{"id":39909,"date":"2009-07-09T16:54:54","date_gmt":"2009-07-09T16:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/09\/ano-sacerdotal-mergulho-na-essencia-da-vocacao\/"},"modified":"2009-07-09T16:54:54","modified_gmt":"2009-07-09T16:54:54","slug":"ano-sacerdotal-mergulho-na-essencia-da-vocacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-sacerdotal-mergulho-na-essencia-da-vocacao\/","title":{"rendered":"Ano Sacerdotal: mergulho na ess\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias de dois padres de diferentes gera\u00e7\u00f5es mas com o mesmo sentido de miss\u00e3o <!--more--> J&aacute; em pleno Ano sacerdotal, o Programa&nbsp;70&nbsp;x 7&nbsp;foi ao encontro de dois sacerdotes que, com experi&ecirc;ncia e caminhos diferentes, se encontram no sentido da voca&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Duas gera&ccedil;&otilde;es que entendem o seu minist&eacute;rio &agrave; luz do discernimento que fazem, pela Igreja e pelas pessoas. Esta &eacute; &quot;uma vida desafiante, cheia de surpresas, cheia de vida&quot;, afirma o Pe. N&eacute;lio Pita, p&aacute;roco de S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino, em Lisboa. A metros de dist&acirc;ncia, o Pe. Lu&iacute;s Alberto Carvalho, da par&oacute;quia de F&aacute;tima, diz saem hesita&ccedil;&atilde;o que &quot;o melhor que pode acontecer a algu&eacute;m &eacute; cruzar-se com Jesus Cristo e fazer o que ele lhe pedir&quot;. <\/p>\n<p>De uma fam&iacute;lia cat&oacute;lica, mas sem uma liga&ccedil;&atilde;o pessoal &agrave; Igreja, o jovem N&eacute;lio Pita acedeu ao pedido da m&atilde;e para, durante essa Quaresma, se confessar. Na altura, &quot;disse ao padre que n&atilde;o concordava com a Igreja, que a considerava retr&oacute;grada. Ele concordando em algumas coisas comigo, acolheu-me e fez-me perceber que as minhas inquieta&ccedil;&otilde;es seriam leg&iacute;timas para um adolescente de 16 anos&quot;. Foi nesse momento que N&eacute;lio Pita se aproximou do sacerd&oacute;cio e o come&ccedil;ou a entender como uma via poss&iacute;vel para a sua realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. <\/p>\n<p>&quot;Descobri na Igreja uma mensagem que seria um projecto para a minha felicidade pessoal. N&atilde;o uma Igreja portadora de um c&oacute;digo de conduta que me oprimia, mas uma proposta para a minha felicidade que podia ser transmitida aos outros. Com esta descoberta a minha vida mudou&quot;, sintetiza.<\/p>\n<p>Desafiado a estudar num semin&aacute;rio para ser sacerdote, inicialmente, a N&eacute;lio, pareceu-lhe uma ideia descabida. Mas o desafio foi sendo &quot;trabalhado e ganhando ra&iacute;zes, at&eacute; que tomou conta de mim e eu decidi experimentar&quot;, tinha ent&atilde;o 19 anos.<\/p>\n<p><strong>Medidador de homens<br \/><\/strong>Em 2000 &eacute; ordenado sacerdote. Na sua vis&atilde;o, o sacerdote &eacute; um mediador entre os homens, &quot;enquanto instrumento e porta-voz de Deus, inserido num contexto que &eacute; a comunidade&quot;. O agora Pe. N&eacute;lio, deixou-se seduzir pelo &quot;projecto de felicidade que Deus tem para cada homem&quot; e, &eacute; nesse sentido, que se assume como mediador. Uma ponte que estabelece, sabendo que tem de manter com as pessoas uma rela&ccedil;&atilde;o privilegiada e sempre fundamentada na rela&ccedil;&atilde;o com Deus. <\/p>\n<p>&quot;Se for um padre que n&atilde;o tenha tempo para o fundamental, que &eacute; falar com Jesus, um padre que perceba mais de economia do que de Evangelho, &eacute; um mau mediador das coisas de Deus&quot;. Ao contr&aacute;rio, o Pe. N&eacute;lio entende ser fundamental &quot;estar pr&oacute;ximo das pessoas, ser-lhes seja acess&iacute;vel e comunicador&quot;. <\/p>\n<p>&Eacute; com base nas rela&ccedil;&otilde;es humanas que se faz caminho. Este, um caminho de exig&ecirc;ncia. &quot;&Eacute; preciso que as pessoas descubram a exig&ecirc;ncia da pr&oacute;prio Evangelho&quot;. O Pe. N&eacute;lio n&atilde;o acredita na moraliza&ccedil;&atilde;o, procura antes, pela sua ac&ccedil;&atilde;o, que as pessoas fa&ccedil;am uma ades&atilde;o pessoal a Cristo. &quot;O mais importante &eacute; o acolhimento a Jesus Cristo. Quem faz a experi&ecirc;ncia de Jesus, inevitavelmente, vai viver em conformidade com isso&quot;.