{"id":39864,"date":"2009-07-08T00:01:14","date_gmt":"2009-07-08T00:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/08\/jogos-escondidos-com-a-verdade-de-fora\/"},"modified":"2009-07-08T00:01:14","modified_gmt":"2009-07-08T00:01:14","slug":"jogos-escondidos-com-a-verdade-de-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jogos-escondidos-com-a-verdade-de-fora\/","title":{"rendered":"Jogos escondidos com a verdade de fora"},"content":{"rendered":"<p>A transpar\u00eancia continua a ser a virtude primeira da rela\u00e7\u00e3o humana. Que se explicita no tempo gratuito e sereno das f\u00e9rias. <!--more--> <\/p>\n<p>Est&aacute; a&iacute; o Ver&atilde;o. E as f&eacute;rias, o mar, a montanha, as origens, a mem&oacute;ria, a fam&iacute;lia. N&atilde;o se juntam, necessariamente numa grande festa. Mas muitas vezes aproximam-se numa esp&eacute;cie de Natal menos apressado, com tempo para assentar, conviver, recordar e celebrar. Aparentemente sem nada de sagrado. Mas com sentido numa esp&eacute;cie de visita &agrave; inf&acirc;ncia, sem ornamentos do trabalho, da cidade, da pol&iacute;tica, dos meios herm&eacute;ticos quantas vezes geradores de m&aacute;scaras para uma espect&aacute;culo social ou p&oacute;dio de prest&iacute;gio para uma visibilidade respeit&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o aos outros.<\/p>\n<p>Temos presenciado, de h&aacute; algum tempo a esta parte, espect&aacute;culos perturbadores em mat&eacute;ria de economia, finan&ccedil;as, neg&oacute;cios, pol&iacute;tica, empreendimentos, sempre aos milh&otilde;es, com jogos escondidos sem percebermos o que significam as promessas, os contratos, os desvios, corrup&ccedil;&otilde;es, roubos, manobras de compra, venda, cumplicidade, estrat&eacute;gias de oculta&ccedil;&atilde;o do que se pretende, embaciamento do olhar do cidad&atilde;o comum que n&atilde;o se apercebe dos jogos por baixo da mesa e at&eacute; desconfia da sanidade do seu pr&oacute;prio olhar. Assim, nada &eacute; o que parece, embora se diga que em pol&iacute;tica o que parece &eacute;. As ac&ccedil;&otilde;es ou omiss&otilde;es sobre dinheiros, justi&ccedil;a, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, tecnologia, manobras empresariais, cobrem-se duma neblina enganosa que, a um tempo deixa ver metade e oculta a outra metade dos factos e das manobras em v&aacute;rios quadrantes. A mesa de bilhar parece a grande par&aacute;bola dos poderes. Um toque, aparentemente simples, leva efeito, direc&ccedil;&atilde;o, sequ&ecirc;ncia, recoloca&ccedil;&atilde;o, vit&oacute;ria ou suic&iacute;dio. &Eacute; um jogo complexo, escondido na intelig&ecirc;ncia e habilidade de quem desfere um impulso d&eacute;bil numa bola fria e indiferente.<\/p>\n<p>H&aacute; gestos com destino de gl&oacute;ria ou de humilha&ccedil;&atilde;o. Directos, p&uacute;blicos, claros, registados, repetidos, interpretados por cr&iacute;ticos com pouco pudor mas que sabem escandalizar-se, rasgar as vestes, invocar a moral, dizer-se, finalmente, civilizados. E que espalham o seu olhar &agrave; sociedade que exorciza tabus, vive opulentamente das p&uacute;blicas virtudes e v&iacute;cios privados. Que esmaga impiedosamente quem desconhece ou transgride as regras. Ai de quem tem a infelicidade de cair nesta armadilha. <\/p>\n<p>E, todavia, a transpar&ecirc;ncia continua a ser a virtude primeira da rela&ccedil;&atilde;o humana. Que se explicita no tempo gratuito e sereno das f&eacute;rias. Mas que diz respeito ao todo pessoal e social. A mentira n&atilde;o &eacute; boa regra para nenhum quadro de vida.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transpar\u00eancia continua a ser a virtude primeira da rela\u00e7\u00e3o humana. 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