{"id":40178,"date":"2009-07-28T10:22:11","date_gmt":"2009-07-28T10:22:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/28\/alta-comissaria-defende-politica-para-a-imigracao\/"},"modified":"2009-07-28T10:22:11","modified_gmt":"2009-07-28T10:22:11","slug":"alta-comissaria-defende-politica-para-a-imigracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alta-comissaria-defende-politica-para-a-imigracao\/","title":{"rendered":"Alta Comiss\u00e1ria defende pol\u00edtica para a imigra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ros\u00e1rio Farmhouse diz que, mesmo com mecanismos de controlo, Portugal tem sido um Estado humanista <!--more--> Maria do Ros&aacute;rio Farmhouse &eacute; desde 8 de Fevereiro de 2008 a Alta Comiss&aacute;ria para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural. Em final de ciclo governativo, esta respons&aacute;vel defende, em entrevista a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, as pol&iacute;ticas do actual executivo em mat&eacute;ria de imigra&ccedil;&atilde;o, destacando os resultados obtidos. <\/p>\n<p>Ros&aacute;rio Farmhouse refere que &quot;Portugal tem tentado desenhar alguns mecanismos de controlo, sem deixar, ao mesmo tempo, de ser um Estado humanista, que se preocupa com as pessoas. Por isso, o acesso &agrave; sa&uacute;de e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel para todos, independentemente da sua situa&ccedil;&atilde;o ser regular ou n&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; O Semin&aacute;rio &laquo;<a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74312\" target=\"_blank\">Direitos Humanos e Destitui&ccedil;&atilde;o<\/a>&raquo;&nbsp;&nbsp;identificou a &aacute;rea da habita&ccedil;&atilde;o como uma das mais problem&aacute;ticas do <a href=\"http:\/\/www.acidi.gov.pt\/docs\/PII\/PII_public.pdf\" target=\"_blank\">Plano para a Integra&ccedil;&atilde;o dos Imigrantes<\/a>&nbsp; (2007\/09). Que prioridades &eacute; que neste dom&iacute;nio podem ser inclu&iacute;das no programa para 2010-2012, que j&aacute; est&aacute; a ser reflectido?<\/em><\/p>\n<p><em>Maria do Ros&aacute;rio Farmhouse &#8211;<\/em> A habita&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema estrutural. E em ano de crise &eacute; muito mais dif&iacute;cil de resolver, porque tem a ver com o investimento na constru&ccedil;&atilde;o de novos fogos. <\/p>\n<p>Mas, curiosamente, tem muito a ver com a discrimina&ccedil;&atilde;o. Um dos dramas que os imigrantes enfrentam quando querem arrendar uma casa &#8211; j&aacute; para n&atilde;o falar de habita&ccedil;&atilde;o social ou mesmo de compra de casa &#8211; &eacute; a discrimina&ccedil;&atilde;o. &Eacute; muito dif&iacute;cil que um estrangeiro consiga alugar uma casa. O povo portugu&ecirc;s ainda tem alguns receios, e muitas vezes, quando se apercebe que o sotaque do seu interlocutor n&atilde;o &eacute; portugu&ecirc;s, recusa esse aluguer. Isto faz com que a situa&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o dos imigrantes seja muito complicada.<\/p>\n<p>Na habita&ccedil;&atilde;o social, como sabemos, tamb&eacute;m temos muitas comunidades imigrantes que residem em piores condi&ccedil;&otilde;es, vindas principalmente dos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua oficial portuguesa. Os bairros sociais ficaram parados, a constru&ccedil;&atilde;o foi pouca &#8211; houve alguma, mas n&atilde;o tanta como se previa &#8211; e isso faz com que essas pessoas ainda estejam em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. No entanto, temos esperan&ccedil;a que em 2010, com a retoma econ&oacute;mica, se possam encontrar mais solu&ccedil;&otilde;es para os imigrantes ao n&iacute;vel da habita&ccedil;&atilde;o, e que possamos eliminar, de uma vez por todas, a habita&ccedil;&atilde;o em barracas, em partes de casa.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; aquela problem&aacute;tica que foi agora descoberta com um inc&ecirc;ndio num pr&eacute;dio na Av. Almirante Reis [Lisboa]. Trata-se da situa&ccedil;&atilde;o, algo invis&iacute;vel, dos sucessivos subalugueres que se praticam nas pens&otilde;es e que revelam outra face do alojamento dos imigrantes. &Eacute;, de facto, uma situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica, que constitui um dos nossos maiores desafios.