{"id":400712,"date":"2025-11-23T09:31:52","date_gmt":"2025-11-23T09:31:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=400712"},"modified":"2025-11-21T11:39:10","modified_gmt":"2025-11-21T11:39:10","slug":"igreja-portugal-produtividade-das-empresas-nao-se-faz-com-uma-exploracao-dos-colaboradores-patricia-de-melo-e-liz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-produtividade-das-empresas-nao-se-faz-com-uma-exploracao-dos-colaboradores-patricia-de-melo-e-liz\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00abProdutividade das empresas n\u00e3o se faz com uma explora\u00e7\u00e3o dos colaboradores\u00bb &#8211; Patr\u00edcia de Melo e Liz"},"content":{"rendered":"<p><em>Na contagem decrescente para o Dia Nacional do Empres\u00e1rio, e num momento de forte agita\u00e7\u00e3o laboral com a anunciada greve geral de 11 de dezembro, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA a presidente da ACEGE- a Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_367380\" aria-describedby=\"caption-attachment-367380\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-367380 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Patricia-Liz-Presidente-ACEGE-IMG_0745-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-367380\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/TAM<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/p>\n<p><em>Participou no primeiro encontro ACEGE de Londres. O que nos pode dizer desta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>Esta iniciativa tem a ver com os muitos portugueses que trabalham em Londres, e que tem liga\u00e7\u00e3o \u00e0 ACEGE, tem os seus grupos de reflex\u00e3o, e neste encontro fal\u00e1mos tamb\u00e9m um pouco daquilo que \u00e9 o esp\u00edrito de trabalho tamb\u00e9m aqui em Londres, a acelera\u00e7\u00e3o dos dias, aquilo que \u00e9 a luta tamb\u00e9m pela competitividade que aqui se vive, e depois obviamente ligamos isso \u00e0 parte tamb\u00e9m mais espiritual, mais de reflex\u00e3o pessoal e da vida familiar de cada um.<\/p>\n<p>Foi um encontro muito interessante e com bons amigos portugueses e as suas fam\u00edlias. \u00c9 muito interessante ver que vieram as fam\u00edlias tamb\u00e9m, os filhos, e tudo se organizou de uma forma muito produtiva.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00f3s fal\u00e1mos num momento de alguma tens\u00e3o e de mudan\u00e7as legislativas em Portugal. Pergunto-lhe se sente um afastamento, um resfriamento na rela\u00e7\u00e3o entre trabalhador e empregador, e que muitas vezes o empres\u00e1rio \u00e9 visto como algu\u00e9m que apenas procura o lucro e se perdeu o sentido humanista?<\/em><\/p>\n<p>Eu gostaria de acreditar, e acreditamos fortemente no contr\u00e1rio, no sentido de que as empresas v\u00e3o tendo mais sensibilidade para aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio em termos de equil\u00edbrio da fam\u00edlia e do trabalho. Vejo cada vez mais empresas a terem as suas pol\u00edticas de cuidado com os seus colaboradores. Sabemos que as coisas t\u00eam ainda caminho para evoluir, mas sinto que as vozes que se levantam v\u00e3o um bocadinho em contraciclo com aquilo que s\u00e3o as pr\u00e1ticas. N\u00f3s temos um programa, o programa das empresas familiarmente respons\u00e1veis, em que se trata de uma forma muito profunda aquilo que s\u00e3o as pr\u00e1ticas do trabalho e da oferta de comodidade, e de situa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental, situa\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio dos hor\u00e1rios de trabalho, equil\u00edbrio salarial. E aquilo que vemos \u00e9 as empresas a aderirem para poderem realmente certificar-se e certificar a empresa nestes tipos de pr\u00e1ticas. Por isso acredito que, como cada vez temos mais empresas a aderir ao programa, acredito que de facto o caminho seja mais positivo do que aquilo que se vem falando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 natural, h\u00e1 sempre espa\u00e7o para melhorar. Como uma associa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, o que \u00e9 que ACEGE pode fazer pela melhoria da rela\u00e7\u00e3o laboral? <\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. H\u00e1 espa\u00e7o para melhorar, h\u00e1 espa\u00e7o para sensibilizar mais empresas e aquilo que n\u00f3s acreditamos \u00e9 que as empresas t\u00eam de olhar aos seus colaboradores primeiro como seres humanos que querem tamb\u00e9m dignificar a sua vida, depois obviamente com o sentido muito pr\u00e1tico de que a produtividade das empresas n\u00e3o se faz com uma explora\u00e7\u00e3o dos colaboradores. As empresas devem dar condi\u00e7\u00f5es aos seus trabalhadores, devem dar condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 salariais, mas condi\u00e7\u00f5es de vida equilibrada aos seus trabalhadores e obviamente depois ter tamb\u00e9m a reciprocidade.