terra seca um desejo de &aacute;gua. Sem Deus o mundo &eacute; como um deserto, &aacute;rido e frio.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o espiritual e moral da nossa sociedade manifesta a necessidade do evangelho e constitui, portanto, um apelo de Deus para que nos disponhamos a colaborar na miss&atilde;o de evangelizar o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. O Evangelho &eacute; for&ccedil;a de salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens<\/strong><\/p>\n<p>A miss&atilde;o da Igreja n&atilde;o parte, pois, do zero mas assenta na ac&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de Deus que atrai para a Sua luz. A Igreja sabe que a sua mensagem vai de encontro aos anseios mais profundos do cora&ccedil;&atilde;o humano (Cf GS 21 e 22). Deus quer salvar todos os homens e grava no &iacute;ntimo do cora&ccedil;&atilde;o humano o apelo para a verdade, para a beleza e para a bondade que s&atilde;o irradia&ccedil;&otilde;es da Sua perfei&ccedil;&atilde;o divina e, por isso, caminhos para chegar a Ele. Mas precisa de n&oacute;s os crentes que formamos a Igreja para dar testemunho da verdade e mostrar ao mundo o rosto de Cristo. Esta &eacute; a miss&atilde;o confiada &agrave; Igreja, aos ap&oacute;stolos e a todos os disc&iacute;pulos de Jesus.<\/p>\n<p>Participando da miss&atilde;o da Igreja, os disc&iacute;pulos continuam a obra do Seu Mestre e Senhor. Ele veio, como afirmou, para que tenhamos a vida, uma vida plena e bela, santa e irradiante. Ele pr&oacute;prio &eacute; o caminho para a vida e para a verdade. Quem n&#39;Ele acredita e O segue participa da Sua santidade e recebe a for&ccedil;a do Seu Esp&iacute;rito para ser luz que irradia nas trevas e fermento de um mundo novo.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio do evangelho desperta nos ouvintes a f&eacute; e esta vence o pecado do mundo e gera a esperan&ccedil;a e o amor. Como afirma S&atilde;o Paulo, <em>&quot;o evangelho &eacute; poder de Deus para a salva&ccedil;&atilde;o de todo o crente&quot; (Rm 1,16).<\/em> Ou seja, o evangelho liberta o homem do pecado e faz-nos participantes da vida de Deus, dando luz, sentido e plenitude &agrave; exist&ecirc;ncia humana. Por isso, n&atilde;o deve ficar escondido no interior do crente ou das comunidades crist&atilde;s mas irradiar no mundo para que outros acreditem e sejam salvos. &Eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o de Jesus: <em>&quot;Brilhe a vossa luz diante dos homens&quot;.<\/em><\/p>\n<p>Esta convic&ccedil;&atilde;o manifesta-se na vida e na miss&atilde;o de Jesus. Percorre as povoa&ccedil;&otilde;es da Palestina, ora ao Pai, prega o evangelho, acolhe as pessoas e cura-as dos seus males, movido sempre pelo mesmo zelo de anunciar e manifestar a proximidade do Reino de Deus, convidando os ouvintes &agrave; f&eacute; e &agrave; convers&atilde;o: <em>&quot;O Reino de Deus est&aacute; pr&oacute;ximo: arrependei-vos e acreditai na boa nova&quot; (Mc 1,15).<\/em> Naqueles que acolhem o Reino de Deus pela f&eacute; e pela convers&atilde;o, a for&ccedil;a do mal &eacute; vencida, Satan&aacute;s &eacute; afastado, as aliena&ccedil;&otilde;es s&atilde;o superadas, os doentes s&atilde;o curados, os pobres recebem uma boa nova. A miss&atilde;o que recebeu do Pai responde aos problemas e &agrave;s feridas profundas da humanidade: <em>&quot;Jesus percorria as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doen&ccedil;as. Contemplando a multid&atilde;o encheu-se de compaix&atilde;o por ela pois estava desanimada e cansada como ovelhas sem pastor. Disse ent&atilde;o aos seus disc&iacute;pulos: A messe &eacute; grande mas os trabalhadores s&atilde;o poucos. Rogai portanto ao Senhor da Messe