{"id":400761,"date":"2025-11-21T15:41:22","date_gmt":"2025-11-21T15:41:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=400761"},"modified":"2025-11-21T15:41:22","modified_gmt":"2025-11-21T15:41:22","slug":"jovens-na-igreja-escutar-e-acompanhar-com-seriedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-na-igreja-escutar-e-acompanhar-com-seriedade\/","title":{"rendered":"Jovens na Igreja: escutar e acompanhar com seriedade"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266299 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A Igreja Cat\u00f3lica vive um momento \u00fanico e, ao mesmo tempo, um desafio constante quando se trata de dar espa\u00e7o e voz aos jovens. Recentemente, assistimos a dois marcos importantes que nos convidam \u00e0 reflex\u00e3o: as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Lisboa e o Jubileu dos Jovens. Ambos os eventos foram express\u00f5es poderosas de f\u00e9, esperan\u00e7a e entusiasmo por parte de uma juventude que se sente chamada a participar ativamente da vida da Igreja. Contudo, a quest\u00e3o que persiste \u00e9: depois destes encontros vibrantes, onde se coloca a juventude no cora\u00e7\u00e3o da Igreja? T\u00eam, de fato, um lugar para serem ouvidos e acompanhados de forma genu\u00edna e comprometida?<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, ouvimos a afirma\u00e7\u00e3o de que os jovens s\u00e3o o \u201cfuturo\u201d da Igreja. De fato, s\u00e3o o futuro, mas tamb\u00e9m s\u00e3o o presente. N\u00e3o podemos reduzir a sua import\u00e2ncia a uma mera promessa para o amanh\u00e3. Os jovens s\u00e3o os protagonistas de hoje, com inquieta\u00e7\u00f5es, sonhos e desafios pr\u00f3prios que pedem uma resposta da Igreja no presente imediato. O futuro da Igreja est\u00e1 nas suas m\u00e3os, mas o que est\u00e3o a construir n\u00e3o deve ser ignorado ou tratado como algo secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entretanto, muitos jovens sentem-se marginalizados. A mesma Igreja que lhes d\u00e1 uma enorme visibilidade nos grandes eventos, como as JMJ, muitas vezes n\u00e3o consegue ouvir as suas preocupa\u00e7\u00f5es de maneira profunda e continuada. As inquieta\u00e7\u00f5es que partilham, as propostas que trazem, muitas vezes s\u00e3o minimizadas, ou at\u00e9 esquecidas, nas esferas de decis\u00e3o e a\u00e7\u00e3o da Igreja. Como podemos afirmar que eles s\u00e3o o futuro, se, na pr\u00e1tica, lhes cortamos as pernas, como se costuma dizer popularmente, ao n\u00e3o reconhecerem plenamente o valor dos seus projetos e vis\u00f5es?<\/p>\n<p>Quando falamos de acompanhamento, n\u00e3o nos referimos apenas a atividades espor\u00e1dicas ou a programas pontuais. A verdadeira escuta dos jovens exige um esfor\u00e7o cont\u00ednuo, uma dedica\u00e7\u00e3o real e uma mudan\u00e7a de mentalidade dentro da Igreja. N\u00e3o se trata apenas de dar um lugar \u00e0 juventude nas cerim\u00f3nias, mas de permitir-lhes ser parte ativa da miss\u00e3o da Igreja. Eles precisam de ser acompanhados em todas as dimens\u00f5es da sua vida \u2013 espiritual, pessoal, social, e profissional. E mais importante ainda: as suas inquieta\u00e7\u00f5es, os seus projetos e os seus sonhos precisam de ser levados a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Acompanhamento \u00e9 tamb\u00e9m compromisso. Quando os jovens falam da sua f\u00e9, das suas lutas interiores ou dos seus desafios em lidar com um mundo cada vez mais distante dos valores crist\u00e3os, \u00e9 crucial que a Igreja esteja pronta para responder de forma honesta, emp\u00e1tica e pr\u00e1tica. A Igreja deve criar espa\u00e7os de di\u00e1logo real, onde os jovens possam ser ouvidos de forma aut\u00eantica, sem a press\u00e3o de terem que se encaixar num molde pr\u00e9-definido. Se lhes damos o microfone, \u00e9 fundamental que as suas vozes sejam escutadas e que as suas propostas n\u00e3o caiam no vazio.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais urgente \u00e9: qual \u00e9 o lugar real que queremos dar aos jovens na Igreja? O lugar n\u00e3o pode ser apenas o de espectadores, participantes em grandes eventos ou futuros l\u00edderes. Devemos estar dispostos a ouvir, a aprender com eles, a partilhar o nosso conhecimento e experi\u00eancia de f\u00e9, mas tamb\u00e9m a acolher as suas novas formas de entender a f\u00e9 e viver a espiritualidade. Ao longo dos s\u00e9culos, a Igreja soube crescer e transformar-se, acompanhando as mudan\u00e7as sociais e culturais, sempre fiel aos princ\u00edpios do Evangelho, \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o e ao Magist\u00e9rio. Agora, mais do que nunca, precisamos de ser fi\u00e9is a essa voca\u00e7\u00e3o, ouvindo com aten\u00e7\u00e3o as novas gera\u00e7\u00f5es, que t\u00eam algo valioso a contribuir para a renova\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o dermos a devida import\u00e2ncia \u00e0s vozes jovens, corremos o risco de perder uma enorme riqueza que se esconde nas suas perspectivas frescas e criativas. Quando falamos em juventude, falamos de uma gera\u00e7\u00e3o com um potencial imenso para transformar a sociedade e a pr\u00f3pria Igreja. No entanto, para que este potencial flores\u00e7a, precisamos de mais do que palavras bonitas e promessas de futuro. Precisamos de a\u00e7\u00f5es concretas, de envolvimento real e de uma Igreja que se ponha em escuta, disposta a caminhar com os jovens, de igual para igual, e n\u00e3o de cima para baixo.<\/p>\n<p>Portanto, a reflex\u00e3o sobre o lugar dos jovens na Igreja n\u00e3o deve ser uma mera ret\u00f3rica ou uma quest\u00e3o a ser resolvida apenas nos grandes eventos. Ela deve ser uma pr\u00e1tica di\u00e1ria e concreta. Se afirmamos que os jovens s\u00e3o o futuro da Igreja, que o sejam tamb\u00e9m no presente, com voz, com espa\u00e7o, com acompanhamento s\u00e9rio. A Igreja precisa de criar um espa\u00e7o de acolhimento e di\u00e1logo onde as inquieta\u00e7\u00f5es dos jovens sejam levadas a s\u00e9rio, onde os seus projetos possam ser avaliados com honestidade e, quando poss\u00edvel, implementados de forma que fortale\u00e7am a miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>A juventude \u00e9 chamada a ser, de facto, o presente da Igreja, e o nosso compromisso \u00e9 garantir que, ao longo deste caminho, eles n\u00e3o sejam apenas ouvidos, mas acompanhados com amor, aten\u00e7\u00e3o e coragem. S\u00f3 assim, de m\u00e3os dadas com as novas gera\u00e7\u00f5es, poderemos caminhar rumo a um futuro de renova\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia aut\u00eantica da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p><em>Pe. Hugo Gon\u00e7alves<br \/>\n<\/em><em>Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-400761","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=400761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/400761\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=400761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=400761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=400761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}