{"id":401841,"date":"2025-11-30T09:31:42","date_gmt":"2025-11-30T09:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=401841"},"modified":"2025-11-30T11:18:59","modified_gmt":"2025-11-30T11:18:59","slug":"medio-oriente-quem-fica-com-aqueles-que-estao-a-sofrer-sao-os-cristaos-sao-as-igrejas-sao-as-suas-missoes-d-jorge-pina-cabral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/medio-oriente-quem-fica-com-aqueles-que-estao-a-sofrer-sao-os-cristaos-sao-as-igrejas-sao-as-suas-missoes-d-jorge-pina-cabral\/","title":{"rendered":"M\u00e9dio Oriente: \u00abQuem fica com aqueles que est\u00e3o a sofrer s\u00e3o os crist\u00e3os, s\u00e3o as igrejas, s\u00e3o as suas miss\u00f5es\u00bb &#8211; D. Jorge Pina Cabral"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia em que o Papa chega ao L\u00edbano, encerrando um per\u00edplo de tr\u00eas dias pela Turquia, onde assinalou os 1700 anos do Conc\u00edlio de Niceia, olhamos para este pontificado do Le\u00e3o XIV, marcadamente virado para o ecumenismo. Para nos ajudar a ler os sinais desta viagem e os desafios da unidade dos crist\u00e3os, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o presidente do Conselho Portugu\u00eas de Igrejas Crist\u00e3s &#8211; COPIC<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_401798\" aria-describedby=\"caption-attachment-401798\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-401798 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jorge-Pina-Cabral-4-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-401798\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jo\u00e3o Malheiro\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Comecemos por este momento hist\u00f3rico na Turquia. O Papa Le\u00e3o XIV escolheu assinalar os 1700 anos do Conc\u00edlio de Niceia no terreno, no Oriente. Sendo este o conc\u00edlio que nos deu o credo, que ainda hoje une a maioria das igrejas crist\u00e3s, que leitura faz deste gesto do Papa?\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 um sinal mais forte para o movimento ecum\u00e9nico?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, na medida em que sabemos que o Papa Le\u00e3o XIV, nesta sua desloca\u00e7\u00e3o \u00e0 Turquia, teve um encontro com o Patriarca Bartolomeu e participou em diversas celebra\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas e tudo isso tem um significado muito importante.\u00a0 E a sua presen\u00e7a na cidade de \u0130znik, que \u00e9 a antiga Niceia, marca a import\u00e2ncia do Credo de Niceia para todas as igrejas e para a identidade crist\u00e3. Esta ida do Papa ao Oriente permite, de certo modo, que os dois pulm\u00f5es da Igreja de Cristo, o pulm\u00e3o ocidental e o pulm\u00e3o oriental, se re\u00fanam e estreitem tamb\u00e9m os seus la\u00e7os, afirmando o Credo de Niceia como uma base e um crit\u00e9rio de refer\u00eancia para o caminhar das igrejas.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, h\u00e1 uma express\u00e3o muito bonita que o Papa usa na sua Carta Apost\u00f3lica, que \u00e9 unidade na trindade e trindade na unidade, ou seja, h\u00e1 uma unidade que nos identifica, que \u00e9 a unidade que prov\u00e9m da fam\u00edlia da Sant\u00edssima Trindade, mas \u00e9 uma unidade que deve ser vivida na diversidade das diversas tradi\u00e7\u00f5es eclesiais. Esta express\u00e3o unidade na trindade e trindade na unidade, pressup\u00f5e tamb\u00e9m que, acima de tudo, nesta viagem em que se invoca o Conc\u00edlio, o Papa est\u00e1 a apontar para o caminho que urge fazer para o futuro, que \u00e9 um caminho tamb\u00e9m de integra\u00e7\u00e3o, da diversidade das igrejas e das diversas tradi\u00e7\u00f5es, com os seus carismas e os seus dons e recursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estava a falar de algo que o Papa levou na bagagem para esta viagem, a Carta Apost\u00f3lica na unidade da f\u00e9. Nessa Carta de Le\u00e3o XIV deixa votos para que os crist\u00e3os sejam sinal de paz e instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o. Num mundo t\u00e3o fragmentado como o nosso, as igrejas crist\u00e3s t\u00eam conseguido ser esse instrumento?