que envie trabalhadores para a sua messe&quot;(Mt 9, 35-38)<\/em><\/p>\n<p><strong>Colaboradores da miss&atilde;o de Jesus<\/strong><\/p>\n<p>Para que a Sua miss&atilde;o tenha continuidade, Jesus recomenda-nos que rezemos ao Senhor da messe e chama colaboradores a participar da sua compaix&atilde;o pelo mundo, pelas pessoas desorientadas ou feridas da vida, por aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m luz nem esperan&ccedil;a, que sofrem a solid&atilde;o e o desamparo e precisam de quem lhes d&ecirc; um sinal do amor de Deus. O mundo &eacute; como a messe ou vinha do Senhor que precisa de trabalhadores para semear o evangelho da justi&ccedil;a e da conc&oacute;rdia, da paz e do amor: <em>&quot;Porque estais ociosos todo o dia? Ide tamb&eacute;m trabalhar para a minha vinha&quot;.<\/em> Participar na miss&atilde;o, semear o evangelho &eacute; colaborar para que o mundo se torne um jardim onde desabrocham os frutos do Reino que s&atilde;o a santidade e a gra&ccedil;a, a justi&ccedil;a, o amor e a paz. Sem o amor e a verdade de Deus, o mundo ser&aacute; um deserto onde domina o ego&iacute;smo, a vaidade, a mentira.<\/p>\n<p>Os que se convertem ao Reino de Deus e recebem a gra&ccedil;a de Jesus, tornam-se tamb&eacute;m sinais e instrumentos do Reino: <em>&quot;Proclamai que o Reino dos C&eacute;us est&aacute; perto: Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os dem&oacute;nios. Recebestes de gra&ccedil;a, dai de gra&ccedil;a&quot; (Mt 10,7-8).<\/em> Jesus ordena aos seus continuadores que proclamem a proximidade do Reino e d&aacute;-lhes o poder de realizar os mesmos sinais que confirmam a mensagem: curar os feridos, limpar os leprosos, ressuscitar os mortos, expulsar os dem&oacute;nios. A vit&oacute;ria de Jesus sobre a morte, o perd&atilde;o dos pecados, a santifica&ccedil;&atilde;o dos crentes, significam e realizam, na verdade, a destrui&ccedil;&atilde;o do poder do mal, a liberta&ccedil;&atilde;o interior, a paz e a alegria.<\/p>\n<p>A recomenda&ccedil;&atilde;o de darmos de gra&ccedil;a o que de gra&ccedil;a recebemos, destaca o valor priorit&aacute;rio dos valores espirituais face &agrave;s riquezas materiais. Na verdade, o evangelho &eacute; uma gra&ccedil;a ou dom que d&aacute; beleza &agrave; exist&ecirc;ncia, enriquece o interior do homem e abre novos horizontes de compreens&atilde;o da realidade num mundo fechado no materialismo. &Eacute; como um tesouro escondido de valor inestim&aacute;vel que nenhum pre&ccedil;o deste mundo pode adquirir. Quem d&aacute; testemunho do evangelho, partilha gratuitamente com os outros a gra&ccedil;a recebida e enriquece-se a si mesmo, pois h&aacute; mais alegria em dar do que em receber. Evangelizar &eacute; uma miss&atilde;o gratificante que enche o cora&ccedil;&atilde;o e d&aacute; gosto &agrave; vida, como exclama Isa&iacute;as: <em>&quot;Qu&atilde;o formosos s&atilde;o os p&eacute;s do que anuncia boas novas&quot;(Is 52,7).<\/em> Realmente, na vida dos que se dedicaram totalmente ao servi&ccedil;o do evangelho, notamos claramente alegria e riqueza interiores que irradiam e enriquecem muitos que deles se aproximam.<\/p>\n<p><strong>O Cura D&acute;Ars, &iacute;cone da miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Este ano pastoral 2009-2010, temos presente o exemplo de um santo que se consagrou apaixonadamente &agrave; miss&atilde;o de pregar o evangelho, curar os doentes e ajudar os necessitados. De h&aacute; um s&eacute;culo e meio para c&aacute;, a sua vida tem sido uma fonte de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os para a Igreja e para os fi&eacute;is: S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney, o Cura d&#39; Ars.