{"id":398882,"date":"2025-11-10T15:20:12","date_gmt":"2025-11-10T15:20:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=398882"},"modified":"2025-11-12T09:37:59","modified_gmt":"2025-11-12T09:37:59","slug":"portalegre-castelo-branco-d-pedro-fernandes-aprendiz-de-bispo-tera-todos-como-professores-e-como-acompanhadores-e-tutores-nessa-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portalegre-castelo-branco-d-pedro-fernandes-aprendiz-de-bispo-tera-todos-como-professores-e-como-acompanhadores-e-tutores-nessa-escola\/","title":{"rendered":"Portalegre-Castelo Branco: D.\u00a0Pedro Fernandes, \u00abaprendiz de bispo\u00bb, ter\u00e1 todos \u00abcomo professores, e como acompanhadores e tutores\u00bb nessa escola"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00abSomos todos chamados ao servi\u00e7o, somos chamados \u00e0 miss\u00e3o, e a miss\u00e3o, vivida na f\u00e9, apresenta sempre este perfil de surpresa e de novidade\u00bb, destaca o bispo eleito da diocese<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-394273 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1050\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano-400x280.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PedroFernandes-espiritano-768x538.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a>D. Pedro Fernandes afirma que foi \u201cuma proposta completamente inesperada\u201d ser nomeado bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, pelo Papa Le\u00e3o XIV. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o sacerdote da Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios Espiritanos conversou sobre a voca\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia da miss\u00e3o em \u00c1frica, e a mudan\u00e7a, agora, para uma diocese do interior de Portugal.<\/p>\n<p>O segundo bispo espiritano da Diocese de Portalegre-Castelo Branco que vai \u201capanhar um comboio que j\u00e1 est\u00e1 em andamento\u201d, referiu-se aos leigos e \u00e0 sinodalidade, aos padres, cuja \u201cprimeir\u00edssima impress\u00e3o \u00e9 excelente\u201d, e aos jovens que \u201cpodem esperar proximidade e disponibilidade\u201d do seu novo bispo.<\/p>\n<p>D. Pedro Fernandes vai ser ordenado bispo na cidade de Portalegre, no dia 16 de novembro. Antes, foi entrevistado na casa provincial dos Mission\u00e1rios Espiritanos, em Lisboa, para o Programa 70&#215;7, transmitido este domingo (9 de novembro), na RTP2.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida pelo jornalista Henrique Matos<\/em><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia (AE) &#8211; Como \u00e9 que acolhe agora este desafio que a Igreja lhe prop\u00f5e?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Pedro Fernandes (PF)<\/em> &#8211; Obrigado pela vossa vinda.\u00a0Acolho com disponibilidade, porque essa \u00e9 uma caracter\u00edstica, penso eu, dos mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo, e penso que de todos os crist\u00e3os que s\u00e3o chamados a isso.\u00a0Portanto, h\u00e1 alguma abertura.<\/p>\n<p>\u00c9, efetivamente, uma proposta completamente inesperada e, portanto, uma surpresa que demora o seu tempo a digerir.\u00a0E estou, por isso, a tentar fazer esse processo, mas acolho com esperan\u00e7a, porque a verdade \u00e9 que somos todos chamados ao servi\u00e7o, somos chamados \u00e0 miss\u00e3o, e a miss\u00e3o, vivida na f\u00e9, apresenta sempre este perfil de surpresa e de novidade.