{"id":39964,"date":"2009-07-14T11:42:33","date_gmt":"2009-07-14T11:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/14\/a-logica-da-caridade\/"},"modified":"2009-07-14T11:42:33","modified_gmt":"2009-07-14T11:42:33","slug":"a-logica-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-logica-da-caridade\/","title":{"rendered":"A L\u00f3gica da Caridade"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Duque <!--more--> <em>&quot;A verdade abre e une as intelig&ecirc;ncias no l&oacute;gos do amor: tal &eacute; o an&uacute;ncio e o testemunho crist&atilde;o da caridade. No actual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tend&ecirc;ncia de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a ades&atilde;o aos valores do cristianismo &eacute; um elemento &uacute;til e mesmo indispens&aacute;vel para a constru&ccedil;&atilde;o duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral&quot; (Caritas in veritate, n&ordm; 4)<\/em> <\/p>\n<p>Gostaria de come&ccedil;ar o meu breve coment&aacute;rio &agrave; mais recente Carta Enc&iacute;clica de Bento XVI, <em>Caritas in veritate<\/em>, por esta cita&ccedil;&atilde;o, que me parece concentrar em si os principais objectivos de todo o documento. E gostaria de come&ccedil;ar por me fixar no termo <em>logos<\/em>, que permite variadas tradu&ccedil;&otilde;es. Neste caso, prefiro concentrar-me naquela que originou, nas nossas l&iacute;nguas, a express&atilde;o <em>l&oacute;gica<\/em>. De facto, o <em>logos <\/em>ou o discurso, tamb&eacute;m o pensamento sobre algo, implica uma l&oacute;gica pr&oacute;pria. Assim, poder&iacute;amos traduzir a express&atilde;o &quot;<em>logos<\/em> do amor&quot; por l&oacute;gica do amor. <\/p>\n<p>Ora, trata-se de uma express&atilde;o algo estranha. De facto, estamos habituados a reduzir a l&oacute;gica ao &acirc;mbito matem&aacute;tico-cient&iacute;fico, quando muito ao contexto argumentativo, o que parece n&atilde;o permitir falar de uma l&oacute;gica do amor, pois o amor escaparia a toda a l&oacute;gica. Ora, toda esta Enc&iacute;clica, precisamente porque liga a caridade com a verdade e vice-versa, assenta precisamente num discurso sobre a l&oacute;gica do amor. Nesse sentido, proponho um coment&aacute;rio baseado nos diversos n&iacute;veis dessa l&oacute;gica, que me parecem corresponder, tamb&eacute;m, &agrave; l&oacute;gica interna do documento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O primeiro n&iacute;vel tem a ver com a fundamental compreens&atilde;o b&iacute;blico-crist&atilde; da no&ccedil;&atilde;o de verdade. Poder&iacute;amos chamar-lhe o n&iacute;vel da <em>l&oacute;gica da ac&ccedil;&atilde;o<\/em>. De facto, a no&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica de verdade &eacute; bastante mais abrangente do que a que a reduz ao puro n&iacute;vel do discurso e mesmo da ci&ecirc;ncia. Porque, no contexto b&iacute;blico &#8211; que &eacute; o contexto crist&atilde;o &#8211; a verdade salva e liberta, possui por isso uma for&ccedil;a performativa pr&oacute;pria, realizando algo na nossa exist&ecirc;ncia. Em correspond&ecirc;ncia a essa for&ccedil;a activa da verdade, a verdade vivida pelo crist&atilde;o &eacute; uma verdade pragm&aacute;tica, pois a verdade &eacute; para ser feita, n&atilde;o apenas para ser dita ou pensada. &Eacute; claro que tamb&eacute;m deve ser dita e pensada &#8211; pois isso &eacute; j&aacute; fazer algo. Mas, a finalidade &uacute;ltima da verdade &eacute; uma pragm&aacute;tica que transforme os cora&ccedil;&otilde;es e, por essa via, toda a realidade, sobretudo na sua dimens&atilde;o s&oacute;cio-cultural.