<\/p>\n<p>Viveu na &eacute;poca conturbada da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa que perseguiu e matou muitos padres, fechou Igrejas e destruiu outras e causou muita desorienta&ccedil;&atilde;o no povo simples. Muita gente se sentia desamparada e confundida como ovelhas sem pastor. Jo&atilde;o Maria que, desde crian&ccedil;a, manifestava um forte amor a Deus e uma caridade sem limites pelos pobres, sofria interiormente com tantas par&oacute;quias sem padre, sem eucaristia nem sacramentos, tantas crian&ccedil;as sem forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, tanta gente sem a consola&ccedil;&atilde;o da f&eacute;. Participava intensamente da compaix&atilde;o de Jesus pela gente desorientada e sem a ajuda da religi&atilde;o. No seu &iacute;ntimo foi crescendo e amadurecendo a voca&ccedil;&atilde;o de guiar as almas para a luz de Cristo. Aos vinte anos conseguiu licen&ccedil;a dos pais para iniciar os estudos eclesi&aacute;sticos que, com muitas dificuldades, concluiu sendo ordenado presb&iacute;tero com vinte e nove anos. Nomeado para a par&oacute;quia d&#39;Ars, uma comunidade afastada da vida crist&atilde;, entregou-se de alma e cora&ccedil;&atilde;o ao seu minist&eacute;rio, dedicando-se &agrave; ora&ccedil;&atilde;o pelo seu povo, &agrave; visita domiciliar aos paroquianos, &agrave;s obras de miseric&oacute;rdia. Impulsionou a catequese para crian&ccedil;as e conseguiu que tamb&eacute;m os pais a frequentassem. Promoveu a participa&ccedil;&atilde;o dos leigos restaurando confrarias e criando um grupo de ora&ccedil;&atilde;o. A luz de Cristo brilhou em Ars, renovou a pr&aacute;tica religiosa, transformou o comportamento dos habitantes, fez renascer a esperan&ccedil;a e irradiou &agrave; volta para outras par&oacute;quias. Ars tornou-se um centro de peregrina&ccedil;&otilde;es onde muita gente de todas as condi&ccedil;&otilde;es &iacute;a procurar contactar com um exemplo vivo da solicitude pastoral de Jesus pelo seu rebanho. Pela sua profunda humildade, intensa espiritualidade e entrega total &agrave; miss&atilde;o o Santo Cura D&acute;Ars tornou-se uma luz que irradiou a esperan&ccedil;a e um fermento que transformou a vida de muita gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. A<\/strong><strong> pedagogia da evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O an&uacute;ncio do evangelho &eacute; uma boa nova que responde aos problemas reais dos destinat&aacute;rios. Por isso, para evangelizar precisamos, antes de mais, de conhecer a realidade e descobrir as quest&otilde;es concretas das pessoas a quem nos dirigimos. Como S&atilde;o Paulo no Are&oacute;pago de Atenas, devemos come&ccedil;ar por identificar a procura do &quot;deus desconhecido&quot; que os nossos contempor&acirc;neos veneram. A proposta da mensagem crist&atilde; desperta interesse se for apresentada como resposta aos problemas e interroga&ccedil;&otilde;es vitais dos destinat&aacute;rios.<\/p>\n<p>Como alcan&ccedil;ar o conhecimento das aberturas e procuras existenciais das pessoas do nosso tempo? N&atilde;o de forma exterior e te&oacute;rica mas, como Cristo pela sua incarna&ccedil;&atilde;o, pela presen&ccedil;a solid&aacute;ria, pela partilha de vida, pelo acolhimento e pela escuta, pelo amor e pela proximidade. <em>&quot;A Igreja para poder oferecer a todos o mist&eacute;rio da salva&ccedil;&atilde;o e a vida divina, deve inserir-se nos grupos humanos com o mesmo afecto com que Cristo pela sua incarna&ccedil;&atilde;o se uniu &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es sociais e culturais concretas dos homens com os quais conviveu&quot; (AG 10)<\/em>.