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &Eacute; poss&iacute;vel haver uma ac&ccedil;&atilde;o concertada no trabalho com os imigrantes, quando h&aacute; 13 minist&eacute;rios envolvidos no plano de integra&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Esse &eacute; o grande desafio: conseguir que 13 minist&eacute;rios, em conjunto, realizem as metas a que se tinham proposto. Tendo em conta que nem todos os minist&eacute;rios t&ecirc;m a imigra&ccedil;&atilde;o como prioridade, o que &eacute; leg&iacute;timo &#8211; para isso existe o Alto Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural (<a href=\"http:\/\/www.acidi.gov.pt\/\" target=\"_blank\">ACIDI<\/a>) &#8211; os resultados obtidos t&ecirc;m sido uma surpresa pela positiva, superando as minhas expectativas.<\/p>\n<p>Os minist&eacute;rios t&ecirc;m sido muito empenhados no cumprimento das metas que indicaram. Das metas que n&atilde;o foram cumpridas &#8211; que correspondem a 19% dos objectivos previstos para 2007\/09 &#8211; talvez 90% tenha sido por motivos extraordin&aacute;rios. Por exemplo, prev&iacute;amos que os atendimentos nos centros de apoio ao imigrante fossem de 400 mil, e estamos actualmente nos cerca de 350 mil. Por outro lado, as autoriza&ccedil;&otilde;es de resid&ecirc;ncia passaram a ser bianuais; antigamente, a renova&ccedil;&atilde;o era feita anualmente, o que fazia com que as pessoas se tivessem que dirigir mais vezes aos centros nacionais.<\/p>\n<p>Por isso, direi que as metas respeitantes ao empenho de cada minist&eacute;rio, na generalidade, foram cumpridas a 95%, pelo que a margem dos objectivos que n&atilde;o foram cumpridos &eacute; muito escassa.<\/p>\n<p>Estes resultados s&oacute; foram poss&iacute;veis com um acompanhamento muito grande do plano. Temos uma funcion&aacute;ria a tempo inteiro a fazer esta monitoriza&ccedil;&atilde;o, t&atilde;o necess&aacute;ria de contactar com os v&aacute;rios minist&eacute;rios. &Agrave;s vezes as coisas est&atilde;o conclu&iacute;das e a ser feitas, mas as prioridades s&atilde;o tantas, que &eacute; dif&iacute;cil recolher toda a informa&ccedil;&atilde;o. Tem sido um trabalho muito interessante e surpreendente para mim. Eu estava feliz por termos um documento &uacute;nico, de refer&ecirc;ncia a n&iacute;vel europeu, e que para n&oacute;s &eacute; muito importante; mas encontrava-me um pouco c&eacute;ptica sobre os resultados obtidos atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o dos diferentes minist&eacute;rios. O que &eacute; certo &eacute; que t&ecirc;m trabalhado e t&ecirc;m demonstrado muito interesse por esta tem&aacute;tica.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como &eacute; que poss&iacute;vel acompanhar a execu&ccedil;&atilde;o do Plano de Integra&ccedil;&atilde;o para os Imigrantes, tendo em conta que as suas metas nem sempre correspondem &agrave; realidade?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Provavelmente temos que estabelecer metas poss&iacute;veis, porque se assim n&atilde;o for, fica tudo no ar e &eacute; mais dif&iacute;cil trabalhar com objectivos e comprometermo-nos todos. Haver&atilde;o &aacute;reas em que o tipo de metas ter&atilde;o de ser revistas. Temos de determinar objectivos mais qualitativos do que quantitativos; temos de encontrar outros mecanismos. <\/p>\n<p>Este plano, que foi o primeiro, tamb&eacute;m constituiu uma aprendizagem. Portanto, &eacute; muito mais f&aacute;cil fazer um segundo, dado que se trata de afinar o que n&atilde;o estava t&atilde;o bem. Haver&aacute; metas que n&atilde;o v&atilde;o ser necess&aacute;rias porque os problemas ficaram definitivamente resolvidos. Mas, se calhar, surgiram outros. <\/p>\n<p>Vai ser um trabalho conjunto que exige a participa&ccedil;&atilde;o de todos: a sociedade civil, t&atilde;o importante, e todos os minist&eacute;rios, a quem j&aacute; pedimos que fossem indicadas &aacute;reas que fr&aacute;geis e outro tipo de objectivos. Ser&aacute; sempre dif&iacute;cil que as metas desenhadas com a anteced&ecirc;ncia de tr&ecirc;s anos e meio possam acertar em pleno, porque as mudan&ccedil;as hoje em dia s&atilde;o muito r&aacute;pidas. Mas iremos tentar ser o mais certeiros poss&iacute;vel, e cumprir, porque o interesse principal &eacute; cumprir com aquilo a que nos propomos.