<\/p>\n<p>Por isso, o cristianismo n&atilde;o &eacute; simplesmente uma filosofia, se entendermos por isso um conjunto abstracto de ideias que dizem respeito, mais ou menos, &agrave; realidade. &Eacute; claro que as ideias possuem uma for&ccedil;a transformadora pr&oacute;pria. Mas podem fechar-se no puro e abstracto jogo ideol&oacute;gico de si mesmas. Nesse sentido, o cristianismo n&atilde;o assenta numa ideia. Tamb&eacute;m n&atilde;o pode, como tal, ser reduzido a uma espiritualidade desencarnada, que apenas sirva para consolo interior dos indiv&iacute;duos. Por mais que tenha havido leituras e pr&aacute;ticas do cristianismo que o reduziram a essa dimens&atilde;o espiritual e privada, essas redu&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m significado sempre um desvio da sua verdade. Na hist&oacute;ria, como na actualidade, esse desvio &#8211; a que poder&iacute;amos chamar genericamente gnosticismo &#8211; tem sido uma das maiores tenta&ccedil;&otilde;es do cristianismo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m na actualidade, a tenta&ccedil;&atilde;o gn&oacute;stica continua a lan&ccedil;ar a sua sombra. Muitas vezes, essa sombra surge no pr&oacute;prio interior do cristianismo, por impulso daqueles grupos que o reduzem a uma actividade interna, orientada para uma dimens&atilde;o do indiv&iacute;duo a que se vai chamando &laquo;espiritualidade&raquo; e que o isola do quotidiano, da dimens&atilde;o &laquo;pol&iacute;tica&raquo;, que fica assim relegada para o &acirc;mbito do puramente &laquo;profano&raquo;. O crist&atilde;o atingido por esta tend&ecirc;ncia, ou se refugia numa vida ideal, alheia ao mundo que o rodeia, ou divide a sua vida esquizofrenicamente entre pr&aacute;ticas crist&atilde;s (apenas espirituais) e a pr&aacute;tica quotidiana, que nada tem a ver com as convic&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s.<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria sociedade, sobretudo por efeitos da modernidade europeia, habituou-se a compartimentar os sujeitos e as institui&ccedil;&otilde;es, relegando o cristianismo e as suas pr&aacute;ticas para o &acirc;mbito privado, negando-lhe por isso pertin&ecirc;ncia p&uacute;blica. Esse &eacute; um modo s&oacute;cio-pol&iacute;tico de contradizer a l&oacute;gica crist&atilde;, como l&oacute;gica da ac&ccedil;&atilde;o, concebida como ac&ccedil;&atilde;o integral. E muitos estados ditos &laquo;laicos&raquo; baseiam nessa perspectiva a sua cr&iacute;tica &#8211; e mesmo a sua proibi&ccedil;&atilde;o, muitas vezes &#8211; da interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica dos crist&atilde;os, pessoal ou institucionalmente considerados.<\/p>\n<p>Mas a l&oacute;gica &#8211; a verdade &#8211; do cristianismo &eacute; precisamente a l&oacute;gica do amor, que &eacute; de ordem pr&aacute;tica e n&atilde;o conhece recantos simplesmente privados, pois envolve a pessoa toda e todas as pessoas. Por isso, na l&oacute;gica da sua ac&ccedil;&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;dos todos os problemas e todas as possibilidades da humanidade sua contempor&acirc;nea. Por isso se torna leg&iacute;tima &#8211; e mesmo exigida &#8211; a sua interven&ccedil;&atilde;o a prop&oacute;sito de todas essas quest&otilde;es, que est&atilde;o ligadas &agrave; ac&ccedil;&atilde;o quotidiana dos nossos contempor&acirc;neos, crist&atilde;os ou n&atilde;o. &Eacute; nesse contexto que se justifica a denominada &laquo;doutrina social da Igreja&raquo;. N&atilde;o como contributo cient&iacute;fico nos &acirc;mbitos da economia, da pol&iacute;tica ou da sociologia. Mas como leitura de tudo isso, no contexto da sua l&oacute;gica pr&oacute;pria. E como proposta para o bem-estar integral &#8211; com significado salv&iacute;fico &#8211; de todos os humanos.