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim. Quem est\u00e1 atento ao papel das diversas igrejas, nomeadamente em conflitos de guerra, em zonas de guerra, como \u00e9 o caso de Gaza, no pr\u00f3prio Sud\u00e3o, no norte de Mo\u00e7ambique e em muitos outros s\u00edtios, n\u00f3s percebemos que verdadeiramente quem fica com aqueles que est\u00e3o a sofrer s\u00e3o os crist\u00e3os, s\u00e3o as igrejas, s\u00e3o as suas miss\u00f5es, s\u00e3o as suas comunidades. E nesse ficar, no fundo, uma viv\u00eancia encarnada da f\u00e9, os crist\u00e3os e as igrejas ajudam aqueles que sofrem e procuram ser tamb\u00e9m instrumentos de reconcilia\u00e7\u00e3o entre as partes envolvidas.<\/p>\n<p>Portanto, eu acho que h\u00e1 diversos n\u00edveis no trabalhar a paz. Acho que \u00e9 muito importante que as figuras, os l\u00edderes religiosos possam efetivamente denunciar aquilo que est\u00e1 mal, propor novos caminhos, mas h\u00e1 uma presen\u00e7a efetiva dos crist\u00e3os junto daqueles que sofrem numa procura de reconcilia\u00e7\u00e3o. E hoje j\u00e1 se percebeu que, ficando e estando com os mais necessitados, a igreja, e neste caso tamb\u00e9m os crist\u00e3os, devem intervir e propor solu\u00e7\u00f5es para os conflitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o Papa aterra hoje no L\u00edbano, num contexto de extrema fragilidade regional, com o conflito em Gaza e tamb\u00e9m no sul do L\u00edbano. A presen\u00e7a f\u00edsica dos l\u00edderes religiosos nestas zonas de conflito \u00e9 apenas simb\u00f3lica? Ou acredita que pode efetivamente abrir canais diplom\u00e1ticos que a pol\u00edtica tradicional n\u00e3o tem conseguido?<\/em><\/p>\n<p>Naturalmente abrir\u00e1 canais diplom\u00e1ticos. Sabemos que o Vaticano e as igrejas t\u00eam muita influ\u00eancia a estes n\u00edveis, mas eu acho tamb\u00e9m que o simbolismo \u00e9 muito importante. Tocou-me muito o facto de o Papa tamb\u00e9m orar naquele lugar que foi um lugar de destrui\u00e7\u00e3o no porto de Beirute e vai fazer um tempo de sil\u00eancio, de recolhimento e de ora\u00e7\u00e3o. E quando n\u00f3s sabemos que passados j\u00e1 cinco anos deste terr\u00edvel acidente n\u00e3o houve ainda justi\u00e7a para aqueles que sofreram, s\u00f3 esse facto de estar \u00e9 uma forma tamb\u00e9m de se solidarizar com todos aqueles que sofreram e continuam a sofrer com esse terr\u00edvel desastre que se verificou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, eu acho que a presen\u00e7a dos l\u00edderes \u00e9 muito importante. Eu relembro aqui, por exemplo, a presen\u00e7a do Papa Francisco, de Justin Welby e de outros l\u00edderes crist\u00e3os quando se deslocaram em conjunto ao Sud\u00e3o do Sul e se reuniram com os chefes das diferentes mil\u00edcias e, acima de tudo, lhes lavaram os p\u00e9s. Portanto, h\u00e1 sinais que s\u00e3o sinais muito poderosos que v\u00e3o at\u00e9 para al\u00e9m, no seu poder e na sua mensagem, v\u00e3o para al\u00e9m daquilo que s\u00e3o os tradicionais canais de diplomacia porque a paz crist\u00e3 visa, efetivamente, a reconcilia\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o apenas uma paz tempor\u00e1ria, mas \u00e9 uma paz que busca a transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e das vidas e, portanto, os l\u00edderes religiosos est\u00e3o a fazer isso.