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A regulariza&ccedil;&atilde;o dos imigrantes foi uma das chaves do plano. Mas houve uma redu&ccedil;&atilde;o da quota dos imigrantes. Por outro lado, h&aacute; queixas em rela&ccedil;&atilde;o ao reagrupamento familiar. Perante este quadro, como &eacute; que o processo pode avan&ccedil;ar melhor?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Acho que, neste momento, os mecanismos que temos s&atilde;o imensos. Ainda assim, h&aacute; muito s imigrantes que n&atilde;o os conhecem. A informa&ccedil;&atilde;o tem sido o grande desafio para o ACIDI, e por isso os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o muito importantes para nos ajudarem nessa tarefa.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao reagrupamento familiar, algumas das condicionantes que surgiam tinham a ver com os meios de subsist&ecirc;ncia, porque era dif&iacute;cil comprov&aacute;-los nesta fase de crise. Houve, da parte do Servi&ccedil;o de Estrangeiro e Fronteiras (SEF), uma atitude extremamente humanista de reduzir as exig&ecirc;ncias para metade. Portanto, acho que actualmente somos uns privilegiados por termos estes mecanismos legais e esta atitude, que &eacute; &uacute;nica na Europa, por parte dos minist&eacute;rios que gerem os fluxos migrat&oacute;rios. Nos pa&iacute;ses que conhe&ccedil;o, os servi&ccedil;os governamentais n&atilde;o concedem estas oportunidades nem est&atilde;o t&atilde;o pr&oacute;ximos dos imigrantes na resposta aos seus problemas.<\/p>\n<p>Claro que h&aacute; sempre melhorias poss&iacute;veis, mas encontrar este equil&iacute;brio entre gest&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre desafiante. Acho que aqui a sociedade civil tem um papel fundamental, porque nos vai denunciando as situa&ccedil;&otilde;es reais. S&atilde;o parceiros essenciais para desenhar novas pol&iacute;ticas e encontrar novas solu&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><em>AE &#8211; H&aacute; sempre uma franja da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o fica abrangida por estas medidas, at&eacute; por desconhecimento. Que ac&ccedil;&atilde;o &eacute; que &eacute; poss&iacute;vel desenvolver junto das pessoas que chegam, a Portugal em situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Al&eacute;m das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, que est&atilde;o t&atilde;o empenhadas nessas mat&eacute;rias, temos no ACIDI um gabinete de resposta a casos de emerg&ecirc;ncia. A sua fun&ccedil;&atilde;o &eacute; detectar essas situa&ccedil;&otilde;es e planear pol&iacute;ticas que v&atilde;o ao seu encontro. Por exemplo, o Programa de Apoio a Doentes Estrangeiros responde a um desafio muito grande, que era sentido pelas organiza&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o no terreno. O Estado portugu&ecirc;s compromete-se com os tratamentos m&eacute;dicos dos pacientes que v&ecirc;m para Portugal ao abrigo dos acordos estabelecidos com outros estados; o pa&iacute;s de origem, por seu lado, deveria responder pela parte social; no entanto, acabava por n&atilde;o cumprir as suas obriga&ccedil;&otilde;es, deixando os doentes votados ao abandono, o que resultava no agravamento do seu estado de sa&uacute;de. Este programa pretende responder a esse desafio. Outras respostas ser&atilde;o desenhadas consoante as necessidades. <\/p>\n<p>Muitos emigrantes ainda n&atilde;o conhecem devidamente todos os mecanismos previstos para os ajudar. Alguns continuam a pagar por servi&ccedil;os que s&atilde;o oferecidos pelo Estado. &quot;Informar&quot; &eacute; a palavra-chave. Neste sentido, temos uma &laquo;Linha SOS Emigrante&raquo; (808 257 257). &Eacute; poss&iacute;vel colocar, em 13 l&iacute;nguas, quest&otilde;es sobre imigra&ccedil;&atilde;o e resolver situa&ccedil;&otilde;es de desespero social. O pre&ccedil;o &eacute; de uma chamada local, independentemente do lugar de onde se estabelece o contacto. &Eacute; um contacto que vale a pena ser utilizado, porque est&aacute; l&aacute; para isso mesmo.