{"id":402072,"date":"2025-11-29T18:15:09","date_gmt":"2025-11-29T18:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=402072"},"modified":"2025-11-29T18:15:09","modified_gmt":"2025-11-29T18:15:09","slug":"optei-por-morrer-como-martir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/optei-por-morrer-como-martir\/","title":{"rendered":"\u201cOptei por morrer como m\u00e1rtir\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Mathieu Sawadogo, um catequista que foi raptado no Burquina Fasso<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-402073 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mathieu-Sawadogo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Burquina Fasso \u00e9 um dos pa\u00edses de \u00c1frica onde a amea\u00e7a terrorista \u00e9 mais forte. Cerca de 40% do pa\u00eds est\u00e1 nas m\u00e3os ou \u00e9 controlado de alguma forma pelos grupos armados que transformaram o jihadismo na bandeira do medo. Apesar de todos os riscos, Mathieu e a mulher, Pauline, nunca renunciaram \u00e0 sua miss\u00e3o de catequistas. At\u00e9 que foram raptados em Maio de 2018. Viveram um inferno. Rezaram juntos o Ter\u00e7o mais de 700 vezes. A ora\u00e7\u00e3o manteve-os vivos.<\/p>\n<p>Mathieu Sawadogo n\u00e3o gosta de falar de si pr\u00f3prio e muito menos como her\u00f3i, mas esse sil\u00eancio, essa timidez apenas acrescenta mais valor \u00e0 sua hist\u00f3ria, ao que j\u00e1 passou, ao que j\u00e1 sofreu como catequista no Burquina Fasso. Tanto ele como a mulher viveram quatro longos meses de cativeiro \u00e0s m\u00e3os de um dos muitos grupos terroristas que infestam este pa\u00eds e que ostentam a bandeira negra do jihadismo. Foram quatro meses que os puseram \u00e0 prova, em que rezaram constantemente ter\u00e7os sobre ter\u00e7os implorando \u00e0 M\u00e3e de Deus que os livrasse daquele sofrimento. Rezaram com pedrinhas, simulando as contas do ros\u00e1rio. Rezaram com a convic\u00e7\u00e3o profunda de uma f\u00e9 provada na viol\u00eancia e no medo.<\/p>\n<p><strong>Enviado para uma aldeia perto do Mali<\/strong><\/p>\n<p>Mathieu n\u00e3o gosta de falar de si pr\u00f3prio mas aceitou contar um pouco da sua hist\u00f3ria para agradecer aos benfeitores da Funda\u00e7\u00e3o AIS que ajudam os catequistas que, como ele, tentam manter viva a chama da f\u00e9 junto dos Crist\u00e3os do Burquina Fasso. Em 2015, Mathieu foi enviado, pela sua Diocese, para uma pequena povoa\u00e7\u00e3o, Baasmere, relativamente perto da fronteira com o Mali. J\u00e1 na altura essa era uma das zonas mais perigosas do pa\u00eds, pois o Mali j\u00e1 estava tamb\u00e9m submerso pela viol\u00eancia terrorista. A princ\u00edpio, os grupos armados s\u00f3 atacavam o ex\u00e9rcito e elementos da pol\u00edcia, mas aos poucos isso foi mudando e as popula\u00e7\u00f5es passaram tamb\u00e9m a ser um alvo dos jihadistas. Baasmere \u00e9 uma aldeia. Pertence \u00e0 Par\u00f3quia de Aribinda que, por sua vez, faz parte da Diocese de Dori. Na altura, em Baasmere n\u00e3o haveria mais de 150 a 200 cat\u00f3licos.<\/p>\n<p><strong>O pior estava ainda para vir<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro sinal de perigo chegou em 2018, quando um grupo de homens foi a casa de Mathieu pedindo-lhe para parar de rezar e de organizar celebra\u00e7\u00f5es religiosas. Nenhum trazia armas. Foi apenas um aviso, uma amea\u00e7a, at\u00e9 porque antes de abandonarem a aldeia queimaram as lojas onde se vendiam bebidas alco\u00f3licas. O pior estava ainda para vir. Dia 20 de Maio de 2018. Ao meio-dia, Mathieu estava a descansar em casa quando, de repente, um grupo de dez homens armados e mascarados irrompe porta dentro.\u00a0\u201cPorque \u00e9 que ainda est\u00e1s aqui?\u201d, perguntaram-lhe.\u00a0\u201cSou catequista, este \u00e9 o meu dever\u201d, responde ele. Mandaram-no deitar no ch\u00e3o, vendaram-lhe os olhos e ataram-lhe as m\u00e3os e os p\u00e9s. Ouvi-os a destruir os seus bens e a deitar-lhes fogo. Depois, colocaram-no na parte de tr\u00e1s de uma mota, entre dois terroristas. \u00a0\u201cPensei que ia morrer\u201d, recorda Mathieu.<\/p>\n<p><strong>Sem sombra de \u00f3dio e revolta<\/strong><\/p>\n<p>Como tinha os olhos vendados, Mathieu nem sequer se apercebeu que\u00a0Pauline\u00a0tamb\u00e9m tinha sido levada.\u00a0\u201cPass\u00e1mos quatro meses no acampamento deles no deserto. Pensei que eles me iam matar, mas n\u00e3o senti medo. Perdi a esperan\u00e7a de viver, mas nunca renunciei \u00e0 minha f\u00e9. Optei por morrer como m\u00e1rtir. Como n\u00e3o t\u00ednhamos ter\u00e7os nem objectos religiosos, \u00e0 noite us\u00e1vamos pedrinhas em vez de contas para rezar. Todas as noites, a minha mulher e eu rez\u00e1vamos 700 contas do ter\u00e7o\u201d, recorda. J\u00e1 passaram muitos anos, muitos dias, muitas noites, mas a mem\u00f3ria do que aconteceu n\u00e3o desaparece. Hoje, Mathieu n\u00e3o tem sombra de \u00f3dio, de revolta. Parece apaziguado. \u201cPela gra\u00e7a de Deus, Ele ouviu as nossas ora\u00e7\u00f5es e sobrevivemos. Mas mesmo que Jesus me chamasse, mesmo que o meu trabalho parecesse in\u00fatil, Ele n\u00e3o me ia abandonar\u201d, afirma com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u201cMuitos morreram como m\u00e1rtires\u2026&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 toda uma certeza na f\u00e9 de Mathieu que impressiona. Mas ele lembra que, se sobreviveu ao cativeiro, muitos outros crist\u00e3os foram tamb\u00e9m raptados, levados \u00e0 for\u00e7a e mortos. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquec\u00ea-los. \u201cMuitos morreram como m\u00e1rtires para nos trazer o Evangelho. Se prometemos seguir Jesus nos bons e maus momentos, n\u00e3o podemos neg\u00e1-l\u2019O nas prova\u00e7\u00f5es. Pedimos a vossa ajuda para o Burquina Fasso. O nosso fardo \u00e9 pesado. A vossa generosidade ir\u00e1 reconstruir a nossa vida de f\u00e9, outrora t\u00e3o bela\u201d, diz a concluir. A hist\u00f3ria de Mathieu \u00e9 um hino \u00e0 coragem dos Crist\u00e3os do Burquina Fasso, mas tamb\u00e9m em todos os pa\u00edses de \u00c1frica onde a amea\u00e7a jihadista tem vindo a crescer como um v\u00edrus maligno que parece impar\u00e1vel. Ele pede ajuda, pede a nossa generosidade. Como n\u00e3o o ajudar?<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_24944\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KjEAg-EE8a0?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" 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