\u00a0E, portanto, h\u00e1 que estar aberto a isso, e os desafios fazem-nos sempre muito bem, a n\u00edvel pessoal e a n\u00edvel comunit\u00e1rio tamb\u00e9m. Sem d\u00favida que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que me faz sair da minha zona de conforto, mas, por outro lado, se calhar, projeta-me para uma nova caminhada que ser\u00e1, certamente, sem d\u00favida, enriquecedora tamb\u00e9m para mim e espero para os outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; \u00c9 uma grande mudan\u00e7a, penso eu, porque o mission\u00e1rio, e o caso dos mission\u00e1rios espiritanos, est\u00e3o focados tamb\u00e9m noutras latitudes do mundo e t\u00eam um desenvolvimento da atividade mission\u00e1ria muito, digamos, globalizado, porque est\u00e3o continuamente em intera\u00e7\u00e3o com outras realidades culturais, com outros mission\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 uma mudan\u00e7a muito abrupta, agora, ir para uma diocese do interior do pa\u00eds?\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211; Por um lado, sim. Por outro lado, n\u00e3o.\u00a0A\u00ed est\u00e1 uma resposta diplom\u00e1tica.\u00a0Por um lado, sim, porque, efetivamente, uma das nossas caracter\u00edsticas principais, mais marcantes, \u00e9 mesmo a miss\u00e3o Ad Gentes. Somos chamados \u00e0 primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, ao servi\u00e7o entre povos que n\u00e3o ouviram a mensagem do Evangelho e, portanto, muito facilmente nos encontramos em situa\u00e7\u00f5es muit\u00edssimo diversas daquelas que conhecemos em Portugal.\u00a0Nesse sentido, evidentemente, \u00e9 diferente.\u00a0Eu trabalhei em Mo\u00e7ambique, tinha trabalhado em Angola por um tempo tamb\u00e9m, onde fui passando por diferentes realidades, sobretudo em contexto africano. E, portanto, nesse sentido, a diferen\u00e7a e a mudan\u00e7a abrupta, ainda que eu j\u00e1 estivesse em Portugal h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1, com certeza, uma continuidade, porque a miss\u00e3o, para al\u00e9m da sua dimens\u00e3o geogr\u00e1fica, ela \u00e9, sobretudo, existencial, humana, junto das pessoas.\u00a0Ela tem, tamb\u00e9m, esta caracter\u00edstica da diversidade e da necess\u00e1ria integra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o das diferen\u00e7as e, portanto, onde quer que estejamos, esse desafio coloca-se. No caso de Diocese de Porto Alegre-Castelo Branco, n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 uma diocese, tamb\u00e9m, com bastante diversidade, bastante heterog\u00e9nea e com desafios de miss\u00e3o e de evangeliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 relacionados com a interioridade e com as caracter\u00edsticas que j\u00e1 conhecemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;<\/em>\u00a0<em>O que \u00e9 que j\u00e1 conhece ou o que \u00e9 que j\u00e1 conhecia desta realidade de Igreja, desta realidade tamb\u00e9m de espa\u00e7o territorial do nosso pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, vou conhecendo, j\u00e1 c\u00e1 estou h\u00e1 bastantes anos, e sou portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Refiro-me \u00e0 diocese, ao espa\u00e7o territorial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211;\u00a0Quando foi feita esta proposta de ir para Portalegre-Castelo Branco, a minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi dizer mas est\u00e3o-me a propor ir para a diocese portuguesa que eu conhe\u00e7o menos, porque, efetivamente, passei por diferentes raz\u00f5es, ou por um lugar ou por outro e tive algum contato com diferentes realidades.\u00a0No caso de Portalegre-Castelo Branco, o conhecimento era quase zero.