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O relacionamento com as institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil &eacute; essencial para se chegar aos casos e problemas reais. Que relacionamento &eacute; que o Estado mant&eacute;m com estas organiza&ccedil;&otilde;es? S&atilde;o parceiros de excel&ecirc;ncia ou informadores? <\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> S&atilde;o parceiros de excel&ecirc;ncia. &Eacute; impens&aacute;vel concretizar as pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o sem eles. Muitos Organismos t&ecirc;m centros locais de apoio ao imigrante, financiados parcialmente pelo ACIDI, e fazem parte do Conselho Consultivo para os Assuntos de Imigra&ccedil;&atilde;o. Sempre que temos novas tem&aacute;ticas, ajudam-nos a desenhar solu&ccedil;&otilde;es. Juntos, constru&iacute;mos mais. Sem eles, a nossa miss&atilde;o seria muito dif&iacute;cil. <\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como &eacute; que &eacute; poss&iacute;vel encontrar o ponto de equil&iacute;brio entre a desconfian&ccedil;a face aos migrantes, existente n&atilde;o s&oacute; em Portugal, e os direitos que lhes s&atilde;o assegurados?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> &Eacute; sempre um grande desafio. Mas a verdade &eacute; que, em tempo de crise, h&aacute; um auto-equil&iacute;brio. Porque o grande motor dos fluxos migrat&oacute;rios &eacute; a economia. E estando n&oacute;s, em Portugal, com uma economia fr&aacute;gil, como sucede em todo o mundo, os fluxos t&ecirc;m estagnado. Neste momento, as pessoas n&atilde;o est&atilde;o a sair do seu pa&iacute;s, porque, mal por mal, preferem ficar em casa. Portanto, tem havido uma auto-regula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Encontrar a solu&ccedil;&atilde;o milagrosa desta gest&atilde;o &eacute; sempre um desafio enorme. Ainda n&atilde;o h&aacute; nenhum Estado que possa dizer que tem uma solu&ccedil;&atilde;o que depois possa ser exportada para outros pa&iacute;ses parceiros.<\/p>\n<p>Portugal tem tentado desenhar alguns mecanismos de controlo, sem deixar, ao mesmo tempo, de ser um Estado humanista, que se preocupa com as pessoas. Por isso, o acesso &agrave; sa&uacute;de e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel para todos, independentemente da sua situa&ccedil;&atilde;o ser regular ou n&atilde;o. Isto &eacute; &oacute;bvio para n&oacute;s, e faz parte da nossa hist&oacute;ria e da nossa cultura. Mas para os outros Estados, &eacute; completamente impens&aacute;vel: se uma pessoa n&atilde;o tem documentos ou se est&aacute; irregular, n&atilde;o pode ter acesso aos cuidados b&aacute;sicos.<\/p>\n<p>&Eacute; um caminho longo, Como digo, n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas. &Eacute; sempre um jogo de equil&iacute;brios. <\/p>\n<p><em>AE &#8211; E o a diminui&ccedil;&atilde;o nas quotas de entrada no pa&iacute;s?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> O regime de quotas acabou. Prev&ecirc;-se um contingente, que n&atilde;o &eacute; fixo, resultante de um estudo aprofundado sobre o n&uacute;mero de pessoas que o Estado tem condi&ccedil;&otilde;es para integrar. Este ano reduziu-se a quantidade, porque a jun&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios ordenamentos jur&iacute;dicos aplic&aacute;veis aos imigrantes possibilitou a regulariza&ccedil;&atilde;o de mais de 20 mil pessoas. Por isso, o Estado considerou que em 2009 n&atilde;o poderia avan&ccedil;ar com um contingente muito elevado, dado que &eacute; um ano de crise. Mas ainda estamos para ver se este contingente vai ser preenchido, porque a economia &eacute; o grande motor das desloca&ccedil;&otilde;es migrat&oacute;rias.