{"id":402278,"date":"2025-12-01T15:44:46","date_gmt":"2025-12-01T15:44:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=402278"},"modified":"2025-12-01T15:44:46","modified_gmt":"2025-12-01T15:44:46","slug":"advento-epoca-de-abrir-portas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/advento-epoca-de-abrir-portas\/","title":{"rendered":"Advento: \u00c9poca de abrir portas!"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><em>Padre Miguel Lopes Neto, Diocese do Algarve, membro RedAlfamed e Universidade de Huelva<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_329388\" aria-describedby=\"caption-attachment-329388\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-329388\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024-382x260.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024-382x260.jpg 382w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024-1024x698.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024-768x523.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024-474x324.jpg 474w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/miguel-neto-mc-2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-329388\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">\u00c0s portas do Advento, tempo lit\u00fargico de espera e de prepara\u00e7\u00e3o para o Natal, somos confrontados com uma pergunta que ecoa desde Bel\u00e9m, at\u00e9 \u00e0s ruas das nossas cidades, em 2025: haver\u00e1 lugar na estalagem? A 15 de novembro, em F\u00e1tima, a Igreja em Portugal, atrav\u00e9s do I F\u00f3rum Migra\u00e7\u00f5es, olhou-se ao espelho e, com uma franqueza desarmante, admitiu que a resposta nem sempre tem sido um \u201csim\u201d incondicional.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Vivemos um paradoxo. Enquanto enfeitamos as casas para receber um Deus que se fez peregrino e refugiado, assistimos, como alertaram os participantes no F\u00f3rum, a uma degrada\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre quem chega de fora. A discrimina\u00e7\u00e3o, antes sussurrada, ganhou palco na esfera pol\u00edtica e social, normalizando narrativas que ferem a dignidade humana. \u00c9 inquietante perceber que esta eros\u00e3o da fraternidade \u00e9 especialmente aguda entre os mais jovens, seduzidos pela efic\u00e1cia comunicativa dos extremismos. Se o Advento \u00e9 a chegada da Luz, n\u00e3o podemos permitir que a nossa sociedade mergulhe na penumbra do medo e da desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">D. Jos\u00e9 Ornelas lembrou-nos que a realidade migrat\u00f3ria atingiu dimens\u00f5es in\u00e9ditas. Mas os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o o problema; a nossa resposta \u00e9 que define quem somos. O documento de F\u00e1tima \u00e9 claro: h\u00e1 uma falta de evangeliza\u00e7\u00e3o que nos fecha. O medo do desconhecido tem paralisado a a\u00e7\u00e3o, transformando par\u00f3quias que deveriam ser portos de abrigo em lugares de hesita\u00e7\u00e3o. A verdadeira integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz com decretos, mas com a supera\u00e7\u00e3o da barreira do \u201cn\u00f3s\u201d contra \u201celes\u201d. \u00c9 urgente, como foi proposto, reconhecer em cada migrante n\u00e3o um n\u00famero estat\u00edstico ou uma m\u00e3o de obra necess\u00e1ria para a sustentabilidade, mas um irm\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Neste Advento, a prepara\u00e7\u00e3o para o Natal exige uma \u201ccoragem serena, firme e persistente\u201d. N\u00e3o basta a caridade assistencialista; \u00e9 preciso justi\u00e7a. As conclus\u00f5es do F\u00f3rum apontam feridas abertas: a falta de habita\u00e7\u00e3o digna, o acesso dif\u00edcil \u00e0 sa\u00fade e, talvez o mais doloroso, os entraves ao reagrupamento familiar. Como podemos celebrar a Sagrada Fam\u00edlia se permitimos que leis e burocracias mantenham fam\u00edlias de carne e osso separadas? A fam\u00edlia \u00e9 o ber\u00e7o da integra\u00e7\u00e3o; neg\u00e1-la \u00e9 comprometer a coes\u00e3o social de amanh\u00e3.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A Igreja \u00e9 chamada a ser uma voz protetora, mas tamb\u00e9m um laborat\u00f3rio de conviv\u00eancia. A proposta de criar pequenas equipas paroquiais de acolhimento e de promover o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso n\u00e3o \u00e9 apenas estrat\u00e9gia pastoral; \u00e9 a atualiza\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio. \u00c9 dar voz aos migrantes, n\u00e3o apenas como destinat\u00e1rios de ajuda, mas como sujeitos ativos que renovam as nossas comunidades. Eles trazem a \u201criqueza da pluralidade\u201d que nos salva da estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O desafio lan\u00e7ado em F\u00e1tima, com o contributo de vozes como Rui Marques e Pedro G\u00f3is, \u00e9 o de construir espa\u00e7os de verdade e racionalidade, contra a polariza\u00e7\u00e3o. Negociar com o Estado e com as empresas solu\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer teologia na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Este desafio cimenta-se com a primeira viagem apost\u00f3lica do Papa Le\u00e3o XIV. A sua vis\u00e3o do ecumenismo, do irm\u00e3o, da proximidade que deve ser cultivada, como instrumento conducente \u00e0 paz, \u00e9 a que nos pede Jesus Cristo, nascido numa gruta, entre pobres e estrangeiros, que lhe deram o melhor que tinham e o reconheceram como Filho de Deus.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Que este Advento n\u00e3o seja apenas um calend\u00e1rio de chocolates ou uma contagem decrescente para o consumo. Que seja o tempo de derrubar os muros do preconceito e de abrir as portas, com a mesma solicitude com que gostar\u00edamos que tivessem aberto a porta a Jos\u00e9 e Maria. Se a nossa cultura crist\u00e3 portuguesa tem algum valor, que ele se prove agora, na capacidade de transformar o medo em encontro e o estrangeiro em vizinho. Porque, no fim de contas, Deus vem sempre de fora.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Lopes Neto, Diocese do Algarve, membro RedAlfamed e Universidade de Huelva<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":329388,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-402278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/402278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=402278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/402278\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/329388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=402278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=402278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=402278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}