\u00a0Bom, foi-me dito que, se calhar, isto seria uma vantagem e etc.<\/p>\n<p>E eu acolhi esta argumenta\u00e7\u00e3o, porque, em qualquer dos casos, em rigor, nunca h\u00e1 territ\u00f3rios verdadeiramente desconhecidos porque h\u00e1 um pressuposto de fraternidade e de comunh\u00e3o que nos torna verdadeiramente irm\u00e3os onde quer que estejamos e com quem quer que estejamos.\u00a0Portanto, de facto, o meu conhecimento da realidade da diocese era muito perto do zero.\u00a0Evidentemente que agora, nestas \u00faltimas semanas, tenho tentado aproximar-me e conhecer um pouquinho melhor, mas estou ainda na pr\u00e9-hist\u00f3ria desse caminho. E tenho consci\u00eancia de que, pela frente, h\u00e1 um itiner\u00e1rio longo de conhecimento, de escuta, de aprendizagem, que tem que ser feita, naturalmente, com as pessoas da diocese, com o clero da diocese e com o povo de Deus, claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Foram seis anos como respons\u00e1vel provincial aqui dos mission\u00e1rios espiritanos.\u00a0\u00c9 uma mais-valia, tamb\u00e9m, este know-how adquirido para o governo de uma diocese?<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211;\u00a0Creio que sim.\u00a0Todas as nossas experi\u00eancias humanas e eclesiais s\u00e3o mission\u00e1rias, s\u00e3o sempre uma mais-valia.\u00a0Neste caso concreto, evidentemente que houve uma longa experi\u00eancia, uma forte experi\u00eancia de gest\u00e3o de pessoas, de situa\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias, de desafios de diversa ordem e, portanto, este contacto com a necessidade de gerir pessoas e de gerir obras e miss\u00e3o, naturalmente que existiu fortemente.<\/p>\n<p>Os anos que eu passei em \u00c1frica tamb\u00e9m acabaram por ser uma experi\u00eancia muito enriquecedora para mim, que passou muito tamb\u00e9m pela gest\u00e3o de pessoas e de miss\u00e3o, porque, durante o tempo que l\u00e1 estive, acabei por desempenhar fun\u00e7\u00f5es muito ligadas \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o pastoral da diocese, etc.\u00a0E, portanto, acabou por trazer tamb\u00e9m um <em>know-how<\/em> que \u00e9 o que \u00e9, com as suas pobrezas e tamb\u00e9m algumas riquezas.<\/p>\n<p>E, como eu dizia, qualquer que seja a nossa experi\u00eancia humana e mission\u00e1ria, \u00e9 sempre enriquecedora para a experi\u00eancia seguinte. Somos uma cadeia de muitos elos, e os elos anteriores s\u00e3o sempre importantes para os seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Recorda quando um dia chegou \u00e0 \u00c1frica a primeira vez, acho que como di\u00e1cono, que fez a sua primeira experi\u00eancia mission\u00e1ria continuada nesse territ\u00f3rio.\u00a0Depois, Mo\u00e7ambique adquiriu ali um conhecimento de Igreja que contrastava muito com a Igreja que viv\u00edamos em Portugal, que aqui faz caminho.\u00a0S\u00e3o realidades muito diferentes. <\/em><\/p>\n<p><em>E sei que a dado momento, j\u00e1 na realidade de Mo\u00e7ambique, estimulou muito a forma\u00e7\u00e3o dos leigos, dos catequistas.\u00a0Podemos dizer que, de alguma forma, aquela realidade de Igreja antecipa, de certa forma, a realidade sinodal que estamos a viver agora aqui no nosso pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p>PF &#8211; Eu diria que sim.\u00a0N\u00e3o sei se antecipa, mas em todo caso expressa, concretiza.