{"id":40179,"date":"2009-07-28T10:49:53","date_gmt":"2009-07-28T10:49:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/28\/padre-e-futebolista\/"},"modified":"2009-07-28T10:49:53","modified_gmt":"2009-07-28T10:49:53","slug":"padre-e-futebolista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-e-futebolista\/","title":{"rendered":"Padre e&#8230; Futebolista:"},"content":{"rendered":"<p>Marco Gil, capit\u00e3o da equipa de futsal de padres de Portugal <!--more--> Arrancou com a bola do meio-campo, fintou um, dois, tr&ecirc;s e marcou o melhor golo da carreira. Actualmente tem 33 anos e fez o contrato da sua vida a 20 de Julho de 2003 quando foi ordenado padre por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga. Em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, o Pe. Marco Gil relata como consegue conciliar o futebol com a vida de p&aacute;roco. <\/p>\n<p>Tudo come&ccedil;ou na inf&acirc;ncia. Com os vizinhos jogava na rua, mas o &laquo;v&iacute;cio&raquo; prolongou-se pela vida fora. &quot;No semin&aacute;rio pratic&aacute;vamos muito desporto e foi uma forma de n&atilde;o esquecer os passos dados na inf&acirc;ncia&quot;. No futebol de rua, os vidros das janelas sofreram com os pontap&eacute;s na bola. &quot;Por acaso, s&oacute; aconteceu uma vez&quot; &#8211; confessou.<\/p>\n<p>Se fosse jogador de futebol profissional estava no fim da carreira, mas tal n&atilde;o acontece na vida sacerdotal. Na sua terra natal, Lousado, Vila Nova de Famalic&atilde;o, um padre Comboniano abriu-lhe o caminho vocacional. Com a ajuda de outro sacerdote Pe Constantino de S. Miguel, Caldas de Vizela, &quot;comecei a frequentar o Pr&eacute;-Semin&aacute;rio&quot;. O passo seguinte foi a entrada no Semin&aacute;rio. As d&uacute;vidas surgiram e &quot;interrompi por uns anos&quot; &#8211; revelou. Mais tarde e depois de amadurecida a quest&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal, Marco Gil faz um passe certeiro: entra novamente no semin&aacute;rio rumo ao contrato da sua vida.<\/p>\n<p>O futebol &eacute; que nunca desapareceu da vida deste sacerdote bracarense. &quot;Joguei futebol federado e tive algumas propostas&quot;. Os clubes grandes do futebol portugu&ecirc;s nunca o abordaram. &quot;Andei sempre pelas equipas da regi&atilde;o&quot;. Como estava a estudar, mentalizou-se que primeiro estava a escola &#8211; &quot;primeiro tinha que cumprir os meus objectivos&quot; &#8211; e depois &quot;&eacute; que vinha o futebol&quot;.<\/p>\n<p>Como jogador de futebol &quot;&eacute; tecnicamente e tacticamente evolu&iacute;do&quot;. No entanto, considera-se, &quot;no bom sentido, um bocadinho agressivo na forma como abordo o jogo&quot;. Com o passar dos anos, sente que este temperamento vai resfriando. &quot;Nunca levei nenhum cart&atilde;o vermelho&quot; &#8211; sublinha.<\/p>\n<p>No rect&acirc;ngulo de jogo de futebol onze jogava a trinco, no meio campo, embora &quot;chegasse &#8211; durante duas ou tr&ecirc;s &eacute;pocas &#8211; a jogar a central&quot;. Como o futebol de sal&atilde;o (Futsal) o espa&ccedil;o de jogo &eacute; inferior, o padre futebolista desempenha todas as posi&ccedil;&otilde;es excepto a de guarda-redes. &quot;&Agrave;s vezes no ataque e noutros jogos mais &agrave; defesa para aguentar o jogo todo&quot;.<\/p>\n<p>Baresi (jogador do Milan da d&eacute;cada de 90) e Rui Costa (jogador do Benfica at&eacute; 2008) foram os seus &iacute;dolos no futebol nacional e internacional. Dois jogadores diferentes na ocupa&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os. &quot;Admirava o Rui Costa pela forma como conduzia o jogo e o Baresi pela quest&atilde;o t&aacute;ctica&quot; &#8211; confidenciou. E acrescenta: &quot;o Baresi era pequeno como eu, mas exprimia o jogo muito bem&quot;. N&atilde;o tem alcunha no futebol, mas, &agrave;s vezes, os amigos chamam-lhe Baresi. Aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m tanta proximidade &quot;tratam-me por padre&quot;. <\/p>\n<p>No primeiro ano ap&oacute;s a ordena&ccedil;&atilde;o &#8211; &quot;assumi quatro comunidades&quot; -, o padre futebolista tinha o tempo todo controlado. &quot;Os jogos eram &agrave;s 15horas e tinha Eucaristia &agrave;s 17h 30m&#8230; era na queima para chegar a horas&quot;. A condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica j&aacute; n&atilde;o &eacute; a mesma quando tinha vinte e poucos anos. &quot;Come&ccedil;ou a ser extremamente dif&iacute;cil conciliar futebol de onze e a vida sacerdotal&quot; &#8211; admitiu.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"width: 215px; height: 167px\" src=\"http:\/\/farm4.static.flickr.com\/3474\/3764635773_be28012b6e.