{"id":40130,"date":"2009-07-24T14:52:19","date_gmt":"2009-07-24T14:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/24\/o-migrante-nao-pode-ser-visto-como-problema\/"},"modified":"2009-07-24T14:52:19","modified_gmt":"2009-07-24T14:52:19","slug":"o-migrante-nao-pode-ser-visto-como-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-migrante-nao-pode-ser-visto-como-problema\/","title":{"rendered":"O migrante n\u00e3o pode ser visto como problema"},"content":{"rendered":"<p>D. Alessandro Ruffinoni, respons\u00e1vel pela pastoral da emigra\u00e7\u00e3o no Brasil, ser\u00e1 o presidente da Peregrina\u00e7\u00e3o de Agosto, em F\u00e1tima <!--more--> <\/p>\n<p>D. Alessandro Ruffinoni, bispo auxiliar do Arcebispado de Porto Alegre, Brasil, ser&aacute; o presidente da Peregrina&ccedil;&atilde;o internacional de 12 e 13 de Agosto no Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, que acolhe anualmente a Peregrina&ccedil;&atilde;o do Migrante e do Refugiado, organizada pela Obra Cat&oacute;lica Portuguesa das Migra&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>Naquela que ser&aacute; a segunda visita a Portugal e tamb&eacute;m a F&aacute;tima, D. Alessandro Ruffinoni fala, em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; Sala de Imprensa do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, sobre o convite para presidir a esta peregrina&ccedil;&atilde;o e anuncia as inten&ccedil;&otilde;es especiais de ora&ccedil;&atilde;o que trar&aacute; como peregrino neste santu&aacute;rio. <\/p>\n<p>Enquanto respons&aacute;vel pela pastoral da emigra&ccedil;&atilde;o no Brasil caracteriza o fen&oacute;meno da migra&ccedil;&atilde;o, focando em especial Portugal e o Brasil, n&atilde;o se escusando a abordar as quest&otilde;es mais problem&aacute;ticas que caracterizam os fen&oacute;menos migrat&oacute;rios. <\/p>\n<p>No final da breve entrevista, realizada por Internet, D. Alessandro Ruffinoni deixa uma sauda&ccedil;&atilde;o e uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para todos os brasileiros em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta viagem ser&aacute; a sua primeira visita a Portugal?<\/em><\/p>\n<p>J&aacute; estive de passagem para o Portugal na ocasi&atilde;o da Beatifica&ccedil;&atilde;o do meu Fundador Jo&atilde;o Batista Scalabrini, ap&oacute;stolo e pai dos migrantes (em Novembro de 1997). Antes de ir para Roma, fizemos uma escala em Lisboa e aproveitamos para fazer uma visita ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima. Foi um momento muito emocionante do qual sempre me recordo e est&aacute; vivo dentro de meu cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que expectativas pessoais e de pastor tem para esta peregrina&ccedil;&atilde;o ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p>Quando recebi o convite de participar a este evento da peregrina&ccedil;&atilde;o internacional dos migrantes a F&aacute;tima fiquei muito feliz. Voltar a um santu&aacute;rio &eacute; sempre uma ocasi&atilde;o de renova&ccedil;&atilde;o, convers&atilde;o e entusiasmo. Vou para F&aacute;tima para estar junto com os migrantes portugueses espalhados no mundo inteiro, para me encontrar com a forte comunidade de brasileiros no Portugal, mas tamb&eacute;m para levar comigo os sentimentos de amor a nossa M&atilde;e, Maria Sant&iacute;ssima. Tenho muito para agradecer a Maria e tamb&eacute;m para pedir pela nossa Arquidiocese de Porto Alegre que est&aacute; para iniciar, no m&ecirc;s de Agosto, a celebra&ccedil;&atilde;o do seu centen&aacute;rio. Levo comigo o Vicariato de Gravata&iacute;, no qual estou residindo, com a sua gente feita de oper&aacute;rios e de migrantes internos, para que Nossa Senhora nos aben&ccedil;oe e nos conceda a gra&ccedil;a de ser um bom pastor, como o seu Filho Jesus. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como respons&aacute;vel da Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos Brasileiros pela Pastoral dos Brasileiros no exterior, como v&ecirc; a realidade da mobilidade humana no mundo?<\/em><\/p>\n<p>Sou mission&aacute;rio Scalabriniano. A minha vida e o meu trabalho como sacerdote foi sempre neste carisma de trabalhar no mundo das migra&ccedil;&otilde;es. Como Bispo recebi da CNBB a tarefa de facilitar a presen&ccedil;a de sacerdotes brasileiros para acompanhar as comunidades brasileiras espalhadas no mundo (estima-se que haja 4 milh&otilde;es de brasileiros no mundo). A realidade da mobilidade humana constitui o maior movimento de pessoas de todos os tempos. N&atilde;o h&aacute; lei que possa deter este fen&ocirc;meno que &eacute; antigo quanto a humanidade. O migrante n&atilde;o pode ser visto como problema nem pela Igreja, nem pelo Estado. Na Igreja ningu&eacute;m &eacute; estrangeiro. Ela &eacute; como uma m&atilde;e que acolhe, estima e valoriza a todos, porque todos s&atilde;o seus filhos e filhas. O pai dos migrantes, Jo&atilde;o Batista Scalabrini dizia: &quot;&#8230;emigra o homem, guiad o pela Provid&ecirc;ncia&#8230;&quot;. Os migrantes s&atilde;o muitas vezes ocasi&atilde;o de comunh&atilde;o, di&aacute;logo, integra&ccedil;&atilde;o. Eles n&atilde;o s&oacute; precisam de acolhida e trabalho, mas tamb&eacute;m eles levam consigo uma riqueza de f&eacute;, de cultura e tradi&ccedil;&otilde;es que enriquecem os povos que os acolhem. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Concretamente sobre o Brasil, continua a ser um pa&iacute;s que acolhe pessoas de todo o mundo. Como caracteriza os emigrantes portugueses que a&iacute; residem?<\/em><\/p>\n<p>O Brasil &eacute; um pa&iacute;s que se construiu com os migrantes. &Eacute; um pa&iacute;s que sempre acolheu muitos migrantes. Sendo uma na&ccedil;&atilde;o formada de v&aacute;rias nacionalidades &eacute; tamb&eacute;m considerada uma terra hospitaleira e de muita alegria. Ultimamente o governo aprovou a lei de amnistia para todos os migrantes ilegais que entraram no Brasil at&eacute; fevereiro deste ano de 2009. Por esta atitude de acolhida, o Brasil &eacute; um Pa&iacute;s de muitas culturas, tradi&ccedil;&otilde;es que fazem desta na&ccedil;&atilde;o uma riqueza incompar&aacute;vel. <\/p>\n<p>Aqui chegaram, al&eacute;m dos primeiros portugueses de Pedro &Aacute;lvares Cabral, muitos outros portugueses do continente e das ilhas que formaram grandes comunidades de f&eacute; e de amor ao trabalho e &agrave; fam&iacute;lia. Eu vivo e moro em um lugar onde existem muitos de origem a&ccedil;oriana. &Eacute; aqui que eu conheci a devo&ccedil;&atilde;o ao Divino Esp&iacute;rito Santo, com todo o folclore de bandeiras vermelhas, com o menino imperador, com a visita das bandeiras nas casas, com a prece dos fi&eacute;is rezada fazendo um n&oacute; nas fitas amarradas &agrave;s bandeiras&#8230; Sem falar da riqueza cultural e dos monumentos de estilo colonial portugu&ecirc;s que s&atilde;o motivo de visita de muitos turistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Visitar&aacute; emigrantes do Brasil em Portugal durante a sua viagem. Existem ainda alguns preconceitos relativamente a este grupo de emigrantes, e a outros. Qual a forma de terminarem?<\/em><\/p>\n<p>O motivo pelo qual aceitei de participar a este evento &eacute; tamb&eacute;m a possibilidade de me encontrar com os mission&aacute;rios e mission&aacute;rias brasileiros que trabalham com comunidades brasileiras no Portugal. A Igreja do Brasil com a PBE (Pastoral para os Brasileiros no Exterior) quer dizer a todos os seus filhos e filhas que n&atilde;o se esqueceu deles. Sempre recordamos a todos e, na medida do poss&iacute;vel, queremos encontrar novos sacerdotes e religiosos\/as que se dediquem, por um tempo, a uma experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria junto a eles. Sabemos que muitos dos nossos compatriotas se deixam, &agrave;s vezes, iludir por falsas promessas e infelizmente caem em situa&ccedil;&otilde;es ilegais e de risco. A presen&ccedil;a do mission&aacute;rio brasileiro e o di&aacute;logo entre os Bispos de origem e de acolhida dos migrantes deve ajudar a minimizar certas situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis. N&atilde;o podemos s&oacute; ver o migrante e passar adiante. A Igreja &eacute; por sua natureza samaritana, acolhedora e promotora de justi&ccedil;a e fraternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos, aqui, no Santu&aacute;rio, que no Brasil &eacute; muito grande a devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora de F&aacute;tima, com in&uacute;meros par&oacute;quias, igrejas, santu&aacute;rios, escolas, etc., a Ela dedicados. &Eacute; assim um facto t&atilde;o vis&iacute;vel no dia-a-dia do povo cat&oacute;lico, como a n&oacute;s aqui em Portugal nos parece, pelos contactos que da&iacute; nos chegam?<\/em><\/p>\n<p>O povo brasileiro &eacute; devoto de maneira especial a Nossa Senhora Aparecida. Mas devido a origem de varias etnias existem devo&ccedil;&otilde;es marianas ligadas ao Pa&iacute;s de origem dos migrantes. Sem d&uacute;vida a devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora de F&aacute;tima &eacute; muito grande. Temos muitas Igrejas (Matriz e Capelas), santu&aacute;rios dedicados a Nossa Senhora de F&aacute;tima. Visitando as fam&iacute;lias &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o encontrar uma imagem de N.S. de F&aacute;tima. Os peregrinos que visitam F&aacute;tima voltam todos marcados por esta experi&ecirc;ncia de f&eacute; e com grande desejo de continuar esta devo&ccedil;&atilde;o. Acredito que a mensagem de F&aacute;tima de ora&ccedil;&atilde;o e de convers&atilde;o toca muito profundamente a todos n&oacute;s pastores e fi&eacute;is. <\/p>\n<p>A minha pr&oacute;xima visita ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima &eacute; uma gra&ccedil;a que recebi e da qual agrade&ccedil;o de cora&ccedil;&atilde;o a Obra Cat&oacute;lica Portuguesa pelo convite e pela honra.<\/p>\n<p>Aproveito desta oportunidade para desde j&aacute; saudar a comunidade brasileira e os seus mission&aacute;rios\/as. Espero de poder ter um pouco de tempo para celebrar com algumas delas.<\/p>\n<p>A todos o meu abra&ccedil;o e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e at&eacute; breve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Entrevista por LeopolDina Sim&otilde;es, Sala de Imprensa\/Santu&aacute;rio de F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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