<\/p>\n<p>Apraz-me muito que o Papa Le\u00e3o XIV tamb\u00e9m se tenha reunido com o patriarca Bartolomeu I porque aquilo que os l\u00edderes puderem fazer em conjunto devem-no fazer em conjunto e isso \u00e9 um forte sinal para o tempo de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou do L\u00edbano onde recentemente tivemos interven\u00e7\u00e3o militar israelita, a pergunta tamb\u00e9m lembrava Gaza onde a Igreja Anglicana tem, historicamente, uma presen\u00e7a de solidariedade e de a\u00e7\u00e3o social e eu pergunto-lhe como \u00e9 que olha para esta situa\u00e7\u00e3o, este arrastar do conflito?<\/em><\/p>\n<p>Recentemente n\u00f3s tivemos um membro do nosso col\u00e9gio que esteve na sexta confer\u00eancia de f\u00e9 e ordem que decorreu no Egito e onde estavam os crist\u00e3os de Gaza e ele veio muito impressionado com o testemunho dos crist\u00e3os que disseram qualquer coisa como isto: n\u00e3o estejam preocupados connosco porque Deus est\u00e1 connosco, o que n\u00f3s questionamos \u00e9 onde est\u00e1 a humanidade. E eu achei muito interessante este pensamento no sentido de que a presen\u00e7a dos crist\u00e3os nestes lugares de destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma presen\u00e7a de esperan\u00e7a e lembramos que os crist\u00e3os e as igrejas dirigem hospitais, dirigem escolas, dirigem todo um conjunto de institui\u00e7\u00f5es que permaneceram apesar de bombardeadas, por isso \u00e9 nestes sinais, nestes testemunhos destes m\u00e1rtires poderemos dizer que n\u00f3s encontramos tamb\u00e9m a interroga\u00e7\u00e3o para a nossa f\u00e9 para um maior compromisso, portanto \u00e9 nos locais de conflito que n\u00f3s percebemos a presen\u00e7a de Deus e das igrejas num testemunho de vida total que muitas vezes \u00e9 um testemunho de m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como Presidente do COPIC acredito que olhe com particular interesse para o que \u00e9 o ecumenismo a\u00ed no Porto, com uma comiss\u00e3o Ecum\u00e9nica pr\u00f3pria, que reconhecidamente \u00e9 das mais ativas do pa\u00eds, tem muitas iniciativas, j\u00e1 em dezembro vai ter os cantares ecum\u00e9nicos de Natal nas ruas. O que \u00e9 que o Porto tem diferente?<\/em><\/p>\n<p>O Porto tem uma cultura ecum\u00e9nica que prov\u00e9m dos anos 60. Para n\u00f3s compreendermos o tempo de hoje n\u00f3s temos de recuar um bocadinho e perceber que desde os anos 60, e nomeadamente ap\u00f3s o impulso dado \u00e0 unidade dos crist\u00e3os pelo Vaticano II, houve figuras das diferentes igrejas ecum\u00e9nicas que est\u00e3o no Porto que se come\u00e7aram a reunir para orar, para se conhecerem e come\u00e7aram a desbravar desde ent\u00e3o um caminho e um trabalho de confian\u00e7a. Essa cultura ecum\u00e9nica foi passando, gra\u00e7as a Deus, pelos diferentes l\u00edderes das igrejas e nomeadamente pelos bispos do Porto e foi sendo assumida tamb\u00e9m pela presen\u00e7a no grande Porto da Igreja Metodista, da Igreja Lusitana, da Igreja Evang\u00e9lica Alem\u00e3 e agora recentemente tamb\u00e9m com a Igreja Ortodoxa.<\/p>\n<p>Por isso n\u00f3s herdamos uma heran\u00e7a que tem sido alimentada por a\u00e7\u00f5es concretas e nomeadamente tamb\u00e9m se soube fazer em cada ano aquilo que n\u00f3s chamamos de um roteiro ecum\u00e9nico no grande Porto que concretiza a viv\u00eancia ecum\u00e9nica em v\u00e1rias \u00e1reas, desde a \u00e1rea social, a \u00e1rea da ora\u00e7\u00e3o, a \u00e1rea dos jovens e que portanto vai dando uma vida e vai, digamos, tornando o ecumenismo como algo natural a ser vivido, a unidade na diferen\u00e7a, a confian\u00e7a e as amizades que se geram. E, por exemplo, n\u00f3s iremos agora em dezembro fazer uma coisa t\u00e3o simples como esta que \u00e9 os l\u00edderes das v\u00e1rias igrejas aqui no Porto, juntamente com os membros da Comiss\u00e3o Ecum\u00e9nica do Porto, v\u00e3o-se encontrar para, na ambi\u00eancia de Natal, jantarem em conjunto e estarem juntos \u00e0 volta da mesa.