<\/p>\n<p>E essa l&oacute;gica, por ser a l&oacute;gica da caridade, tem por finalidade, n&atilde;o apenas fazer uma leitura cr&iacute;tica das realiza&ccedil;&otilde;es humanas, mas tamb&eacute;m sugerir realiza&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, que possam ajudar a que a l&oacute;gica da caridade v&aacute; dando frutos, ao longo da hist&oacute;ria humana. &Eacute; claro que, dada a especificidade da l&oacute;gica da caridade, as realiza&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas ser&atilde;o sempre limitadas e fal&iacute;veis, mesmo que se inspirem no amor que salva. Porque s&oacute; Deus salva e s&oacute; Ele ter&aacute; a &uacute;ltima palavra sobre a hist&oacute;ria humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Um dos elementos importantes da ac&ccedil;&atilde;o crist&atilde; &eacute;, por isso mesmo, a consci&ecirc;ncia ou reconhecimento de que a verdade, que deve ser feita, n&atilde;o &eacute; uma verdade j&aacute; feita pelos humanos, consoante os seus interesses e as suas perspectivas. Trata-se de uma verdade que &eacute; sempre <em>dada<\/em>, como tarefa a realizar. Nesse sentido, um dos elementos b&aacute;sicos da l&oacute;gica da caridade &eacute; o facto de se tratar de uma <em>l&oacute;gica do dom<\/em>. Antes de tudo, porque a verdade que fundamenta essa l&oacute;gica &eacute; uma d&aacute;diva, em si mesma, e n&atilde;o um produto nosso. Por essa raz&atilde;o, a d&aacute;diva que, antes de tudo, se nos d&aacute; para ser feita, &eacute; a pr&oacute;pria verdade. A verdade dada &eacute;, portanto, para que reconhe&ccedil;amos a d&aacute;diva como verdade &#8211; verdade de Deus e verdade dos humanos.<\/p>\n<p>Assim, a verdade &eacute;-nos dada, para ser realizada, entre n&oacute;s, enquanto d&aacute;diva, enquanto doa&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua. Ora, a d&aacute;diva &eacute; da ordem do gratuito. O que se d&aacute;, n&atilde;o se d&aacute; por interesse em receber algo em troca, muito menos para da&iacute; retirar algum lucro. Se assim n&atilde;o for, n&atilde;o existe d&aacute;diva ou dom, mas apenas neg&oacute;cio, mercado. A verdade da caridade, como verdade do ser humano, na perspectiva crist&atilde;, &eacute; que as rela&ccedil;&otilde;es humanas se devem medir por esta capacidade de dar gratuitamente. Mesmo que haja n&iacute;veis de permuta inter-humana que n&atilde;o sejam gratuitos, o n&iacute;vel da gratuidade deve ser o mais profundo e fundamental.<\/p>\n<p>Esta carta enc&iacute;clica, por ser uma carta essencialmente de doutrina social da Igreja, afirma claramente que a l&oacute;gica do dom se deve aplicar, tamb&eacute;m, ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, mesmo ou sobretudo da macro-economia. O cap&iacute;tulo terceiro &eacute; todo dedicado &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dessas possibilidades. &Eacute; claro que se trata de uma proposta que parece desconcertante, para muitos mesmo imposs&iacute;vel. Mas nisso reside, precisamente, o excesso da l&oacute;gica do dom gratuito, em rela&ccedil;&atilde;o a todos os sistemas simplesmente &laquo;justos&raquo;, se entendermos a justi&ccedil;a do ponto de vista puramente comutativo, retributivo ou distributivo. <\/p>\n<p>Habitualmente, os sistemas econ&oacute;micos mais recentes &#8211; denominados genericamente capitalistas &#8211; assentam na l&oacute;gica do lucro, pretendendo que esse seja o motor do progresso e desenvolvimento dos povos. Mas, sobretudo devido &agrave; recente crise econ&oacute;mico-financeira global, parece tornar-se cada vez mais evidente que essa l&oacute;gica n&atilde;o &eacute; absoluta e que parece n&atilde;o conduzir aos resultados que promete. Em realidade, apenas serve para realizar o interesse de poucos. Nesse contexto, Bento XVI lan&ccedil;a o desafio &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica, nas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas &agrave; escala global, da dimens&atilde;o do gratuito, da d&aacute;diva desinteressada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Porque s&oacute; a l&oacute;gica da d&aacute;diva permite criar verdadeira solidariedade humana, a n&iacute;vel planet&aacute;rio. Porque dela resulta a <em>l&oacute;gica da comunh&atilde;o<\/em>, &uacute;nica capaz de criar verdadeira comunidade humana, entre todos os povos e pessoas. De facto, o dom, dado a todos e para ser dado por todos, origina comunidade, no amor. Outro modo de rela&ccedil;&atilde;o entre os humanos e entre os povos apenas origina din&acirc;micas de poder, pois parte sempre de arrogantes pretens&otilde;es da capacidade de quem toma a iniciativa. Muitas vezes, essa l&oacute;gica do poder afecta mesmo aquilo que, externamente, parece d&aacute;diva, sobretudo na rela&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses ricos e pa&iacute;ses pobres. Ora, cada vez se torna mais evidente o fracasso a que est&aacute; destinado um sistema que se baseia em rela&ccedil;&otilde;es de poder &#8211; poder como capacidade e poder como dom&iacute;nio.<\/p>\n<p>&Eacute; no sentido de superar esse modo de rela&ccedil;&atilde;o que Bento XVI lan&ccedil;a a proposta de uma l&oacute;gica de comunh&atilde;o, assente no acolhimento de um dom que nos &eacute; dado e na pr&aacute;tica desse dom, dando. Da&iacute; deve resultar uma nova <em>l&oacute;gica econ&oacute;mica<\/em>, assente precisamente na economia do dom e n&atilde;o na economia do poder e do lucro. Entenda-se aqui o termo <em>economia<\/em> como aquele &acirc;mbito em que se leva &agrave; pr&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e inter-institucionais a l&oacute;gica da caridade, como pragm&aacute;tica e concretiza&ccedil;&atilde;o dessa mesma l&oacute;gica. &Eacute; nesse sentido que cristianismo n&atilde;o se limita a dar indica&ccedil;&otilde;es correctivas aos sistemas econ&oacute;micos. Pode acolher e mesmo propor certas pr&aacute;ticas econ&oacute;micas como modos de dar corpo concreto &agrave; l&oacute;gica do amor, ao servi&ccedil;o da qual se encontra. Esta l&oacute;gica do amor pode ser energia moral para os sistemas econ&oacute;micos, que s&oacute; est&atilde;o ao servi&ccedil;o do ser humano se assentarem em convic&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas.<\/p>\n<p>Isso far&aacute; assentar os sistemas econ&oacute;micos e mesmo pol&iacute;ticos numa l&oacute;gica em que a dimens&atilde;o &eacute;tica, no bom sentido do termo, seja fundamental: trata-se da <em>l&oacute;gica da responsabilidade<\/em>. Bento XVI, quando prop&otilde;e esta l&oacute;gica da responsabilidade pessoal e colectiva, local e planet&aacute;ria, pensa explicitamente na supera&ccedil;&atilde;o da pura l&oacute;gica do mercado e da pura l&oacute;gica do estado. A primeira, assente simplesmente no dinamismo do lucro, pensado individualmente, perde do horizonte a comunidade humana e cada pessoa concreta, conduzindo a desumanidades, que hoje se tornam cada vez mais evidentes e que acabam por se virar contra os seus pr&oacute;prios autores; a segunda, baseada em jogos de influ&ecirc;ncias e em certo dom&iacute;nio colectivista, acaba por