{"id":401005,"date":"2025-11-25T09:04:18","date_gmt":"2025-11-25T09:04:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=401005"},"modified":"2025-12-11T16:05:47","modified_gmt":"2025-12-11T16:05:47","slug":"lusofonias-p-telmo-cem-anos-a-espalhar-profecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-p-telmo-cem-anos-a-espalhar-profecia\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; P. Telmo, cem anos a espalhar profecia"},"content":{"rendered":"<p><em> Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-401006 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Lusofonias-P-TelmoFerraz-25-11-2025.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O P. Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e Miss\u00e3o. Membro do clero da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro 1925 e come\u00e7ou cedo o seu sacerd\u00f3cio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a trag\u00e9dia humanit\u00e1ria provocada pelas condi\u00e7\u00f5es p\u00e9ssimas em que viviam quantos davam a vida na constru\u00e7\u00e3o de barragens naquele Tr\u00e1s-os-Montes long\u00ednquo e abandonado dos anos 50. Dedicava-se a todos os deserdados e denunciava as viola\u00e7\u00f5es dos direitos destes pobres trabalhadores. O seu primeiro livro, \u2018O lodo e as estrelas\u2019(1960) \u00e9 t\u00e3o duro e prof\u00e9tico acerca da vida dos trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o da Barragem do Picote, que foi visado e proibido pela censura. Mas \u2013 e talvez por isso mesmo &#8211; j\u00e1 em 1959 estava em Angola com os trabalhadores da barragem de Cambambe.<\/p>\n<p>1963 marca o in\u00edcio da grande aventura pastoral e social da sua vida: a Casa do Gaiato de Malanje! Ali dedicou o melhor de si, no acolhimento e forma\u00e7\u00e3o de jovens rapazes, \u00f3rf\u00e3os ou vindos de fam\u00edlias pobres. \u00c9 uma obra not\u00e1vel que seria v\u00e1rias vezes arrasada e pilhada durante a longa guerra civil de Angola. Sem nunca atirar a toalha ao ch\u00e3o, sempre reconstruiu e recome\u00e7ou. A par de todo um not\u00e1vel trabalho pastoral e social, escreveu muito e de forma muito acutilante, mexendo em feridas dolorosas como s\u00f3 uma guerra civil pode abrir. Foi em Malanje, nesta Casa do Gaiato, que encontrei o P. Telmo pela primeira vez. Decorria o ano de 1992, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es que deviam abrir as portas \u00e0 paz e \u00e0 democracia, depois de uma guerra colonial dura e de uma guerra civil ainda mais mort\u00edfera e destrutiva. Recorda-me a alegria e a esperan\u00e7a que sa\u00edam das suas palavras e gestos quando me mostrava as casas, os campos, as oficinas e, sobretudo, os jovens \u2018gaiatos\u2019 que ali viviam com ele, abrindo de par em par as portas a um futuro melhor. S\u00f3 que, dias depois, recome\u00e7aria a guerra que voltou a destruir os edif\u00edcios da Casa do Gaiato e dispersou os jovens. Mas \u2013 sempre que os militares o permitiam \u2013 o P. Telmo regressava a Casa e recome\u00e7ava a Obra com uma f\u00e9, uma coragem e uma persist\u00eancia \u00e0 prova de tudo.<\/p>\n<p>Com o empenho da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda, acabariam por vir a lume diversas colet\u00e2neas de textos: \u2018Mourela\u2019 (2011), \u2018Contigo no planalto\u2019 (2013), \u2018Pelo caminho das tipoias\u2019 (2013), \u2018A mulemba e o Gr\u00e3o de Areia\u2019 (2014), \u2018Um retiro na montanha\u2019(2016), \u2018Terra batida\u2019 (2017), \u2018As abelhas e o mel\u2019 (2018). Escritos ao longo de mais de 60 anos, estes textos mostram a alma de um padre poeta e escritor, \u00a0pobre ao servi\u00e7o dos mais pobres.<\/p>\n<p>Com a idade a avan\u00e7ar (aos 97 anos!), confiou a Casa do Gaiato de Malanje ao P. Rafael Serrano e sua equipa e recolheu-se ao Calv\u00e1rio de Beire, em Paredes, onde continuou a exercer a sua miss\u00e3o e a escrever.<\/p>\n<p>Publicaria, em 2019, \u2018O sil\u00eancio de Deus\u2019. O texto assenta na ecologia integral da \u2018Laudato Si\u2019 do Papa Francisco, conta muitas hist\u00f3rias de gente pobre e n\u00e3o esquece o \u2018homem grande e santo\u2019, o lend\u00e1rio Bispo de Olinda e Recife, D. H\u00e9lder C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Como diz Henrique Manuel, \u2018o sil\u00eancio de Deus \u00e9 a voz de Deus; a aus\u00eancia de Deus, a sua presen\u00e7a mais profunda. Disso nos fala este livro\u2019. Como sinal de gratid\u00e3o hist\u00f3rica, o P. Telmo Ferraz dedica o livro ao Padre Am\u00e9rico e a todos e cada um dos padres da Obra da Rua, os que j\u00e1 partiram e os que d\u00e3o hoje corpo a esta benem\u00e9rita institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2022 marca um \u2018regresso\u2019 \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Barragem do Picote e ao livro \u2018O lodo e as estrelas\u2019. Mais uma vez, Henrique Manuel, pegou num \u00e1lbum do P. Telmo e organizou o livro \u2018Rostos de uma barragem\u2019, que re\u00fane fotografias tiradas pelo sacerdote durante os anos de constru\u00e7\u00e3o daquele empreendimento. Confessou o P. Telmo: \u2018N\u00e3o contava que se pudesse fazer isto. As fotografias foram tiradas por desporto, para eu fixar, para distribuir uma ou outra fotografia por eles. Uma casinha, uma crian\u00e7a a comer. \u00c0s vezes eles pediam-me. Foi sem proje\u00e7\u00e3o nenhuma, sem nenhuma ideia\u2019. Ideia diferente tem Henrique Manuel: \u2018Gosto de olhar para este livro como um \u00e1lbum de fam\u00edlia, como um dedo que aponta a celebra\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f3nio coletivo. S\u00e3o as pessoas, os rostos que levantaram esta barragem, que n\u00e3o ficam na hist\u00f3ria. S\u00e3o pessoas an\u00f3nimas que, embora sendo personagens secund\u00e1rias ou quase figurantes da grande hist\u00f3ria, s\u00e3o as pessoas que importam, as pessoas que levantaram a barragem. Acho que faz parte da nossa mem\u00f3ria, do nosso patrim\u00f3nio coletivo, de Portugal e do mundo\u2019.<\/p>\n<p>Impar\u00e1vel, quando celebrou 98 anos, em 2023, publicou mais duas obras: \u2018Meu Sonho Profundo\u2019 e \u2018Aldeia dos Leprosos\u2019.<\/p>\n<p>Obrigado P. Telmo por estes cem anos t\u00e3o cheios de Miss\u00e3o, t\u00e3o cheios de tudo!<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - P. 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