\u00a0 Portanto \u00e9 por a\u00ed que passa tamb\u00e9m o caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E porque \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel replicar esta realidade noutras zonas do pa\u00eds, na sua opini\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Ela \u00e9 replicada, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 conhecida. Por exemplo, eu sei que na zona centro h\u00e1 uma grande rela\u00e7\u00e3o entre as igrejas e tamb\u00e9m se traduz depois numa viv\u00eancia tamb\u00e9m muito interessante. O que acontece muitas vezes no nosso pa\u00eds \u00e9 que a realidade das igrejas \u00e9 muito diversa.<\/p>\n<p>Por exemplo, h\u00e1 igrejas que n\u00e3o est\u00e3o muito interessadas na quest\u00e3o da viv\u00eancia ecum\u00e9nica e muitas vezes tamb\u00e9m faltam parceiros e igrejas que possam se comprometer tamb\u00e9m nesta unidade. Mas, eu diria, por exemplo, hoje na zona da Grande Lisboa assistimos, eu chamaria ao reavivamento ecum\u00e9nico, com muitas iniciativas que t\u00eam acontecido e que t\u00eam congregado crist\u00e3os de diversas igrejas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mudando de tema para uma \u00e1rea onde a converg\u00eancia ecum\u00e9nica costuma ser forte, a defesa da cria\u00e7\u00e3o. D. Jorge acompanha de perto estas quest\u00f5es, e olhando para os resultados da COP30, sente que os alertas conjuntos das igrejas crist\u00e3s, cat\u00f3lica, anglicana, ortodoxa, est\u00e3o a ter eco ou h\u00e1 alguma desilus\u00e3o com a falta de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica global?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que os crist\u00e3os e as diversas igrejas estiveram muito presentes na COP30. Foram diversos os movimentos ecum\u00e9nicos que estiveram presentes, com celebra\u00e7\u00f5es conjuntas, com vig\u00edlias tamb\u00e9m e tamb\u00e9m com propostas. Isso naturalmente introduziu na agenda da pr\u00f3pria COP e nas decis\u00f5es que vieram a ser tomadas tem\u00e1ticas que as igrejas souberam tamb\u00e9m introduzir, nomeadamente a quest\u00e3o por exemplo dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Portanto, valorizar a riqueza cultural, a pr\u00f3pria espiritualidade dos povos ind\u00edgenas e estamos a falar em Bel\u00e9m, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia, \u00e9 tamb\u00e9m um dos resultados, poderemos dizer assim, das igrejas que se abrem a uma encultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e que, portanto, tamb\u00e9m se relacionam com diversos povos ind\u00edgenas e souberam fazer com que essa voz tamb\u00e9m estivesse presente na COP. Portanto, as igrejas t\u00eam dado um bom contributo, sabemos que os resultados ficaram aqu\u00e9m dos esperados, nomeadamente o facto de n\u00e3o se ter ainda definido um calend\u00e1rio para a elimina\u00e7\u00e3o das energias f\u00f3sseis, mas h\u00e1 um caminho que est\u00e1 a ser feito e c\u00e1 est\u00e1, por exemplo, no agir conjunto pela defesa e salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o exprime-se tamb\u00e9m a viv\u00eancia ecum\u00e9nica entre os crist\u00e3os.