<\/p>\n<p>O lucro pelo lucro n\u00e3o faz sentido. O sentido \u00e9 que as empresas existem, o trabalho existe para dignificar o homem e dignificar a nossa vida e tamb\u00e9m com o humanismo e com o sentido prosperar, de levar prosperidade \u00e0s pessoas, no sentido de evolu\u00edrem na sua vida, de evolu\u00edrem nas suas carreiras, de evolu\u00edrem no seu conhecimento, na sua condi\u00e7\u00e3o familiar, poderem constituir fam\u00edlia, poderem ter a sua casa, poderem ter uma vida digna, naquilo que \u00e9 necess\u00e1rio. E n\u00f3s temos de facto programas e a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o que vai muito ao encontro desta pr\u00e1tica. As empresas s\u00e3o um grande ve\u00edculo para fazer prosperar o ser humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou de um tema que faz parte das preocupa\u00e7\u00f5es do debate contempor\u00e2neo, porque obviamente h\u00e1 muitos trabalhadores que cada vez mais procuram diversas motiva\u00e7\u00f5es quando est\u00e3o em determinado local, mas a verdade \u00e9 que em Portugal, sobretudo, os baixos sal\u00e1rios surgem quase sempre como uma das queixas dos trabalhadores. \u00c9 um reparo que se justifica na sua perspetiva?<\/em><\/p>\n<p>Acredito que sim. Portugal continua e persiste na quest\u00e3o dos sal\u00e1rios abaixo daquilo que seria desej\u00e1vel e daquilo que s\u00e3o os par\u00e2metros europeus e tem de fazer algo sobre isso, mas eu acredito que esse passo deve ser dado tamb\u00e9m. E as empresas t\u00eam de dar esse passo de melhorar os sal\u00e1rios em Portugal. Isso tem de acontecer no sentido de\u00a0 se aproximar das empresas europeias e at\u00e9 pela competitividade que queremos gerar. E \u00e9 um ciclo, \u00e9 um ciclo que tem de se criar, um ciclo virtuoso, no sentido de que se eu tenho mais produtividade torno-me mais competitivo, se me torno mais competitivo tenho mais resultados e se tenho mais resultados posso pagar melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Isto tem de acontecer porque eu n\u00e3o posso querer pagar sal\u00e1rios e n\u00e3o ter resultados para o fazer. Por outro lado, distribuir bem, distribuir bem aquilo que s\u00e3o os resultados gerados. Esse sentido mais colaborativo e menos mercantilista tem de acontecer.<\/p>\n<p>Como dizia h\u00e1 pouco, acredito que de facto h\u00e1 empresas &#8211; tamb\u00e9m muito por aquilo que \u00e9, toda a influ\u00eancia de multinacionais, que vimos tendo j\u00e1 sobretudo depois da entrada na comunidade europeia &#8211; as empresas t\u00eam de ter esta consci\u00eancia de que aquilo que \u00e9 o fruto do trabalho, com certeza que as empresas existem para ter o seu lucro, para distribuir aos seus s\u00f3cios, mas para distribuir tamb\u00e9m \u00e0s suas pessoas e isto tem de entrar no mindset das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sem os empres\u00e1rios e as empresas o pedirem, sem o governo o ter anunciado em campanha eleitoral, a verdade \u00e9 que o pa\u00eds discute por estes dias altera\u00e7\u00f5es significativas \u00e0 lei laboral. Falava-se no in\u00edcio de 100 medidas de altera\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista da ACEGE, esta \u00e9 uma prioridade nesta altura?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que no ponto de vista da ACEGE a prioridade \u00e9 sempre aquilo que acabei de descrever, no sentido de haver equil\u00edbrio, mas acredito que as medidas de competitividade ajudam o pa\u00eds tamb\u00e9m a prosperar, desde que seja sempre com sentido. E as leis que est\u00e3o a ser feitas t\u00eam de ser com o sentido, de facto de gerar mais riqueza para que ela seja devidamente distribu\u00edda. E esse \u00e9 o mindset que tem de se criar. N\u00f3s temos de deixar um pouco esta ideia, como disseram no in\u00edcio e bem, de que a empresa e empregado\/colaborador \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o antag\u00f3nica, est\u00e3o virados de costas. N\u00e3o podem estar. N\u00e3o \u00e9 assim que se gera competitividade nas empresas nem num pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 assim que se leva um pa\u00eds a ser mais competitivo e mais pr\u00f3spero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os sindicatos dizem que as propostas de altera\u00e7\u00e3o penalizam sobretudo os trabalhadores, retirando-lhe direitos. A proposta tal qual nos chegou \u00e9, do seu ponto de vista, desequilibrada?