\u00a0A realidade das Igrejas Africanas ou da Igreja em \u00c1frica, ela tamb\u00e9m \u00e9 muito plural. A minha primeira experi\u00eancia em contexto de miss\u00e3o <em>Ad Gentes<\/em> e em \u00c1frica foi na Guin\u00e9-Bissau, como disse estagi\u00e1rio, como di\u00e1cono, e era um contexto de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o pura.\u00a0Est\u00e1vamos no interior do pa\u00eds, em territ\u00f3rio manjaco, e o trabalho da Igreja era muito um trabalho de catecumenado.\u00a0E, na verdade, tivemos os primeiros 18 batismos naquela comunidade, no per\u00edodo em que eu l\u00e1 estive. E era uma realidade muito desafiante, como proposta do Evangelho, no meio de uma cultura riqu\u00edssima, lind\u00edssima, mas completamente alheia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Isso foi muito enriquecedor.\u00a0Desafiou-me a alargar a minha capacidade de flexibilidade, de acolhimento da diferen\u00e7a, de perce\u00e7\u00e3o dos valores e da riqueza dos outros, que s\u00e3o mesmo outros, mesmo muito diferentes, em muitos aspetos, e ao mesmo tempo s\u00e3o totalmente mesmos, porque a gente reconhece a nossa humanidade, e tantos dos nossos reflexos muito fundamentais em todas as pessoas, em todas as culturas. Algu\u00e9m dizia, afinal, o amor e o carinho com que uma m\u00e3e abra\u00e7a um filho \u00e9 exatamente o igual em \u00c1frica, na \u00c1sia ou na Europa, ainda que depois, naturalmente, as express\u00f5es culturais das rela\u00e7\u00f5es parentais, ou outras, sejam muito diferentes.<\/p>\n<p>Esse exerc\u00edcio de alargamento das pr\u00f3prias capacidades de rela\u00e7\u00e3o, de escuta, e de autossupera\u00e7\u00e3o, e de relativiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, de muitas certezas absolutas, que depois come\u00e7am a ser questionadas a partir de realidades diferentes, acaba por ser um exerc\u00edcio interessante.<\/p>\n<p>No caso de Mo\u00e7ambique, a realidade era bastante diferente, tamb\u00e9m era de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, mas no contexto de uma Igreja j\u00e1 muito constitu\u00edda, com muit\u00edssimas comunidades. O primeiro lugar onde estive, t\u00ednhamos 136 comunidades crist\u00e3s, \u00e9ramos uma equipa de, logo no in\u00edcio, de dois, depois pass\u00e1mos a tr\u00eas, mas muitas destas comunidades eram t\u00e3o grandes como algumas das nossas par\u00f3quias aqui.\u00a0 E, portanto, \u00e9ramos desafiados a ter uma presen\u00e7a que, evidentemente, n\u00e3o podia ser permanentemente f\u00edsica, mas uma presen\u00e7a que era muito de coordena\u00e7\u00e3o e de acompanhamento das lideran\u00e7as laicais. E a\u00ed a gente aprofunda esta dimens\u00e3o fundamental, ou esta certeza fundamental, de que a Igreja somos n\u00f3s, todos.\u00a0E s\u00e3o mesmo todos.\u00a0O papel, neste caso, dos mission\u00e1rios, dos padres religiosos, religiosas que estavam l\u00e1, era sermos equipa, trabalhar em coes\u00e3o, e em muita escuta e muita rela\u00e7\u00e3o com todos aqueles que estavam a caminhar no terreno, e a trabalhar arduamente, a arrega\u00e7ar as mangas, para servir aquela Igreja e aquelas comunidades. Portanto, o nosso trabalho era muito de acompanhamento, de forma\u00e7\u00e3o das diferentes lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, as comunidades crist\u00e3s, n\u00f3s chamamos pequenas comunidades ministeriais, em que \u00e9 suposto que todos os seus membros tenham tarefas, fun\u00e7\u00f5es, ocupem um lugar espec\u00edfico na comunidade, importante, importante sempre, para todos, e o trabalho era coordenar isso, acompanhar aquela m\u00e1quina enorme, organizativa, que tinha uma caracter\u00edstica pastoral e social muito acentuada. E mais do que fazer, era acompanhar e ajudar os outros a fazer.