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"167\" align=\"right\" \/>Actualmente, o Pe. Marco Gil &eacute; o capit&atilde;o da selec&ccedil;&atilde;o portuguesa dos padres que jogam Futsal. &Eacute; tamb&eacute;m um dos elementos da equipa da diocese de Braga que praticam este desporto. Este ano, os padres da diocese de Viana do Castelo saborearam a vit&oacute;ria pela quarta vez consecutiva. Como entendido do futebol e praticante da modalidade, o Pe. Marco Gil d&aacute; o seu parecer sobre a superioridade da diocese que venceu o &laquo;Clericus Cup nacional&raquo;. &quot;A m&eacute;dia de idades da equipa de Braga &eacute; superior em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; selec&ccedil;&atilde;o de Viana do Castelo&quot; e neste desporto &quot;a idade e a condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica contam muito&quot;.<\/p>\n<p>O bispo da diocese, D. Jorge Ortiga, e o Pe. Marco Gil s&atilde;o naturais de Famalic&atilde;o. &quot;Por acaso cheguei a jogar contra o sobrinho de D. Jorge que era guarda-redes no Brufe&quot; &#8211; real&ccedil;a. E garante: &quot;D. Jorge Ortiga nunca nos proibiu de jogar futebol, apenas nos alertava para o cuidado pastoral&quot;.&nbsp; Como chegou &agrave; conclus&atilde;o que n&atilde;o conseguia &quot;tocar dois instrumentos em simult&acirc;neo&quot;, o sacerdote optou por aquele &quot;pelo qual a minha paix&atilde;o me seduziu&quot;.<\/p>\n<p>Conhece os meandros do futebol e sublinha que &quot;podemos ser bons, mas se n&atilde;o tivermos padrinhos&#8230;. (risos) n&atilde;o vamos a lado nenhum&quot;. Nunca teve empres&aacute;rio, contudo recebia conselhos de algumas pessoas. O pai deste sacerdote bracarense n&atilde;o era um grande amante do futebol. &quot;Primeiro os estudos e depois o futebol&quot; &#8211; recorda. <\/p>\n<p>O mundo do futebol &eacute; complexo. &quot;Trabalhas bem, mas se tens uma les&atilde;o&#8230; vai tudo por &aacute;gua abaixo&quot;. Por outro lado &#8211; lamenta o Pe. Marco Gil &#8211; &quot;h&aacute; clubes que prometem muito e depois n&atilde;o pagam sal&aacute;rios&quot;.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo torneio (Clericus Cup nacional) jogou lesionado, mas a les&atilde;o mais grave que teve &quot;foi no menisco e ligamentos e at&eacute; fui transportado de ambul&acirc;ncia&quot;. Atrav&eacute;s de tratamentos recuperou, mas &quot;nunca mais fiquei a 100%&quot;. &quot;D&aacute; para este futebol entre amigos&quot; &#8211; avan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Marco Gil &eacute; capit&atilde;o e l&iacute;der da selec&ccedil;&atilde;o dos cl&eacute;rigos. Os colegas &quot;escolheram-me e assumi&quot; o estatuto. Reconhece que tem esp&iacute;rito de lideran&ccedil;a, embora &quot;trabalhar com sacerdotes n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil&quot;. E desabafa: &quot;tenho pena de alguns bispos&#8230; (risos)&quot;. Alguns padres s&atilde;o &quot;evolu&iacute;dos tecnicamente&quot;, por&eacute;m &quot;falta-lhes apet&ecirc;ncia para o sentido de sacrif&iacute;cio e do treino&quot;.<\/p>\n<p>No seu percurso futebol&iacute;stico, o Pe. Marco Gil recorda um jogo que lhe correu na perfei&ccedil;&atilde;o. No jogo da meia-final do campeonato nacional contra a diocese do Porto &quot;est&aacute;vamos a perder por um a zero e fomos ganhar por dois a um. Acho que joguei bem e marquei os dois golos&quot;. No futebol de onze, este sacerdote participou tamb&eacute;m em duas subidas de divis&atilde;o pelo Me&atilde;es (clube da regional de Braga).<\/p>\n<p>Apreciador de bons jogos, o capit&atilde;o da selec&ccedil;&atilde;o dos padres &eacute; adepto do Benfica. &quot;Sou s&oacute;cio do Sporting de Braga e simpatizante do Benfica&quot; e &quot;vivo intensamente um jogo de futebol&quot;. N&atilde;o tem nenhuma forma espec&iacute;fica para festejar os golos, mas com a intensidade do jogo grita bem alto: gooooooolo.<\/p>\n<p>J&aacute; treinou mi&uacute;dos, mas &quot;&eacute; muito complicado&quot;. Surgem observa&ccedil;&otilde;es com frequ&ecirc;ncia: &quot;aquele est&aacute; a jogar h&aacute; muito tempo&quot; e &quot;aquele n&atilde;o joga porqu&ecirc;?&quot;. Uma experi&ecirc;ncia enriquecedora, mas &quot;dif&iacute;cil e cheia de atritos&quot;.<\/p>\n<p>Actualmente, tem quatro par&oacute;quias na diocese de Braga e estuda Direito Can&oacute;nico na Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, em Lisboa. &quot;Ando sempre a correr&quot; &#8211; confessa. Devido aos estudos passa quatro dias na capital, mas tenho &quot;o aux&iacute;lio dos colegas do meu Arciprestado da P&oacute;voa de Lanhoso&quot;. <\/p>\n<p>Em pleno Ano Sacerdotal, o Pe. Marco Gil lamenta que a sociedade n&atilde;o aprecie as outras qualidades dos padres. &quot;T&ecirc;m dificuldade em reconhecer essas qualidades e ficam admiradas&quot;. Ficam estupefactas e questionam: &quot;Os padres tamb&eacute;m jogam &agrave; bola?&quot;. E conclui: &quot;o padre n&atilde;o &eacute; uma pessoa formatada&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Gil, capit\u00e3o da equipa de futsal de padres de Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[114,168,172,182,187,267],"class_list":["post-40179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-ano-sacerdotal","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40179\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}