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o acho totalmente desequilibrada, acho que h\u00e1 medidas que s\u00e3o necess\u00e1rias, no sentido da aposta na competitividade. Porque se queremos estar na Europa, se queremos estar no mundo, temos que tamb\u00e9m ser mais competitivos, mas n\u00e3o digo que n\u00e3o care\u00e7a de alguns ajustes. Penso que tem tudo muito a ver com a atitude, quer dos empres\u00e1rios, quer dos colaboradores, e se tiverem uma atitude colaborativa e de empenho, e numa atitude de distribui\u00e7\u00e3o justa da riqueza gerada, h\u00e1 quest\u00f5es na lei que s\u00e3o importantes para que isso aconte\u00e7a. Porque a atitude do colaborador tem de ser tamb\u00e9m no sentido de levar prosperidade \u00e0s empresas e ao pa\u00eds. No caso contr\u00e1rio, tem de existir justi\u00e7a. Justi\u00e7a no pagamento de sal\u00e1rios. Mas tem de ser uma situa\u00e7\u00e3o de reciprocidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E acredita ser poss\u00edvel um entendimento que permita a desconvoca\u00e7\u00e3o da greve geral? <\/em><\/p>\n<p>Eu espero que sim, este governo em muitos momentos tem provado ser dialogante, esperamos que seja, desta vez tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 esse o apelo que faz? Que haja di\u00e1logo? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 este o apelo que fa\u00e7o, que haja di\u00e1logo, que haja abertura de esp\u00edrito, que haja um sentido de evolu\u00e7\u00e3o, que haja um sentido tamb\u00e9m de dever de parte a parte, porque muitas vezes estamos muito focados no que \u00e9 que \u00e9 o meu direito e devemos estar focados tamb\u00e9m no que \u00e9 que eu posso fazer, o que \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio fazer para levar o nosso pa\u00eds, as nossas empresas, as nossas pessoas a prosperar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a evolu\u00e7\u00e3o pode ser o recuo nalguma das mat\u00e9rias? <\/em><\/p>\n<p>Eventualmente. Eu n\u00e3o me queria manifestar muito sobre isso, porque s\u00e3o muitas medidas, como disse, s\u00e3o muitos detalhes. \u00a0A discuss\u00e3o ideal \u00e9 a que aquela que leva ao equil\u00edbrio necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vamos olhar agora um pouco mais para o que \u00e9 o pensamento social sobre esta mat\u00e9ria. Na primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Dilexi Te, o Papa Le\u00e3o XIV foi muito duro a refor\u00e7ar cr\u00edticas que j\u00e1 vinham de antes a uma economia que mata. Depois, no Jubileu do Trabalho, em Lisboa, onde estivemos juntos, ali\u00e1s, disse que recusa ver as empresas como algo a bater, que devem ser, pelo contr\u00e1rio, incubadoras de desenvolvimento humano. Como \u00e9 que se faz esta ponta entre as duas realidades e como \u00e9 que a Associa\u00e7\u00e3o quer criar alternativas a esta economia que mata, que foi denunciada pelos \u00faltimos Papas?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro que tudo, n\u00e3o ver a mensagem destes dois \u00faltimos Papas como uma mensagem contra os empres\u00e1rios. Esse \u00e9 o primeiro ponto. A mensagem \u00e9 de sensibiliza\u00e7\u00e3o aos empres\u00e1rios, de sensibiliza\u00e7\u00e3o aos gestores para aquilo que referimos de distribuir melhor a riqueza, n\u00e3o haver desequil\u00edbrios t\u00e3o grandes entre o lucro gerado e aquilo que \u00e9 distribu\u00eddo.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 um respeito muito grande, n\u00e3o tenho qualquer d\u00favida, da Igreja por aquilo que as empresas fazem pela humanidade. Portanto, \u00e9 preciso ler de uma forma muito clara que aquilo que est\u00e1 a ser feito \u00e9 pedir para humanizar mais as empresas, pedir para ir mais longe, pedir para ver esta sensibilidade para com quem realmente faz as empresas evolu\u00edrem, que faz as empresas atuarem para a frente. Eu costumo dizer que as empresas n\u00e3o s\u00e3o dos s\u00f3cios, as empresas s\u00e3o de todas as pessoas que l\u00e1 trabalham e o sentido de responsabilidade que n\u00f3s apelamos sempre aos nossos empres\u00e1rios \u00e9 o sentido de responsabilidade de olhar para cada pessoa como, de facto, um elemento que contribui e que faz parte e que \u00e9 parte de uma empresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es do momento prende-se com os desafios da intelig\u00eancia artificial. Estamos a conviver bem com esta nova realidade? Acautelamos os seus desafios?