<\/p>\n<p>A fidelidade &agrave; Incarna&ccedil;&atilde;o e a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; maneira como Jesus evangelizava, leva-nos a concluir algumas orienta&ccedil;&otilde;es para o perfil do evangelizador e a pedagogia da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Perfil do evangelizador<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo Jesus e olhando para o exemplo do Cura d&#39; Ars, vemos que o evangelizador &eacute; um guia espiritual que caminha com as pessoas no percurso que Ele pr&oacute;prio conhece por experi&ecirc;ncia pessoal. Mais do que um professor que ensina &eacute; uma testemunha que vive, &eacute; um irm&atilde;o e amigo pr&oacute;ximo das pessoas. Escuta primeiro, presta aten&ccedil;&atilde;o, procura compreender na luz de Deus as quest&otilde;es existenciais para depois poder iluminar e anunciar uma boa nova para a situa&ccedil;&atilde;o real. Nesse sentido, devemos reconhecer o esfor&ccedil;o de proximidade dos sacerdotes que vivem no meio do seu povo, atendem toda a gente com aten&ccedil;&atilde;o e dedicam-se a visitar os lugares e pessoas que lhes foram confiados. Mostram, assim, pelo seu estilo de vida o significado original da palavra p&aacute;roco, o &quot;vizinho&quot; que conhece, ajuda e &eacute; conhecido pelos outros vizinhos.<\/p>\n<p>Outra caracter&iacute;stica do evangelizador &eacute; a sua forma de agir: <em>actua com a Igreja e em Igreja. N&atilde;o evangeliza em nome pessoal, de forma isolada ou individualista. &Eacute; enviado pela Igreja e apoia-se na for&ccedil;a do Senhor. N&atilde;o deve procurar, portanto, o &ecirc;xito pessoal ou relevo e notoriedade sociais mas o servi&ccedil;o humilde e dispon&iacute;vel como o Cura d&#39;Ars. Na vida da Igreja como fraternidade est&aacute; o apoio fundamental da evangeliza&ccedil;&atilde;o. Na comunidade tornam-se vis&iacute;veis os sinais da vida crist&atilde; que sempre devem acompanhar e concretizar o an&uacute;ncio do evangelho: a vida fraterna dos crentes; a partilha de bens; os sinais da liturgia que manifestam o encontro com Deus; a vida de tantos santos, nossos antepassados e exemplos da f&eacute;; a riqueza do patrim&oacute;nio art&iacute;stico que chama a aten&ccedil;&atilde;o para a beleza e santidade de Deus.<\/em><\/p>\n<p>A <em>pedagogia dos sinais,<\/em> sempre presente na evangeliza&ccedil;&atilde;o, considera-se hoje particularmente oportuna. As pessoas do nosso tempo prestam mais aten&ccedil;&atilde;o a experi&ecirc;ncias e exemplos vivos do que a doutrinas e argumentos. Na mem&oacute;ria rica da Igreja e na vida actual dos crentes, o evangelizador encontrar&aacute; sempre &iacute;cones que ajudam a tornar concreta a proposta do evangelho. A pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia religiosa pessoal, partilhada com simplicidade e humildade, &eacute; um apoio de grande import&acirc;ncia: <em>&quot;Haver&aacute; melhor forma de transmitir o evangelho do que comunicar a outrem a sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de f&eacute;&quot;? <\/em><em>(Paulo VI, EN 46).<\/em> O contacto pessoal, que torna a luz de Cristo vizinha da vida de cada um, &eacute; portanto uma forma de an&uacute;ncio indispens&aacute;vel. De facto, o evangelho irradia por cont&aacute;gio. Afirma, nesse sentido, o Papa Paulo VI, no mesmo documento, que o testemunho de vida toca profundamente o cora&ccedil;&atilde;o das pessoas de hoje: <em>&quot;O homem contempor&acirc;neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres; ou, se escuta os mestres, &eacute; porque eles s&atilde;o testemunhas&quot; (Paulo VI, EN 41).