\u00a0Programar, formar, avaliar, prosseguir.\u00a0E isto, sim, isto \u00e9 muito enriquecedor para qualquer mission\u00e1rio, para qualquer padre ou religioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;\u00a0Por aqui ainda se vive um bocadinho algum saudosismo da grande cristandade.\u00a0Por vezes, ainda desenhamos planos pastorais para uma realidade que se calhar j\u00e1 n\u00e3o existe.\u00a0E o territ\u00f3rio que agora tem pela frente, Portalegre-Castelo Branco, parece-me ter algumas semelhan\u00e7as com essa realidade que estava a referir. E se calhar \u00e9 tamb\u00e9m uma zona de pastoral, um territ\u00f3rio de pastoral, onde \u00e9 necess\u00e1rio que as pessoas comecem a assumir responsabilidades mais espec\u00edficas da Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211; Eu acredito que esse caminho j\u00e1, evidentemente, foi iniciado, foi feito.\u00a0Eu vou apanhar, naturalmente, vou apanhar um comboio que j\u00e1 est\u00e1 em andamento, eu vou entrar nele como quem aprende e como quem, humildemente, se coloca ao servi\u00e7o de um caminho que j\u00e1 existe, que j\u00e1 est\u00e1 a ser feito.<\/p>\n<p>Mas, como diz, a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade da Igreja na Europa, e no Ocidente, e nas velhas Igrejas, digamos, h\u00e1 um desafio importante.\u00a0Que, por um lado, \u00e9 aproveitar toda a mem\u00f3ria, toda a experi\u00eancia feita, da qual n\u00f3s n\u00e3o podemos fazer, evidentemente, t\u00e1bua rasa, e, portanto, colher toda a riqueza que foi vivida, recolhida, em di\u00e1logo com o Esp\u00edrito Santo, naturalmente, ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos uma realidade, como diz, efetivamente nova, novos desafios. E quando o Papa Jo\u00e3o Paulo II lan\u00e7ou todo o projeto da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, quando o Papa Francisco centrou todo o seu pontificado neste tema da miss\u00e3o, e da abertura, e do servi\u00e7o, e do di\u00e1logo, e da escuta, e da sinodalidade, naturalmente, tinham bem presente o facto de vivermos tempos novos, a tal famosa mudan\u00e7a de \u00e9poca, e que precisam de respostas novas.\u00a0Portanto, o mesmo Jesus Cristo, ontem, hoje e por toda a eternidade, claro que tem de ser proposto de uma forma aud\u00edvel, de uma forma leg\u00edvel, pelos nossos contempor\u00e2neos.\u00a0Isso \u00e9 um desafio.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m dizia que \u00e9 mais f\u00e1cil construir de novo, do zero, na constru\u00e7\u00e3o civil tamb\u00e9m, do que restaurar, ou do que trabalhar a partir de edif\u00edcios j\u00e1 existentes.\u00a0N\u00e3o se trata aqui, naturalmente, de restaurar, trata-se de prosseguir a hist\u00f3ria, e de perceber os desafios pr\u00f3prios da hist\u00f3ria, sem cair nem no saudosismo, nem no restauracionismo, nem em tend\u00eancias defensivas, autopreservadoras, que acabam por estragar a miss\u00e3o, e por estragar at\u00e9 a nossa pr\u00f3pria comunh\u00e3o como Igreja.<\/p>\n<p>E essa tenta\u00e7\u00e3o da autopreserva\u00e7\u00e3o, e da defesa de padr\u00f5es que serviram muito bem noutros desafios, \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o me parece que venha de Deus. E, por isso, \u00e9 preciso estar atento a ela, e distinguir aquilo que \u00e9 o respeito sagrado pela mem\u00f3ria, daquilo que \u00e9 uma autopreserva\u00e7\u00e3o doentia, que nos impede de avan\u00e7ar e de viver a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E tem esperan\u00e7a, ou vais percebendo que, por c\u00e1, tamb\u00e9m, nas comunidades h\u00e1 leigos com disponibilidade para assumirem minist\u00e9rios, para dar corpo a essa Igreja tamb\u00e9m ministerial, dando continuidade tamb\u00e9m \u00e0quilo que est\u00e1 expresso no documento sinodal, desta Igreja que caminha lado a lado?