{"id":40232,"date":"2009-07-30T15:59:27","date_gmt":"2009-07-30T15:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/30\/concordata-governo-e-igreja-divergem\/"},"modified":"2009-07-30T15:59:27","modified_gmt":"2009-07-30T15:59:27","slug":"concordata-governo-e-igreja-divergem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/concordata-governo-e-igreja-divergem\/","title":{"rendered":"Concordata: Governo e Igreja divergem"},"content":{"rendered":"<p>Aprovados diplomas sobre a assist\u00eancia religiosa nos hospitais, pris\u00f5es, For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a <!--more--> <\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/GC17\/Governo\/ConselhoMinistros\/ComunicadosCM\/Pages\/20090730.aspx\" target=\"_blank\">Conselho de Ministros<\/a>&nbsp;&nbsp;aprovou esta Quinta-feira os diplomas que regulamentam a Lei da liberdade religiosa e a Concordata entre Portugal e Santa S&eacute;, regulamentando a assist&ecirc;ncia religiosa no Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, nas for&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a e nas pris&otilde;es.<\/p>\n<p>O Ministro da Presid&ecirc;ncia, Pedro Silva Pereira, considerou que estes diplomas representam um &quot;avan&ccedil;o civilizacional&quot; no Estado de Direito, estabelecendo &quot;o acesso de todas as confiss&otilde;es religiosas, em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade&quot; &agrave; assist&ecirc;ncia espiritual nestes &acirc;mbitos.<\/p>\n<p>Em declara&ccedil;&otilde;es &agrave;&nbsp;Ag&ecirc;ncia ECCLESIA , o presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, admite que os Bispos teriam preferido que fosse feita uma regulamenta&ccedil;&atilde;o separada, tratando a Concordata e a Lei da Liberdade Religiosa em planos distintos. Esta pr&oacute;pria Lei, lembra o Arcebispo de Braga, previa que &quot;fossem feitos acordos com as diferentes religi&otilde;es&quot;, o que veio a acontecer com a Igreja Cat&oacute;lica, em 2004.<\/p>\n<p>&quot;A Concordata &eacute; precisamente uma acordo entre a Santa S&eacute; o Estado portugu&ecirc;s. Parecia-nos que deveria ser regulamentado sem tratar por igual aquilo que &eacute; desigual&quot;, atira.<\/p>\n<p>Este respons&aacute;vel admite que a CEP &quot;cedeu&quot;, mas negou estar contra os&nbsp; diplomas, apenas contra a regulamenta&ccedil;&atilde;o conjunta. &quot;Deveria ter sido feita uma separa&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; mais importante a actual regulamenta&ccedil;&atilde;o do que estarmos &agrave; espera indefinidamente&quot;, conclui, ap&oacute;s sublinhar que a Santa S&eacute; tem de aprovar os presentes acordos.<\/p>\n<p>Na confer&ecirc;ncia de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, Silva Pereira lembrou que este direito est&aacute; consagrado na Concordata e na Lei da Liberdade Religiosa. <\/p>\n<p>Quanto &agrave;s solu&ccedil;&otilde;es consagradas, o Ministro da Presid&ecirc;ncia falou no &quot;princ&iacute;pio da solicita&ccedil;&atilde;o expressa, embora n&atilde;o com requisitos formais&quot; da assist&ecirc;ncia religiosa, &quot;sendo vedada qualquer forma de press&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>S&atilde;o regulados os mecanismos de acesso dos assistentes de todas as confiss&otilde;es reconhecidas aos estabelecimentos p&uacute;blicos, em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade e seguran&ccedil;a, e define-se o respectivo quadro de direitos e deveres.<\/p>\n<p>A regulamenta&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que o Estado assegure um &quot;local&quot; de culto que possa &quot;ser utilizado por todas as confiss&otilde;es religiosas&quot;. &quot;Fica garantida a preserva&ccedil;&atilde;o dos locais de culto cat&oacute;licos existentes e a previs&atilde;o de novos espa&ccedil;os&quot; para a Igreja Cat&oacute;lica, em raz&atilde;o da sua &quot;muito maior representatividade&quot;, assegurou Silva Pereira, admitindo que estes possam ser partilhados com outras confiss&otilde;es crist&atilde;s, se for julgado &quot;necess&aacute;rio&quot;.