{"id":40070,"date":"2009-07-21T13:06:08","date_gmt":"2009-07-21T13:06:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/21\/22-anos-em-mocambique\/"},"modified":"2009-07-21T13:06:08","modified_gmt":"2009-07-21T13:06:08","slug":"22-anos-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/22-anos-em-mocambique\/","title":{"rendered":"22 anos em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>Chamo-me Maria Inoc&ecirc;ncia Azinheiro Costa e perten&ccedil;o &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o das Mission&aacute;rias Dominicanas do Ros&aacute;rio. Sou Mission&aacute;ria em Mo&ccedil;ambique h&aacute; 22 anos, a maior parte deles vividos numa nossa miss&atilde;o na zona sul, num bairro rural da cidade de Maputo. <\/p>\n<p>Somos uma Congrega&ccedil;&atilde;o que tem como Carisma &quot;a Evangeliza&ccedil;&atilde;o dos mais pobres onde a Igreja mais nos necessite&quot;. Esta &eacute; a experi&ecirc;ncia gratificante, que estamos a viver este ano, em que como Congrega&ccedil;&atilde;o, celebramos o jubileu dos 50 anos da nossa presen&ccedil;a e miss&atilde;o entre o bom povo Mo&ccedil;ambicano.<\/p>\n<p>Como seguidoras do ideal das primeiras Irm&atilde;s, no ano de 1991, abrimos uma nova comunidade &#8211; miss&atilde;o no Bairro de Mahotas, a cerca de 20km de Maputo -, onde trabalhamos com as pessoas mais pobres e exclu&iacute;das, como compromisso evang&eacute;lico do seguimento de Jesus. <\/p>\n<p>Assim, ao falar da minha experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria, mesmo quando v&aacute; em primeira pessoa, &eacute; sempre falar da experi&ecirc;ncia de uma pequena comunidade de Irm&atilde;s, que vivemos entre o povo mais simples, partilhando com eles a vida e a f&eacute;, comungando das suas alegrias e tristezas, dos seus sonhos e dos seus fracassos&#8230; fazendo com eles a experi&ecirc;ncia dos muitos milagres quotidianos que a vida nos oferece&#8230;<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil em poucas palavras expressar a riqueza do que tenho vivido ao longo destes anos&#8230; Embora na mesma zona geogr&aacute;fica foi muito, bom e diversificado, o que tenho vivido.<\/p>\n<p>Desde o trabalho de forma&ccedil;&atilde;o com a Mulher dentro das Cooperativas Agr&iacute;colas, em que cerca de 10 mil mulheres camponesas trabalhavam juntas, comprometidas em constru&iacute;rem um futuro para elas e seus filhos, passando pelo &quot;ajudar a nascer&quot; das &quot;associa&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia&quot; das mulheres nas comunidades crist&atilde;s, durante os longos anos de guerra, em que &quot;a fome gerava criatividade produtiva e solid&aacute;ria&quot;, at&eacute; &agrave; partilha espont&acirc;nea da Palavra de Deus de uma mam&atilde; ou vov&oacute;, nas Celebra&ccedil;&otilde;es da Palavra ao Domingo, com uma f&eacute; e sabedoria que nos fazem &quot;estremecer de alegria &quot;e louvor a Deus, porque &quot;esconde estas coisas aos grandes e as revela aos humildes&quot;, tudo me ajudou a descobrir e a amar a riqueza interior do povo africano e pelo que acabo de referir, particularmente da mulher africana que, para sempre, me &quot;ganharam&quot; o cora&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Paz e democracia<\/em><\/p>\n<p>Dentro da riqueza desta experi&ecirc;ncia dos primeiros anos, n&atilde;o posso deixar de mencionar a esperan&ccedil;a vivida nos Acordos de Paz em 1992 e as primeiras elei&ccedil;&otilde;es livres em 1994. Quanto anseio de dignidade e de participa&ccedil;&atilde;o de um povo, quanta sede de aprender a votar, quanto empenhamento das comunidades crist&atilde;s em colaborar para que todos pudessem e soubessem usufruir desse direito t&atilde;o fundamental do ser pessoa&#8230;<\/p>\n<p>Os anos passaram, muitas outras conquistas, como foi o sedimentar de uma democracia, que se bem ainda incipiente, permitiu a liberdade de express&atilde;o e pensamento, fomentou a participa&ccedil;&atilde;o na &quot;coisa p&uacute;blica&quot;, e sobretudo consolidou a &quot; fome de forma&ccedil;&atilde;o&quot; a todos os n&iacute;veis que sempre caracterizou o mo&ccedil;ambican@.<\/p>\n<p>Infelizmente, &eacute; verdade tamb&eacute;m, que muitas das esperan&ccedil;as dos primeiros anos de paz, promissoras de progresso, de dignidade, de melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida, de emprego, de habita&ccedil;&atilde;o, de escola, de sa&uacute;de e de igualdade de oportunidades entre todos, ca&iacute;ram muito por terra&#8230; A pobreza extrema em que vive mais de metade do povo Mo&ccedil;ambicano, com a constata&ccedil;&atilde;o da fome em todas as Prov&iacute;ncias, aliadas &agrave; pandemia da Sida, que dizima os nossos jovens, pais e m&atilde;es de fam&iacute;lia, gerando diariamente centenas de &oacute;rf&atilde;os, deixando beb&eacute;s sem m&atilde;e ao nascer, crian&ccedil;as entregues a si mesmas, ou no melhor dos casos, entregues a av&oacute;s velhinhas e sem recursos&#8230; s&atilde;o hoje duras &quot;dores&quot; por que est&aacute; passando a maioria das fam&iacute;lias mo&ccedil;ambicanas&#8230;<\/p>\n<p>Mas apesar disso, e ainda que sinta que s&atilde;o precisas muitas mais m&atilde;os, cabe&ccedil;as e cora&ccedil;&otilde;es juntos, a sentir e a agir, desde a solidariedade e o voluntariado nacional e internacional, at&eacute; ao compromisso activo dos mo&ccedil;ambican@s e de todos os que nos sentimos s&ecirc;-lo, creio e confio, que o povo de Mo&ccedil;ambique tem futuro. Continuo a acreditar na cren&ccedil;a b&aacute;sica que sustenta a nossa vida de seguidoras de Jesus de Nazar&eacute;: &quot; a Vida sair&aacute; sempre vencedora&#8230;&quot; <\/p>\n<p>Esta &eacute; a experi&ecirc;ncia nuclear da nossa f&eacute; que suporta e d&aacute; um sentido novo ao quotidiano do nosso estar entre e com este povo&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamo-me Maria Inoc&ecirc;ncia Azinheiro Costa e perten&ccedil;o &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o das Mission&aacute;rias Dominicanas do Ros&aacute;rio. Sou Mission&aacute;ria em Mo&ccedil;ambique h&aacute; 22 anos, a maior parte deles vividos numa nossa miss&atilde;o na zona sul, num bairro rural da cidade de Maputo. 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