<\/em><\/p>\n<p><em>PF<\/em> &#8211;\u00a0Estou absolutamente convencido disso.\u00a0H\u00e1 imens\u00edssimos leigos e leigas nas nossas comunidades crist\u00e3s, por todo o pa\u00eds, na Europa, que d\u00e3o a vida, que servem na catequese, nos servi\u00e7os lit\u00fargicos, nos servi\u00e7os sociais, enfim, em v\u00e1rios \u00e2mbitos da pastoral, ou da solidariedade, humana, a partir de convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e de um enraizamento na Igreja.\u00a0N\u00e3o faltam pessoas que est\u00e3o profundamente comprometidas nisso, em muita diversidade tamb\u00e9m, de modos de estar, de ser, de olhar, e todas essas pessoas, claro que s\u00e3o bem-vindas e pertencem.<\/p>\n<p>E, portanto, eu acho que o primeiro passo de qualquer servi\u00e7o de lideran\u00e7a na Igreja \u00e9 reconhecer essa perten\u00e7a de todos, valorizar tanta riqueza que existe em tantas pessoas e, naturalmente, potenciar essa riqueza e estimul\u00e1-la, acolh\u00ea-la, integr\u00e1-la e contribuir para que aconte\u00e7a cada vez com maior intensidade, cada vez com maior compromisso.\u00a0Claro que h\u00e1 desafios de motiva\u00e7\u00e3o para tantas outras pessoas que, eventualmente, continuam a estar na Igreja mais como consumidores do que como contribuintes, digamos assim.\u00a0Mais como gente que vai receber servi\u00e7os, vai \u00e0 Missa, vai aos casamentos, aos batizados e aos funerais, e n\u00e3o chegou ainda a perceber que a Igreja \u00e9 ela pr\u00f3pria, e \u00e9 chamada a dar a sua parte e a entregar-se.<\/p>\n<p>E, na verdade, quanto mais nos damos, mais nos enriquecemos.\u00a0Esta \u00e9 uma l\u00f3gica bastante anticapitalista porque, na verdade, quanto mais gastamos, mais temos.\u00a0Quanto mais nos gastamos, mais temos. E esta \u00e9 a din\u00e2mica pascal da f\u00e9 crist\u00e3.\u00a0E, portanto, ajudarmo-nos todos uns aos outros a compreender isto e a compreend\u00ea-lo n\u00e3o apenas intelectualmente mas, na experi\u00eancia, parece-me que \u00e9 um desafio para n\u00f3s todos e, portanto, tamb\u00e9m para o bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como mission\u00e1rio espiritano, trabalhou muito com os jovens, nomeadamente dinamiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos.\u00a0Os espiritanos, os Jovens Sem Fronteiras, por exemplo, s\u00e3o apenas um dessas express\u00f5es.\u00a0O que \u00e9 que espera o Bispo de Portalegre-Castelo Branco dos jovens daquela regi\u00e3o? O que \u00e9 que eles tamb\u00e9m podem esperar do seu novo bispo?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &#8211;<\/em>\u00a0Os jovens de Portalegre-Castelo Branco, do seu novo bispo, podem esperar proximidade e disponibilidade.<\/p>\n<p>Disponibilidade para estar com eles, para aprender com eles,\u00a0para caminhar junto e, portanto, sim, vou procurar, nas minhas muitas limita\u00e7\u00f5es,\u00a0estar perto de todos e, portanto, tamb\u00e9m dos jovens\u00a0e, especialmente, dos jovens, porque me parece\u00a0que eles t\u00eam tanto, tanto a dar \u00e0 Igreja\u00a0e a sua riqueza \u00e9 t\u00e3o grande\u00a0que me parece que seria completamente insano\u00a0trat\u00e1-los como se fossem apenas mais um setor social\u00a0na vida da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>Os jovens, parece-me, s\u00e3o absolutamente determinantes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque s\u00e3o o futuro, mas \u00e9 porque s\u00e3o o presente, e porque eles s\u00e3o a sinaliza\u00e7\u00e3o fundamental do nosso modo apropriado de estarmos num mundo contempor\u00e2neo. Eles, mais do que qualquer outro grupo social, podem-nos mostrar, nos dar os sinais de tr\u00e2nsito por onde devemos ir.