<\/em><\/p>\n<p>A import&acirc;ncia dos sinais, dos &iacute;cones e das experi&ecirc;ncias vividas como uma base fundamental da evangeliza&ccedil;&atilde;o, decorre da realidade da f&eacute; crist&atilde; que &eacute; um encontro com Cristo vivo, uma experi&ecirc;ncia vital que d&aacute; um novo rumo &agrave; exist&ecirc;ncia e n&atilde;o apenas a ades&atilde;o a uma doutrina ou tradi&ccedil;&atilde;o. Por isso, &eacute; igualmente importante guiar os destinat&aacute;rios numa <em>experi&ecirc;ncia pessoal de vida crist&atilde;<\/em> e n&atilde;o apenas no conhecimento do cristianismo. A f&eacute; como seguimento do caminho de Jesus aprende-se fazendo, praticando, exercitando, combatendo os impedimentos e as tend&ecirc;ncias contr&aacute;rias. &Eacute; eloquente a este respeito a imagem da vida crist&atilde; como &quot;o bom combate da f&eacute;&quot;. Assim compreendemos a import&acirc;ncia de exerc&iacute;cios espirituais no itiner&aacute;rio da f&eacute; (aprender a rezar e a celebrar; crescer na capacidade de escuta da Palavra de Deus; desenvolver a atitude de despojamento pessoal, de servi&ccedil;o e de caridade).<\/p>\n<p>Resumindo em poucas palavras a nova pedagogia<strong>: <\/strong><em>A f&eacute; &eacute; como um caminho, faz-se caminhando.<\/em><strong> <\/strong>N&atilde;o &agrave; maneira de cada um, n&atilde;o sozinho, mas<strong> <\/strong><em>em comunidade.<\/em> Quem acredita nunca est&aacute; s&oacute;. A evangeliza&ccedil;&atilde;o parte da comunidade e apoia-se na sua vida. Deve processar-se tamb&eacute;m em comunidade, em grupo onde os membros partilham uns com os outros a sua experi&ecirc;ncia de f&eacute;, o seu amor e ajuda fraterna e, deste modo, se apoiam mutuamente no caminho do Senhor. Um caminho que leva &agrave; convers&atilde;o, &agrave; vida nova em Cristo que, por sua vez, pelo testemunho irradiante da comunidade, se difunde para o mundo. Na terminologia tradicional da Igreja esta pedagogia designa-se por catecumenado e &eacute; o itiner&aacute;rio recomendado para fazer adequadamente a inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; nos nossos dias.<\/p>\n<p>Na actual situa&ccedil;&atilde;o pastoral &eacute; decisivo e <em>fundamental o primeiro an&uacute;ncio<\/em> como primeiro passo que motiva e d&aacute; in&iacute;cio ao itiner&aacute;rio catecumenal. Por isso, &eacute; uma prioridade relevante cuidar do primeiro an&uacute;ncio e encontrar formas pr&aacute;ticas de o oferecer a um maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de pessoas. Pelo contacto pessoal, pela palavra esclarecedora, pelo testemunho da comunidade, pelos sinais vis&iacute;veis do cristianismo e servindo-nos da media&ccedil;&atilde;o de Movimentos Eclesiais especialmente dedicados a esta miss&atilde;o. A primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o desperta o desejo de progredir na aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; luz de Deus e de crescer na vida nova em Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5. A<\/strong><strong> responsabilidade de todos os fi&eacute;is na miss&atilde;o da Igreja<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; vasto e amplo o trabalho na vinha do Senhor. Para realizarmos a miss&atilde;o da Igreja com um estilo evangelizador que responda ao novo contexto cultural e religioso, precisamos de aperfei&ccedil;oar as actividades pastorais que j&aacute; realizamos e criar iniciativas novas que respondam aos novos problemas. Uma pastoral verdadeiramente evangelizadora atenta aos novos condicionalismos n&atilde;o pode repetir e manter o que sempre e como sempre se fez. A educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; das crian&ccedil;as necessita de uma renova&ccedil;&atilde;o permanente; a forma&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos, de propostas e meios sempre novos; os sacramentos, de prepara&ccedil;&atilde;o cuidada e continuada; a caridade, de responder a novas formas de pobreza; a colabora&ccedil;&atilde;o na justi&ccedil;a e na solidariedade social, de novas iniciativas e solu&ccedil;&otilde;es. Onde vamos encontrar colaboradores em n&uacute;mero e qualidade suficiente?