\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Protegemos o trabalho?<\/em><\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial ainda est\u00e1 num ponto muito inicial para se conseguir tirar conclus\u00f5es daquilo que vai acontecer. Ouvimos muitos coment\u00e1rios acerca disso e alguns deles muito dispares. Eu diria que acredito que a intelig\u00eancia artificial seja boa no sentido de facilitar o trabalho, no sentido de ajudar a evoluir, e que ter\u00e1 a sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m acredito que tem que haver uma adaptabilidade dos tempos, como sempre houve quando houve evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e de v\u00e1rias ordens. \u00c9 necess\u00e1rio adaptarmos e percebermos onde \u00e9 que, de facto, podemos encontrar sa\u00eddas. Eu acredito muito que encontremos sa\u00eddas em tantas profiss\u00f5es, sobretudo ligadas a um bem-estar do ser humano, que v\u00e3o ser cada vez mais necess\u00e1rias e que vai haver uma substitui\u00e7\u00e3o de algumas atividades para outras atividades e que o ser humano vai ser imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial vai ocupar o seu lugar, e isso deve ser feito com \u00e9tica, deve ser feito com regra, que ainda n\u00e3o existe o suficiente, mas acredito que v\u00e1 aparecer porque o homem tamb\u00e9m, naquilo que \u00e9 a sua intelig\u00eancia, vai-se adaptando e vai adaptando os tempos e vai-se adaptando aos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para o trabalho que ainda \u00e9 feito por seres humanos, em Portugal fala-se muitas vezes de um problema de falta de m\u00e3o de obra, o que tamb\u00e9m afeta a produtividade do pa\u00eds. Tamb\u00e9m neste momento estamos em vias de aprovar legisla\u00e7\u00e3o que dificulta o recrutamento dessa m\u00e3o de obra quando se trata de trabalhadores imigrantes.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Partindo do princ\u00edpio que todos concordamos com a necessidade de regular a imigra\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que analisa tamb\u00e9m este processo e at\u00e9 os posicionamentos da Igreja Cat\u00f3lica que tem sido cr\u00edtica em alguma desta legisla\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o tem de ser no sentido, como disse e bem, de regular a imigra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de afastar a imigra\u00e7\u00e3o. Aquilo que tenho vindo a ler acerca disso parece-me que aquilo que se quer \u00e9 travar uma situa\u00e7\u00e3o de desnorte que estivemos a sentir. Isso tamb\u00e9m traz depois problemas sociais graves, porque quando n\u00f3s recebemos muitas pessoas e n\u00e3o temos as pessoas a adaptarem-se e a integrarem-se no pa\u00eds e na cultura e naquilo que \u00e9 o trabalho e terem o trabalho devidamente pago, devidamente regulado, depois temos tamb\u00e9m essas pr\u00f3prias pessoas a n\u00e3o terem uma vida digna. Portanto aquilo que se procura e acredito aquilo que se est\u00e1 a procurar \u00e9 que todas as pessoas que recebemos estejam de forma digna em Portugal. E acredito que a lei vai sendo nesse sentido.<\/p>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que podem parecer um trav\u00e3o, mas acredito que tamb\u00e9m h\u00e1 aqui claramente uma vontade de que venham pessoas que haja a inten\u00e7\u00e3o de receber mais imigrantes. Temos que ver isto tamb\u00e9m como um ciclo, porque os ciclos de imigra\u00e7\u00e3o t\u00eam as suas flutua\u00e7\u00f5es e a imigra\u00e7\u00e3o, se neste momento \u00e9 preciso regular um pouco mais, n\u00e3o significa que seja uma lei estanque e que n\u00e3o v\u00e1 depois moldar-se \u00e0quilo que seja necess\u00e1rio. At\u00e9 os acordos com os pa\u00edses que v\u00e3o existindo acabam por auxiliar tamb\u00e9m, acredito eu, a que possa depois haver, mais pessoas para, de facto, cobrir aquilo que disse muito bem, a falta de m\u00e3o de obra, que n\u00e3o deixa de ser interessante esse antagonismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que falamos da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na contagem decrescente para o Dia Nacional do Empres\u00e1rio, e num momento de forte agita\u00e7\u00e3o laboral com a anunciada greve geral de 11 de dezembro, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA a presidente da ACEGE- a Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e 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