\u00a0Naturalmente, a grande refer\u00eancia \u00e9 Cristo e \u00e9 o Evangelho e \u00e9 a escuta do Esp\u00edrito mas esta escuta do Esp\u00edrito acontece na escuta dos outros, e na escuta da comunidade crist\u00e3 atrav\u00e9s da qual o Esp\u00edrito nos fala e, portanto, a voz dos jovens \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que eu espero dos jovens?\u00a0Que sejam eles pr\u00f3prios,\u00a0que ou\u00e7am as vozes de Deus nas suas vidas,\u00a0que se ponham, portanto, \u00e0 escuta\u00a0e que estejam dispon\u00edveis, que n\u00e3o tenham medo,\u00a0como dizia o Papa Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0que escancarem as portas a Cristo, e que se deixem guiar por este Cristo\u00a0que est\u00e1 presente j\u00e1 nas suas vidas, e nos seus questionamentos e nas suas buscas de sentido, e tantos est\u00e3o fortemente investidos nisso. E dou gra\u00e7as a Deus por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;\u00a0Existem tamb\u00e9m os presb\u00edteros que s\u00e3o uns diretos colaboradores do bispo, e tamb\u00e9m eles estar\u00e3o na expectativa de quem chega.\u00a0Que g\u00e9nero de rela\u00e7\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o, de Igreja quer estabelecer com estes sacerdotes desta diocese que, obviamente, ser\u00e3o muito diferentes uns dos outros pela faixa et\u00e1ria, pelo envolvente cultural tamb\u00e9m em que cresceram, mas s\u00e3o padres ao servi\u00e7o da Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>PF &#8211;<\/em> J\u00e1 fui conhecendo alguns, e a minha primeir\u00edssima impress\u00e3o \u00e9 excelente, eu diria, n\u00e3o podia ser melhor.\u00a0Evidentemente, que parto do princ\u00edpio que todos eles t\u00eam, como disse, diferentes personalidades, diferentes backgrounds, modos diferentes de estar, etc.\u00a0Eles ser\u00e3o os meus mestres.<\/p>\n<p>Eu estou a entrar numa nova realidade\u00a0na qual preciso de aprender\u00a0e, portanto, evidentemente que serei aprendiz de bispo, e essa escola a\u00ed ter\u00e1 como professores, e como acompanhadores e tutores\u00a0todos, mas de modo muito especial, naturalmente,\u00a0o presbit\u00e9rio da diocese\u00a0com o qual quero estabelecer rela\u00e7\u00f5es\u00a0da maior proximidade poss\u00edvel,\u00a0da maior fraternidade poss\u00edvel,\u00a0porque o bispo \u00e9, sobretudo, um irm\u00e3o.\u00a0E, portanto, \u00e9 um irm\u00e3o de todos, que caminha com todos e que ajuda todos a perceber os la\u00e7os essenciais de fraternidade que comp\u00f5em a Igreja, e que nos faz ser Igreja, uma fraternidade fundada numa filia\u00e7\u00e3o, filia\u00e7\u00e3o deste Cristo que nos faz a todos irm\u00e3os e filhos do mesmo Pai.<\/p>\n<p>E, portanto, esta filia\u00e7\u00e3o e esta fraternidade tem de ser vivida em primeiro plano com os presb\u00edteros, e dos presb\u00edteros entre si, portanto, o clero entre si, tamb\u00e9m com os di\u00e1conos, naturalmente.\u00a0E, portanto, se n\u00f3s n\u00e3o vivermos isso, dificilmente podemos propor isso aos outros todos com algum cr\u00e9dito, com alguma credibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; N\u00e3o ser\u00e1 o primeiro bispo espiritano da Diocese de Portalegre-Castelo Branco&#8230;<\/em><\/p>\n<p>PF- N\u00e3o, \u00e9 engra\u00e7ada a coincid\u00eancia.