{"id":3996,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/sonho-duma-sociedade-a-viver-em-paz\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"sonho-duma-sociedade-a-viver-em-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sonho-duma-sociedade-a-viver-em-paz\/","title":{"rendered":"Sonho duma sociedade a viver em paz"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga, no Dia Mundial da Paz <!--more--> Iniciar um Novo Ano significa colocar-se, conscientemente, perante o presente e o futuro da humanidade. Este situar-se quer dizer desejo e sonho duma sociedade a viver em paz. Como Igreja teremos de cumprir o mandato de anunciar e ensinar a paz. N\u00e3o \u00e9 responsabilidade de poucos mas esperan\u00e7a e contributo de todos. O Papa recorda-nos que ela sup\u00f5e o respeito pela ordem internacional e pelos compromissos assumidos pelas autoridades. Reconhecer esta responsabilidade pode alhear-nos e importa, recorda sempre o Papa, que nos consciencializemos perante as causas e raz\u00f5es da exist\u00eancia da guerra, terrorismo e viol\u00eancia. Dois factores condicionam o sonho da paz. A injusti\u00e7a social, geradora de discrimina\u00e7\u00f5es escandalosas, vive-se em todos os espa\u00e7os e n\u00e3o nos pode deixar tranquilos. Parece que a mis\u00e9ria e a desigualdade de oportunidades est\u00e3o longe de n\u00f3s. S\u00f3 que coabitam nas nossas cidades e aldeias. Importa consciencializar-se e intervir com a den\u00fancia das causas e a sugest\u00e3o das propostas. Ao mesmo tempo, \u201ca falta de respeito pela vida humana\u201d presencia-se em atitudes que persistem descaradamente. Para matar outros, muitos se prontificam a colocar fim \u00e0 vida com gestos terroristas e de atroz viol\u00eancia. O aborto, para al\u00e9m do enigma da clandestinidade, regressa ao \u00e2mbito da descriminaliza\u00e7\u00e3o ou despenaliza\u00e7\u00e3o. A eutan\u00e1sia come\u00e7a a encontrar adeptos e defensores. A pena de morte, mesmo para homens considerados perigosos para a humanidade, aceita-se com facilidade e despudor. Tudo parece permitido desde que os objectivos dos mais fortes ou interesses pessoais sejam satisfeitos. Trata-se duma cultura de morte que est\u00e1 a suscitar urg\u00eancia duma consciencializa\u00e7\u00e3o do valor indel\u00e9vel da vida desde a concep\u00e7\u00e3o ao fim natural. Este respeito pelas legalidade, qual ci\u00eancia e pre\u00e2mbulo da paz, sup\u00f5e o amor. Recordava Jo\u00e3o Paulo II: \u201cS\u00f3 uma humanidade onde reine a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d poder\u00e1 gozar duma paz aut\u00eantica e duradoura. \u201cNo in\u00edcio de um novo ano, quero recordar \u00e0s mulheres e aos homens de toda a l\u00edngua, religi\u00e3o e cultura esta m\u00e1xima antiga: \u201cOmnia vincit amor\u201d (\u201cO amor tudo vence\u201d). Sim, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s de todas as partes da terra, no fim o amor vencer\u00e1! Esforce-se cada um por apressar esta vit\u00f3ria. No fundo, \u00e9 por ela que anseia o cora\u00e7\u00e3o de todos\u201d. Depois de recordar este compromisso de educar para a paz, quero deixar quatro pedidos \u00e0 diocese para este ano que se inicia. Se encontrassem eco no cora\u00e7\u00e3o de muitos ficaria imensamente contente. 1. No passado dia 20 de Dezembro, em Roma, foi assinado o rescrito da aceita\u00e7\u00e3o como milagre, atribu\u00eddo \u00e0 intercess\u00e3o da Vener\u00e1vel Alexandrina, dum caso cl\u00ednico. Com este acto resta determinar o dia da Beatifica\u00e7\u00e3o. Duas considera\u00e7\u00f5es se imp\u00f5em como programa diocesano: o dom da Beatifica\u00e7\u00e3o alegra-nos e responsabiliza-nos. Exultantes de alegria, necessitados de acolher o modelo de vida deixada por uma pessoa que muitos conheceram. Se a santidade \u00e9 poss\u00edvel, ela torna-se obrigat\u00f3ria. O mundo parece enveredar por outros caminhos que Alexandrina contestou. A Igreja assume-se como vocacionada para a Santidade que a diferencia de comportamentos e estilos considerados modernos. Ao mesmo tempo, exultar de alegria \u00e9 sin\u00f3nimo de querer conhecer este modelo na sua originalidade e autenticidade. A superficialidade com que se acolhem os acontecimentos e as vidas n\u00e3o deveria colher neste caso. Precisamos de mergulhar nos verdadeiros conte\u00fados do testemunho que ela nos legou. Exorto, por isso, a Arquidiocese, ou seja, as par\u00f3quias, movimentos, comunidades religiosas, associa\u00e7\u00f5es a conhecerem e assumirem a futura Beata como est\u00edmulo para a vida crist\u00e3 em coer\u00eancia e marcada pelo Evangelho. Que 2004 leve o testemunho de Alexandrina a todos os crist\u00e3os por interm\u00e9dio duma reflex\u00e3o a partir de textos que, oportunamente, elaboraremos. 