<\/p>\n<p>Os imigrantes est&atilde;o expectantes. Os que est&atilde;o c&aacute;, n&atilde;o est&atilde;o a sair tanto quanto sa&iacute;am, aguardando que a situa&ccedil;&atilde;o melhore; e os que est&atilde;o nos seus pa&iacute;ses tamb&eacute;m esperam por melhores condi&ccedil;&otilde;es, quer nas suas p&aacute;trias quer nos estados para onde pensam partir.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Entre a aplica&ccedil;&atilde;o da lei e a sensibilidade para a situa&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, h&aacute; necessidades que n&atilde;o est&atilde;o a ser resolvidas?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Aquilo que sinto hoje, e que j&aacute; sentia quando estava no terreno ou nas organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, &eacute; que temos o privil&eacute;gio de ter um Servi&ccedil;o de Estrangeiros e Fronteiras extremamente humanista, e que analisa as situa&ccedil;&otilde;es caso a caso. Obviamente que n&atilde;o pode abrir portas a partir do nada, e &eacute; por isso que nos preocupamos em fundamentar as situa&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o apresentadas, at&eacute; para estabelecer e consolidar uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Um dos grandes pap&eacute;is da sociedade civil &eacute;, atrav&eacute;s do conhecimento das situa&ccedil;&otilde;es, lembrar que as pessoas n&atilde;o s&atilde;o n&uacute;meros, mas rostos, nomes e vidas. &Eacute; isso que falta ao Estado, porque n&atilde;o acompanha de perto a realidade dos imigrantes &#8211; embora o ACIDI, atrav&eacute;s das suas redes, centros locais, Linha SOS e servi&ccedil;os de tradu&ccedil;&atilde;o, v&aacute; estando pr&oacute;ximo. Acho que esta rela&ccedil;&atilde;o entre a sociedade civil e o Estado &eacute; essencial para encontrar solu&ccedil;&otilde;es para estes casos.<\/p>\n<p>Oss destitu&iacute;dos s&atilde;o &eacute; um tema muito complexo e desafiador. A solu&ccedil;&atilde;o para estes casos n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, porque implica dar uma identidade a quem n&atilde;o a tem, com os riscos que se podem correr. Tratam-se de pessoas que, ao n&atilde;o serem reconhecidas, nem na embaixada nem em Portugal, ficam completamente destitu&iacute;das de todos os direitos e de tudo aquilo que &eacute; uma vida. <\/p>\n<p>Tem de haver algum cuidado, para evitar que todos os destitu&iacute;dos ou todos os potenciais destitu&iacute;dos do mundo se desloquem para um pa&iacute;s, aproveitando-se da eventualidade de ele os acolher automaticamente. Nestes casos, &eacute; a sociedade civil que poder&aacute; ajudar a fazer a triagem, atrav&eacute;s do acompanhamento das pessoas e do conhecimento das suas necessidades, fortalecendo a decis&atilde;o do Estado.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Pode-se esperar que o Plano para a Integra&ccedil;&atilde;o do Imigrante 2010-2012 venha a incidir sobretudo nas &aacute;reas mais fragilizadas, nomeadamente na habita&ccedil;&atilde;o, cultura, l&iacute;ngua, racismo, discrimina&ccedil;&atilde;o e liga&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses de origem?<\/em><\/p>\n<p><em>MRF &#8211;<\/em> Sem d&uacute;vida. O grande objectivo &eacute; tentar encontrar medidas que resolvam os problemas que ainda n&atilde;o foram solucionados, n&atilde;o perdendo de vista os outros dom&iacute;nios, para n&atilde;o nos distrairmos com os que estavam a progredir bem. Vamos incidir nas &aacute;reas mais desprotegidas, mantendo as outras como objectivo a n&atilde;o esquecer, para que os imigrantes se sintam cada vez mais integrados em Portugal, se sintam parte da sociedade portuguesa e nos ajudem a ter um pa&iacute;s melhor e mais competitivo e desenvolvido, porque n&oacute;s precisamos muito de imigrantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ros\u00e1rio Farmhouse diz que, mesmo com mecanismos de controlo, Portugal tem sido um Estado humanista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[168,189,191,203],"class_list":["post-40178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-da-guarda","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40178\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}