{"id":39860,"date":"2009-07-07T17:25:23","date_gmt":"2009-07-07T17:25:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/07\/enciclica-crise-e-eleicoes-em-debate\/"},"modified":"2009-07-07T17:25:23","modified_gmt":"2009-07-07T17:25:23","slug":"enciclica-crise-e-eleicoes-em-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/enciclica-crise-e-eleicoes-em-debate\/","title":{"rendered":"Enc\u00edclica, crise e elei\u00e7\u00f5es em debate"},"content":{"rendered":"<p>O presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, defendeu esta Ter&ccedil;a-feira em F&aacute;tima que a enc&iacute;clica &quot;Caritas in veritate&quot;, de Bento XVI, chega &quot;na hora exacta&quot;, destacando a import&acirc;ncia que o texto pode ter para a avalia&ccedil;&atilde;o dos programas pol&iacute;ticos nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es, no nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Num encontro in&eacute;dito, destinado a apresentar o novo documento do Papa, o Arcebispo de Braga disse ser necess&aacute;rio discutir o texto &quot;com a sociedade portuguesa&quot;, em especial para ajudar a formar um voto mais &quot;consciente&quot;, como a CEP j&aacute; tinha pedido na sua &uacute;ltima Assembleia Plen&aacute;ria.<\/p>\n<p>&quot;Esta carta-enc&iacute;clica, se fosse lida e meditada por todos os crist&atilde;os, em primeiro lugar,&nbsp;e particularmente tamb&eacute;m pelos pol&iacute;ticos, num tempo que se aproxima&nbsp;de elei&ccedil;&otilde;es e campanhas eleitorais, de programas que v&atilde;o ser elaborados, estou convencido que seria muito &uacute;til&quot;, defendeu o prelado.<\/p>\n<p>De acordo com D. Jorge Ortiga, &quot;a Igreja n&atilde;o se quer intrometer em quest&otilde;es pol&iacute;ticas, mas h&aacute; uma doutrina que se repercute em v&aacute;rios sectores da vida&quot;.<\/p>\n<p>Nesse sentido, defendeu que a &quot;Caritas in veritate&quot; (Caridade na verdade) cont&eacute;m um &quot;conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o enriquecer muito a sociedade portuguesa&quot;.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; necess&aacute;rio projectar de novo o nosso caminho&quot;, encontrando regras e formas novas de compromisso, acrescentou o presidente da CEP, para quem a crise exige &quot;novos paradigmas de vida&quot;, em termos individuais e sociais: &quot;&Eacute; urgente renovar&quot;.<\/p>\n<p>Comentando o t&iacute;tulo dado pelo Papa &agrave; sua terceira enc&iacute;clica, o Arcebispo de Braga sublinhou que o amor &quot;impele as pessoas a comprometerem-se&quot; e que &quot;a Igreja tem de denunciar determinadas situa&ccedil;&otilde;es em nome da verdade&quot;.<\/p>\n<p>Nesse sentido, disse esperar que a carta &quot;chegue ao cora&ccedil;&atilde;o da sociedade portuguesa&quot;<\/p>\n<p>Esta iniciativa in&eacute;dita visou colocar a Igreja em di&aacute;logo &quot;com toda a sociedade&quot;.<\/p>\n<p>Aos jornalistas, o presidente da CEP disse ainda que na reuni&atilde;o do Conselho Permanente deste organismo, que decorreu em F&aacute;tima, n&atilde;o se abordou em profundidade a nova enc&iacute;clica porque em cima da mesa estavam quest&otilde;es pendentes para a regulamenta&ccedil;&atilde;o da Concordata.<\/p>\n<p>&quot;Esta regulamenta&ccedil;&atilde;o tem sido feita, particularmente nos &uacute;ltimos tempos, a partir de di&aacute;logo sobre os documentos, em v&aacute;rias inst&acirc;ncias. Temos estado neste quase jogo de pingue-pongue&quot;, indicou.<\/p>\n<p>&quot;Esperemos que j&aacute; se esteja a chegar ao fim&quot;, acrescentou, admitindo que alguns aspectos ainda necessitar&atilde;o de uma abordagem posterior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para l&aacute; da crise<\/strong><\/p>\n<p>Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz (CNJP), foi o convidado da CEP para comentar a nova enc&iacute;clica, &quot;um documento extremamente denso&quot;. &quot;O Papa evita que se confunda caridade com sentimentalismo, com um conjunto de bons sentimentos muitas vezes inconsequentes&quot;, adianta.<\/p>\n<p>O especialista considerou que a enc&iacute;clica n&atilde;o &eacute; &quot;sobre a crise&quot;, mas &quot;sobre o desenvolvimento humano&quot;, com um &quot;olhar sobre a caridade na verdade&quot;, escrita &quot;em tempo de crise, mas v&aacute;lido para a situa&ccedil;&atilde;o do mundo antes da crise e depois da crise, se durante a mesma n&atilde;o houver mudan&ccedil;as substanciais&quot;.