<\/p>\n<p><em>A miss&atilde;o da Igreja diz respeito a todos os fi&eacute;is<\/em>, &agrave; Igreja no seu todo, como Corpo de Cristo. Todos os fi&eacute;is iluminados e convertidos pela f&eacute;, santificados pelo Baptismo e pela Eucaristia e enriquecidos na Confirma&ccedil;&atilde;o com os carismas do Esp&iacute;rito Santo, s&atilde;o chamados a ser luz do mundo e obreiros da vinha do Senhor. Os carismas s&atilde;o dados a cada um para enriquecimento de todos, ou seja, devem levar ao servi&ccedil;o (ou minist&eacute;rio) e n&atilde;o ao engrandecimento pessoal.<\/p>\n<p>A consci&ecirc;ncia de miss&atilde;o e das v&aacute;rias tarefas que ela implica, deve, por isso, ser acompanhada pela descoberta dos diversos carismas concedidos pelo Esp&iacute;rito Santo aos fi&eacute;is. Deste modo, podem escolher-se e preparar-se animadores para colaborar nas actividades da evangeliza&ccedil;&atilde;o, Com esta din&acirc;mica podem p&ocirc;r-se em funcionamento servi&ccedil;os ou minist&eacute;rios diferentes e complementares.<\/p>\n<p>Assim, al&eacute;m do minist&eacute;rio ordenado nos seus tr&ecirc;s graus (bispos, presb&iacute;teros e di&aacute;conos), devem ser reconhecidos e funcionar tamb&eacute;m os minist&eacute;rios laicais institu&iacute;dos (ministro extraordin&aacute;rio da Eucaristia; leitor e ac&oacute;lito no futuro) e os minist&eacute;rios de facto, ou seja, as tarefas ou responsabilidades dos colaboradores leigos nas fun&ccedil;&otilde;es do an&uacute;ncio da Palavra, da celebra&ccedil;&atilde;o da liturgia, da prepara&ccedil;&atilde;o dos sacramentos e da dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; caridade e &agrave; administra&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio. Todos estes minist&eacute;rios devem revestir-se de um estilo evangelizador.<\/p>\n<p><strong>Ano sacerdotal<\/strong><\/p>\n<p>Neste ano pastoral, mais concretamente de 19 de Junho de 2009 a 11 de Junho de 2010, decorre um ano sacerdotal proclamado pelo Papa Bento XVI &quot;<em>para fomentar a renova&ccedil;&atilde;o interior de todos os sacerdotes em ordem a um testemunho evang&eacute;lico mais vigoroso e incisivo&quot;.<\/em> Estas duas linhas de for&ccedil;a est&atilde;o, na verdade, profundamente associadas e interdependentes na vida e miss&atilde;o do sacerdote: o crescimento da vida espiritual e a efic&aacute;cia da evangeliza&ccedil;&atilde;o. Assim o ano sacerdotal &eacute; uma oportunidade de aprofundar a identidade do sacerdote como testemunha da f&eacute; e guia espiritual do povo de Deus, de rezar pelos nossos sacerdotes para que o Senhor os guarde na fidelidade ao Seu amor e os fa&ccedil;a crescer na santidade. O sacerdote orante, continuamente actualizado no exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio, totalmente dedicado &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um fermento de renova&ccedil;&atilde;o e de anima&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria das comunidades, &agrave; semelhan&ccedil;a do Cura d&#39;Ars.