\u00a0D. Agostinho de Moura foi bispo desde o in\u00edcio dos anos 50 at\u00e9 1978, em Portalegre-Castelo Branco.\u00a0Os espiritanos portugueses tiveram v\u00e1rios bispos ao longo da sua hist\u00f3ria, mas todos eles fora de Portugal.<\/p>\n<p>Que eu saiba, o \u00fanico bispo em contexto propriamente portugu\u00eas foi mesmo D. Agostinho de Moura em Portalegre-Castelo Branco em tempos muito diferentes e com outros desafios.\u00a0E, portanto, ele est\u00e1 nesta longa sucess\u00e3o de pastores e mission\u00e1rios que passaram por aquelas terras ao servi\u00e7o daquele povo e daquela Igreja e eu vou, como dizia h\u00e1 bocadinho, vou entrar nesse comboio, agora numa outra carruagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Um jovem de Benfica, de Lisboa, \u00e9 um lisboeta, um dia sentiu voca\u00e7\u00e3o para uma entrega mais aprofundada na Igreja.\u00a0Alguma vez pensou chegar onde a Igreja agora lhe pede que a sirva?<\/em><\/p>\n<p><em>PF &#8211;<\/em>\u00a0A resposta \u00f3bvia n\u00e3o.\u00a0Se fosse sim, tamb\u00e9m n\u00e3o ia dizer que sim.\u00a0Mas de facto \u00e9, n\u00e3o me passou pela cabe\u00e7a, na verdade. A f\u00e9 e a rela\u00e7\u00e3o com Deus e a inser\u00e7\u00e3o na Igreja sempre esteve muito presente na minha inf\u00e2ncia.\u00a0Era algo muito forte por forma\u00e7\u00e3o e contexto familiar mas tamb\u00e9m, acho eu, por sensibilidade pessoal, e por um trabalho que o Nosso Senhor vai fazendo tamb\u00e9m connosco, com todos n\u00f3s e cada um a seu modo.<\/p>\n<p>E, portanto, Deus sempre esteve presente na minha vida.\u00a0Durante muito tempo nunca me passou pela cabe\u00e7a que viria a ser padre.\u00a0Passei a escola secund\u00e1ria sem que isso sequer se colocasse como uma remota possibilidade.\u00a0Portanto, uma experi\u00eancia de f\u00e9, de ora\u00e7\u00e3o, de inser\u00e7\u00e3o na Igreja que me trouxe esse questionamento, essa inquieta\u00e7\u00e3o e que, afinal, me fez perceber que, no fundo, ela tinha sempre estado presente de uma maneira mais ou menos latente, intensa, mas n\u00e3o consciente e que, por isso, me foi permitindo ir aprofundando, a partir de certa altura, na adolesc\u00eancia, essa possibilidade.<\/p>\n<p>Ficou claro, bastante cedo, que aquilo a que Nosso Senhor me chamava seria, realmente, a vida mission\u00e1ria, e a experi\u00eancia de miss\u00e3o em contexto de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o e, certamente, de servi\u00e7o aos mais pobres, e de disponibilidade para, eventualmente, as tarefas ou as situa\u00e7\u00f5es com mais dificuldade em encontrar mission\u00e1rios.\u00a0E isso \u00e9 a cara dos Mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo.\u00a0E foi por isso que me juntei aos Espiritanos no final da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Nunca me passou pela cabe\u00e7a nem ser bispo e, no in\u00edcio, nem sequer ser padre e, em rigor, o que esteve bastante presente desde o princ\u00edpio foi o meu compromisso em contexto de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o.\u00a0Eu ainda estaria em Mo\u00e7ambique se n\u00e3o me tivesse sido pedido que voltasse para Portugal para outras fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_97074\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iGBoKaryp7Y?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; 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