discriminar grande parte da humanidade, originando mais divis&atilde;o do que comunh&atilde;o. Toda a actividade econ&oacute;mica e pol&iacute;tica, independentemente de os seus agentes serem ou n&atilde;o crist&atilde;os, dever&aacute; estar determinada pela l&oacute;gica da responsabilidade total, caso queira servir verdadeiramente os humanos, sem discrimina&ccedil;&atilde;o de pessoas nem povos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A &uacute;ltima parte da Enc&iacute;clica &eacute; dedica &agrave; explora&ccedil;&atilde;o do significado de uma l&oacute;gica pr&oacute;pria, em que desembocam, na pr&aacute;tica, todas as outras dimens&otilde;es da l&oacute;gica da caridade: trata-se da <em>l&oacute;gica da rela&ccedil;&atilde;o<\/em>. Partindo de uma fundamenta&ccedil;&atilde;o teo<em>l&oacute;gica<\/em> dessa l&oacute;gica (precisamente por refer&ecirc;ncia &agrave; rela&ccedil;&atilde;o trinit&aacute;ria, como fonte de todo o ser-em-rela&ccedil;&atilde;o), Bento XVI apresenta o modelo da rela&ccedil;&atilde;o familiar como fundamental para a compreens&atilde;o do ser humano como ser-em-rela&ccedil;&atilde;o. Porque a rela&ccedil;&atilde;o familiar assenta na rela&ccedil;&atilde;o inter-pessoal, vivendo da rela&ccedil;&atilde;o entre pessoas livres, diferentes, que se amam. Por isso, supera todos os modos de rela&ccedil;&atilde;o assentes no poder ou na dissolu&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as pessoais. <\/p>\n<p>Nesse sentido, considera importante, por exemplo, que se analisem criticamente outras tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, pois podem colocar em risco este modo de rela&ccedil;&atilde;o, no respeito da liberdade pessoal. Os sistemas de organiza&ccedil;&atilde;o social encontram aqui o crit&eacute;rio da sua avalia&ccedil;&atilde;o, pelo menos na perspectiva crist&atilde;, que se pretende universal. Ou s&atilde;o respeitadores de cada ser humano, na sua integridade, e respeitadores de todos os seres humanos, na sua igualdade, ou n&atilde;o fazem parte da l&oacute;gica da caridade, que &eacute; a verdade de Deus para os humanos.<\/p>\n<p>E com base nessa posi&ccedil;&atilde;o, simultaneamente dialogante e cr&iacute;tica, que a l&oacute;gica da caridade se prop&otilde;e como verdade para todos. Ao propor-se, assume uma tarefa p&uacute;blica, que ter&aacute; que arrancar o cristianismo da pura reuni&atilde;o de sacristia. Ao mesmo tempo, sendo uma proposta p&uacute;blica, entra no di&aacute;logo com outros crentes e mesmo com os n&atilde;o crentes. Porque a finalidade da l&oacute;gica da caridade &eacute;, precisamente, a rela&ccedil;&atilde;o no respeito pelas diferen&ccedil;as. Mas a l&oacute;gica da caridade s&oacute; &eacute; aut&ecirc;ntica se se assumir como l&oacute;gica da verdade, proposta para todos. &Eacute; nesse sentido que dever&atilde;o ser lidas estas densas p&aacute;ginas, que Bento XVI dirige a todos os crist&atilde;os, assim como a todos os humanos de boa vontade. Mas, como a verdade &eacute; para ser feita, esta &eacute; s&oacute; a primeira parte de uma proposta crist&atilde; para o nosso mundo contempor&acirc;neo.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jo&atilde;o Manuel Duque, te&oacute;logo, secret&aacute;rio da Comiss&atilde;o Episcopal da Doutrina da F&eacute; e Ecumenismo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Duque<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,191,192,199,314],"class_list":["post-39964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-economia","tag-ecumenismo","tag-espiritualidade","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}