<\/p>\n<p>No entanto, reconhece que &quot;muitas vezes se come&ccedil;a pelo contr&aacute;rio. Prega-se o moralismo sem uma convers&atilde;o a Jesus&quot;, lamenta. <\/p>\n<p><strong>O sentido da voca&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong>O Ano Sacerdotal ser&aacute; para este jovem padre vicentino um ano de decis&otilde;es. Actualmente &agrave; frente da par&oacute;quia de S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino, esta pode ser uma oportunidade para mudar a sua actua&ccedil;&atilde;o enquanto p&aacute;roco. Este ano &quot;vai obrigar a repensar a minha vida como ministro da Igreja e como prior desta par&oacute;quia&quot;, vaticina.<\/p>\n<p>&quot;Perdemo-nos em coisas v&aacute;rias. Na administra&ccedil;&atilde;o da par&oacute;quia, dos espa&ccedil;os, na economia, mas n&atilde;o espec&iacute;ficos do minist&eacute;rio sacerdotal&quot;. Nesse sentido, o Pe. N&eacute;lio, afirma ser importante &quot;centrarmo-nos no essencial&quot;. Tendo tanto para fazer &quot;acabamos por relegar para segundo plano o que nos &eacute; pr&oacute;prio e &uacute;nico&quot;.<\/p>\n<p>Privilegiando os momentos de contacto com as pessoas, a homilia &eacute;, para si, um momento especial de prega&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m da eucaristia, &eacute; na rua que vive o seu minist&eacute;rio. &quot;Pregar &eacute; muito importante, e por isso, &eacute; necess&aacute;ria a prepara&ccedil;&atilde;o cuidada da homilia e toda a eucaristia&quot;. Mas h&aacute; outras formas de fazer prega&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o a partir do p&uacute;lpito. &quot;Ambas n&atilde;o se excluem&quot;, acrescenta. <\/p>\n<p>As crises na adolesc&ecirc;ncia permitem-lhe hoje, uma aproxima&ccedil;&atilde;o a quem tem as mesmas d&uacute;vidas e ajudar nas descobertas que o pr&oacute;prio j&aacute; fez. <\/p>\n<p>O Pe. N&eacute;lio &eacute; um homem realizado que vive o sacerd&oacute;cio na entrega aos outros. &quot;&Eacute; uma vida continuamente desafiante, mas &eacute; cheia de surpresas, cheia de vida, da vida dos outros. N&atilde;o h&aacute; nada melhor do que partilhar a vida com os outros, ajudar a crescer e a descobrir caminhos de felicidade&quot;.<\/p>\n<p>Ser padre &eacute; &quot;a realiza&ccedil;&atilde;o de um projecto de Deus que se torna um projecto pessoal. Nessa medida, &eacute; um projecto de felicidade. S&oacute; quando realizamos os anseios mais profundos que Deus nos coloca no cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; que somos felizes&quot;.<\/p>\n<p><strong>Ouvir a voz de Deus<br \/><\/strong>A uma outra gera&ccedil;&atilde;o, pertence o Pe. Lu&iacute;s Alberto Carvalho, da par&oacute;quia de F&aacute;tima, em Lisboa que, este ano, celebra 30 anos de sacerd&oacute;cio. Uma feliz coincid&ecirc;ncia em Ano Sacerdotal. <\/p>\n<p>Lu&iacute;s Carvalho n&atilde;o encontra, na sua vida, um momento exacto que marca a decis&atilde;o pelo sacerd&oacute;cio. Apostado, principalmente, em ser um bom crist&atilde;o, acabou por ser surpreendido. &quot;Lembro-me de uma altura em que, pelos 15 anos, passou a ser claro que, independentemente do caminho da minha vida, crist&atilde;o eu seria. A pergunta seguinte era &laquo;o que queria ele de mim?