{"id":4022,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-renovacao-da-arquitectura-religiosa-em-portugal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-renovacao-da-arquitectura-religiosa-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-renovacao-da-arquitectura-religiosa-em-portugal\/","title":{"rendered":"A renova\u00e7\u00e3o da arquitectura religiosa em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Cinema, garagem, pra\u00e7a de touro, constru\u00e7\u00e3o protestante ou comunista s\u00e3o alguns dos \u201cmimos\u201d com que t\u00eam sido presenteadas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas as novas igrejas de Portugal. As altera\u00e7\u00f5es no panorama da arquitectura do nosso pa\u00eds, mais not\u00f3ria a partir de meados dos anos 50 do s\u00e9culo passado, chamam a aten\u00e7\u00e3o para os elementos da arte, pol\u00edtica e teologia que moldavam o ambiente onde viveram todos aqueles que contribu\u00edram para esta renova\u00e7\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o de materiais tradicionalmente considerados como menos nobres (o bet\u00e3o, o vidro) e o primado da funcionalidade nas edifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas a face vis\u00edvel de um fen\u00f3meno de renova\u00e7\u00e3o que me Portugal deu os primeiros passos com o trabalho de Pardal Monteiro e a sua Igreja de Nossa Senhora de F\u00e1tima, em Lisboa, edificada entre 1934 e 1938: primeira a desafiar os c\u00f3digos tradicionais revivalistas, baseando-se nos projectos franceses do g\u00e9nero, (onde se destaca a igreja de Notre Dame du Raincy, do Arq. Auguste Perret, 1922, utilizando o bet\u00e3o armado e simplificando as formas). Obras como esta e a sua hom\u00f3nima, no Porto (1935, a cargo do grupo A.R.S. \u2013 Cunha Le\u00e3o, Fortunato Cabral e Morais Soares) e os seus opostos revivalistas e regionalmente estilizados de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, Santo Condest\u00e1vel e S\u00e3o Jo\u00e3o de Brito, em Lisboa, lan\u00e7am uma viva discuss\u00e3o e originam as tomadas de posi\u00e7\u00e3o muito antag\u00f3nicas, entre o conservadorismo e o desejo de renova\u00e7\u00e3o.  \u00c9 nesta configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que surge grupo de jovens arquitectos que rapidamente se transformaria numa associa\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia: o Movimento de Renova\u00e7\u00e3o da Arte Religiosa, base de uma pequena revolu\u00e7\u00e3o na maneira de ver e viver a imagem da igreja no mundo portugu\u00eas. No Outono de 1952, um pequeno grupo de arquitectos rec\u00e9m-diplomados e alguns estudantes da Escola de Belas Artes de Lisboa faziam as primeiras reuni\u00f5es, reagindo contra a utiliza\u00e7\u00e3o de modelos tradicionalistas e ao estilo neomedievalista que vingava nas novas \u00e1reas urbanas de Lisboa e Porto. Numa atitude muito de acordo com o que viria a ser a vida e obra da Igreja em estado de Conc\u00edlio, prop\u00f5em uma arte religiosa de cariz eclesial e pastoral.  Participaram neste movimento alguns dos mais destacados arquitectos e artistas pl\u00e1sticos em Portugal, como Nuno Teot\u00f3nio Pereira, Jo\u00e3o de Almeida, Diogo Pimentel, Nuno Portas, Lu\u00eds Cunha, Erich Corsepius, Madalena Cabral, Formosinho Sanchez, Manuel Costa Cabral, Eduardo Nery, Jorge Vieira, entre outros.  O grupo de jovens arquitectos cat\u00f3licos come\u00e7ou a sua ac\u00e7\u00e3o apoiado numa \u201cExposi\u00e7\u00e3o de Arquitectura Religiosa Contempor\u00e2nea\u201d, em 1953, com o objectivo de mostrar o que se pode fazer \u201cpara p\u00f4r ao servi\u00e7o do culto lit\u00fargico uma arte digna dessa nobre fun\u00e7\u00e3o\u201d. A exposi\u00e7\u00e3o surgida numa galeria anexa \u00e0 Igreja de S\u00e3o Nicolau, haveria de percorrer todo o pa\u00eds. O cat\u00e1logo da exposi\u00e7\u00e3o afirma claramente uma das ideias fundamentais do Movimento, aquela que, nos in\u00edcios, parece orientar toda a sua reflex\u00e3o: \u201cArte Sacra \u00e9 fen\u00f3meno comunit\u00e1rio em ordem ao culto\u201d. \u00c9 importante integrar a nova vaga de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, dentro da Igreja, no amplo movimento de renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e pastoral que se iniciou no p\u00f3s-guerra e culminou na realiza\u00e7\u00e3o do II Conc\u00edlio do Vaticano. A compreens\u00e3o plena do fen\u00f3meno da arte religiosa, sobretudo da vertente arquitect\u00f3nica, depende de uma correcta aproxima\u00e7\u00e3o aos dados do Conc\u00edlio, em mat\u00e9ria de Eclesiologia, de Liturgia e de di\u00e1logo com a humanidade, com a nova atitude perante a sociedade moderna que da\u00ed resultou. As primeiras obras de refer\u00eancia destes tempos s\u00e3o a Igreja de Santo Ant\u00f3nio, (Arq. Jo\u00e3o de Almeida e Ant\u00f3nio Freitas Leal, Moscavide, 1953), onde \u00e9 vis\u00edvel uma austera simplicidade como primeiro ensaio de funcionalismo lit\u00fargico e das linhas modernas da arquitectura; a Igreja paroquial de \u00c1guas, (Arq. Nuno Teot\u00f3nio Pereira, Diocese da Guarda, 1950-57), marco da moderniza\u00e7\u00e3o da arquitectura religiosa pela op\u00e7\u00e3o declarada de \u201caproxima\u00e7\u00e3o ao contexto e \u00e0s formas vern\u00e1culas\u201d e a Capela do Picote, junto \u00e0 barragem hidroel\u00e9ctrica com o mesmo nome, (Arq. Manuel Nunes de Almeida, Tr\u00e1s-os-Montes, 1958). Aquilo que se pretendia de um edif\u00edcio religioso, por esta altura, \u00e9 que respondesse \u00e0s necessidades do culto, organizando o espa\u00e7o em torno do altar. Este espa\u00e7o era comunit\u00e1rio e traduzia, de modo pl\u00e1stico, a Assembleia dos fi\u00e9is, reunida para celebrar. A igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, (Arq. Nuno Teot\u00f3nio Pereira e Nuno Portas, Lisboa, 1961-70) constituiu-se posteriormente como uma refer\u00eancia para as gera\u00e7\u00f5es futuras, marcando definitivamente uma nova imagem no equipamento religioso, aberto e participado. Esta igreja era definida como \u201co lugar onde a Igreja se re\u00fane para celebrar: escutar a Palavra, celebrar a Eucaristia, reconhecer a Assembleia que celebra o mist\u00e9rio pascal de Cristo como Povo de Deus\u201d. A linguagem passou, ent\u00e3o, da ideia de \u201cigreja-templo\u201d para a de \u201ccentro paroquial\u201d, enquanto conjunto de espa\u00e7os em redor da igreja, entendida como domus ecclesiae (casa da igreja).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinema, garagem, pra\u00e7a de touro, constru\u00e7\u00e3o protestante ou comunista s\u00e3o alguns dos \u201cmimos\u201d com que t\u00eam sido presenteadas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas as novas igrejas de Portugal. 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