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Eu tenho uma \u00faltima pergunta que tem a ver com a nova vers\u00e3o da Carta Ecum\u00e9nica que foi assinada ainda este m\u00eas, atualiza o documento de 2001.Fala-se explicitamente, al\u00e9m da grave crise clim\u00e1tica, na defesa dos migrantes e fala da quest\u00e3o ecol\u00f3gica, da nossa crise ecol\u00f3gica como uma falha espiritual. Que a\u00e7\u00f5es concretas \u00e9 que as igrejas crist\u00e3s em Portugal est\u00e3o a tomar ou podem tomar para que este compromisso de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique apenas no papel?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu posso dizer que em janeiro pr\u00f3ximo a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa e o Conselho Portugu\u00eas de Igrejas Crist\u00e3s v\u00e3o lan\u00e7ar publicamente e no \u00e2mbito da Semana de Ora\u00e7\u00e3o\u00a0pela Unidade dos Crist\u00e3os, 2026, v\u00e3o lan\u00e7ar a edi\u00e7\u00e3o portuguesa da Carta Ecum\u00e9nica. E ao lan\u00e7ar esse documento vamos procurar tamb\u00e9m estabelecer um compromisso de a\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos, nomeadamente, e como referiu e bem, na \u00e1rea da migra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma \u00e1rea na qual as igrejas j\u00e1 est\u00e3o envolvidas e onde vai ser poss\u00edvel tamb\u00e9m unir-se esfor\u00e7os na defesa da dignidade do migrante, na defesa das comunidades migrantes e dizendo claramente que os migrantes t\u00eam um papel na sociedade portuguesa dando e recebendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, as igrejas abrem-se a essa diversidade cultural, lingu\u00edstica e aceitam-na como uma riqueza e j\u00e1 o est\u00e3o a fazer, acolhendo as comunidades tamb\u00e9m no seu seio. Por outro lado, n\u00f3s vamos dar tamb\u00e9m continuidade ao Eco-Igrejas Portugal, que como sabem, foi tamb\u00e9m j\u00e1 assinado pelas igrejas e neste momento temos um instrumento j\u00e1 muito valioso que vai sustentar a a\u00e7\u00e3o das igrejas, das comunidades e das institui\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do Eco-Igrejas Portugal, que \u00e9 uma ferramenta digital que visa a sustentabilidade ambiental das nossas comunidades. Por isso, esse \u00e9 j\u00e1 um caminho que est\u00e1 a ser trilhado e eu pe\u00e7o que as comunidades e as igrejas acolham esta proposta do Eco-Igrejas Portugal, que em si \u00e9 uma express\u00e3o tamb\u00e9m do ecumenismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tornou-se um imperativo em Portugal a defesa das comunidades migrantes?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim. Jesus Cristo acolheu a diferen\u00e7a, ele pr\u00f3prio foi um migrante e em cada migrante, independente da sua cor, da sua cultura, religi\u00e3o, n\u00f3s vemos a pessoa tamb\u00e9m de Jesus Cristo, vemos um irm\u00e3o, vemos uma pessoa da fam\u00edlia humana, vemos algu\u00e9m que tem uma dignidade pr\u00f3pria e devemo-lo afirmar, nomeadamente no contexto em que estamos a viver, em que algumas vozes procuram ostracizar e colocar de lado aqueles que s\u00e3o diferentes s\u00f3 pelo facto de serem diferentes. E nesse sentido, as Igrejas, fi\u00e9is ao Evangelho de Jesus Cristo, fi\u00e9is \u00e0 dignidade de cada pessoa, unem-se tamb\u00e9m para acolher o migrante e acolher tamb\u00e9m tudo aquilo que os migrantes nos podem dar para a pr\u00f3pria viv\u00eancia da vida e da f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia em que o Papa chega ao L\u00edbano, encerrando um per\u00edplo de tr\u00eas dias pela Turquia, onde assinalou os 1700 anos do Conc\u00edlio de Niceia, olhamos para este pontificado do Le\u00e3o XIV, marcadamente virado para o ecumenismo. 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