&raquo; Rezei muitas vezes a pedir para que n&atilde;o fosse padre&quot;, recorda divertido.<\/p>\n<p>O&nbsp;ent&atilde;o jovem interrogava-se sobre as suas capacidades para ser padre, sobre a constitui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia ou sobre o que o mundo lhe poderia oferecer. Fez uma caminhada interior, de cora&ccedil;&atilde;o aberto, que lhe trouxe todas as respostas. <\/p>\n<p>&quot;Certo e seguro, a &uacute;ltima palavra eu sabia que seria a de Deus. Percebi que o que Deus queria me chegava atrav&eacute;s da voz da Igreja. Por muito que eu me torcesse ao princ&iacute;pio, a Igreja continuava-me a dizer que precisava de mim assim como eu era. Interiormente, fui-me disponibilizando, aceitando e acolhendo isso&quot;, recorda. <\/p>\n<p>No dia da sua ordena&ccedil;&atilde;o fez um contrato com Deus. &quot;Disse a Deus que faria a minha parte da melhor forma que pudesse e soubesse, o resto era com ele&quot;. <\/p>\n<p>Sem grandes planos ou disserta&ccedil;&otilde;es sobre o que vir&aacute;, vive a vida na certeza de que se confiar em Deus, tudo se resolver&aacute;. Esta foi uma confian&ccedil;a que se desenvolveu durante 30 anos, um caminho onde privilegiou o trabalho pastoral marcado pelas pessoas. <\/p>\n<p><strong>Trabalho humano<br \/><\/strong>Desde cedo percebeu que &quot;o trabalho pastoral teria de ser com pessoas&quot;. O contacto directo dava sentido ao ser padre, &quot;servindo a Igreja, mas as pessoas directamente&quot;. <\/p>\n<p>O Pe. Lu&iacute;s Carvalho recorda muitos trabalhos, projectos e desafios, todos feitos na rela&ccedil;&atilde;o de proximidade. Durante 13 anos esteve ligado &agrave; pastoral juvenil da diocese de Lisboa. Recorda trabalho variado, mas sempre com a marca colectiva. &quot;Tinha sempre uma equipa com quem trabalhava&quot;.<\/p>\n<p>Padre diocesano, este sacerdote alegra-se sempre por ter podido fazer vida em comunidade com outros sacerdotes. &quot;N&atilde;o se trata do muito que se faz em comum, mas o sentir que fazemos parte de um corpo e estamos todos a trabalhar no mesmo. Os momentos de partilha s&atilde;o tamb&eacute;m importantes. <\/p>\n<p>O Ano Sacerdotal &eacute; uma oportunidade para aceitar o desafio de aprofundamento espiritual. &quot;&Eacute; um pretexto para uma motiva&ccedil;&atilde;o extra para percorrer um caminho de santidade que Deus pede a todos&quot;. <\/p>\n<p>Em 30 anos, a forma f&iacute;sica n&atilde;o ser&aacute; a mesma, mas na ess&ecirc;ncia, est&aacute; tudo l&aacute;. &quot;Fisicamente e mentalmente, a capacidade de trabalho e o rendimento, sei que n&atilde;o s&atilde;o as mesmas, mas as motiva&ccedil;&otilde;es profundas, da alegria e das exig&ecirc;ncias de santidade que o minist&eacute;rio me faz, continuam muito vivos na minha vida e por isso, procuro dizer &laquo;n&atilde;o&raquo; a nada. Tenho conseguido&quot;.<\/p>\n<p>Dois testemunhos de duas gera&ccedil;&otilde;es de sacerdotes, n&atilde;o muito distantes entre si, e pr&oacute;ximas na ades&atilde;o de cora&ccedil;&atilde;o a um projecto maior que eles pr&oacute;prios.<\/p>\n<p>Os v&iacute;deos com os depoimentos destes padres encontram-se dispon&iacute;veis no <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/agenciaecclesia\">canal da ECCLESIA no YouTube<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rias de dois padres de diferentes gera\u00e7\u00f5es mas com o mesmo sentido de miss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[114,191,280,91],"class_list":["post-39909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-ano-sacerdotal","tag-economia","tag-pastoral-juvenil","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}