2. O centen\u00e1rio da coroa\u00e7\u00e3o da Senhora do Sameiro \u00e9 paradigm\u00e1tica para as comunidades. Urge que n\u00e3o se esgote em comemora\u00e7\u00f5es, mais ou menos solenes, que n\u00e3o penetram no \u00e2mago da vida crist\u00e3 e comunit\u00e1ria. \u00c9 f\u00e1cil programar iniciativas para reunir multid\u00f5es\u2026 Gostaria, mais, de tornar 2004 um Ano Mariano como an\u00e1lise do quotidiano de Maria que provoca vontade de viver, hoje, ao seu estilo. Necessitamos de refer\u00eancias. Maria precisa de revolucionar o que est\u00e1 adormecido e de estimular a apet\u00eancia pelo Evangelho para o situar na tecitura do emaranhado das situa\u00e7\u00f5es hodiernas. Ser Mariano n\u00e3o consiste em rezar a Maria ocasionalmente nem em visitar, periodicamente, um Santu\u00e1rio Mariano. Trata-se de muito mais e s\u00f3 a vontade de ultrapassar a mediocridade, com a ajuda da gra\u00e7a, nos catapulta para ser como Ela. 3. Com o ano 2004 inicia-se um novo per\u00edodo de 5 anos para o servi\u00e7o solicitado a alguns sacerdotes para exercerem a tarefa de Arcipreste ou Vice-Arcipreste. No evoluir da hist\u00f3ria Diocesana trata-se dum acontecimento banal. Creio, por\u00e9m, que, tendo presente a urg\u00eancia duma descentraliza\u00e7\u00e3o efectiva de tarefas, deveria tornar-se certeza duma nova esperan\u00e7a para a pastoral unit\u00e1ria que adoptamos como lema e programa. A Igreja n\u00e3o s\u00e3o os padres. O povo de Deus consciencializa-se na f\u00e9 e experimenta o sentido de perten\u00e7a eclesial atrav\u00e9s do entusiasmo e testemunho que oferecem na viv\u00eancia da sua verdadeira identidade e miss\u00e3o. Sonhamos com arciprestados aglutinadores de vontades e realizadores concordes de iniciativas comuns. Preocupa-nos a disciplina eclesi\u00e1stica e motiva-nos a vontade dum an\u00fancio persistente e convincente do Evangelho. Dum perfeito funcionamento do arciprestado depende, em boa medida, a vitalidade da Diocese. N\u00e3o me quero ilibar de responsabilidades; sem o querer reflectido de todos os sacerdotes nunca testemunharemos a novidade perene de Cristo. 4. A dedica\u00e7\u00e3o dos sacerdotes aconteceu e acontecer\u00e1 na tranquilidade perante o futuro. A entrega \u00e9 gratuita e nada esperam. Temos, por\u00e9m, direito a uma vida digna em todos os momentos. A velhice ou as situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as s\u00e3o raz\u00f5es para que a Arquidiocese proporcione certeza duma vida permanentemente acompanhada pela gratid\u00e3o e ternura. Ousamos iniciar a constru\u00e7\u00e3o duma nova Casa Sacerdotal. N\u00e3o se trata duma veleidade ou duma iniciativa n\u00e3o pensada. Ningu\u00e9m ignora a sua verdadeira necessidade. O ano 2004 deveria ser marcado pelo crescimento e conclus\u00e3o desta estrutura. Aos sacerdotes solicita-se a generosidade caracter\u00edstica de quem poder\u00e1 n\u00e3o necessitar deste espa\u00e7o mas reconhece a alegria de dar. Muitos j\u00e1 marcaram a sua presen\u00e7a. Ningu\u00e9m deixar\u00e1 de participar e colaborar de harmonia com as reais possibilidades. Aos leigos, individualmente ou como empresas, consciente das dificuldades actuais, agrade\u00e7o que esta causa entre no seu cora\u00e7\u00e3o; as respostas ser\u00e3o espont\u00e2neas. \u00c0s Confrarias, Irmandades, Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, Institui\u00e7\u00f5es\u2026 recordo a alegria que poder\u00e3o oferecer-me com a generosidade sacrificada. Muitas vezes se pergunta o que se pretende dum Novo Ano. Sou concreto e audaz. Olhando o exemplo da Vener\u00e1vel Alexandrina, a ser Beatificada brevemente, convido a Diocese a preparar-se para participar neste acontecimento consciencializando-se de que a santidade \u00e9 a raz\u00e3o de ser da Igreja. A caracteriza\u00e7\u00e3o Mariana da nossa religiosidade exige que o centen\u00e1rio da Coroa\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora do Sameiro suscite iniciativas tendentes a uma maior viv\u00eancia da f\u00e9, como Maria, e leve as Confrarias, particularmente as Marianas, a uma viv\u00eancia dos seus estatutos. O arciprestado, atrav\u00e9s duns estatutos renovados, deveria apresentar-se como realidade dinamizadora da vida eclesial numa congrega\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os unanimemente interpretada por sacerdotes e leigos. A Casa Sacerdotal deve ter o seu ep\u00edlogo como constru\u00e7\u00e3o para oferecer alegria e gratid\u00e3o a quantos se entregam ao servi\u00e7o do Reino. S\u00e3o projectos exagerados? Santa Maria, M\u00e3e de Deus, nos conceda o dom de os acolher como obrigat\u00f3rios. Que ningu\u00e9m falte com a sua parte. O resto acontecer\u00e1.  S\u00e9 Catedral, 01.01.04  Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga, no Dia Mundial da Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,165,237],"class_list":["post-3996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-dia-mundial-da-paz","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}