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao estatuto dos assistentes, os mesmos deixar&atilde;o de ser funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, salvaguardando os &quot;direitos adquiridos&quot; por essas pessoas, prevendo-se mesmo a figura de &quot;capel&atilde;es civis&quot;, nas For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a, sem qualquer v&iacute;nculo.<\/p>\n<p>Est&aacute; tamb&eacute;m previsto que todos os assistentes tenham de fazer um curso, &quot;uma forma&ccedil;&atilde;o militar espec&iacute;fica&quot;, adiantou Silva Pereira, lembrando em especial o envolvimento de capel&atilde;es em opera&ccedil;&otilde;es militares, o que exige &quot;prepara&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do fim da contrata&ccedil;&atilde;o de assistentes religiosos como funcion&aacute;rios p&uacute;blicos dos quadros do Estado, o novo quadro legislativo alarga a presta&ccedil;&atilde;o de assist&ecirc;ncia por assistentes sem qualquer v&iacute;nculo ou remunera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. &quot;Prev&ecirc;em-se mecanismos de vincula&ccedil;&atilde;o, por regra atrav&eacute;s do regime de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ou de contrato a termo, para os casos em que a vincula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deva existir&quot;, indica o comunicado do Conselho de Ministros.<\/p>\n<p>Os tr&ecirc;s Decretos-Lei s&atilde;o apresentados pelo Governo como &quot;uma reforma da assist&ecirc;ncia religiosa&quot;.<\/p>\n<p>&quot;A nova regulamenta&ccedil;&atilde;o assegura a assist&ecirc;ncia religiosa, em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade, a todas as confiss&otilde;es religiosas, sem preju&iacute;zo das implica&ccedil;&otilde;es do reconhecimento da sua diferente representatividade na sociedade portuguesa&quot;, refere o comunicado.<\/p>\n<p>O objectivo &eacute; regular o exerc&iacute;cio da assist&ecirc;ncia religiosa nos estabelecimentos do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, nos estabelecimentos prisionais e centros educativos e, ainda, nas For&ccedil;as Armadas e for&ccedil;as de Seguran&ccedil;a. Para cada uma destas tr&ecirc;s &aacute;reas foi aprovado um Decreto-Lei pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>Os tr&ecirc;s diplomas recolheram parecer favor&aacute;vel da Igreja Cat&oacute;lica, atrav&eacute;s da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa e da delega&ccedil;&atilde;o da Santa S&eacute; na Comiss&atilde;o Parit&aacute;ria prevista na Concordata, bem como da Comiss&atilde;o da Liberdade Religiosa, onde est&atilde;o representadas as diferentes confiss&otilde;es religiosas, como fez quest&atilde;o de sublinhar Pedro Silva Pereira.<\/p>\n<p>Este respons&aacute;vel lembrou que, no caso das For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a a estrutura de assist&ecirc;ncia religiosa era &quot;exclusivamente cat&oacute;lica&quot;. Est&aacute; previsto que a Capelania-Mor possa ser uma estrutura &quot;inter-religiosa&quot;.<\/p>\n<p><em>Regulamenta&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria, mas incompleta<\/em><\/p>\n<p>Em declara&ccedil;&otilde;es recolhidas pela Ag&ecirc;ncia ECCLESIA no in&iacute;cio desta semana, representantes da Igreja Cat&oacute;lica em Portugal mostravam-se satisfeitos com o esfor&ccedil;o do Governo em regulamentar a Concordata. D. Janu&aacute;rio Torgal Ferreira classifica como uma &quot;vit&oacute;ria&quot; o facto de o acordo nas capelanias ter mostrado uma capacidade de di&aacute;logo &quot;ecum&eacute;nico e inter-religioso&quot;, lembrando que a Igreja Cat&oacute;lica defende desde 1991 a abertura da assist&ecirc;ncia espiritual a fi&eacute;is de outras confiss&otilde;es.