<\/p>\n<p><strong>Ano vocacional<\/strong><\/p>\n<p>O ano sacerdotal torna-se naturalmente um ano vocacional. A miss&atilde;o do sacerdote vivida de forma exemplar, dedicada e feliz, cria o clima prop&iacute;cio para o despertar de novas voca&ccedil;&otilde;es. Mas o fomento das voca&ccedil;&otilde;es ao sacerd&oacute;cio pertence a toda a comunidade crist&atilde; (C&acirc;none 233). Assim o ano sacerdotal convida-nos a renovar a rede de participa&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is na pastoral vocacional. A come&ccedil;ar em cada paroquia (ou a n&iacute;vel interparoquial), onde deve funcionar um grupo de anima&ccedil;&atilde;o vocacional (GAV), continuar na vigararia atrav&eacute;s do funcionamento da equipa vicarial da pastoral vocacional (EVPV) e chegar ao centro de coordena&ccedil;&atilde;o, o Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional (SDPV). O discernimento e amadurecimento das voca&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o proporcionados pelo Pr&eacute;-semin&aacute;rio, pelo Grupo vocacional S&atilde;o Francisco de Sales e pelos Semin&aacute;rios onde se preparam os nossos seminaristas.<\/p>\n<p><strong>S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney, exemplo de espiritualidade e de caridade<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney viveu exemplarmente as propostas que nos s&atilde;o feitas para o ano sacerdotal: a espiritualidade intensa e o desejo de orientar as pessoas para Cristo (&quot;Conquistar as almas para Cristo&quot; como dizia). Todos os dias come&ccedil;ava de madrugada a sua ora&ccedil;&atilde;o pelos paroquianos (&quot;Meu Deus, rezava, concedei-me a convers&atilde;o da minha par&oacute;quia&quot;). A ora&ccedil;&atilde;o ritmava o seu dia. Numa pequena par&oacute;quia como Ars tinha uma vida cheia e ocupada pois, al&eacute;m da ora&ccedil;&atilde;o, visitava as fam&iacute;lias em casa, passava pelos campos, cuidava dos doentes e dos necessitados, criou ainda uma escola e um orfanato para responder &agrave;s car&ecirc;ncias sociais. Vivia em profunda uni&atilde;o eclesial com o Bispo e com os colegas a quem manifestava grande apre&ccedil;o, humildade e venera&ccedil;&atilde;o. O amor de Deus estava nele profundamente associado ao amor do pr&oacute;ximo, a espiritualidade frutificava pela caridade.<\/p>\n<p>Deus faz de seus servidores chamas ardentes que iluminam e aquecem o mundo (Cf Heb 1, 7). Assim aconteceu com S&atilde;o Paulo, com o Santo Cura d&acute;Ars e acontecer&aacute; com todos os que se deixam penetrar profundamente pela luz de Cristo e se disponibilizam para a irradiar pelo mundo: <em>&quot;As verdadeiras estrelas da nossa vida s&atilde;o as pessoas que souberam viver com rectid&atilde;o. Elas s&atilde;o luzes de esperan&ccedil;a. Certamente, Jesus Cristo &eacute; a luz por antonom&aacute;sia, o sol erguido sobre todas as trevas da hist&oacute;ria. Mas para chegar at&eacute; Ele precisamos tamb&eacute;m de luzes vizinhas, de pessoas que d&atilde;o luz recebida da luz dele e oferecem assim, orienta&ccedil;&atilde;o para a nossa travessia [da vida]. Quem mais do que Maria poderia ser para n&oacute;s estrela da esperan&ccedil;a?&quot; (Bento XVI, SS 49)<\/em><\/p>\n<p>&Agrave; Virgem Nossa Senhora, estrela da evangeliza&ccedil;&atilde;o, que acompanha e guia a Igreja nos caminhos da miss&atilde;o confiamos o nosso plano e pedimos que nos ensine a disponibilidade que ela mostrou no servi&ccedil;o do evangelho.<\/p>\n<p>Santar&eacute;m 31 de Julho de 2009, mem&oacute;ria de S. In&aacute;cio de Loiola,<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brilhe a vossa luz diante dos homensCarta Pastoral do Bispo de Santar&eacute;m para 2009\/10 O Ano Paulino permitiu-nos conhecer melhor o grande ap&oacute;stolo S&atilde;o Paulo. Envolvido e transformado pela luz de Cristo quando ia a caminho de Damasco, S&atilde;o Paulo tornou-se um evangelizador incans&aacute;vel, convicto de que a gra&ccedil;a que recebera era para comunicar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,114,120,295,127,180,199,246,292,294,314],"class_list":["post-40239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-de-santarem","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}