<\/p>\n<p>Este respons&aacute;vel frisou que &quot;no pensamento crist&atilde;o o amor tamb&eacute;m se estende &agrave;s estruturas da sociedade&quot;, por outras palavras, &quot;tem uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica&quot;.<\/p>\n<p>Na sociedade, prosseguiu, &quot;tem de haver lugar para a gratuidade&quot;, indo para al&eacute;m dos direitos e dos deveres, &quot;o elemento mais original do Cristianismo no olhar a sociedade, acrescentando um teor de humanidade&quot;<\/p>\n<p>Bruto da Costa afirmou que onda &quot;neoliberal&quot; das &uacute;ltimas d&eacute;cadas levou o &quot;individualismo&quot; a praticamente apagar o conceito de bem comum, o bem de &quot;n&oacute;s todos&quot;, como diz o Papa &quot;salientando a dimens&atilde;o relacional do ser humano&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estado<\/em><\/p>\n<p>O documento de Bento XVI advoga uma nova ordem pol&iacute;tica e financeira internacional, que para o presidente da CNJP se justifica pelo facto de os Estados estarem a perder o seu poder pol&iacute;tico, porque &quot;a actividade econ&oacute;mica e financeira n&atilde;o tem fronteiras&quot; e pela progressiva reuni&atilde;o dos Estados em organiza&ccedil;&otilde;es &quot;supraregionais&quot;. Nesse sentido, acrescentou, h&aacute; uma necessidade de &quot;reavaliar o papel&quot;.<\/p>\n<p>Bruto da Costa disse que o Papa fala da globaliza&ccedil;&atilde;o como um factor &quot;neutro&quot;, que &quot;faz vizinhos, mas n&atilde;o faz irm&atilde;os&quot;, e aborda a quest&atilde;o do desenvolvimento numa perspectiva antropol&oacute;gica. A este respeito, citou a defini&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento de Paulo VI &#8211; &quot;a passagem de condi&ccedil;&otilde;es menos humanas para condi&ccedil;&otilde;es mais humanas&quot; -, para ilustrar o percurso da enc&iacute;clica de Bento XVI, que vai das quest&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia &agrave; abertura a Deus, &quot;condi&ccedil;&atilde;o mais humana de todas&quot;.<\/p>\n<p>As quest&otilde;es morais, avan&ccedil;ou, n&atilde;o atingem os indiv&iacute;duos, de forma isolada, s&atilde;o mat&eacute;ria de &quot;legisla&ccedil;&atilde;o&quot; e devem &quot;passar a fazer parte da Doutrina Social da Igreja&quot;. Alfredo Bruto da Costa referiu ainda que os crist&atilde;os &quot;n&atilde;o s&atilde;o sens&iacute;veis &agrave; problem&aacute;tica dos Direitos Humanos&quot;, o que considera uma &quot;contradi&ccedil;&atilde;o&quot;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mercado<\/em><\/p>\n<p>O presidente da CNJP destacou que o Papa fala do mercado, mas n&atilde;o aborda o capitalismo: &quot;Temos de saber colocar o problema da economia para al&eacute;m da dicotomia capitalismo-socialismo&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Bento XVI vai aos elementos estruturantes e fala de mercado&quot;, onde o valor das trocas tem de ser igual. O Papa acrescenta uma justi&ccedil;a &quot;distributiva&quot;, que implica &quot;a ac&ccedil;&atilde;o dos governos&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;&quot;O mercado n&atilde;o tem nenhum mecanismo que garanta a justi&ccedil;a do resultado do seu exerc&iacute;cio&quot;, disse Bruto da Costa.<\/p>\n<p>O documento papal, de facto, afirma que &quot;deixado unicamente ao princ&iacute;pio da equival&ecirc;ncia de valor dos bens trocados, o mercado n&atilde;o consegue gerar a coes&atilde;o social de que necessita para bem funcionar&quot;. O Papa afirma mais &agrave; frente que &quot;de per si, o mercado n&atilde;o &eacute;, nem se deve tornar, o lugar da prepot&ecirc;ncia do forte sobre o fraco&quot;.<\/p>\n<p>Alfredo Bruto da Costa lembrou que &quot;o mercado em estado puro n&atilde;o existe, existe num contexto de valores, de poder&quot; e destacou a condena&ccedil;&atilde;o da &quot;especula&ccedil;&atilde;o&quot; feita na &quot;Caritas in veritate&quot;, bem como a sua reflex&atilde;o sobre o &quot;sentido social da empresa&quot;<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\" width=\"400\" height=\"350\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zWJ9-gI-eM8&amp;feature=player_profilepage\" \/><param name=\"width\" value=\"400\" \/><param name=\"height\" value=\"350\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zWJ9-gI-eM8&amp;feature=player_profilepage\" width=\"400\" height=\"350\"><\/embed><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa (CEP), D. 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