<\/p>\n<p>Para o futuro, os novos capel&atilde;es &quot;ser&atilde;o contratados&quot; e alguns ter&atilde;o um &quot;v&iacute;nculo mais s&oacute;lido relativamente &agrave; institui&ccedil;&atilde;o militar&quot;. Isso n&atilde;o impede de forma alguma o servi&ccedil;o pastoral da Igreja&quot;, diz o Bispo das For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a, pronto para a mudan&ccedil;a. Em vez de 36 anos de servi&ccedil;o, ser&aacute; poss&iacute;vel ter capel&atilde;es durante &quot;12 anos, por exemplo&quot;, um prazo que considera adequado.<\/p>\n<p>J&aacute; o Pe. Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves, Coordenador Nacional da Pastoral Penitenci&aacute;ria, defende que n&atilde;o estamos propriamente perante uma regulamenta&ccedil;&atilde;o da Concordata, que implicaria &quot;um projecto de presen&ccedil;a da Igreja Cat&oacute;lica, especificamente, nos estabelecimentos prisionais&quot;.<\/p>\n<p>&quot;O projecto que est&aacute; a&iacute; &eacute; muito interessante, deixa muitas possibilidades de trabalho&quot;, indica, falando em melhorias para o trabalho de capel&atilde;es e seus auxiliares.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia da dimens&atilde;o interconfessional dos acordos &eacute; sublinhada pelo Pe. Jos&eacute; Nuno Silva, Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares. &quot;Tanto quanto sei, apraz-me registar que este diploma &eacute; o resultado de um conjunto de converg&ecirc;ncias, dif&iacute;ceis de obter, mas que acabaram por funcionar&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea da sa&uacute;de, por outro lado, os capel&atilde;es continuar&atilde;o a ser &quot;contratados e vinculados &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es que servem&quot;; a par de outros que podem ter situa&ccedil;&otilde;es mais prec&aacute;rias, caso a caso, adianta o Pe. Jos&eacute; Nuno.<\/p>\n<p>Apesar do acordo nas mat&eacute;rias acima referidas, ficam por regulamentar v&aacute;rias &aacute;reas da Concordata, como a quest&atilde;o do Patrim&oacute;nio da Igreja, a fiscalidade e o Ensino da Moral e Religi&atilde;o Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>D. Jorge Ortiga sublinha que &quot;ainda faltam outros aspectos, nomeadamente a assist&ecirc;ncia social do clero&quot; e a quest&atilde;o dos &quot;fins religiosos&quot; referidos no artigo 26 da Concordata, que permitem isen&ccedil;&otilde;es fiscais (IRS, IRC, IMT e IMI).<\/p>\n<p>Na Concordata ficou consagrado que as pessoas jur&iacute;dicas can&oacute;nicas, quando desenvolvam actividades com fins diversos dos religiosos &#8211; de solidariedade social, de educa&ccedil;&atilde;o e cultura, al&eacute;m dos comerciais e lucrativos &#8211;&nbsp; ficam sujeitas ao regime fiscal aplic&aacute;vel &agrave; respectiva actividade.<\/p>\n<p>O presidente da CEP lamenta, por outro lado, que ainda exista uma grande indefini&ccedil;&atilde;o no que diz respeito ao Patrim&oacute;nio, sublinhando que a Comiss&atilde;o bilateral para o desenvolvimento da coopera&ccedil;&atilde;o quanto a bens da Igreja que integrem o patrim&oacute;nio cultural portugu&ecirc;s (artigo 23 da Concordata) apenas se reuniu &quot;uma vez&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Temos alertado para isto imens&iacute;ssimas vezes e podem surgir problemas&quot;, alerta o Arcebispo de Braga, frisando que &quot;falta muito nesta &aacute;rea&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprovados diplomas sobre a assist\u00eancia religiosa nos hospitais, pris\u00f5es, For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[146,168,172,314],"class_list":["post-40232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-concordata","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}